terça-feira, 5 de setembro de 2023

Desde dia 1 de setembro. Piscinas Municipais de Cantanhede retomaram funcionamento

 
As Piscinas Municipais de Cantanhede reabriram portas ao público no passado dia 1 de setembro em todas as valências, com destaque para o regime livre de natação, ginásio de cardio-fitness e musculação. A novidade deste ano vai para a apresentação do serviço NatGym, disciplina que congrega uma aula de natação com um treino específico no ginásio das instalações desportivas.
Em curso mantém-se o programa “Traz um Amigo”, no âmbito do qual, nas últimas quarta e quinta-feira de cada mês, os utentes podem trazer um amigo para desfrutar de toda a oferta existente sem qualquer custo. O objetivo é divulgar os serviços e mobilizar mais utentes para todas as áreas de atividade propostas, cuja qualidade é de resto amplamente reconhecida.
As diferentes valências das Piscinas Municipais de Cantanhede funcionam todos os dias, de segunda a domingo: às segundas, quartas e quintas-feiras, das 9h00 às 14h00 e das 15h00 às 21h30, às terças e sextas-feiras, das 9h00 às 13h00 e das 15h00 às 21h30, aos sábados das 9h00 às 13h00 e das 15h00 às 19h00, e aos domingos, das 9h00 às 13h00.
Por outro lado, as instalações desportivas são utilizadas por diversas entidades, nomeadamente a Associação de Solidariedade Social Sociedade Columbófila Cantanhedense, Associação de Natação de Coimbra, Escola Técnico Profissional de Cantanhede, Agrupamento de Escolas Lima de Faria e Agrupamento de Escolas Marquês de Marialva. A par destas, a Escola Municipal de Natação dinamiza outras atividades como natação para bebés, natação para grávidas, natação adaptada, natação para adultos, natação sénior e hidroginástica, com mais 400 alunos efetivos, distribuídos por 64 turmas.
O complexo das Piscinas Municipais de Cantanhede dispõe de dois excelentes planos de água, um com 25 m x 16,67 m, outro com 25 x 12,5 m, e ainda um tanque de aprendizagem com 12,5 m x 6 m. Tem ainda bancadas com 370 lugares sentados, preenchendo assim cabalmente os requisitos para a realização das mais importantes provas oficiais da modalidade.
Existem também espaços destinados ao convívio e lazer de uso público, assim como o “court de squash” e áreas de serviço comuns, designadamente vestiários, banhos, sanitários, lavatórios, posto médico e gabinetes para professores.

Aveiro | Cerâmica Contemporânea Portuguesa em exposição na Letónia

 Uma colaboração entre as bienais de Aveiro e da Letónia Cerâmica Contemporânea Portuguesa em exposição na Letónia
“Caminhando juntos”, que apresenta obras de vários artistas portugueses, marca o arranque da 16.ª edição da Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro. Entre 28 de outubro e 31 de dezembro, o Museu da Cidade, em Aveiro, acolherá “Baltic Current” com artistas da Letónia, Estónia e Lituânia.
A exposição “Caminhando juntos”, composta por obras de cerâmica contemporânea portuguesa representadas na coleção da Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro, está a decorrer no Riga Art Space, na Letónia, até 7 de outubro. Esta exposição, que dá a conhecer obras de relevo das últimas três décadas de cerâmica nacional, é o ponto de partida para a 16.ª edição da Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro, que se realiza entre 28 de outubro de 2023 e 28 de janeiro de 2024, ano em que Aveiro será a primeira Capital Portuguesa da Cultura.
Durante três meses Aveiro irá receber artistas portugueses e internacionais que darão a conhecer o que de melhor se faz na área da cerâmica artística contemporânea, através de exposições, masterclasses, workshops, conferências, entre outros. Dos diferentes programas culturais da Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro, destaca-se a exposição, que resulta de um concurso internacional, com 107 obras, da autoria de 84 artistas de 36 nacionalidades. Estas peças, selecionadas num universo de 915 obras realizadas por 565 ceramistas, refletem a diversidade nas abordagens dos artistas ao nível das técnicas, dos materiais, das formas e dos conceitos e, simultaneamente, expressam as diferentes geografias, resultando num exercício de experimentação, inovação e criatividade em cerâmica.
“Caminhando juntos” centra-se nos ceramistas portugueses selecionados para diferentes edições da Bienal de Aveiro, vários dos quais premiados, e inclui obras que integram a coleção da Bienal. Alberto Vieira, Alexandra Monteiro, Ana Cruz, Ana & Betânia, Anisabel, Carlos Enxuto, Heitor Figueiredo, João Carqueijeiro, João Costa Gomes, João Cunha e Costa, Maria Carvalho, Paulo Reis, Ricardo Casimiro, Rui Paiva, Martim Santa Rita, Sofia Beça, Stela Ivanova, Vitor Dionísio, Vitor Santos & Sónia Borga, Yola Vale são os artistas representados nesta exposição.
“Caminhando juntos” resulta de uma colaboração entre as bienais de Aveiro e da Letónia, que começou em 2021, quando a Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro organizou o encontro online Bienal NEXT.
Neste contexto, iniciou-se o processo de organização do intercâmbio de exposições coletivas, permitindo a promoção internacional de ceramistas contemporâneos portugueses e letões. No seguimento desta exposição em Riga, e no âmbito da 16.ª edição da Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro, o Museu da Cidade acolherá, entre 28 de outubro e 31 de dezembro, a exposição “Baltic Current” com artistas da Letónia, Estónia e Lituânia.

Simão Santana
[Adjunto do Presidente | Deputy of the Mayor]

Dicas para viagens à Grécia (incluindo Atenas e Meteora!)

 Olá Litoral,

Mensagem com cheiro a maresia enviada da minha querida Zambujeira do Mar, na Costa Vicentina, onde vim passar uns dias relaxados antes de começar o novo ano letivo das crianças.

Mas regressei há pouco de uma viagem à Grécia e queria desde já partilhar algumas dicas, nomeadamente sobre a capital Atenas e os maravilhosos Mosteiros de Meteora. Ora veja:

Ainda faltam mais textos, incluindo um roteiro de viagem à Grécia e dicas extra sobre Atenas e a ilha de Kefalonia, mas por agora aproveite para ver esse material de Atenas e Meteora - são dois destinos maravilhosos e inspiradores que estou certo vai gostar de conhecer.

