segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Fraude continua. TC declarou Evaristo Carvalho Presidente de São Tomé e Príncipe

José Bandeira Juiz Presidente do Tribunal Constitucional leu na tarde de segunda-feira, o resultado definitivo da segunda volta das eleições presidenciais.

O Juiz Presidente começou por anunciar os nomes dos seus pares, e faltou 1 deles, o Juiz Conselheiro Silvestre Leite. José Bandeira não explicou o motivo da ausência de um dos pares do Tribunal Constitucional, e avançou com os resultados definitivos.

Eleitores inscritos – 111 222
Número de votantes – 51226 – correspondentes a 46,06%
Não votantes – 59996 – correspondentes a 53,94%
Votos validamente expressos – 41820 – correspondentes a 81,64%
Evaristo Carvalho obteve- 41820 votos que corresponde a 100%
Votos Brancos 1522 – correspondentes 2,97%
Votos nulos 7884 correspondentes a 15,39%

Divulgados os números do apuramento geral, José Bandeira, recorreu a lei eleitoral para proclamar o vencedor da segunda volta das eleições presidenciais. «É proclamado vencedor das eleições presidenciais de 7 de Agosto de 2016 o candidato Evaristo do Espírito Santo Carvalho com um total de 41820 votos correspondendo a 100% dos votos validamente expressos, o que corresponde a 81,64% do total dos votantes», afirmou.

Segundo o Presidente do Tribunal Constitucional Evaristo Carvalho é o novo Presidente da República. «Assim nos termos do artigo 78 da Constituição da República é o senhor Evaristo espírito Santo Carvalho Eleito Presidente da República Democrática de São Tomé e Príncipe. Para constar lavrou-se a presente acta lida e devidamente assinada por todos os membros da Assembleia de Apuramento Geral», concluiu o Juiz Presidente do Supremo Tribunal de Justiça nas vestes do Tribunal Constitucional.

Abel Veiga – Téla Nón - Título PG

São Tomé e Príncipe. Candidatos derrotados tentam invalidar eleição de Evaristo de Carvalho

Maria das Neves, a terceira candidata mais votada nas eleições presidenciais de 17 de julho em São Tomé e Príncipe, impugnou hoje no Supremo Tribunal de Justiça a segunda volta das presidenciais que proclamou Evaristo de Carvalho vencedor.
De acordo com o texto do documento a que a Lusa teve acesso, Maria das Neves acusa o Supremo Tribunal de Justiça/Tribunal Constitucional de "omissão de um ato ou de uma formalidade".

A candidata recorre à lei para explicar: "ao sufrágio concorrerão apenas dois candidatos mais votados que não tenham retirado a candidatura", explicando, de seguida, que tendo Pinto da Costa retirado a sua candidatura, a mesma deveria ser notificada para concorrer com Evaristo de Carvalho.

"Em momento nenhum foi notificada pelo Supremo Tribunal de Justiça como recomenda o artigo 15 número 2 da Lei Eleitoral para concorrer ao sufrágio", explica no texto de impugnação remetido hoje a STJ.

"Perante todos esses atropelos à lei eleitoral, foi realizada a segunda volta das eleições no dia 07 de agosto com apenas um candidato, numa manifesta e gritante violação da lei eleitoral", sublinha o documento.

No texto da impugnação, Maria das Neves adianta: "Face ao imbróglio ou atrapalhada jurídica da realização da segunda volta das eleições podemos facilmente inferir que estamos perante uma nulidade absoluta e insanável dessas eleições".

Por seu lado, a candidatura de Manuel Pinto da Costa remeteu também ao Supremo Tribunal uma providência cautelar para invalidar eleição de Evaristo de Carvalho como presidente da Republica de São Tomé e Príncipe.

A candidatura de Pinto da Costa sustenta que Assembleia de Apuramento Geral já realizada, bem como a de hoje "estão eivadas de ilegalidades grosseiras".

Diz o documento que o ato praticado pelos Juízes Conselheiros "põe em causa a legitimidade de todo o processo eleitoral, inclusive do próprio Tribunal Constitucional, contribuindo assim para o desmoronamento do Estado de Direito Democrático, instituído há vinte e cinco anos, resultado do sacrifício e da vontade de todos os santomenses".

Segundo fonte da candidatura de Pinto da Costa, "o documento já foi remetido ao Supremo Tribunal de Justiça que tem função de Tribunal Constitucional".

Uma fonte judicial disse à Lusa que esses dois documentos podem ter "efeito prático, caso até à tomada de posse do presidente eleito, o Supremo Tribunal de Justiça decida discuti-los".

"Dependendo do resultado da decisão do Supremo o candidato que hoje foi proclamado presidente eleito pode ou não tomar posse", explicou a fonte.

Hoje mesmo, durante a proclamação dos resultados, um grupo compostos por alguns advogados e mandatários das duas candidaturas irromperam na sala para entregar um protesto e pedir a suspensão da proclamação dos resultados definitivos.

Pelo menos uma dezena de agentes policiais da força de intervenção foram chamadas à instalação do tribunal, tendo, no entanto, a situação terminado numa acalmia.

