sexta-feira, 22 de abril de 2022

Covid-19: casos e internamentos subiram na semana em que a máscara caiu

Os dados constam no boletim epidemiológico semanal divulgado esta sexta-feira pela DGS.

O boletim semanal da Direção-geral da Saúde (DGS) indica que o número de casos positivos aumentou esta semana, assim como os internamentos. Também a incidência registou uma ligeira subida em comparação com a semana anterior, mas o relatório de Monitorização das Linhas Vermelhas alerta que o Rt é agora superior a 1 em três regiões: Norte, Centro e Alentejo. 

Do total de 60.083 novos casos (mais 706 em relação à semana anterior), a região de Lisboa e Vale do Tejo (LVT) foi a que registou mais casos positivos – 20.703 (ainda assim, menos 458 do que na semana passada). Mas o destaque vai para o Norte, onde foram reportadas 16.100 novas infeções mas que correspondem a mais 2.124 do que na semana anterior.

Segue-se a região Centro com 11.762 casos (mais 588), o Alentejo com 4.102 (menos 132), o Algarve com 3.107 (menos 467), a Madeira com mais 2.240 (menos 563), e os Açores com 2.069 novos casos (menos 386 do que na semana anterior).

No que diz respeito aos internamentos que, recorde-se, correspondem à segunda-feira anterior à publicação do relatório, ou seja, a dia 18, estavam nesse dia hospitalizadas 1.207 pessoas (mais 35), das quais 46 em unidades de Cuidados Intensivos (UCI), menos 14.

Em sentido contrário, a mortalidade devido ao vírus SARS-CoV-2 desceu. Foram reportados 139 óbitos (menos nove), tendo a variação semanal sido de – 6%. A região de LVT foi a que reportou mais mortes (44), mas só a região Centro e a Madeira registaram subidas em comparação com a semana passada.

Gasóleo deve subir seis cêntimos para a semana e a gasolina dois


O Governo criou um mecanismo de compensação através do qual as taxas do ISP são ajustadas em função do acréscimo da receita do IVA resultante da subida dos preços.

O Governo criou um mecanismo de compensação através do qual as taxas do ISP são ajustadas em função do acréscimo da receita do IVA resultante da subida dos preços.

O Governo estima que, para a semana, o gasóleo aumente seis cêntimos por litro e a gasolina suba dois cêntimos, tendo decidido manter, ainda assim, as taxas do ISP inalteradas, segundo um comunicado.

"O desconto temporário do ISP manter-se-á inalterado na próxima semana, sendo de 4,7 cêntimos por litro de gasóleo e de 3,7 cêntimos por litro de gasolina" lê-se na mesma nota, do Ministério das Finanças.

"Segundo dados de mercado, o preço do gasóleo deverá registar uma subida de seis cêntimos por litro, enquanto o preço da gasolina deverá subir dois cêntimos por litro", explicou a tutela.

Segundo o Governo, "de acordo com o mecanismo semanal de revisão dos valores das taxas unitárias do ISP, esta evolução dos preços determinaria uma descida do ISP de 0,9 cêntimos por litro de gasóleo e 0,3 cêntimos por litro de gasolina".

No entanto, acrescenta, "atualmente verifica-se um desvio acumulado de dois cêntimos na taxa do ISP por litro de gasóleo e 0,8 cêntimos na taxa do ISP por litro de gasolina" e assim, "as descidas resultantes da aplicação da fórmula são descontadas aos desvios acumulados, não se concretizando, portanto, qualquer a alteração às taxas do ISP em vigor na próxima semana", sublinhou.

Por isso, rematou, "o Governo determina, através da Portaria hoje publicada, a manutenção do desconto temporário do ISP de 4,7 cêntimos por litro de gasóleo e 3,7 cêntimos por litro de gasolina".

Recorde-se que, como forma de mitigar a escalada dos preços dos combustíveis, o Governo decidiu criar um mecanismo de compensação através do qual as taxas do ISP são ajustadas em função do acréscimo da receita do IVA resultante da subida do preço de venda do litro de gasóleo e da gasolina.

Este ajustamento é feito semanalmente e soma-se ao desconto de um cêntimo por litro de gasóleo e de dois cêntimos na gasolina que está em vigor desde outubro.