De resto, a propósito de inspiração, renovo a sugestão para quem vive em Portugal participar num festival para amantes de viagens que estou a organizar, com oradores incríveis, e que terá lugar nos dias 23 e 24 de setembro em Guimarães. Pode ver o programa aqui, bem como todas as informações na página oficial do ABVP Travel Fest. Alinha?

A terminar, deixo o habitual o pedido para que utilize estes links no planeamento das suas viagens. Para si é igual, mas para mim é uma grande ajuda (permite manter o blogue livre de publicidade). Muito obrigado.

Grande abraço e boas viagens!

Filipe Morato Gomes

𝗙𝗲𝘀𝘁𝗶𝘃𝗮𝗹 𝗱𝗮 𝗠𝗼𝗻𝘁𝗮𝗻𝗵𝗮

  • Festival da Montanha está a chegar e promete uma experiência única no coração da Serra da Estrela, na montanha de Portugal.


    O Festival da Montanha é um evento inédito no nosso país, trazendo um formato único que celebra a natureza, a grandeza das montanhas e a cultura vibrante associada a estas magníficas paisagens. Reunindo entusiastas da natureza, amantes do ar livre e da vida, o festival visa proporcionar experiências autênticas e memoráveis.
     
    Este evento inovador, que marca a sua 1ª Edição, convida todos os amantes da montanha a participar de uma experiência única na montanha de Portugal, a Serra da Estrela, entre os dias 22 a 24 de setembro.
     
    Durante os três dias do Festival da Montanha, os participantes têm a oportunidade de se envolver numa ampla variedade de atividades, não competitivas, como Caminhadas, BTT e e-bike Escalada, Trail Running, Stand Up Paddle, Parapente e outros desportos de montanha, mas também, yoga e meditação, palestras e workshops, observação astronómica, cinema ao ar livre e fotografia, concertos e muita animação.
     
    O programa diversificado do festival inclui mais de 35 atividades:

    • Experiências na Montanha: Os participantes poderão explorar a montanha, por terra, ar e água, através de diferentes propostas desportivas – caminhadas, btt, e-bike, trail runing, escalada, parapente e stand up paddle,
    • Cultura Local: Os visitantes poderão mergulhar na cultura local, desfrutando de um mercado de montanha com produtos e artesanato locais e uma área de gastronomia.
    • Relaxamento: Para aqueles que buscam serenidade, o festival oferece sessões de yoga imersões e danças com a natureza e percursos sensoriais.
    • Palestras e Workshops: A oportunidade de aprender com especialistas sobre a conservação da natureza, ativismo ambiental e muito mais.
    • Cinema ao Ar Livre: Em parceria com o Kendal Mountain Festival, serão exibidos uma seleção de filmes vencedores das mais recentes edições da Competição de Filmes Internacional.
    • Música: O festival contará com muita música. Ao palco, durante os três dias do festival, subirão as bandas Rock Out, Blue Velvet, Toukarioupa e Mariana Lisboa. Mas também haverá uma discoteca silenciosa.
    • Animação: No recinto do festival haverá uma zona de diversão para miúdos e graúdos com insufláveis, air bungee e parede de escalada.

    Haverá atividades para que ninguém fique de fora, independentemente da idade, condição física ou capacidade de mobilidade.

    Todas as atividades partirão da vila de Manteigas, do Parque da Várzea, onde o festival montará o seu campo base.
     
    O objetivo principal é destacar a importância das montanhas e promover a conscientização sobre sua preservação. Além disso, procura fomentar a ligação com a natureza, promover a saúde e o bem-estar, incentivar a partilha e estimular a economia local através da promoção do turismo sustentável.
     
    O FESTIVAL DA MONTANHA proporciona uma oportunidade única para os amantes da natureza e entusiastas das atividades ao ar livre reunirem-se, partilharem experiências, aprenderem com especialistas e explorarem as belezas naturais da Serra da Estrela.

    Este evento é organizado pela RUDE - Associação de Desenvolvimento Rural, ADRUSE - Associação de Desenvolvimento Rural da Serra da Estrela, Pró-Raia - Associação de Desenvolvimento Integrado da Raia Centro Norte, no âmbito de um projeto de cooperação entre grupos de ação local, o Município de Manteigas e o Estrela Geopark Mundial da UNESCO.
     
    O FESTIVAL DA MONTANHA é um exemplo de evento colaborativo, cocriado com o associativismo, empresas de animação turística e a comunidade local.

  • Detalhes do Evento:

    Data: 22, 23 e 24 de setembro
    Local: Parque da Várzea, Manteigas (https://g.co/kgs/dag3PB)
    Organizadores: RUDE - Associação de Desenvolvimento Rural, ADRUSE - Associação de Desenvolvimento Rural da Serra da Estrela, Pró-Raia - Associação de Desenvolvimento Integrado da Raia Centro Norte, Município de Manteigas, Estrela Geopark Mundial da UNESCO.
     


    Mais informações:
    Para obter mais informações, visite o site oficial do Festival da Montanha siga-nos nas redes sociais:
    www.festivaldamontanha.pt
    www.facebook.com/festivaldamontanha