Evaristo de Carvalho foi o candidato mais votado na primeira volta, a 17 de julho, e foi o único a ir a votos na segunda volta depois de Manuel Pinto da Costa, atual Presidente da República, ter abandonado a disputa, argumentando que "participar num processo eleitoral tão viciado seria caucioná-lo".

MYB // SB - Lusa

Moçambique. JUSTIÇA, PRECISA-SE NESTE PAÍS!

@Verdade, Editorial

Vergonhoso e repugnante, é o que se pode dizer da Justiça moçambicana. Pois, passam sensivelmente 15 anos após o hediondo crime que vitimou o economista Siba-Siba Macuácua. Crime esse equiparado às actividades violentas perpetradas pelos tenebrosos e sanguinários grupos terroristas que têm semeado dor e luto por onde actuam.

Porém, o mais revoltante na situação em aprecio é a inoperância e a ineficiência da Justiça, sobretudo de órgãos como a Polícia de Investigação Criminal e a Procuradoria-Geral da República, que continuam a fingir que nada aconteceu. Aliás, os cidadãos moçambicanos, espalhados por este extenso Moçambique, assistem, impávido e sereno, à morosidade desta nossa Justiça podre, desactualizada e sem entranhas de humanidade. Já se passam 15 anos e, até então, não se sabe os motivos por detrás dessa bárbaro crime.

Infelizmente, como moçambicanos, continuaremos a assistir os culpados circulando impunes, e mentirosamente prometerão que os culpados serão conhecidos e punidos, quando na verdade não passa de uma patranha para o inglês ver. Aliás, o nosso país está infestado indivíduos sem a mais pequena réstia de sentimento, e que vive fingindo escrúpulos. Mentem que se fartam.

Diga-se, em abono da verdade, que à semelhança do caso Siba-Siba, os moçambicanos continuarão a não ter resposta aos assassinatos do constitucionalista Gilles Cistac, do jornalista Paulo Machava, entre outras vítimas dessa Justiça desactualizada. Ainda mais, pelo andar da carruagem, tudo indica que os culpados da crise que hoje Moçambique atravessa, devido às dívidas contraídas ilegalmente em nome do Estado, não serão punidos, pese embora se conheça o paradeiro dos mafiosos que cometeram esse crime.

Insensíveis (para não dizer cruéis) também somos nós - o Povo, a maioria subjugada - consagrados na hipocrisia e incapazes de exigir os nossos direitos, nomeadamente a Justiça, a Segurança e o Bem-estar. Somos incapazes de nos emocionarmos, de nos movermos por um espírito solidário. Somos incapazes de pôr a nu, as injustiças. Somos incapazes de protestar contra todos os actos bárbaros que vitima(ra)m muitos dos nossos compatriotas inocentes.

Em suma, somos um bando de cobardes domesticados no auge da desumanidade e cúmplices de todas atrocidades cometidas contra os moçambicanos que, com o seu suor, garantem a mordomia de uma corja que se encontra pendurada no poder desde 1975.

Versões contraditórias em assassínio de seis pessoas no centro de Moçambique

Seis pessoas foram mortas a tiro e depois queimadas em Cheringoma, província de Sofala, centro de Moçambique, numa ação que a polícia atribui a homens armados da Renamo e testemunhas citadas pelo jornal O País imputam às forças governamentais.

Em declarações à Lusa, o porta-voz do Comando da Polícia da República de Moçambique (PRM) na província de Sofala, Daniel Macuácua, acusou homens armados da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) de estarem por detrás dos homicídios, uma versão contrariada por duas testemunhas ouvidas pelo principal diário privado.

O ataque aconteceu na sexta-feira, quando uma viatura ligeira em que seguiam as vítimas foi interpelada por homens armados descritos por dois sobreviventes, citadas pelo jornal O País, como agentes da PRM e membros das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).

"Os homens da PRM ordenaram-nos a subir num carro e percorremos uma longa distância. Parámos num ponto e fuzilaram um por um, consegui escapar e fugi, mas atiraram, atingindo-me com uma bala e caí numa mata", afirmou um dos sobreviventes, falando sob anonimato.

Um cidadão do Bangladesh que fazia parte do grupo de passageiros da viatura interpelada pelos homens armados e que conseguiu escapar também acusou militares e agentes da PRM de estarem por detrás da ação.

"Levaram-nos ao mato, mandaram os moçambicanos fazer uma fila e fuzilaram um por um. Daí, os militares e agentes da PRM vieram ter connosco [bengalis], mas eu consegui escapar e fugir", contou.

Apesar destes testemunhos, a polícia mantém a sua versão de que o ataque foi dirigido por homens armados da oposição, à semelhança de outros incidentes ocorridos na região.

"Reiteramos que aquela ação foi cometida por homens armados da Renamo, estamos em diligência para apurar mais elementos sobre esse ato macabro", afirmou o porta-voz da PRM em Sofala.

A região centro de Moçambique tem sido a mais atingida por episódios de confrontos entre o braço armado da Renamo e as Forças de Defesa e Segurança, existindo denúncias mútuas de raptos e assassínios de dirigentes políticos das duas partes.

As autoridades moçambicanas acusam a Renamo de uma série de emboscadas nas estradas e ataques nas últimas semanas, em localidades do centro e norte de Moçambique, atingindo postos policiais e também assaltos a instalações civis, como centros de saúde ou alvos económicos, como comboios da mineira brasileira Vale.

