Uma investigação coordenada por Quintino Lopes, investigador do Instituto de História Contemporânea, polo da Universidade de Évora, está
na origem de uma nova exposição permanente dedicada ao Laboratório de Fonética Experimental de Coimbra e ao legado científico do seu fundador e diretor, Armando de Lacerda (1902-1984).
Universidade de Évora, 14 de outubro de 2026
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Intitulada “Ala Armando de Lacerda – Laboratório de Fonética Experimental de Coimbra”, a exposição foi inaugurada em setembro, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde ficará instalada em permanência.
A iniciativa resulta do projeto PHONLAB – Laboratório de Fonética: Coimbra–Harvard. Repensando os Centros e Periferias Científicas do Século
XX, desenvolvido no âmbito da investigação realizada na Universidade de Évora e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT, I.P.), em colaboração com a Reitoria da Universidade de Coimbra, o Museu da Ciência e a Faculdade de
Letras.
O trabalho desenvolvido no âmbito do PHONLAB permitiu recuperar documentação, instrumentos e outros elementos associados ao Laboratório de Fonética Experimental de Coimbra,
contribuindo para preservar e divulgar uma parte pouco conhecida da história da ciência em Portugal.
Para Quintino Lopes, esta recuperação assume uma importância que ultrapassa a dimensão nacional. O projeto, explica o investigador, “permitiu recuperar para a historiografia e para a memória coletiva a importância de um cientista e de um laboratório português de projeção mundial”.
O caso do Laboratório de Fonética Experimental de Coimbra permite igualmente repensar a relação entre os chamados centros e periferias científicas. Segundo Quintino Lopes,
para a história da ciência, “internacional, e não somente nacional”, o projeto permite mostrar “como um laboratório num espaço periférico apresenta uma capacidade de atratibilidade científica – motivada pelos
seus inovadores métodos de investigação e pelo prestígio do seu diretor – normalmente apenas reconhecida nos tradicionais centros científicos”.
É também nesta perspetiva que a exposição ganha particular relevância. Mais do que apresentar a história da fonética, o projeto constitui um exercício
de recuperação da memória científica portuguesa, trazendo para o espaço público um património que permaneceu durante décadas disperso ou pouco visível.
“A exposição, enquanto resultado do PHONLAB, permite mostrar à opinião pública como, por vezes, importantes protagonistas científicos,
embora vitais na produção de conhecimento, incorrem numa trajetória de esquecimento”, sublinha Quintino Lopes.
Essa trajetória de esquecimento pode também ser observada através da cultura material da ciência. “Numa perspetiva que atenda à cultura material, isto significa que, por exemplo, num museu, não devemos julgar que nas reservas se encontra o que não tem muito valor”, explica o investigador.
É precisamente a partir desta abordagem que a recuperação do espólio do Laboratório de Fonética Experimental de Coimbra assume particular significado. “Este projeto, e esta exposição em particular, que recuperou o espólio do Laboratório de Fonética Experimental de Coimbra a partir de depósitos e reservas, é exemplificativo
desta leitura da realidade”, evidencia Quintino Lopes.
A instalação permanente da exposição na Universidade de Coimbra constitui, assim, uma das concretizações mais visíveis deste trabalho e demonstra como a investigação
académica pode ultrapassar os limites da produção científica e transformar-se em património cultural e científico acessível à sociedade.
*Divisão de Comunicação da Universidade de Évora
**Coordenação: Andreia Rosa
***Ciência e Investigação: Marco Cardoso Institucional: Pedro Conceição

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