  • www.instagram.com/festivaldamontanha

Proença-a-Nova | Ténis de Praia regressa ao Campo de Jogos da Aldeia Ruiva

 
O Campo de Jogos da Aldeia Ruiva volta a receber, de 16 a 24 de setembro, mais uma edição do Fluvial Beach Tennis Tour, um conjunto de provas que fazem parte do calendário da Federação Internacional de Ténis, depois do sucesso da primeira edição em 2022.
Os melhores atletas do Ténis de Praia Mundial, oriundos de pelo menos dezanove países e quatro continentes diferentes, irão voltar a pisar a areia do Campo de Jogos da Aldeia Ruiva e marcar presença no torneio que o Município de Proença-a-Nova acolhe pelo segundo ano consecutivo.
Nuno Pissarra, diretor da prova afirma que o sucesso da primeira edição promete repetir-se este ano, com as inscrições a aumentarem relativamente ao ano anterior. “Há equipas que não vão poder estar nos quadros competitivos por haver excesso de inscritos. O critério de entrada vai ser em função da posição que ocupam no ranking mundial. Só para o primeiro torneio temos já cerca de 40 equipas masculinas e 16 equipas femininas inscritas”, confirmando assim as expectativas iniciais.
Para a segunda edição, está prevista a realização de um torneio adicional, sendo possível assistir a duas Beach Tennis (BT) 10, duas Beach Tennis (BT) 50 e ainda uma BT 100, a prova rainha e que irá reunir os melhores praticantes da modalidade. Dar nota que o número de cada prova equivale na mesma medida ao número de pontos que os atletas vencedores irão acumular no ranking pessoal. Por exemplo, a BT 100 será considerada a prova com maior relevo, por ser aquela que mais pontos irá distribuir pelos vencedores, podendo esperar-se maior intensidade e expectativa para os duelos deste torneio, a realizar-se nos últimos três dias de competição.
À semelhança do ano anterior, no último dia de provas (domingo, 24 de setembro) será organizado, em cooperação com a Associação de Ténis de Castelo Branco, um campeonato regional para promover a prática do desporto direcionado especificamente para atletas da região.
Francisco Paula, também diretor de prova, destacou o papel fundamental deste tipo de eventos como “motores de desenvolvimento para a economia regional, entre restauração e hotelaria do concelho de Proença-a-Nova. Organizamos este evento para um data de época baixa do ponto de vista turístico justamente para que este tipo de comércio continue a lucrar mesmo após o fim da época balnear. Esperamos que estes negócios tenham o triplo do retorno do investimento realizado pelo Município”.
O Fluvial Beach Tennis Tour da Praia Fluvial da Aldeia Ruiva, uma prova da Federação Portuguesa de Ténis, organizada pela Aduane Sports, conta com o apoio do Município de Proença-a-Nova, da Associação de Ténis de Castelo Branco e do jornal Record enquanto media partner.



Crónica Postal | PORTUGUESES QUE TRABALHAM NO ESTRANGEIRO


Desde sempre que os portugueses se aventuraram a trabalhar e residir fora de portas.

Não será por acaso que um português “entra” nas ‘Aventuras de Tintim’, a mítica série de histórias aos quadradinhos criadas em 1929, onde o “senhor Oliveira da Figueira” afirmava ter deixado a Europa devido à Grande Depressão e ao facto de que havia pouca concorrência ao largo da costa da Arábia”.

Um retrato muito próximo dos motivos que levaram tantos a emigrar. Hoje continuamos a ver muitos dos melhores a saírem do país para trabalhar. E assim continuará a ser.

O termo “emigrante” já não se enquadra na nossa realidade. Não porque seja um termo pejorativo, mas porque não corresponde à realidade atual e futura. São portugueses que optaram e optam por trabalhar e viver fora de Portugal. Já somos mais ‘lá fora’ do que ‘cá dentro’. E digo “somos” propositadamente. Todos somos cidadãos de Portugal.

Esta força de trabalho e de empreendedores portugueses valoriza-nos aos olhos do mundo. O seu sucesso faz com que sejam respeitados e valorizados nos países onde decidiram residir e trabalhar.

Esta enorme presença de cidadãos espalhados pelos quatro cantos do mundo empresta ao nosso país uma consideração internacional extraordinária. Sabem integrar-se e serem respeitados nessas comunidades. Contribuem para que a nossa cultura se mantenha atual e viva por esse mundo fora.

O que temos que registar como absolutamente saudável, é a forte ligação que estes trabalhadores e residentes no estrangeiro nunca perdem à terra natal. As origens estão sempre presentes e passam de geração em geração.

EDUARDO COSTA, jornalista, presidente da Associação Nacional da Imprensa Regional

Destaque

O termo “emigrante” já não se enquadra na nossa realidade

Investigadora da Universidade de Coimbra ganha bolsa ERC de 2,5 milhões de euros

 

Inês Pereira, investigadora no Centro de Geociências do Departamento de Ciências da Terra (DCT) da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra (FCTUC) acaba de conquistar um financiamento de 2,5 milhões de euros do European Research Council (ERC) para um período de cinco anos.

A Bolsa ERC Starting Grant vai ser aplicada no projeto FINGER-PT – Fingerprinting cold subduction and Plate Tectonics using key minerals, que tem início em janeiro de 2024 e visa desenvolver e testar novas ferramentas que permitam rastrear a evolução da tectónica de placas ao longo do tempo e, efetivamente, estabelecer quando é que tal dinâmica se iniciou.

«Apesar dos grandes esforços para compreender a evolução da tectónica de placas, ainda não sabemos exatamente quando é que esta incrível dinâmica começou a operar. Apenas sabemos que quando a Terra se formou há cerca de 4570 milhões de anos ela não existia e, hoje em dia, pelo menos desde há 1000 milhões de anos, existe», afirma Inês Pereira.

Segundo a investigadora do Centro de Geociências do DCT, esta bolsa permitirá a criação de dois novos laboratórios na FCTUC. Um dos espaços terá um instrumento único ao nível da Península Ibérica e para as Ciências da Terra, nomeadamente um sistema integrado de microscopia eletrónica de varrimento e espectroscopia Raman, enquanto que o outro laboratório dará a possibilidade de trabalhar em geocronologia absoluta, a partir de um sistema acoplado de um laser e um espectrómetro de massa. Ambos irão ajudar a colmatar uma lacuna que existe a nível de acesso a este tipo de equipamento a investigadores da área das Ciências da Terra em Portugal.

«Para além de serem essenciais para a execução deste projeto, pretende-se que, a longo prazo, estes laboratórios se tornem uma referência nacional e internacional nas Ciências da Terra, e constituam uma excelente oportunidade para reforçar a formação dos nossos estudantes nas áreas da geoquímica e geocronologia», revela Inês Pereira.

A abordagem inovadora do FINGER-PT, explica a investigadora, «passa pela utilização de alguns minerais que tenham sido testemunhas da operação de zonas de subdução frias no passado da Terra. Tal só é possível através de uma análise detalhada e exaustiva do registo mineral, preservado em rochas sedimentares, utilizando ferramentas que nos permitam determinar a pressão, temperatura e idade de formação desses minerais. Um enorme desafio», conclui.

O projeto, que contará com o apoio dos professores Pedro Dinis (FCTUC) e Kenneth Koga (Université d’Orlèans), da investigadora Emilie Bruand (Geo-Ocean) e da equipa do Matteo Alvaro (Università di Pavia), decorrerá essencialmente na FCTUC, ainda que uma importante porção de trabalho venha a ser desenvolvido na Université d'Orlèans, em França. O FINGER-PT contempla ainda curtas estadias noutros institutos europeus e a realização de trabalho de campo em quatro continentes.