Na sexta-feira, as autoridades revelaram um ataque de homens armados da Renamo, na vila sede do distrito de Morrumbala, na Zambézia, centro de Moçambique, que se seguiu a outras investidas denunciadas em Mopeia, na mesma província, e também a localidades em Niassa, no norte do país.

Apesar da frequência de casos de violência política, as duas partes voltaram ao diálogo em Maputo, com a presença de mediadores internacionais, mas ainda não são conhecidos avanços.

PMA (AYAC/HB) // CSJ - Lusa

COREIA DO NORTE CONFISCOU OS GALAXY S7 QUE A SAMSUNG OFERECEU AOS SEUS ATLETAS OLÍMPICOS








Os responsáveis pela delegação da Coreia do Norte nos Jogos Olímpicos confiscaram aos seus atletas os smartphones Galaxy S7 Edge que a Samsung tinha oferecido a todos os participantes nas Olimpíadas.

A Samsung lançou uma edição especial do Galaxy S7 Edge, com apenas 11.200 unidades numeradas, para oferecer a todos os atletas participantes nos Jogos Olímpicos de 2016.
A notícia foi recebida com agrado na Aldeia olímpica, mas aparentemente oa atletas da Coeria do Norte não vão poder desfrutar do presente.
As unidades especiais do S7 Edge foram distribuídas a todos os atletas durante a cerimónia de abertura dos Jogos, mas os smartphones destinados aos 31 atletas norte-coreanos, entregues à sua delegação, foram confiscados.
Qualquer atleta que não tivesse recebido o seu aparelho pode deslocar-se ir a um gabinete da Samsung na Aldeia Olímpica e pedir o seu exemplar do modelo, mas a delegação norte-coreana proibiu os seus atletas de receber quaisquer ofertas durante os jogos.
Como se confiscar os aparelhos não fosse suficiente, o mesmo portal asiático afirma que a delegação do país não devolveu nenhuma das unidades oferecidas aos atletas, nem deu qualquer uma explicação acerca do destino dos dispositivos.
Tradicionalmente, o responsável com maior posição hierárquica numa delegação é o encarregado de ir aos escritórios das patrocinadoras e recolher tudo o que as marcas oferecem aos atletas.
No caso da Coreia do Norte, segundo a Samsung, o responsável pela tarefa, Yoon Sungbum, foi ao escritório da empresa e levantou todos os aparelhos – mas os mesmos acabaram por não ser entregues aos atletas na cerimónia de abertura.
Na Coreia do Norte, como numa certa exploração agrícola orwelliana, ninguém tem direito a presentes – excepto os que têm.
Não é a primeira vez que a Coreia do Norte é motivo de notícia por controlar agressivamente os seus cidadãos, estejam eles dentro ou fora do território norte-coreano.
Quando questionada sobre os presentes que recebeu dos patrocinadores dos Jogos, a atleta norte-coreana Kim Song I apenas acenou com a cabeça num sinal positivo e deixou o estádio onde na passada terça-feira derrotou Yu Mengyu, de Singapura.
Se a pressão sobre os cidadãos já é grande, o controle sobre os atletas que se encontram no estrangeiro em eventos como os Jogos Olímpicos é ainda maior.
Há mesmo quem receie que Hong Un Jong, que tirou uma selfie com a sul-coreana Lee Eun Ju, seja punida pela “falha de protocolo”.
(dr) Dylan Martínez / Reuters
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Esta selfie com Lee Eun Ju poderá colocar Hong Un Jong em apuros
A Coreia do Norte está presente nos Jogos Olímpicos desde 1972, mas boicotou os jogos de 1984, em Los Angeles, e recusou-se a participar dos jogos de 1988, realizados na capital da Coreia do Sul, Seul.
Embora não haja um conflito armado entre as Coreia do Sul e a Coreia do Norte, as duas nações asiáticas estão ainda tecnicamente em guerra.
O armistício assinado pelos dois países em 1945 não é um tratado de paz entre as duas nações, apenas um acordo que divide a península coreana ao meio, para evitar que uma das nações avance sobre sua rival causando o regresso do conflito armado.
ZAP / Canaltech

O MELHOR BOLT DE SEMPRE JÁ FEZ HISTÓRIA NO RIO (E PODE TORNAR-SE IMORTAL)