TSF

Detidos dois jovens que violaram e ameaçaram seis colegas estudantes

Ficaram em prisão preventiva dois jovens de 16 e 17 anos detidos pela Polícia Judiciária (PJ) pelos crimes de violação, abuso sexual, ameaças, entres outros, a seis colegas estudantes. Crimes foram praticados no concelho de Vila Franca de Xira.
"Os suspeitos, atuando em grupo, conjuntamente com outros, atraíam as colegas, através de vários estratagemas, a diversos locais, sobretudo às suas residências" e, após as agressões, "ameaçavam e intimidavam as vítimas, como forma de garantir o silêncio das mesmas", refere a Judiciária.
Ainda segundo a nota da PJ, os "factos terão ocorrido desde o final do ano letivo anterior e no ano letivo em curso, até fins de janeiro de 2022".
A Polícia Judiciária teve conhecimento da situação "no final de março e desenvolveu a investigação que permitiu identificar várias vítimas e casos, bem como recolher fortes elementos indiciários, que conduziram às detenções dos suspeitos".
Os detidos foram presentes a primeiro interrogatório judicial, no Tribunal de Instrução Criminal de Vila Franca de Xira, tendo-lhes sido aplicada a medida de coação de prisão preventiva.

Madremedia

Papa desiste de ir a Kiev e de se encontrar com o patriarca russo


"De que serviria o Papa ir a Kiev se a guerra continuar no dia seguinte?", questionou o Papa para explicar a decisão.

O Papa desistiu de viajar para Kiev, para não colocar em risco o fim da guerra, e também não se irá encontrar com o patriarca ortodoxo russo Cirilo, apesar do seu bom relacionamento, noticiou esta sexta-feira o jornal La Nación.

Numa entrevista ao diário argentino, Francisco explicou que não pode "fazer algo que coloque em risco objetivos mais elevados, que são o fim da guerra, uma trégua ou mesmo um corredor humanitário".

"De que serviria o Papa ir a Kiev se a guerra continuar no dia seguinte?", questionou o Papa.

Francisco expressa diariamente a sua profunda preocupação com a guerra desencadeada pela invasão russa da Ucrânia e para a qual já propôs uma mediação do Vaticano.

Nas suas mensagens, o Papa nunca menciona o nome do Presidente russo, Vladimir Putin, nem se refere à Rússia por motivos diplomáticos.

"Um papa nunca nomeia um chefe de Estado, muito menos um país, que é superior ao seu chefe de Estado", explicou.

Por outro lado, o Vaticano esteve a trabalhar na preparação de um segundo encontro entre o Papa Francisco e o patriarca ortodoxo Cirilo, que apoiou a invasão russa na Ucrânia.

Francisco encontrou-se com o patriarca ortodoxo russo em 2016, em Havana, sendo esta a primeira vez que os chefes das duas igrejas se reuniram depois do Grande Cisma de 1054.

O Papa argentino sublinhou que o seu relacionamento com Cirilo é "muito bom" e lamentou que "o Vaticano tenha tido de suspender um segundo encontro" com o patriarca, que deveria ocorrer em junho, em Jerusalém, considerada um território neutro como Havana.

"A nossa diplomacia entendeu que um encontro dos dois neste momento poderia causar muita confusão. Sempre promovi o diálogo inter-religioso. Quando era arcebispo de Buenos Aires, reuni cristãos, judeus e muçulmanos num diálogo frutífero, iniciativas das quais mais me orgulho. É a mesma política que promovo no Vaticano", declarou Francisco.

De qualquer forma, o Papa insistiu que está "disposto a fazer qualquer coisa" para parar a guerra, porque considera que este tipo de conflitos são "anacrónicos neste mundo e nesta fase da civilização".