Sara Machado
Assessora de Imprensa
Universidade de Coimbra• Faculdade de Ciências e Tecnologia

Cientistas da Universidade de Coimbra estudam processo inovador para recuperação de materiais valiosos da indústria eletrónica


Um grupo de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está a estudar um novo processo para a recuperação de materiais ligados à indústria dos eletrónicos. Esta investigação decorre no âmbito da Agenda Microeletrónica do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), financiada com 30 milhões de euros.
Atualmente, o lixo eletrónico é um dos resíduos sólidos com uma elevada taxa de acumulação, chegando a quase 10 milhões de toneladas por ano na União Europeia, sendo que apenas cerca de 15 a 20% desses resíduos são reciclados. Em 2021, a produção estimada de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos (EEEW) foi de 55,2 milhões de toneladas em todo o mundo.

Tendo em vista a resolução desta problemática, a equipa de investigadores da FCTUC está a desenvolver uma investigação ligada à tarefa “E-Waste Recycling to Foster a Circular and Sustainable Economy”, que pretende contribuir para a criação e definição de processos industriais relacionados com a economia circular e a reciclagem de produtos do setor da Microeletrónica. Este projeto tem como foco principal a recuperação e tratamento de dispositivos eletrónicos, para que as matérias-primas possam ser novamente incorporadas na cadeia de valor.

«A ideia é encontrar um processo combinado, químico e biológico, para a recuperação de metais críticos e de alto valor a partir de resíduos elétricos e eletrónicos de computador», explica Paula Morais, docente da FCTUC e investigadora no Laboratório de Microbiologia do Centro de Engenharia Mecânica, Materiais e Processos (CEMMPRE).

«Para a criação deste processo, a metodologia aplicada terá por base um estudo de diagnóstico inicial para identificar e mapear o ecossistema português do setor da Microeletrónica e, posteriormente, o foco da investigação na FCTUC serão os processos microbiológicos e químicos de reciclagem de metais preciosos», revela a investigadora.

Assim, «serão desenvolvidos processos de bio-lixiviação, a partir de resíduos gerados por parceiros industriais no projeto, bem como de bioacumulação seletiva de metais após tratamento químico dos resíduos. O sistema de recuperação de metais por ser misto (químico-biológico) é extremamente inovador», assegura o grupo de Microbiologia. «Entre os materiais que se pretendem recuperar destacam-se os metais valiosos como ouro, platina e prata, e os metais críticos índio e gálio, a partir de computadores e equipamentos de telecomunicações em fim de vida», conclui.

Este projeto teve início em janeiro de 2023 e, neste momento, o consórcio, que envolve 17 entidades, encontra-se ainda a trabalhar na clarificação dos fluxos de resíduos e na caracterização dos materiais que serão utilizados para criar este novo processo, bem como a definir a estratégia integrada entre os parceiros da FCTUC para fazer esta recuperação de metais.

Para além do CEMMPRE, estão envolvidos nesta Agenda José António Paixão, do Centro de Física da Universidade de Coimbra (CFisUC), e também Licínio Ferreira, do Centro de Investigação em Engenharia dos Processos Químicos e dos Produtos da Floresta (CIEPQPF).

Universidade de Coimbra
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Estudo sugere que microplásticos em sistemas aquáticos acumulam bactérias patogénicas resistentes a antibióticos


Um estudo da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) sugere que os microplásticos acumulam mais bactérias resistentes a antibióticos em substratos naturais, como a areia, em sistemas aquáticos (rios).
Este estudo, da autoria de Isabel Silva, aluna de doutoramento em Biociências do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da FCTUC, revela ainda que o tipo de plástico influencia o número e as características das bactérias que aderem a estas partículas.

«Recentemente, verificou-se que as características destas partículas facilitam o estabelecimento de um conjunto de microrganismos com características distintas dos que se estabelecem noutros substratos. Uma das preocupações que se levanta é a possibilidade destes microrganismos incluírem bactérias resistentes a antibióticos, capazes de causar infeções graves (bactérias patogénicas)», enquadra Isabel Silva.

Durante a investigação, foi possível detetar «bactérias potencialmente patogénicas incluídas na lista prioritária da Organização Mundial de Saúde (OMS), multirresistentes, isto é, resistentes a três ou mais classes de antibióticos diferentes, e com características de virulência preocupantes. A maioria destas bactérias foi detetada em microplásticos expostos à influência das descargas de águas residuais, demonstrando uma vez mais o contributo destas descargas para a evolução do problema da resistência aos antibióticos», observa a autora.

No entanto, esclarece, «as estações de tratamento de águas residuais contribuem significativamente não só para a redução do número de bactérias resistentes aos antibióticos nos efluentes finais, mas também para a redução do número de microplásticos que atingem os sistemas recetores. Mas, infelizmente, os processos de tratamento disponíveis não são suficientemente eficazes para eliminar o impacto que observámos neste estudo», lamenta a aluna.

Os resultados deste estudo, agora publicado na revista Environmental Pollution, mostram a grande pertinência no apoio a medidas que possam mitigar a dispersão da resistência a antibióticos. «Foram apresentados novos dados que identificam as descargas de águas residuais como determinantes na modulação, quer da composição microbiológica dos microplásticos, quer nas características de resistência destes microrganismos», aponta Isabel Silva.

Além disso, prossegue, «o facto de o tipo de microplásticos alterar a capacidade destas partículas de transportarem bactérias patogénicas e multirresistentes, poderá influenciar as escolhas futuras no que diz respeito à utilização de diferentes tipos de plásticos. Em última análise, este estudo apresenta mais evidências que apontam para a necessidade premente de diminuir a utilização de plástico, nomeadamente microplásticos, e de melhorar os tratamentos de águas residuais de forma a reter e eliminar estes contaminantes», conclui.

O estudo foi coordenado por Isabel Henriques, professora do DCV e investigadora do Centre for Functional Ecology (CFE), e Marta Tacão, investigadora auxilia do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro, e contou também com a participação de Elsa Rodrigues investigadora do CFE.

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Cientistas extraem ADN de esqueleto com dez mil anos e desvendam história antiga do continente americano


Uma equipa de cientistas internacional, da qual faz parte Claudia Cunha, investigadora do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), conseguiu extrair ADN de esqueleto com dez mil anos de idade, conhecido como Luzio.
Os resultados, publicados hoje na Nature Ecology & Evolution, mostram que Luzio é um antepassado das populações nativas americanas atuais e que, portanto, a hipótese de que os primeiros brasileiros pertenceriam a uma população distinta estava equivocada.

