
As medidas de Política Monetária que o Banco de Moçambique começou a aplicar em finais de 2016 para supostamente conter a crise económica e financeira que o nosso país começou a viver na sequência da descoberta das dívidas ilegais das empresas Proindicus e MAM contribuíram em grande medida para os lucros bilionários que os bancos comerciais têm estado a obter desde então.
É que essas medidas pressionaram a subida galopante das taxas de juro, mais dos que triplicaram, que servem de referencia para a remuneração dos Títulos do Tesouro que o Governo de Filipe Nyusi começou a emitir cada vez mais para financiar o défice orçamental resultante da suspensão do apoio directo ao Orçamento de Estado pelos Parceiros de Cooperação.
À semelhança do Banco Comercial e de Investimentos(BCI), do Millennium BIM, do Standard Bank e do Mozabanco o Barclays Bank Moçambique também investiu massivamente em Obrigações do Tesouro e em Bilhetes do Tesouro.

Analisando as Demonstrações Financeiras da instituição financeira que é presidida pela antiga primeira-ministra de Moçambique, Luísa Diogo, o @Verdade apurou que no ano passado os rendimentos líquidos foram modestos com serviços e comissões bancárias e acompanhou a redução de crédito à economia retirando mais de 4 biliões do mercado.
O rácio de transformação deste banco de capitais britânicos despencou de 70,22 para apenas 48,07 por cento indicando que o Barclays empresta pouco dos depósitos que captou em Moçambique no ano passado.
Em 2017 “big five” da banca comercial ganharam mais de 34 biliões de meticais
Todavia, e depois de ter fechado o exercício de 2016 com uma carteira de Títulos do Tesouro no montante de 3,2 biliões de meticais, o Barclays mais do que duplicou os seus investimentos na Dívida Pública Interna fechando o ano de 2017 com mais de 7,4 biliões de meticais em Obrigações do Tesouro e em Bilhetes do Tesouro o que lhe permitiu quase duplicar a margem financeira de 2,6 biliões para mais de 4 biliões de meticais.

Fruto destes rendimentos o resultado do exercício duplicou e ultrapassou o bilião de meticais, pela primeira vez desde que entrou no mercado moçambicano há uma década, depois de sucessivos exercícios com prejuízos e resultados modestos nos anos mais recentes.
Detendo aproximadamente 6 por cento do total da Dívida Pública Interna o Barclays mais os outros quatro principais bancos comerciais que operam em Moçambique ganharam, no segundo ano da crise que está a esmifrar os moçambicanos, mais de 34 biliões de meticais.
Fonte: Jornal A Verdade, Moçambique