terça-feira, 17 de outubro de 2017

Quase 54.000 hectares queimados só no domingo

Os incêndios já destruíram este ano em Portugal mais de 316.100 hectares, segundo o sistema da Comissão Europeia, que aponta para quase 54.000 hectares queimados só no domingo, o pior dia do ano em número de fogos.
Os dados disponíveis ao início da manhã de hoje no EFFIS - Sistema do Centro de Investigação Comum da Comissão Europeia, que apresenta áreas ardidas cartografadas em imagens de satélite, indicavam que só na zona do Pinhal Litoral, que abrange o Pinhal de Leiria, arderam no domingo e na segunda-feira 11.394 hectares.
Depois desta, a maior área destruída pelas chamas que deflagraram no domingo foi na região do Pinhal Interior Norte, que abrange os concelhos de Penacova e Arganil, entre outros, onde arderam mais de 16.000 hectares, segundo o EFFIS.
Se aos incêndios de domingo se juntarem os que deflagraram no sábado e na segunda-feira, o EFFIS apresenta um total superior a 64.000 hectares ardidos.
O país da União Europeia que mais se aproxima de Portugal em área ardida é a Itália, que apresenta um total de 133.526 hectares ardidos, menos de metade do território português.
RTP

Medidas preventivas à exposição a fumo de incêndios

Considerando a atual vaga de incêndios em Portugal, importa divulgar informação sobre os riscos associados à exposição ao fumo resultante de incêndios florestais, assim como as medidas de proteção a adotar pelas populações.
O fumo proveniente dos incêndios possui elevados níveis de partículas e toxinas que podem ter efeitos nocivos a nível respiratório, cardiovascular e oftalmológico, entre outros. Os principais sintomas incluem irritação nos olhos, nariz e garganta, tosse persistente, sensação de falta de ar, dor ou aperto no peito e fadiga.

Neste contexto, a Direção-Geral da Saúde recomenda:
• Evitar exposição ao fumo, mantendo-se dentro de casa, com janelas e portas fechadas, em ambiente fresco. Ligar o ar condicionado, se possível, no modo de recirculação de ar.
• Evitar atividades ao ar livre;
• Evitar a utilização de fontes de combustão dentro de casa (aparelhos a gás ou lenha,
tabaco, velas, incenso, entre outros);
• Utilizar máscara/respirador (N95) sempre que a exposição for inevitável;
• Manter a medicação habitual (se tiver doenças associadas, como asma e doença
pulmonar obstrutiva crónica - DPOC) e seguir as indicações do médico perante o
eventual agravamento das queixas;
• Manter-se informado, hidratado e fresco.

Para mais informações, ligue para o SNS 24 (808 24 24 24) ou consulte http://www.dgs.pt.
Em caso de emergência, ligue 112.

Francisco George
Diretor-Geral da Saúde

Inscrições abertas para os Prémios Sophia Estudante

A Academia Portuguesa de Cinema, com o apoio do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) e no âmbito da promoção do cinema estudantil, já abriu as inscrições online, a todos os alunos de estabelecimentos do ensino superior e técnico em Portugal, que pretendam participar na 4ª edição dos Prémios Sophia Estudante.
As escolas podem submeter a sua inscrição no site da Academia Portuguesa de Cinema através do link https://www.academiadecinema.pt/sophia-estudante/8252-2/, até ao dia 30 de outubro, enviando duas obras, com a duração máxima de 20 minutos, para cada uma das seguintes categorias: Ficção, Documentário, Animação e Experimental.
Para Tony Costa, diretor da Academia Portuguesa de Cinema e coordenador dos Prémios Sophia Estudante, “com esta iniciativa pretendemos dar uma oportunidade aos alunos e também estimular as escolas a formarem futuros cineastas” e acrescenta “sentimo-nos na obrigação de reconhecer o trabalho das escolas como forma de dignificar o seu trabalho e as obras dos seus alunos. Sabermos reconhecer o trabalho dos outros é um imperativo nobre que cabe à Academia estimular. Com esta iniciativa não só motivamos todos a fazer mais e melhor como dignificamos o cinema na sua génese. E, reconhecemos o cinema em toda a sua diversidade.”
Durante o mês de novembro serão conhecidos e anunciados os nomeados, e no dia 7 de dezembro, no pequeno auditório do Centro Cultural de Belém, serão atribuídos os prémios para cada uma das categorias identificadas.
A quarta edição dos Sophia Estudante contará com a presença do diretor de fotografia do filme “Apocalipse Now”, Vittorio Storaro AIC, ASC, que irá apresentar uma masterclass sobre o seu trabalho durante a manhã para os alunos que se inscreverem.
Para saber mais informações, consultar o regulamento em https://www.academiadecinema.pt/sophia-estudante/regulamento-sophia-estudante/
Consulte os anexos no link https://we.tl/9jS0pmdhT4 

100 mortos em quatro meses. E o Governo? É inimputável?