«O estudo incluí o maior conjunto de dados genomas antigos do Brasil para demonstrar que as comunidades costeiras da Antiguidade Ameríndia (Sambaquis) não representam uma população geneticamente homogénea. Além disso, este é o primeiro estudo genético que abarca uma região tão grande e este número de indivíduos para o país. Através da sequenciação genética de ADN antigo, produzimos dados de 34 indivíduos com dez mil anos das regiões de Costa Atlântica, Lagoa Santa, Baixo Amazonas e Nordeste do Brasil», revela a Claudia Cunha, coautora do artigo.

Os sambaquis, que são construções verticais feitas em conchas, foram estabelecidos há cerca de oito mil anos, ao longo de mais de três mil quilómetros na costa leste da América do Sul. «Segundo registos arqueológicos, os construtores de sambaquis partilhavam algumas semelhanças culturais. No entanto, ao contrário do que se esperava, estes grupos de pessoas apresentaram diferenças genéticas significativas, possivelmente devido a contactos regionais com grupos do interior», afirmam os autores.

«Estas relíquias culturais, conhecidas como sambaquis, foram construídas ao longo de sete mil anos, sendo constituídas principalmente por conchas, sedimentos e outros resíduos diários. Os sambaquis foram utilizados por antigas populações indígenas como moradias, cemitérios e demarcação territorial, estando entre os fenómenos arqueológicos mais fascinantes da América do Sul pré-colonial», explica Tiago Ferraz, primeiro autor do estudo e especialista no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, no Brasil.

Segundo a investigadora do CIAS, os sambaquis sempre foram construídos de forma semelhante durante um longo período de tempo numa vasta área. As comunidades associadas partilhavam semelhanças culturais. As suas origens, história demográfica e encontros com caçadores-coletores vindos do interior do início do Holocénico, juntamente com seu rápido desaparecimento, levantaram várias questões, que são exploradas neste estudo.

«Extrair o ADN do esqueleto de Luzio era uma peça central que faltava para se desvendarem as origens dos primeiros americanos. Os resultados obtidos mostram de forma clara que não existiu no passado uma população humana diferente na América, como se acreditou por décadas», asseguram os cientistas internacionais.

Com este estudo os investigadores mostram que os primeiros caçadores-coletores do Holocénico são geneticamente distintos uns dos outros e de populações posteriores no leste da América do Sul. Tal sugere que não houve relações diretas com os grupos costeiros posteriores. As análises da equipa indicam ainda que os grupos contemporâneos de sambaquis da costa sudeste do Brasil, por um lado, e da costa sul do Brasil, por outro, eram geneticamente heterogéneos.

Resumindo, «os resultados publicados mostram que as comunidades de sambaquis nas costas sul e sudeste não representam populações geneticamente homogéneas. Ambas as regiões apresentaram trajetórias demográficas distintas, possivelmente devido à baixa mobilidade dos grupos litorâneos. Isto contrasta com as semelhanças culturais descritas no registro arqueológico. Precisamos de realizar mais estudos regionais e em microescala para aprender mais sobre a história genómica da América do Sul», concluem.

O estudo “Genomic history of coastal societies from eastern South America” contou com a participação da FCTUC, da Universidade de São Paulo e da Universidade de Tübingen, e pode ser consultado em https://www.nature.com/articles/s41559-023-02114-9.

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Universidade de Coimbra vai criar o primeiro laboratório de ADN antigo em Portugal


A Universidade de Coimbra (UC) vai criar o primeiro laboratório de ADN antigo do país. Esta nova estrutura, que será inaugurada em 2024 e que ficará alojada na UC, pretende ser um laboratório de investigação e de inovação de referência nos domínios em que o estudo de ADN antigo pode ter um papel fundamental para o avanço do conhecimento, nomeadamente nas áreas da biologia evolutiva, conservação, saúde, ambiente e arqueologia.
Este espaço pioneiro em Portugal pretende, assim, promover a excelência científica, colaborativa e interdisciplinar, uma vez que vai ser uma estrutura de apoio para vários domínios de investigação, nomeadamente, o estudo da adaptação e mobilidade de populações e espécies como resposta a alterações ambientais; a utilização de ADN antigo, ambiental e forense para monitorização da biodiversidade, espécies invasoras, qualidade alimentar e preservação de recursos naturais; o estudo da valorização das populações e do seu território, incluindo aldeias históricas e locais arqueológicos; o estudo da incidência e evolução de doenças ao longo do tempo; ou a implementação e análise computacional de dados genómicos de larga-escala (big data).

«A aposta da Universidade de Coimbra neste novo laboratório pretende potenciar a investigação e a inovação em vários domínios do saber. Com a criação desta nova estrutura estaremos não só a promover a inovação dentro de portas, mas também fora da UC, uma vez que pretendemos que este laboratório contribua para a investigação que é feita dentro e fora de Portugal, nas áreas em que o ADN antigo pode ter um contributo fundamental», destaca o Reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão.

«O laboratório de ADN antigo contribuirá para superar algumas das principais limitações infraestruturais do país nesta área, e irá promover a excelência científica interdisciplinar e contribuir para consolidar a liderança da Universidade de Coimbra na investigação e inovação. O laboratório estará integrado numa rede global de instituições científicas especializadas em ADN antigo, genética forense, biologia evolutiva, arqueologia, linguística e museologia», explica o vice-coordenador do Centro de Estudos Interdisciplinares da UC (CEIS20), atualmente na Universidade Nacional da Austrália e investigador afiliado da UC, João Carlos Teixeira, que será o investigador principal desta nova estrutura.

João Carlos Teixeira tem dedicado a sua carreira de investigação à genética e à evolução das espécies, em particular à espécie humana, sobretudo através da análise de amostras de ADN antigo, tendo publicado em prestigiadas revistas científicas internacionais sobre, por exemplo, a importância da diversidade genética para a conservação das espécies, a história evolutiva das populações humanas, ou a identificação do mais antigo caso documentado de uma síndrome genética.

O investigador explica que o ADN antigo «oferece uma janela direta para o passado, permitindo o estudo da arquitetura genética de populações naturais ao longo do tempo, incluindo episódios de seleção ou migração, mas também os fatores genéticos associados à domesticação, especiação ou extinção de espécies».