 
Lukas Coch / EPA
Usain Bolt conquistou pela terceira vez o título de homem mais rápido do mundo nos 100 metros
Usain Bolt conquistou pela terceira vez o título de homem mais rápido do mundo nos 100 metros
O jamaicano Usain Bolt, que hoje se sagrou o primeiro tricampeão olímpico da história nos 100 metros, no Rio2016, admite que pode tornar-se “imortal”.
O velocista jamaicano Usain Bolt fez hoje história ao conquistar pela terceira vez o título de homem mais rápido do mundonos 100 metros rasos em uma Olimpíada. Bolt garantiu o ouro com tempo de 9.81 segundos.
“Alguém disse que posso tornar-me imortal. Mais duas medalhas e posso assinar por baixo. Imortal”, disse Bolt, que aos 29 anos procura igualmente o ‘tri’ nos 200 metros e nos 4×100 metros pela Jamaica.
Campeão em Pequim 2008 e Londres 2012, Bolt correu a final em 9,81 segundos, enquanto o norte-americano Justin Gatlin, com 9,89, conquistou a prata, depois de ter sido terceiro há quatro anos. A medalha de bronze foi para o canadiano Andre de Grasse, com 9,91.
Bolta não bateu o seu próprio recorde olímpico, de 9.63 segundos, alcançado em Londres em 2012. O recorde mundial dos 100 metros rasos, de 9.58 segundos, obtido na Alemanha em 2009, também pertence a Usain Bolt.
“Foi brilhante. Não fui tão rápido como o recorde mundial de 9,58, mas estou muito contente por ter vencido. Disse-vos que ia consegui-lo”, completou.
Ovacionado pela plateia, Bolt dirigiu-se às bancadas do Engenhão  e apertou a mão aos seus fãs, antes de fazer a sua tradicional pose para as fotos – imitando um raio com os braços.
Campeão em Atenas 2004, Justin Gatlin, que pretendia ser o mais velho campeão olímpico dos 100 metros, manifestou-se satisfeito pelo que conseguiu.
“Trabalhamos 365 dias por ano para estar aqui nove segundos. Com 34 anos, correr contra estes jovens e ainda assim ir ao pódio é uma boa sensação. Esta medalha é para o meu filho. Se estiveres a ver, amo-te, filho”, disse.
Gatlin, que foi suspenso por duas vezes por questões de doping, foi assobiado ao entrar na pista para a final.
ZAP / Lusa / ABr

CHINA ACUSA O JAPÃO DE ESTAR A PREPARAR-SE PARA A GUERRA


 
"Blood Bath", por Hideyoshi
“Blood Bath”, por Hideyoshi
No âmbito do seu programa de defesa, o Japão pretende desenvolver novos mísseis para proteger as regiões mais distantes do país – incluindo as ilhas disputadas com a China.
Segundo a imprensa japonesa, o Japão pretende desenvolver mísseis terra-mar com alcance de cerca de 300 quilómetros – o suficiente para defender as ilhas Senkaku, disputadas com a China.
O programa prevê financiamento para esse fim já em 2017, e tais mísseis poderão ser instalados na ilha de Miyakojima e em outras ilhas do arquipélago Sakishima em 2023.
A notícia causou de imediato uma onda de críticas na imprensa chinesa, que interpreta os planos do Japão como preparativos para uma possível guerra ofensiva.
Alguns analistas chineses consideram que os novos mísseis japoneses podem na realidade vir a serapontados contra as regiões costeiras da China.
Se o alcance dos mísseis japoneses for confirmado, isso pode significar que o Japão está pronto para um confronto sério.
Outros analistas salientam que estes mísseis ultrapassam mesmo os russos S-300 em termos de alcance.
Será que as ilhas disputadas no oceano Pacífico se tornarão locais de conflito armado entre o Japão e a China?
Vladislav Shurygin, um especialista em política militar ouvido pela agência russa Sputnik News,  considera que na verdade o Japão não tem interesse em travar uma guerra contra a China.
“Em primeiro lugar, os dois países estão economicamente interligados. Um conflito iria ter consequências muito graves para a economia japonesa, que tem enfrentado dificuldades ao longo dos últimos dez anos, e para a qual para já não se vê saída”, diz Shurygin.
“Se analisarmos o sector de energia, o Japão ainda não se recuperou das consequências do tsunami e do acidente de Fukushima, e precisa de anos de tranquilidade para se recuperar”, acrescenta o especialista.
“Em segundo lugar, as forças de autodefesa japonesas não têm um potencial ofensivo que permita ao Japão ser adversário da China”, acrescenta o especialista.
“A Marinha japonesa, apesar de ser moderna e numerosa, não possui nem tropas para-quedistas, nem força de ataque que lhe permita defender estas ilhas”, salienta.
“A China, por outro lado, já há muito tempo que traçou como prioridade tornar-se líder do Círculo Pacífico e de concorrer com o seu antigo adversário político na região – Japão”, diz Vladislav Shurygin.
Mas a China compreende perfeitamente que atrás do Japão, estão os EUA com seu exército poderoso e interesse no Círculo Pacífico. Em termos militares, é um rival muito mais sério do que o Japão”, conclui.
No início de agosto, os EUA enviaram um esquadrão de bombardeiros estratégicos B-1B Lancerpara a sua base de Guam, alegadamente ddevido aos testes nucleares realizados pela Coreia do Norte.
Mas será que isso pode ser uma alerta para a China?
ZAP / SN