P
 
 
Enquanto Dormia
 
David Dinis, Director
 
Noite boa, com a chuva a voltar e a ajudar os bombeiros.
Já vamos aos incêndios, passo antes pelas últimas notícias:  

Foram detidos dois líderes da revolta catalã. A juíza da Audiência Nacional espanhola acusou os dois responsáveis de "sedição" por terem incentivado as massas a "impedir" a operação da polícia espanhola contra o referendo. Em Madrid, Rajoy e oposição preparam-se para completar o cerco político a Puigdemont: o próximo passo é retirar poderes às instituições catalãs
Foi assassinada uma jornalista que investigava os 'Panama Papers'. Daphne Caruana Galizia morreu na sequência de uma explosão do seu carro, depois de denunciar um caso de alegada corrupção envolvendo o actual primeiro-ministro de Malta. Agora, o FBI está a ajudar na investigação do provável homicídio.
"A guerra nuclear pode estourar a qualquer momento". O número dois da Coreia do Norte na ONU foi ao comité de desarmamento dizer que nenhum outro país foi sujeito a "uma ameaça nuclear tão extrema e directa", alegando assim o direito a manter arsenal nuclear para "autodefesa". A notícia é do The Guardian.
O Ophelia já matou três pessoas na Irlanda e Reino Unido. Depois de passar a norte da Península Ibérica, o furacão que já virou tempestade deixou um rasto e várias vítimas. As autoridades decidiram manter tudo fechado ainda durante o dia de hoje.

4 meses, 100 mortos

"Sem desculpa", diz o JN"Imperdoável", prefere o CM. Aqui no PÚBLICO deixámos os números falarem por si: "Quatro meses, mais de 100 mortos". Como falam por si os olhos de um camponês, fotografado pelo Adriano Miranda e que faz a nossa capa - e de que fala também o Ferreira Fernandes no DN"Ontem, António Costa falhou em nos cativar. Faltou-lhe olhar, antes de nos falar, a foto do camponês de Vouzela - fotografado por Adriano Miranda, no Público. Mãos calosas no cajado, cajado no peito e olhos tão tristes, frente à casa que já não era dele. Depois de o olhar demoradamente é que António Costa nos devia ter falado".
A foto, essa foto, está nesta reportagem, do Adriano e da Natália Faria, com um título com um ponto de interrogação que nos faz chorar: “Depois disto, o que é que nos segura cá?”. Mas também podia estar nesta outra, do Camilo Soldado, porque cada história destes incêndios é uma história de nós todos.
O dia de hoje começou melhordepois da chuva apagar os incêndios. Mas a noite de ontem elevou já para 36 os mortos das passadas 48 horas - numa lista demasiado triste que inclui um bebé de dois meses. Ninguém merece, nenhum país merece (e nem visto de fora parece admissível).
Na Galiza, onde muito também ardeu (mas muito menos pessoas morreram), já chamam a isto terrorismo. E fazem-se manifestações contra a gestão dos incêndios.
Por cá, António Costa falou ao país, mas sem olhar para trás"É preciso passar das palavras aos actos”, disse-nos o primeiro-ministro sem ver a foto do Adriano Miranda, depois do Presidente avisar que também falará, depois do PCP pedir uma audiência em Belém e outra em São Bento, depois do Bloco ter pedido mudanças no Governo (já para nem falar da oposição).
"Não é tempo de demissões, mas de soluções", disse Costa a rimar, sabendo que o MAI perdeu 29 meios aéreos desde o início do mês, como pode ler na nossa manchete de hoje, sabendo que a GNR não conseguiu avisar sobre as estradas proibidas, que as comunicações falharam outra vez, que os meios faltaram em todo o lado.
"Não é tempo de demissões, mas de soluções", disse Costa a rimar, depois de 24 horas com risos madrugadores, férias, contradições e zero demissões, conhecendo já o segundo relatório sobre Pedrógão, que deu mais um tiro na Protecção Civil - atribuindo-lhe culpas antes, durante e depois da tragédia. E ouvindo o especialista Xavier Viegas dizer que "Pedrógão pode não ser um caso isolado". Costa falou, talvez sem antes ver a foto do Adriano Miranda, talvez sem ver as imagens dos incêndios partilhadas por quem os viu de perto.
Talvez António Costa leia os textos de hoje na imprensa. Unânimes, na indignação. Talvez leia o João Miguel Tavares a falar de "uma comédia chamada Estado português", Paulo Rangel a dizer que "não é aproveitamento político, é respeito, é pudor, é sentido do dever". Ou o editorial do DN a falar de um "Estado de medo", o do JN a baixar a cabeça sobre as "cinzas e luto", o do Negócios a sugerir à ministra que "vá de férias".
Talvez António Costa não queira ler o nosso editorial, mas ele foi escrito a pensar que sim, que talvez ainda o leia, que talvez ainda vá a tempo: "A António Costa só nos resta pedir que não nos faça chorar mais, que faça de uma vez o que tem de ser feito. Porque este Governo pode ser popular, mas não pode mesmo ser inimputável. Ou será, senhor Presidente?".