«Com este novo laboratório, vem, igualmente, a ambição de estabelecer fortes parcerias também em território nacional com outras unidades de Investigação e Desenvolvimento (I&D) dos setores público e privado», avança João C. Teixeira, que realça «a oportunidade única de se estabelecerem programas de ensino e treino especializado».

O novo laboratório vai envolver diversas unidades de ensino e investigação da Universidade de Coimbra, nomeadamente o CEIS20, o Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS) da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCTUC), o Departamento de Ciências da Vida da FCTUC, o Jardim Botânico, o Museu da Ciência ou a Faculdade de Letras (FLUC).

Universidade de Coimbra
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Cassitérides, as lendárias “ilhas do estanho”


Cassitérides foi o nome dado, na Antiguidade, a um arquipélago imaginado a oeste da Grã-Bretanha onde, reza a lenda, os mercadores fenícios, no século VII a. C., iam buscar estanho (“kassiterós”, em grego), uma actividade a que, segundo a mesma, se seguiram gregos, cartagineses e romanos. As Cassitérides eram algumas das diversas ilhas míticas que, até finais do século XV, os cartógrafos acreditavam existirem no Atlântico, a noroeste da Península Ibérica.
Entre os estudiosos antigos que procuraram descrever essas ilhas destacam-se o historiador Heródoto (c.485-420 a.C.), o historiador e geógrafo Possidónio de Apaméia (c. 135-c. 50 a. C.), o historiador Diodoro da Sicília (90 a. C.), o geógrafo Estrabão (c. 63 a.C. a c. 24 d.C.), quatro nomes grandes da Grécia antiga, e o naturalista romano Plínio. o Velho (23-79 d. C.).

Sabemos hoje que a Cornualha, em Inglaterra, é um dos produtores mundiais de estanho, devendo ter sido, pois, esta região do Sul da grande ilha britânica, que deu origem ao mito das Cassitérides. O respectivo minério, conhecido por “cristal de estanho”, foi descrito no século XVIII como “estanho mineralizado com ar puro” (o oxigénio era conhecido e designado por “ar puro”). Em 1832, o mineralogista francês François Sulpice Beudant (1787-1850) descreveu-o como um dióxido de estanho (SnO2) e designou-o por cassiterite (do grego “kassiteros”).

De brilho adamantino ou gorduroso, a cassiterite tem cor variável entre preto, púrpura e castanho-avermelhado ou amarelado. Geralmente opaca, pode apresentar-se translúcida e, por vezes, transparente, quando em pequenos cristais. Alguns exemplares mais claros e transparentes têm sido lapidados e usados como gemas. Sendo um mineral resistente à meteorização e relativamente duro, concentra-se em depósitos aluviais de tipo “placer,” os mais usuais na respectiva mineração como acontece actualmente na Malásia, na Tailândia, na Indonésia e na Rússia. Ocorre ainda em relação com intrusões graníticas, sob a forma de filões hidrotermais de alta temperatura e em pegmatitos associados, em especial, a quartzo, volframite, arsenopirite, pirite, esfalerite, dolomite e apatite. Acredita-se que a mineração da cassiterite se tenha iniciado na Cornualha e, só depois, em Portugal, em aluviões no centro e no norte do país. Uma destas ocorrências a céu aberto, localizada na Ribeira da Gaia (afluente do Zêzere), no concelho de Belmonte, foi explorada pelos romanos (e, provavelmente, muito antes) e, mais, recentemente, entre 1910 e 1940. Hoje explora-se nas minas da Panasqueira e de Neves Corvo.

O estanho (do latim “stagnum”) é um dos metais conhecido há mais tempo. De baixo ponto de fusão e aspecto prateado, é bastante resistente à corrosão, não se oxidando facilmente no contacto com o ar. Para além da produção de bronzes, é utilizado para recobrir outros metais a fim de os proteger da corrosão, como é o caso da folha-de-Flandres (a vulgar lata). Devido à sua grande maleabilidade, permite produzir folhas extremamente finas, utilizadas para embalar barras de chocolate e outros produtos.

Os arqueólogos falam da Idade do Bronze para designar um período da história do Homem com começo no Médio Oriente, há cerca de 3300 a. C., e terminado dois mil anos mais tarde, com o advento da metalurgia do ferro, iniciada e praticada na Europa pelos celtas.

Aceite por muitos como casual, a descoberta da liga de cobre e estanho a que foi dado o nome de bronze (do persa “biring”, cobre) veio substituir o uso do cobre, uma vez que mostrou ter maior resistência mecânica e mais elevada dureza, sem alterar as suas maleabilidade e ductilidade. Utilizado, nos seus primórdios, no fabrico de armas e utensílios, o bronze é hoje o nome de um conjunto de ligas metálicas que têm como base o cobre e o estanho, mas às quais, segundo os diversos objectivos, se adicionam teores variáveis, entre outros, de zinco, chumbo, níquel, alumínio, antimónio e fósforo, com o propósito de obter características superiores à do cobre.

A.M. Galopim de Carvalho (Geólogo)
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5 milhões de euros para desenvolver soluções tecnológicas inovadoras para apoiar envelhecimento da população


A Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu, no âmbito de um projeto multidisciplinar, uma série de soluções tecnológicas inovadoras que contribuem para um envelhecimento da população mais ativo, seguro e saudável.
Paulo Menezes, professor do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (DEEC) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC) e investigador sénior no Instituto de Sistemas e Robótica (ISR), é o responsável pelo projeto na UC, financiado na globalidade com 5 milhões de euros.

No âmbito do projeto “ACTIVAS – Ambientes Construídos para uma Vida Ativa, Segura e Saudável”, liderado pela empresa KENTRA technologies, Lda, a equipa do DEEC/ISR desenvolveu um conjunto de capacidades de interação inteligente para robôs (móveis) sociais e um conjunto de jogos sérios guiados por agentes artificias (avatares), que visando essencialmente a promoção da prática de exercício físico, se destinam não só a idosos, mas também a crianças, em particular com perturbações do espectro do autismo.

«Um dos trabalhos que desenvolvemos teve como objetivo perceber até que ponto é que conseguimos estimular a atenção e o foco através do movimento. Assim, criámos uma experiência sensorial, com sons e imagens, na qual se procurou atrair a atenção da pessoa para certas coisas que estavam a aparecer no ecrã e espontaneamente associar-lhe sons», revela Paulo Menezes, explicando que este setup interativo é composto por uma câmara com um sensor incorporado que permite explorar a captura do movimento, analisar a pessoa e a sua postura, para com isso reproduzir diversos sons, que a pessoa escolhe através dos movimentos. Além de suportar uma exploração criativa, este sistema permite ainda, caso seja desejado, a análise posterior das associações estabelecidas.