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de dois mil civis, segundo dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A ofensiva militar causou já a fuga de mais de 12 milhões de pessoas, mais de cinco milhões das quais para fora do país, de acordo com os mais recentes dados da ONU - a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

TSF/Lusa

Portugal acolhe primeira doente transferida através de mecanismo europeu


Segundo a DGS, a refugiada ucraniana, com doença oncológica, foi transferida a pedido das autoridades de saúde moldavas para tratamento médico em Portugal, através do sistema CECIS, coordenado pelo Mecanismo Europeu de Proteção Civil.
"Esta doente -- a primeira a ser transferida ao abrigo do referido mecanismo - será submetida a tratamento em ambulatório e acompanhada pelo Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil E.P.E., com o apoio da Liga Portuguesa Contra o Cancro", adianta a DGS em comunicado.
A DGS salienta que, "desde o início do conflito que Portugal tem feito ofertas sucessivas a solicitações da Polónia, Moldova, Ucrânia e Eslováquia para evacuação de doentes ucranianos utilizando o mecanismo europeu apropriado, sendo que a maioria dos doentes tem aceitado ofertas para tratamentos em países com proximidade à Ucrânia, nomeadamente a Alemanha".

Eduardo Cabrita formalmente constituído arguido no caso do atropelamento na A6


O ex-ministro da Administração Interna foi ouvido esta manhã no Departamento de Investigação e Acção Penal de Évora e, segundo o jornal Público, foi constituído arguido no caso do atropelamento mortal de um trabalhador da Brisa, em junho de 2021, na A6, pela viatura oficial em que seguia.

De acordo com o Público, Eduardo Cabrita foi constituído arguido pelo Ministério Público (MP) de Évora, tendo a justiça justificado a decisão com base em “factos capazes de integrar a eventual prática de um crime de homicídio por negligência por omissão”. A mesma informação é adiantada pelo Observador.

Inicialmente o MP só tinha deduzido acusação contra o motorista que conduzia a viatura, mas a Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados, que se constitui assistente no processo, considerou após consultas dos autos que havia provas suficientes para responsabilizar o antigo governante por um crime de homicídio por negligência.

Face à solicitação da Associação, o Ministério Público decidiu reabrir o caso e ordenou à procuradora titular do inquérito que constituísse como arguidos Eduardo Cabrita e o respetivo chefe de segurança pessoal, Nuno Dias.

Cabrita esteve uma hora do DIAP de Évora e, segundo o seu advogado, Magalhães e Silva, os depoimentos que prestou não divergiram das declarações que fez quando se encontrava na qualidade de testemunha.

À entrada, Eduardo Cabrita escusou-se a prestar declarações aos jornalistas, tendo sido, à saída, igualmente parco em palavras: “O que tinha a dizer, disse-o no processo”, afirmou.

Magalhães e Silva limitou-se a adiantar que Eduardo Cabrita “confirmou as declarações que tinha prestado perante o Ministério Público e respondeu aos esclarecimentos que lhe foram pedidos”.

Em 18 de junho de 2021, a viatura oficial em que seguia Eduardo Cabrita atropelou mortalmente Nuno Santos, trabalhador que fazia a manutenção da Autoestrada 6 (A6), ao quilómetro 77,600 da via, no sentido Estremoz-Évora.

Prevista para 28 de março, a constituição e interrogatório como arguido de Cabrita foi adiada devido à alteração da data de instalação do novo parlamento, provocada pela repetição das eleições no círculo da Europa.

No entanto, a convocatória do ex-ministro foi novamente protelada dada a indisponibilidade do seu advogado, tendo só hoje sido possível comparecem os dois em Évora, adianta o Observador.

A 3 de dezembro de 2021, o Ministério Público acusou Marco Pontes, que foi motorista de Eduardo Cabrita quando era ministro, de homicídio por negligência, tendo, nesse mesmo dia, o governante apresentado a sua demissão do cargo.

Em 18 de junho de 2021, quando ocorreu o acidente que envolveu o atropelamento mortal de Nuno Santos, funcionário da empresa que efetuava trabalhos de manutenção na Autoestrada 6 (A6), no sentido Estremoz-Évora, a comitiva do então ministro da Administração Interna (MAI) era constituída por três viaturas, seguindo Eduardo Cabrita na primeira delas. Nuno Dias seguia na viatura imediatamente atrás do automóvel do então MAI, juntamente com outros elementos da comitiva.

O à data ministro da Administração Interna, enviou um depoimento escrito às 15 perguntas colocadas pelo MP, na qualidade de testemunha, no dia 2 de novembro, dizendo não ter constatado qualquer limitação à circulação na A6, nem visto sinalização de trabalhos em curso no local do acidente.