Outras notícias

Só umas linhas para lhe deixar os links essenciais:
O Novo Banco já aprovou o aumento de capital a assegurar pela Lone Star. Só falta chegarem os 750 milhões.
Governo e enfermeiros chegaram a acordo. Entre as medidas acordadas está a reposição do pagamento por inteiro das horas nocturnas, de fins-de-semana e feriados. 
Mas o Governo vai dar maisas 35 horas vão chegar a todos os profissionais de saúde na segunda metade de 2018, diz a secretária de Estado da Administração Pública, numa entrevista ao PÚBLICO. Mas não pode ser tudo, acrescenta Maria de Fátima Fonseca: contabilizar tempo nas carreiras, "não permitia descongelar em dois anos".
Tempo é o que se pede (outra vez) na Operação MarquêsO caso ficará parado até decisão sobre imparcialidade de Carlos Alexandre, conta-nos a Mariana Oliveira. E já há um advogado a reivindicar um ano extra para acabar de consultar processo.

Uma pausa para ler... 

No meio de tanta desgraça, precisamos mesmo de boas notícias - e de boas leituras. Aqui estão algumas, só para si:
1. Pela primeira vez, vimos ondas gravitacionais e luz emitidas pela colisão de duas estrelas de neutrões. Um batalhão de telescópios pelo mundo fora juntou-se para fazer observações astronómicas inéditas a vários níveis. Anunciados esta segunda-feira em conferência de imprensa, os resultados serão publicados em inúmeros artigos científicos. A isto chama-se história - e ninguém melhor do que a Teresa Firmino para nos explicar (e mostrar) a descoberta.
2. É com o cérebro que comemos"Um prato redondo e vermelho faz com que a comida pareça mais doce? Estamos dispostos a pagar mais por uma refeição se os talheres forem pesados? Charles Spence, investigador em Oxford, trabalha há muito para provar que a experiência de comer começa antes do momento em que a comida nos chega à boca." Um momento, chegou a Alexandra Prado Coelho para nos abrir o apetite. Vai uma prova?
3. Vivemos colados ao telemóvel (mas não digam a Martin Cooper que a culpa é dele). Há 44 anos, ele fez a primeira chamada a partir de um telefone sem fios. Aos 88 anos de idade, este norte-americano continua a dar-nos lições sobre as tendências e o futuro das comunicações móveis. E não o faz sozinho, porque é casado com a “primeira-dama do wireless”. Se entrar para ler, já sabe a quem apontar o dedo.

Agenda do dia

Passa, claro, pelo rescaldo dos incêndios - talvez Marcelo nos fale hoje, seguramente o Parlamento voltará ao tema. Mas hoje também vamos ouvir falar da compra da TVI pela Altice, porque é dia da ERC nos dizer que a proposta é admissível. E também de uma decisão judicial: irão a julgamento os inspectores da PJ e da GNR, acusados de tráfico de droga? Mais logo, hora marcada para o regresso da Champions: às 19h45 o Porto vai a Leipzig - e o jogo pode dar asas. 
Chegou a altura de deixar o dia voar, esperamos que de novo com razões para nos fazer sorrir. Pelo sim, pelo não, vá passando por nós - estamos aqui para lhe contar tudo. O que lhe desejo é um dia feliz. E produtivo.  
Até já.

