Um estudo realizado junto de 1004 enfermeiros de 29 organizações hospitalares públicas e privadas em Portugal identificou dificuldades na forma como as instituições
atraem e mantêm os seus profissionais. Apesar da importância atribuída à liderança e à gestão de talentos, as práticas organizacionais nesta área foram avaliadas
de forma menos favorável, evidenciando a necessidade de reforçar a valorização profissional, as oportunidades de desenvolvimento e as condições de trabalho.
O objetivo da investigação foi compreender quais os fatores que contribuem para a gestão de talentos em Enfermagem, que práticas são
utilizadas pelas organizações e quais os principais desafios relacionados com a atração e a retenção dos profissionais.
Os resultados revelaram uma avaliação globalmente positiva dos fatores associados à gestão de talentos, com destaque para as competências de liderança. Em contrapartida, as práticas organizacionais obtiveram avaliações menos favoráveis, sendo os indicadores de atração e retenção aqueles que apresentaram
os resultados mais baixos.
Estes dados sugerem que reconhecer a importância dos profissionais não é suficiente, é necessário
traduzir esse reconhecimento em práticas concretas. A valorização do trabalho realizado, as oportunidades de desenvolvimento profissional,
a progressão na carreira, uma liderança de apoio e melhores condições de trabalho são aspetos relevantes para reforçar a capacidade das organizações para atrair e manter
enfermeiros.
Publicado na revista Nursing Reports, o estudo Talent-Management in Nursing: Factors, Organisational Practices and Retention Indicators Among Portuguese Nurses—A
Cross-Sectional Study, reforça a importância do nosso país desenvolver estratégias integradas de gestão de talentos, capazes
de contribuir para a retenção dos profissionais e para a estabilidade das equipas.
Contudo, por se tratar de um estudo transversal, os resultados não permitem estabelecer relações de causa e efeito, nem concluir que estas dificuldades
sejam responsáveis pela saída de enfermeiros para outros países.
A investigação foi realizada por Telma Quaresma da Unidade Local de Saúde do Algarve e do Comprehensive Health Research Centre; Maria do Céu
Marques, da Universidade de Évora, Escola Superior de Enfermagem São João de Deus e do Comprehensive Health Research Centre; e Liliana Mota, da Escola Superior de Saúde do Norte da Cruz Vermelha
Portuguesa e do RISE-Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
*Andreia Rosa [Coordenação]
**Marco Cardoso [Ciência e Investigação]
***Pedro Conceição [Institucional]
*Divisão de Comunicação da Universidade de Évora
Universidade de Évora, 21 de outubro de 2026
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