Outra das ferramentas concebidas, também para idosos, consistiu em integrar, de uma forma ecológica, num sistema interativo dois tipos de testes (Rickly & Jones e SARC-F), destinados a avaliar a presença de sarcopenia, isto é, a perda de massa muscular, um problema muito prevalente no envelhecimento, que pode ser prevenido com a prática de exercício físico. «Este teste mostra o nível de funcionalidade da pessoa, e consoante esse nível deverá fazer os exercícios de um dos conjuntos que desenvolvemos», indica o docente, acrescentando que é possível perceber, através de um mecanismo de avaliação, se os exercícios estão a ser bem executados, ou corrigi-los caso não estejam, mediante as indicações fornecidas durante o jogo.

Por fim, no âmbito deste projeto, foram criadas novas funcionalidade para um robô móvel desenvolvido em projetos anteriores. Esta ferramenta «é muito interessante num contexto do envelhecimento. Atualmente, temos a questão de não haver lares para todos, e ainda, o facto de muitas pessoas preferirem ficar nas suas casas. Porém, pode levantar-se a questão da segurança, porque um dos principais receios da maior parte dos idosos é acontecer alguma coisa enquanto estão sozinhos e ninguém se aperceber. É aqui que entra o robô», afirma o investigador, esclarecendo que o objetivo é que esta ferramenta emita alertas sempre que surjam sinais de perigo em casa, como uma queda ou uma fuga de gás, por exemplo.

No entanto, apesar dos pontos positivos de ter um robô, o docente não deixou de referir a dificuldade de aceitação na presença desta ferramenta em casa e do papel que deve desempenhar a nível social. «Nós temos vindo a fazer a adaptação dos comportamentos do robô às emoções da pessoa em tempo real, dentro daquilo que é possível inferir a partir das suas expressões faciais ou do tom de voz, usando redes neuronais profundas. Por exemplo, se a pessoa estiver mais triste, eventualmente, o robô vai-se deslocar mais devagar, mas se estiver mais alegre o robô pode ser mais efusivo. Isto é muito importante pois contribui para a aceitação. Nos testes realizados concluímos que com a adaptação do comportamento dos robôs as pessoas tendem a sentir mais empatia», evidencia.

Perante os resultados obtidos, de modo geral, os investigadores do DEEC consideram que este projeto «permitirá o desenvolvimento de um conjunto de serviços e mesmo a criação de oportunidades de negócio para diversas entidades prestarem serviços de assistência», conclui.

Universidade de Coimbra
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Estudo de investigadora do Técnico na Nature Medicine coloca inteligência artificial ao serviço da deteção do cancro da pele


Um projeto de investigação no domínio da inteligência artificial (IA) e dos cuidados de saúde, liderado pela investigadora do Instituto Superior Técnico Catarina Barata, foi publicado hoje na revista Nature Medicine e revela resultados promissores relacionados com o diagnóstico de cancro de pele.
A utilização do método testado neste estudo aumentou a taxa de diagnósticos corretos feitos pelos dermatologistas em 12%. A IA tem demonstrado uma grande capacidade de precisão em várias áreas de diagnóstico por imagem, levando ao desenvolvimento de ferramentas de apoio à decisão e criando possibilidades de melhoria da acessibilidade aos cuidados de saúde.

O estudo hoje publicado centrou-se na utilização de um modelo de IA denominado de “aprendizagem por reforço”, que cruzou com de tabelas geradas por peritos, em que se atribuíam recompensas e penalizações para diferentes erros de diagnóstico. Quando comparado com o modelo aprendizagem tradicional, este modelo por reforço produziu melhorias notáveis na sensibilidade para duas doenças da pele: o melanoma e o carcinoma basocelular. A sensibilidade para o diagnóstico de melanoma subiu de 61,4% para 79,5%, enquanto que para o carcinoma basocelular, subiu de 79,4% para 87,1%.

A equipa de investigadores descobriu ainda que este modelo de IA permite reduzir o excesso de confiança no diagnóstico automatizado, mantendo a sua precisão. Este dado pode ser um importante fator de mudança no mundo da IA médica, uma vez que o excesso de confiança neste tipo de diagnósticos tem gerado preocupação. Quando testado em dermatologistas reais, este modelo de aprendizagem por reforço conduziu a um aumento de 12% na precisão da IA.

Catarina Barata, investigadora no Instituto de Sistemas e Robótica do Técnico, explica que este tipo de abordagem é cada vez mais essencial. “O uso de AI deve ser ajustado às pessoas e trazer-lhes benefício. Este modelo com recompensas torna o processo mais simples e fácil de compreender para um não especialista, o que está muito alinhado com a direção que queremos tomar em relação à inteligência artificial.” A investigadora está também envolvida no projeto internacional “Responsible AI”, que pretende implementar uma série de práticas reflexivas e preocupações com a acessibilidade a este tipo de tecnologia.

Mais sobre o Instituto de Sistemas e Robótica | O ISR – Lisboa é uma instituição de investigação e desenvolvimento, fundada em 1992. Está afiliado ao Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, com atividades de investigação multidisciplinares avançadas, nas áreas de sistemas robóticos e processamento de informação. Juntamente com três outras unidades de investigação (IN+, ITI e MARETEC) integra o Laboratório Associado LARSyS.

Instituto Superior Técnico
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Suporte social beneficia saúde mental de doentes oftalmológicos

Uma investigação das universidades do Minho e de Coimbra e do Hospital de Barcelos mostra que pessoas com doenças oftalmológicas que reportam um bom suporte social têm níveis mais baixos de ansiedade e depressão. O trabalho saiu agora na revista científica Clinical Rehabilitation (http://lnu.diva-portal.org/smash/get/diva2:1534185/FULLTEXT02.pdf) e teve apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
O estudo envolveu pessoas diagnosticadas com retinopatia diabética ou degeneração macular, duas das principais causas da cegueira nos adultos. Para surpresa dos investigadores, o suporte social revelou-se mais importante para a saúde mental dos pacientes do que a quantidade de visão preservada.
“Os resultados são inovadores, porque mostram que o risco de problemas psiquiátricos existe em doenças oftalmológicas, apesar de os pacientes terem visão suficiente para realizar de forma independente tarefas da vida diária, como conduzir o automóvel”, diz o coordenador do estudo, António Filipe Macedo, do Centro de Física da Escola de Ciências da Universidade do Minho e da Universidade de Linnaeus (Suécia).
Os cientistas acreditam que estes resultados possam ser explicados pelos níveis de resiliência psicológica. Isto é, pacientes com melhor suporte social têm maior capacidade para lidar com eventos adversos ligados à sua doença. “É provável que essas pessoas estejam mais seguras de como enfrentar problemas causados pela possível evolução da doença”, afirma António Filipe Macedo. Curiosamente, o estudo foi feito antes de pandemia, na qual se tem falado muito de suporte social face ao isolamento.
 