360º - "Era como se houvesse pólvora no meio do pinhal". As reportagens nos locais do fogo. E ainda: o discurso de Costa e as opiniões sobre o drama

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360º

Por Miguel Pinheiro, Diretor Executivo
Bom dia!
Enquanto dormia...
... a chuva caiu e todos os fogos foram apagados. Sobram os mortos e as consequências políticas. António Costa falou ao país, pressionado pelo Presidente da República. No discurso de ontem à noite, o primeiro-ministro garantiu que, “depois deste ano, nada pode ficar como dantes” e que vai agora aplicar, com urgência, as recomendações da comissão técnica independente que fez o relatório sobre Pedrógão Grande. Eu também ouvi o discurso e escrevi sobre aquilo que o primeiro-ministro quis dizer nas entrelinhas.

O dia acabou com 36 mortos confirmados (incluindo um bebé de um mês), sete desaparecidos e 63 feridos, sendo 15 deles graves. O que já se sabe sobre as vítimas está aqui, sendo que vem aí nova polémica: a Proteção Civil disse ao Observador que, tal como em Pedrógão Grande, não pretende divulgar uma lista com a identificação das vítimas. No total, já morreram 100 pessoas em fogos desde junho.

Nestes dias, choveu fogo e o Pinhal de Leiria ardeu em quatro horas - 80% da sua mata ficou destruída. A Marta Leite Ferreira esteve na Vieira de Leiria e falou com muita gente que passou por momentos assustadores: “Era como se tivéssemos pólvora no meio do nosso pinhal”.

A tudo isto podemos somar uma perplexidade: há apenas dois meses, um investigador já tinha alertado para o perigo. Repito: a frase foi dita há dois meses. Ouçam: “O Pinhal de Leiria está sujeito a que aconteça um cataclismo enorme por falta de limpeza e de tratamento, que poderá provocar um incêndio que irá destruir a maior parte do Pinhal". Ninguém fez nada. Este vídeo mostra o que resta do Pinhal.

Em Vouzela, distrito de Viseu, também foram horas difíceis. O João de Almeida Dias e o João Porfírio estiveram lá e falaram com pessoas que a ministra e o secretário de Estado da Administração Interna deviam conhecer. Maria Joaquina viu vizinhos a morrer e a população a combater as chamas sozinha; José salvou a casa com as suas mãos. Os governantes sugeriram aos habitantes das regiões com fogo que tivessem mais "resiliência" e que se "autoprotegessem", mas isso para estas pessoas não é novidade: "Ninguém nos vem ajudar, isso é que não vem de certeza". Mesmo não tendo ouvido as palavras dos membros do Governo (ficaram sem electricidade), comentam: “Há gente a morrer e eles dizem isso?”.

O jornalista Paulo Moura passou a noite de domingo nas estradas entre Nelas, Viseu e Seia. Viu aldeias em chamas sem bombeiros por perto e agentes da GNR desorientados, "com a voz a tremer como crianças assustadas". Nesta crónica, pergunta: como foi possível acontecer outra vez?

Como é que se evita uma nova tragédia? Paulo Fernandes é especialista em fogo e membro da comissão técnica independente que produziu o relatório sobre Pedrógão - e frisa que o que continua a faltar em Portugal são especialistas da área a coordenar as atividades de combate aos incêndios. Afirma que "o problema não se resolve mudando umas pessoas nem de um ano para o outro".

Mesmo assim, é bom perguntar: o Estado aprendeu alguma coisa com a tragédia de Pedrógão ou repetiu os mesmos erros este fim-de-semana? O Miguel Santos Carrapatoso e a Sónia Simões foram fazer várias perguntas para perceber.

Um novo relatório independente sobre Pedrógão vai fazer-nos pensar. Foi entregue ontem à noite ao governo e não poupa ninguém: Proteção Civil, bombeiros, INEM, EDP e Ascendi. Há um capítulo do documento que está a faltar, por exigência expressa da ministra da Administração Interna. É o que conta as histórias dos mortos e dos sobreviventes. Só será divulgado quando forem retirados os nomes dos envolvidos.


Mais informação importante
O Governo e os sindicatos dos enfermeiros chegaram a acordo para evitar uma greve. Avança a revisão da carreira, os enfermeiros especialistas vão ganhar mais 150 euros a partir de janeiro (os 400 euros ficaram para trás) e haverá 35 horas para todos em julho.

O Orçamento que o Governo apresentou tem facturas a prazo. Na sua análise ao documento, Helena Garrido diz que os vencedores são claramente os pensionistas e os funcionários públicos e que o Governo reforça a estratégia de gestão do curto prazo.

A Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) vai analisar hoje o parecer sobre a compra da Media Capital pela Altice. Os serviços da ERC são contra o negócio mas defendem que a posição deste órgão regulador não é vinculativo, ao contrário do que defende a maioria dos juristas. Resta ver o que decide o conselho regulador.

A jornalista Caruana Galizia revelou vários casos de corrupção em Malta, na sequência dos Panama Papers. Entre os envolvidos estava o primeiro-ministro, a sua mulher e vários ministros. Ontem, a jornalista morreu assassinada, com uma bomba colocada no seu carro. O primeiro-ministro pediu que o caso seja investigado.

Na Catalunha, a pressão aperta: dois dos principais promotores das movimentações separatistas foram presos por sedição e o chefe da polícia regional, Josep Lluís Trapero, ficou em liberdade mas está proibido de deixar o país.

Ronaldo rejeita um acordo com o fisco espanhol e diz que a acusação que lhe é feita de fraude fiscal é “inconsistente”. Os argumentos do futebolista constam de um documento entregue em tribunal.


Os nossos Especiais

Quais foram as primeiras decisões tomadas na Rússia pós-revolução de Outubro e quem as tomou? A Tragédia de um Povo, de Orlando Figes, é agora reeditado e responde a essas perguntas. O Observador faz a pré-publicação deste livro indispensável.


A nossa Opinião

Rui Ramos escreve "Estado de calamidade permanente": "A demissão da ministra não é a solução de todos os problemas. Mas seria a solução de pelo menos um gigantesco problema: a falta de responsabilidade e de vergonha na governação".

José Manuel Fernandes escreve “Minha senhora, não me faça rir a esta hora”: "Foi um Verão de desculpas e passa culpas depois da tragédia de Pedrógão. E agora, que nova tragédia se abateu sobre o país, passámos à farsa. Se o Governo já perdera a vergonha, agora perdeu a cabeça". E tem ainda uma opinião em vídeo sobre o tema: "Um governo arrogante que nem pede desculpa".

Também em vídeo, temos um BICA sobre os incêndios, onde estive eu, a Filomena Martins e a Rita Ferreira: "Não é falta de férias, é falta de noção".  

Laurinda Alves escreve "Autoproteja-se o senhor!":"Autoproteja-se a si mesmo enquanto é tempo, senhor secretário de Estado da Administração Interna, porque aquilo que os senhores estão a gerar é um perverso sistema de Desprotecção Civil".

Paulo de Almeida Sande escreve "Volta, Dom Dinis":"Nunca mais Pedrógão Grande, nunca mais um oceano de fogo a atravessar a auto-estrada, a queimar carros e casas. Nunca mais a besta vermelha. Ah Dom Dinis, Dom Dinis, quem replantará o teu pinhal?".

José Milhazes escreve "Fogo posto não é terrorismo?":"Concordo com os que dizem que a vida humana não tem preço, mas parece que há alguns dos nossos políticos que seguem o princípio estalinista de que a morte de mais do que uma pessoa é mera estatística".


Notícias surpreendentes

A nova série da Netflix chama-se Godless, é produzida por Steven Soderbergh e tem Jeff Daniels no papel principal. Passa-se no velho Oeste e estreia a 22 de novembro.

Há um saco que aquece o pijama, um gadget que melhora o acne e um lançador de bolas para o animal de estimação. E isso é só o começo. A Helena Magalhães juntou 12 invenções que melhoram a nossa vida.

Por falar em inovações: a Huawei anunciou os seus novos smartphones topo de gama, o Mate 10 e o Mate 10 Pro. O Manuel Pestana Machado explica o que podemos esperar deles.

Para conhecer toda a muita informação que vai surgir ao longo do dia, já sabe que só precisa de vir aqui.
Até já!
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Atitude de protesto

Exma. Senhora Directora do CST de Coimbra,
C/c ao Conselho Directivo do IPST e
Senhor Ministro da Saúde

A provocação e o descaramento que estão a lançar contra a Associação de Dadores de Sangue do Concelho de Aveiro, está ultrapassar os limites do bom senso, alguém está a desafiar para que tudo isto termine mal.

Sabendo a senhora Dra. Isabel Lobo que a ADASCA tem agenda uma sessão de colheitas de sangue para a amanhã, dia 18 entre as 15 horas e as 19:30 horas, como é possível permitir a realização de uma brigada hoje entre as 16 horas e as 20 horas no centro da cidade de Aveiro, uma vez que já nem sequer é feita no local anunciado no site do IPST?