Cabrita também alegou não ter visto a viatura de sinalização das obras parada na berma e que apenas a algumas centenas de metros após o local do acidente, quando já seguia numa outra viatura da comitiva rumo a Lisboa, é que viu trabalhadores na berma. O então ministro afiançou não ter dado indicação sobre a velocidade do automóvel onde seguia e que só muito próximo do acidente é que se apercebeu de um peão na faixa de rodagem, tendo o seu motorista infletido o veículo para a direita, reduzido a velocidade e feito sinais sonoros de aviso.

Vacinas antialérgicas podem diminuir risco de crianças desenvolverem asma


Investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) concluíram que a imunoterapia, também conhecida como vacina antialérgica, pode prevenir a progressão da doença alérgica e diminuir em 25% o risco de as crianças desenvolverem asma.

Em declarações à agência Lusa, André Moreira, investigador do ISPUP, esclareceu hoje que o estudo, publicado na revista científica Allergy, pretendia avaliar se as vacinas antialérgicas eram eficazes na prevenção do desenvolvimento de asma em indivíduos com sensibilidade a alergénios presentes no ar, como o pólen e os ácaros.

“Até agora havia uma questão importante que era perceber se as vacinas antialérgicas servem apenas para tratar ou não. No caso da doença alérgica, não temos nenhum fármaco ou intervenção conhecida, até agora, que pudesse mudar a história natural da doença”, referiu o coordenador do estudo.

Para avaliarem a eficácia das vacinas, os investigadores realizaram uma meta-análise de 18 estudos, previamente publicados, que somavam uma população de 325.826 pessoas avaliadas.

A compilação dos dados abrangidos pela meta-análise revelou uma “diminuição de 25% no risco de desenvolver asma após a realização de imunoterapia contra a alergia ao pólen e aos ácaros”.

“Este trabalho é o primeiro e único que demonstra que o uso das vacinas antialérgicas consegue reduzir em 25% o risco de desenvolver asma”, disse André Moreira, salientando que a investigação mostra ser possível “mudar a história natural da doença”.

A imunoterapia é usada há mais de 100 anos no tratamento da doença alérgica, consistindo na administração de doses controladas de extratos de alergénios ”de modo a reeducar o sistema imune no sentido da tolerância”.

Apesar do benefício deste tratamento ser “conhecido”, desconhecia-se se o mesmo melhorava a história natural da doença, o que, salientou o investigador, “ficou comprovado”.

“A diminuição global de risco é de 25%, se estivermos a falar de uma criança, a diminuição pode chegar aos 30%”, referiu o investigador, salientando que são três os fatores preditivos de maior sucesso na redução do risco de desenvolver asma: crianças entre os 5 e 12 anos (oportunidade de reeducar o sistema imune), duração do tratamento (pelo menos três anos) e ser sensível apenas a um alergénio.

“A doença de um indivíduo que está sensibilizado aos dois alergénios é mais complexa e difícil, além de que não há evidência científica suficientemente forte para que se façam as duas vacinas em simultâneo”, notou, dizendo ainda que o uso de vacinas antialérgicas depende sempre dos “marcadores biológicos” e do “tipo de doença” dos indivíduos.

À Lusa, André Moreira disse ainda que a investigação solidifica a hipótese de uma “solução terapêutica a longo prazo para as alergias e para a asma”, potenciando assim a prevenção da doença alérgica.

“A estratégia é prevenção primária e secundária e não esperar que as coisas aconteçam”, disse, salientando que nos países nórdicos a perceção para este problema começou há cerca de 30 anos, no Reino Unido há 20 e que Portugal “está a seguir esse caminho”.

“Há muito a fazer e a melhorar, mas estamos a seguir o nosso percurso enquanto país que tem uma velocidade diferente porque a epidemia é diferente consoante o país da Europa e isso está relacionado com a evolução economia e social”, afirmou, dizendo que o foco “não é a glorificação da doença, mas a prevenção da saúde”.

Intitulada ‘Allergen immunotherapy for asthma prevention: A systematic review and meta-analysis of randomized and non-randomized controlled studies’, a investigação tem como primeira autora Mariana Farraia, investigadora no Laboratório de Epidemiologia das doenças alérgicas do Laboratório Associado para a Investigação Populacional Translacional e Integrativa (ITR), coordenado pelo ISPUP.

Madremedia/Lusa