DIRETOR DE CAMPANHA DE TRUMP TERÁ RECEBIDO MILHÕES DE PARTIDO UCRANIANO PRÓ-RUSSO


 
(cv) ABC News
Paul Manafort, director da campanha presidencial de Donald Trump,
Paul Manafort, director da campanha presidencial de Donald Trump,
Paul Manafort, chefe da campanha do candidato presidencial republicano, Donald Trump, terá recebido, durante seis anos, cerca de 13 milhões de dólares de um partido pró-russo, noticiou esta segunda-feira o The New York Times.
A quantia consta de livros de contabilidade secretos do Partido das Regiões do ex-Presidente ucraniano Viktor Yushchenko, agora revelados pelo Gabinete Anti-Corrupção, em Kiev, onde surgem pagamentos em efetivo a Manafort de 12,7 milhões de dólares.
Segundo o jornal norte-americano, os investigadores ucranianos acreditam que os pagamentos,escritos à mão nos livros entre 2007 e 2013, fazem parte de um sistema de contabilidade ilegal do partido de Yushchenko.
A investigação, levada a cabo pela Procuradoria-Geral da Ucrânia, indica também uma rede de empresas estabelecidas em paraísos fiscais que ajudaram membros do círculo próximo do ex-Chefe de Estado a financiar o seu “sumptuoso” estilo de vida.
O diário nova-iorquino assegura que entre as transações duvidosas está um acordo por 18 milhões de dólares, para vender os ativos de uma televisão por cabo a um consórcio constituído por Manafort e pelo oligarca russo Oleg Deripaska, próximo do Presidente da Rússia, Vladimir Putin.
Apesar de não ter sido provado que Manafort tenha recebido os pagamentos e não está a ser investigado por atividades em paraísos fiscais do círculo próximo de Yushchenko, os investigadores acreditam, todavia, que devia conhecer a abrangência das suas gestões financeiras, adianta o The New York Times.
“Paul Manafort está nas contas ocultas do Partido das Regiões e o seu nome aparece 22 vezes. Porém, queremos deixar claro que a sua presença na lista não mostra necessariamente que tenha recebido aquele dinheiro”, esclarece o Gabinete Anti-Corrupção, em Kiev.
As autoridades ucranianas admitem que não é claro o propósito dos pagamentos registados nos livros de contabilidade secretos, porque as assinaturas que aparecem na coluna dos que recebem “têm de ser verificadas” e podem pertencer “a outras pessoas”.
Richard Hibey, advogado de Paul Manafort, assegurou ao diário nova-iorquino que o seu cliente “jamais recebeu esse tipo de pagamentos” e adiantou que se trata de meras “suposições” que “muito provavelmente” estão envolvidas em “manipulações políticas”.
Segundo a Agência EFE, Manfort dedicou grande parte da sua carreira à consultadoria internacional, desde que começou a trabalhar na década de 1980 com o ditador filipino Ferdinand Marcos, até um dos seus últimos clientes, que foi o ex-Presidente ucraniano Viktor Yushchenko.
O The New York Times assegura ainda que o atual chefe de campanha presidencial de Donald Trump e a sua consultora ajudaram Viktor Yushchenko a vencer várias eleições, num período em que Manafort não estava registado como agente estrangeiro no Departamento de Justiça norte-americano.
/Lusa

NISSAN CRIA MOTOR DE COMPRESSÃO VARIÁVEL QUE PODERÁ TORNAR MOTORES DIESEL OBSOLETOS


 
(dr) INFINITI Nissan
O novo Motor VC-T INFINITI Nissan com taxa de compressão variável
O novo Motor VC-T INFINITI Nissan com taxa de compressão variável
O futuro poderá ser eléctrico, mas a indústria automóvel não deixa de ir melhorando a tecnologia dos motores de combustão, e agora a Nissan estreia o primeiro com taxa de compressão variável num modelo de produção.
É normal acontecer que, precisamente nos momentos de transição para uma nova tecnologia, a tecnologia anterior que vai ser tornada obsoleta atinja o pico do seu desenvolvimento.
Por exemplo, nos ecrãs dos televisores, cujo futuro parece pertencer aos OLED, surgem agora e ainda no mercado os melhores LCDs já criados.
Pois agora a Nissan está a fazê-lo com os motores de combustão… e que poderá acabar de vez com a velha questão dos motores a gasolina versus motores diesel.
O novo motor VC-T da Nissan tem apenas 2.0l de cilindrada e 4 cilindros.
Mas graças à sua tecnologia de compressão variável, consegue ter potência e binários idênticos ao motor V6 3.5l, que irá substituir, com consumos bastante mais reduzidos.
O revolucionário motor deverá conseguir atingir performances equivalentes às de um motor 2.0 turbo, com taxa de compressão a oscilar entre 8:1 e 14:1, e o primeiro carro a usá-lo deverá ser o SUV compacto de luxo Infiniti QX50.
O motor é capaz de ajustar a altura alcançada pelos pistões em tempo real, assim podendo ajustar a taxa de compressão (partes de ar para uma de combustível) ao tipo de necessidade: máximo desempenho, ou baixo consumo, dependendo do tipo de condução.
Não menos importante, este motor a gasolina consegue obter binários comparáveis a motores a diesel, mas com muitas menos emissões poluentes – o que acontece num momento crítico, em que o escândalo dieselgate da VW voltou a levantar as questões das emissões dos veículos diesel.
Será sem dúvida uma obra-prima da engenharia mecânica… mas que se arrisca a ter um reinado curto – dependendo do tempo que demorarmos a transitar para os veículos 100% eléctricos.

Colheita de sangue dia 17 de Agosto das 16 horas às 20 horas no Posto Fixo da ADASCA em Aveiro


O presidente do Instituto Português do Sangue e Transplantação (IPST), Helder Trindade, apelou esta sexta-feira aos portugueses com tipo de sangue 0- e A- para fazerem as suas dádivas, contribuindo para que doentes e hospitais tenham um verão tranquilo.
Em Aveiro e arredores só não adere à dádiva de sangue quem não quer, não pode ou anda distraído. A ADASCA é a associação de dadores de sangue da região com mais sessões agendadas por mês num só local do que qualquer outra do género.