Se o CST de Coimbra está determinado em destruir o trabalho que esta associação tem vindo a fazer há quase 11 anos, à conta do qual arruinei a minha saúde, na medida em que as causas estão associadas ao efeito da tensão que tenho vindo a sofrer durante alguns anos, irei recorrer aos meios que disponho para ser ressarcido dos prejuízos morais causados.

Esta associação desde sempre esteve disponível para colaborar com o IPST de segunda a domingo, pelo que não se compreende esta afronta. Como nunca alinhei com confrontações, antevê-se que vai acabar mal. Possivelmente, é isso que alguém quer… a não ser que o Conselho Directivo do IPST ou o ministério da saúde intervenha o mais rápido possível.

Com o Conselho Directivo a assistir aos acontecimentos, e não intervir, é porque concorda com a “promiscuidade” reinante nos serviços que a senhora directora dirige. Eu próprio, além de incomodado, sinto vergonha. Do CST de Coimbra já se pode esperar tudo. Estas investidas têm propósitos bem claros e definidos.

Vou passar pelo local com a minha advogada, reunindo a seguir com ela para estudarmos o que devemos fazer.

Aguardo que os dadores abram os olhos!

Cumprimentos,

Joaquim Carlos


Mundo | Jornalista que denunciou corrupção do Governo de Malta morre em explosão


A jornalista Daphne Caruana Galizia, que acusou o Governo de Malta de corrupção, morreu esta segunda-feira, numa explosão de carro. O ataque acontece duas semanas depois de a jornalista maltesa recorrer à polícia, para dizer que estava a receber ameaças de morte. A morte acontece quatro meses após a vitória do Partido Trabalhista de Joseph Muscat, nas eleições antecipadas pelo primeiro-ministro, após as alegações da jornalista, que o ligavam a si e à sua mulher ao escândalo dos Panama Papers. O casal negou as acusações de que teriam usado uma offshore para esconder pagamentos do Governo do Azerbaijão.

A jornalista de 53 anos terá morrido no carro, quando estava a sair de casa, na cidade maltesa de Bidnija. Segundo a BBC, um dos seus filhos ouviu a explosão, que terá sido forte o suficiente para lançar fragmentos do veículo alugado por toda a área.

O primeiro-ministro de Malta, acusado pela jornalista de corrupção, já reagiu àquilo que diz ter sido uma "ataque bárbaro". "Condeno sem reservas este ataque bárbaro na pessoa e na liberdade de expressão no nosso país", disse Joseph Muscat, citado pelo jornal inglês.

"Toda a gente sabia que a Sra. Caruana Galizia exercia dura críticas contra mim, tanto política como pessoalmente, assim como contra outros." Contudo, o primeiro-ministro assegurou que não havia "qualquer justificação possível" para tal ação. "Não vou descansar enquanto não trouxer justiça."

Os medias locais avançaram ainda que Daphne Caruana Galizia apresentou uma queixa à polícia, há duas semanas, na qual disse que estava a receber ameaças de morte. No entanto, não terá aprofundado o assunto.

As autoridades abriram agora uma investigação à morte da jornalista. O corpo ainda não foi identificado.

Nenhum grupo ou indivíduo reivindicou o ataque.
DARRIN ZAMMIT LUPI
A morte de Daphne Caruana Galizia acontece quatro meses após a vitória do Partido Trabalhista de Joseph Muscat, nas eleições antecipadas pelo primeiro-ministro, após as alegações da jornalista, que o ligavam a si e à sua mulher ao escândalo dos Panama Papers. O casal negou as acusações de que teriam usado uma offshore para esconder pagamentos do Governo do Azerbaijão.

De acordo com o The Guardian, Joseph Muscat anunciou no Parlamento que oficiais do FBI viajarão até Malta, onde vão ajudar na investigação do caso. Isto acontece depois do seu pedido de ajuda ao Governo norte-americano.

O popular blog da jornalista também denunciou políticos da oposição e, numa das suas publicações, disse que a situação política do país era "desesperante".

O último texto da jornalista foi publicado no blog "Running Commentary" às 14:35 (hora local), desta segunda-feira. A polícia recebeu o alerta de explosão pouco depois das 15:00, como conta o The Guardian.

Nos últimos dois anos, o trabalho da jornalista maltesa focou-se nos Panama Papers, denunciando a corrupção em Malta.

Daphne Caruana Galizia era casada e tinha três filhos.

Fonte: SICNOTICIAS