Apoio idêntico ao do doente com cancro?
 
O professor nota que alguém diagnosticado com doenças como o cancro é encaminhado para apoio mental, mas raramente se associa esse apoio no caso de doenças oftalmológicas. “O nosso trabalho chama a atenção disso – a pessoa pode precisar daquele apoio não apenas quando perde a visão, mas já antes, pois pode ser decisivo no seu bem-estar mental”, frisa.
Uma boa saúde mental ajuda nos efeitos de tratamentos oftalmológicos, pois afeta por exemplo a comparência às consultas e o controlo regular da doença. O estudo agora publicado abre portas para novas formas de prevenção de problemas psicológicos ligados com diagnósticos de retinopatia diabética ou degeneração macular relacionada com a idade. O trabalho envolveu ainda Laura Moreno, doutoranda em Optometria e Ciências da Visão na Universidade do Minho, o psicólogo Hugo Senra e a oftalmologista Natacha Moreno.
 
Gabinete de Comunicação e Imagem – Universidade do Minho
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Ansiedade: Se de repente tivesse três dias de férias, o que faria?

Se quisermos dividir o DALY: Disability Adjusted Life Years (em português – AVAI: Anos de Vida Ajustados por Incapacidade; que mede o peso da doença expressa no número de anos perdidos por questões de doença) em dois, temos o YLL: Years of Life Lost (em português – AVP: Anos de Vida Perdidos, ou seja, morte prematura em relação aos anos de vida esperados) e o YLD: Years Lived with Disability (em português – AVI: Anos de Vida com Incapacidade, ou seja, doença ou deficiência).

Os TOP 2 DALYs a nível mundial são a depressão e a ansiedade.
O transtorno de ansiedade como o transtorno de pânico, o transtorno obsessivo-compulsivo, o transtorno de stress pós-traumático, as fobias e a ansiedade generalizada, provoca na pessoa um desvio constante da sua atenção para os seus pensamentos de preocupação.
A ansiedade é uma emoção caracterizada por sentimentos de tensão, pensamentos preocupados e mudanças físicas como o aumento da pressão arterial. As pessoas com transtornos de ansiedade geralmente têm pensamentos ou preocupações intrusivas recorrentes. Podem evitar certas situações por preocupação. Também podem ter sintomas físicos como suor, tremores, tonturas ou batimentos cardíacos rápidos. As datas de aniversário de eventos traumáticos podem reactivar pensamentos e sentimentos do evento real, e as pessoas podem experimentar picos de ansiedade e depressão.
Por exemplo, o transtorno do pânico que muitas vezes é assustador é altamente tratável, com uma variedade de terapias extremamente eficazes. Uma vez tratado, o transtorno de pânico não causa complicações permanentes. O mesmo acontece com os restantes transtornos de ansiedade como o transtorno obsessivo-compulsivo, o transtorno de stress pós-traumático, as fobias e a ansiedade generalizada.
Quanto mais cedo se procurar ajuda profissional, melhor. Os psicólogos podem ajudar as pessoas e as suas famílias a lidar com problemas de ansiedade e eventos stressantes como o divórcio ou a morte de alguém próximo, a saudade, o bullying, conflitos, memórias de abuso infantil reprimidas, recuperadas ou sugeridas.
Enfrentar/prevenir a ansiedade passa por trabalhar o desenvolvimento e aprendizagem social e emocional.

Marta Pimenta de Brito (Psicóloga)
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Depressão: Que história acha que os seus netos lhe vão pedir para contar?

Em saúde mental temos uma medida chamada DALY: Disability Adjusted Life Years (em português – AVAI: Anos de Vida Ajustados por Incapacidade) que mede o peso da doença expressa no número de anos perdidos por questões de doença.
No mundo, no TOP 1 dos DALY temos a depressão, independentemente der se ser homem ou mulher. Em segundo lugar, enquanto que nos homens aparece o álcool, nas mulheres surge a ansiedade. A ansiedade nos homens aparece em terceiro lugar, sendo nas mulheres este lugar ocupado pela enxaqueca.
A depressão é o transtorno mental mais comum que actualmente atinge um número cada vez maior de pessoas no mundo. A depressão é mais do que apenas tristeza. A depressão é uma doença real e traz consigo um alto custo em termos de problemas de relacionamento, sofrimento familiar e perda de produtividade.
No entanto, a depressão é uma doença altamente tratável, com técnicas de psicoterapia (coping = lidar com as situações, cognitivo-comportamental = pensamentos e comportamento) e nalguns casos também medicação.
As pessoas com depressão podem sentir falta de interesse e prazer em actividades diárias, perda ou ganho de peso significativo, insónia ou sono excessivo, falta de energia, incapacidade de concentração, sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva e pensamentos recorrentes de morte ou suicídio.
Estas pessoas às vezes precisam de ajuda psicológica. Principalmente quando elas ou quem está à sua volta percebe que não estão a funcionar tão bem como podiam.
Quanto mais cedo se procurar ajuda profissional, melhor. Psicólogo ou também juntamente um psiquiatra. Há casos em que uma combinação de terapia e medicação antidepressiva pode ajudar a garantir a recuperação. Os psicólogos podem ajudar estas pessoas e as suas famílias a lidar com problemas de depressão.
Felizmente, a depressão é tratável. O isolamento social aumenta o risco de depressão. Mas acontece que passar muito tempo a discutir problemas também pode aumentar a depressão.
Hábitos saudáveis como a prática de um tipo de exercício físico que lhe dê prazer e uma dieta saudável, principalmente saber tomar melhores decisões sobre o que come e ter sempre no prato várias cores, são um tratamento efectivo e económico para a depressão e podem ajudar na prevenção e tratamento de outras doenças, como por exemplo a obesidade.

Marta Pimenta de Brito (Psicóloga)
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