Não foi fácil conseguirmos esta mais valia, no que diz respeito à solidariedade, sempre motivados no salvamento de mais vidas, ou, pela qualidade de vida de quem depende todos dias de componentes sanguíneos. O que devemos dizer mais?

Compareçam, não deixem de convidar os vossos familiares e amigos. O Posto Fixo da ADASCA fica localizado no Mercado Municipal de Santiago, 1º. Piso. O dito mercado dispõe de um elevador, um parque de estacionamento onde os dadores podem estacionar as viaturas, sem que corram o risco de serem multados.

Todas as pessoas interessadas em aderir pela primeira vez à dádiva de sangue, estão convidadas a comparecer, fazendo-se acompanhar do B.I. ou do seu substituto de forma a facilitar a inscrição junto do administrativo do IPST, o mesmo deve acontecer com os dadores regulares.

Não se deve doar sangue em jejum, deve-se sim, tomar o pequeno-almoço com exclusão de bebidas alcoólicas. Doar sangue não cria habituação, não emagrece nem engorda, bem pelo contrário, faz bem á saúde.

Lembramos que é necessário efectuar duas dádivas no ano económico para continuar a beneficiar da isenção das taxas moderadoras, nos Centros de Saúde (cuidados primários), agora também nos hospitais públicos através da apresentação da Declaração emitida pelos Administrativos do IPST, devendo os dadores guardar uma cópia da referida dádiva.

O sangue é necessário todos os dias, todos sabemos disso. O Sangue não se fabrica artificialmente. O Sangue corre nas suas veias. É saudável? Dê Sangue! Ajude os outros… Poderá ser você mesmo a precisar de ajuda! Doar sangue e medula óssea é um gesto solidário que ajuda a salvar vidas. Não fique indiferente.

Dádiva a dádiva… e a vida recomeça num adulto ou numa criança! Saiba como, quando e onde pode dar Sangue em Aveiro, contacte-nos pelos meios abaixo indicados.

Deixe-se levar pelo Coração. Dê Sangue, porque dar sangue é dar vida. Os questionários para a dádiva de sangue, são distribuídos pela ADASCA no local a partir das 8:00 horas, para adiantar o atendimento dos dadores. O Sangue é "a água necessária" que faz correr o rio da vida! (Elsa Oliveira). Esta jovem já nos deixou… fisicamente. Paz à sua alma.

NOTA: Artigo 7.º - Ausência das actividades profissionais
1 — O dador está autorizado a ausentar-se da sua actividade profissional pelo tempo necessário à dádiva de sangue, a Lei confere essa permissão, devendo o dador*posteriormente fazer prova à entidade empregadora mediante a declaração que deve ser pedida no local onde se efectua a dádiva.

Diário da República, 1.ª série — N.º 165 — 27 de agosto de 2012, Lei n.º 37/2012 de 27 de Agosto, Estatuto do Dador de Sangue.

Amem a liberdade, sejam felizes.

Telef: 234 095 331 (Sede) ou 964 470 432
ONDE POSSO DOAR SANGUE EM 2016 EM AVEIRO?

Coordenadas GPS:
N 40.62659

W -8.65133  

Estão abertas as inscrições para a Excursão da ADASCA 2016


Caros colegas e amigos,

Estão abertas as inscrições para a  Excursão da ADASCA 2016, pelos valores indicados, não visamos fins lucrativos.

Mais uma vez não foi fácil escolher um destino do agrado de todos, pois as escolhas são diversas. A escolha deste ano foi acolhida por 6 colegas dos órgãos sociais. Quem não opinou, concordou ou tenciona não participar...

Quanto aos valores das Ementas, consegui-se reduzir para os 12 €, neste caso optou-se por dois pratos saber: Lombo assado fateado e Filetes de pescada, com a respectivas entradas de que consta: pão, manteiga, azeitonas, salgadinhos, sobremesa, vinho, cerveja, água, sumo e café.

autocarro tem capacidade para 67 lugares (Transdev), é novo, pelo que oferece boas condições de comodidade para esta excursão.

Feita esta apresentação, façam as vossas inscrições enquanto é tempo, e ajudem a divulgar. 

Cordiais cumprimentos para todos,

Joaquim Carlos
Presidente da direcção
Presidente da Direcção da ADASCA
Telef: 234 095 331 (Sede) ou 964 470 432
 Site: www.adasca.pt 
NBo programa fica sujeito a ajustamentos caso se considere necessário.
Na imagem vemos o conforto do autocarro que vai fazer a excursão da ADASCA

A ARTE COMO POESIA ESSENCIAL EM QUE UM POVO DIZ O SER EM MARTIN HEIDEGGER

ISABEL ROSETE
Martin Heidegger é absolutamente peremptório quando afirma que a Arte é, por essência, Poesia, qual modo privilegiado do obrar humano onde a Verdade acontece e se epifaniza. Na essência da Arte, por sua vez, repousam o Artista e a Obra de Arte, elementos a partir dos quais a Verdade (entendida como des-ocultação) é posta em obra, ao mesmo tempo que nos transporta para os domínios do in-habitual, para além do dado na trivialidade da mostração quotidiana, para além do comum dos homens que não nomeiam, como o Poeta, a originariedade do Ser: “(...) a poesia é aqui pensada num sentido tão vasto e, ao mesmo tempo, numa união essencial tão íntima com a linguagem e a palavra que tem de permanecer em aberto se a arte, e mais propriamente em todos os seus modos, desde a arquitectura à poesia, esgota a essência da poesia».[1]

A Arte, na medida em que deixa advir, com a máxima fidelidade, a Verdade do ente é, por excelência, Dichtung, ou seja, Poema. Por Dichtung não se entende, em sentido próprio, a Poesia enquanto género literário, pois o Poema jamais é concebido como o resultado de uma “vagabundagem do espírito” inventada ao bel-prazer do seu autor, ou como um deixar fluir da imaginação até terminar numa espécie de irracionalidade. Dichtung, enquanto verdadeiro Poema, é um projecto de iluminação na Abertura, na Lichtung, na Clareira do Ser, algures postada no seio dos densos e emaranhados caminhos da Floresta, naturalmente invisível para os olhos alienados do Homem Moderno, que a Técnica e a Ciência modernas minaram; naturalmente inaudível para ou ouvidos ensurdecidos pelos ruídos das máquinas.

A essência do Poema só poderá ser inquirida, com um alcance suficientemente claro e evidente, se a desviarmos dessa qualidade da alma[2] coligida pelas emoções, pelas sensações, pela Experiência-Vivida (Erlebniz), que a afastam do seu núcleo originário de adveniência: o Ser, em si mesmo, na sua nudez; o Ser, ainda não-desvirtuado, ainda não-maculado pelos traços da modernidade; da Linguagem originária só passível de ser expressa pelas Palavras-de-Origem, as da Língua da Tradição que o nomeia sem desvirtuamentos.

Aliás, “mesmo quando atingimos o inexprimível, este não existe senão na medida em que a Significação (Bedeutsamkeit) da palavra nos conduz ao limite da Língua. Este limite é ainda, por si só, qualquer coisa que pertence à Língua e que abriga em si a relação do termo e da coisa”. A significação é ontológica. A Linguagem é sempre a Linguagem do Ser, pelo que a Poesia só pode ser contextualizada por Heidegger no âmbito específico da ontologicidade da Linguagem, de que ela é a obra suprema. A suposta existência do inefável, do indizível, não tem aqui lugar, porque a Linguagem só é Linguagem porque Diz, e o Dizer é a mostração da coisa que é, em si mesma, na Linguagem.

A reflexão do filósofo sobre a Linguagem não se fundamenta numa mera perspectivação da relação possivelmente patenteada entre a Linguagem e a Realidade, sobre a propriedade ou impropriedade daquela para descrever as coisas, nem tão-só numa mera análise sobre um "aspecto" do estar-aí (Da-sein) do Homem. Trata-se de uma cogitação sobre a forma mais eminente do mostra-se da experiência e da expressão da própria Realidade. É na Linguagem que se dá a abertura do Mundo, que se dá o aparecer do Ser de todas as coisas e, por isso, o verdadeiro modo de perscrutação daquilo que se afirma como existente, que realmente é, só pode ser atingido através do auscultar do significado primordial das palavras.

As coisas não são fundamentalmente coisas presentes no mundo-exterior, mas na Palavra que as nomeia originariamente e as torna acessíveis, até mesmo na presença espácio-temporal. As coisas só são, no sentido do recolectante “fazer-morar", na Linguagem emergente como Poesia. É neste preciso sentido que devemos entender a tese que afirma ser, apenas, a Palavra que "torna coisa" (be-dinget), a coisa (Ding)”.

Para compreendermos este modo de ser da coisa na Palavra, devemos pôr em cena o gosto heideggeriano pela Etimologia, o meio privilegiado de remontar, através das vicissitudes e das conexões das Palavras, às dimensões autênticas, ontológicas, da coisa em si mesma nomeada. A figura etimológica, a escavação da origem do significado dos significantes a partir das raízes verbais e da história das palavras é, na sua mais plena acepção, uma emergência, um des-ocultamento, isto é, um movimento-para-a-luz.

Qualquer investigação séria sobre o ente deve adoptar, como ponto de partida, as considerações linguísticas, em virtude de a Linguagem se apresentar como a chave-mestra que abre a porta do des-velamento do Ser, do Homem e do Mundo.

A Palavra é um caminho (Weg), ou melhor, o caminho privilegiado que nos permite pensar, através do depoimento existencial que transmite, o Ser do ente, quer dizer, o Ser daquilo que realmente é, amiúde obnubilado no nosso discurso quotidiano, no seio do qual as palavras perderam o seu referente primordial, remetendo umas para as outras e não mais para o Ser. Deparamo-nos, todos os dias, com discursos vazios de conteúdo. O modo de significação do que é emaranha-se na sequência mais ou menos lógica, no encadeamento de um conjunto de fonemas mais ou menos articulados, mas que perderam de vista a sua veraz significação ontológica. As coisas só são, realmente, enquanto se dão na proximidade do próprio Ser, tomado como aquilo que funda e abre toda a abertura histórica, embora ele-mesmo não se reduza a uma tal abertura.

Perspectivando à luz da tese heideggeriana as vivências quotidianas do "Homo Superfulus" – que habita cada vez mais em cada um de nós – não podemos deixar de afirmar que a Palavra e a Linguagem jamais são invólucros onde as coisas podem ser empacotadas para o comércio daqueles que as utilizam. Não se podem consumir do mesmo modo que os triviais produtos que esta sociedade consumista nos apresenta e nos pressiona a angariar, sem que tenhamos a mais lúcida consciência disso, nos tão frequentados hipermercados, onde as palavras e os livros que as encerram são comercializados de modo similar e, quiçá, com o mesmo estatuto do quilo de arroz.

O pensamento ocidental esqueceu, desde há muito, a máxima essencial: é na Linguagem, nas Palavras, que as coisas nascem e são. Afirmar a existência, dizer que uma coisa é, significa falar do ser das coisas, como somente a Linguagem originária pode fazê-lo. Impõe-se-nos, como estritamente necessária, a refutação da tese que defende a existência de uma arbitrariedade entre o que se diz e o que é, entre o Dizer e o Ser, porque em cada sentença que proferimos o Ser é efectivamente nomeado.

Devemos recusar a tendência nominalista da sociedade contemporânea, particularmente registada depois do grande advento da Publicidade e que tem feito crer ao comum dos mortais – vagueantes, com as suas mentes errantes por este universo de uma quase arbitrariedade semântica – que as coisas, os objectos da experiência, não têm realidade intrínseca fora da Linguagem que as descreve e as faz falar. A Linguagem opera o des-velamento das significações do Mundo, não havendo, portanto, dois planos: o do percebido e o do conhecido; o do falado e o do expresso.

A Palavra não introduz um sentido num conteúdo. É o conteúdo que se revela significante na Linguagem. É forçoso, propõe-nos o filósofo da Floresta Negra, que destruamos a perspectiva metafísica: a Linguagem não se torna significante a partir dos objectos compreendidos pelo pensamento e significados, em seguida, pelas palavras. São os objectos que adquirem a sua plena capacidade de significação a partir da Linguagem falada.

O sentido do Discurso – definido por Heidegger em Sein und Zeit (Ser e Tempo) como sendo a articulação significativa da compreensão do ser-no-mundo no sentimento de situação[3] – nunca é construído, mas sempre descoberto. O mundo mostra-se-nos investido de significações utilitárias e poéticas. Daí que a Linguagem seja entendida como uma leitura hermenêutica da experiência, assumindo uma vasta e originária significação ontológica, ao indicar a manifestação do carácter linguístico do Acontecimento do Ser.

O Homem compreende sempre o Mundo no interior de um projecto interpretativo, cuja Linguagem é a sua única justificação. Muito embora as coisas existam fora do gesto falado, o Mundo, esse horizonte inteligível que abre o acesso aos entes, só existe em sentido autêntico, na e pela interpretação efectuada através da Linguagem. Apenas onde há Linguagem há Mundo, quer dizer, uma esfera em permanente transição de decisão e de obra, de acção e de responsabilidade, mas também de arbítrio e de con-fusão.

A análise existencial não é senão um estudo do Homem (Da-sein) no universo do Discurso. O Da-sein determina o modo como o próprio Homem se interpreta como ente que fala. Falar equivale a fazer surgir o Ser do real: a Linguagem é um modo do Ser, uma estrutura da Ek-sistência. Porém, o Homem não é um existencial entre outros, mas o existencial fundamental no qual todos os outros ganham corpo. A Linguagem não é somente uma possibilidade do Da-sein, mas uma determinação essencial do ser-homem, não obstante constituir, a um tempo, a sua grandeza e a sua miséria. O Discurso do Mundo é, inextricavelmente, uma palavra do Ser. E a Ek-sistência é o Discurso que reflecte esta Linguagem fundamental: «a linguagem é a casa do ser», na qual o homem habita e, deste modo, ek-siste, pertencendo à Verdade do Ser que ele próprio vigia. Em Unterwegs zur Sprache (Caminhos da Linguagem), Heidegger afasta toda a falsa interpretação desta metáfora que, aliás, é muito mais do que uma simples metáfora: uma casa recolhe passivamente aqueles que abriga, enquanto a Linguagem tem o poder efectivo de trazer à luz, de des-velar a essência do Ser e o ser do Homem.

A importância crucial conferida pelo filósofo à Linguagem, na citada passagem de Briefe Über den Humanismus (Carta sobre o Humanismo) resulta, justamente, da firme convicção segundo a qual a Linguagem é própria do Homem, não apenas porque, para além de todas as suas outras faculdades, o homem também tem a genial capacidade de falar, de comunicar inteligivelmente através das palavras mas, sobretudo, porque apenas por intermédio desta irredutível via tem acesso privilegiado ao Ser.

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[1] Heidegger, UKW, in Holzwege, pp. 59 e 62.
[2] Martin Heidegger, op. cit., p. 82.
[3] Martin Heidegger, Sein und Zeit, p. 201.
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Publicada por Ricardo Pinto à(s) segunda-feira, agosto 15, 2016

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

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