domingo, 26 de março de 2017

"Como ser melhor recompensado"

É muito compreensível que a maioria das pessoas deseja ganhar mais dinheiro com o fruto de seu trabalho.
Vou elencar algumas ações para que você consiga este objetivo. Custará algum esforço, mas valerá à pena.
1- Motivação. É preciso estar motivado porque sem motivação, ninguém chegará a lugar nenhum. Em 1 Samuel, 16:23 lemos:”Daí em diante, toda vez que o espírito mau mandado por DEUS vinha sobre o rei Saul, Davi pegava sua lira e tocava. O espírito mau saía do rei Saul e ele se sentia melhor e ficava bom novamente.”
Então, nunca permita estar desanimado ou entristecido e crie ambientes ao seu redor para animá-lo/confortá-lo. A música para mim é uma excelente terapia.
Atitude. Nós precisamos ter atitudes responsáveis e assim resolver nossos problemas/dificuldades com alegria e sem nenhuma procrastinação. Em Provérbios 15:13, há um versículo que gosto muito: “O coração alegre aformoseia o rosto; mas pela dor do coração o espírito se abate.”
Originalidade/Criatividade. Não haja como a maioria, e faça as coisas de forma diferente. Agindo assim, é possível resolver aquele problema que ninguém consegue resolver. Isto lhe trará grandes recompensas. Em Salmos 139:17, está escrito: ”E quão preciosos são, oh DEUS, os teus pensamentos! Quão grande é a soma deles!” 
Creio ser deveras importante acrescentar, que em nossas dificuldades de resolução de problemas, é fundamental recorrer ao Espírito Santo. Ele deve ser seu melhor amigo e seu grande conselheiro.
Adaptabilidade. Devemos todos possuir facilidade de adaptação as nossas condições de vida e de trabalho. E precisamos sempre ser agradáveis e flexíveis, porque todos querem pessoas auxiliadoras a sua volta. Em Mateus, 5:41, destacamos:” E, se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele dois mil.”
Conversação Útil. Que saia de sua boca apenas palavras edificantes, e que sejam sempre proveitosas e benéficas, a seus interlocutores. Isto é extremamente importante para o seu sucesso profissional, seu sucesso na família e na comunidade que habita. Em Tiago 3:13, lemos: ”Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom procedimento as suas obras em mansidão e alegria.”
Ame o seu desígnio e atualize o seu conhecimento. É fundamental amar aquilo que fazemos, e quando o nosso trabalho está afinado com a nossa personalidade, é muito fácil e prazeroso estudar e se aprimorar. Portanto, permaneça sempre em sua área predileta de trabalho e nunca esqueça o que diz Jeremias 29:13: “Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração.”
Semeadura. Sempre semeie honra e integridade onde você pousar os seus pés. Nunca transgrida, nunca ofenda ninguém e não seja condescendente com aqueles que têm visão embaçada, por causa de suas carnalidades. Saiba admoestar, em amor! 
Em 2 Coríntios 9:6, há uma preciosidade: “Mas digo isso: Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e aquele que semeia em abundância, em abundância também ceifará.”
Com carinho.
João Antonio Pagliosa
Eng. Agrônomo pela UFRRJ em 1972.
Curitiba, 26 de março de 2017.

Cantanhede – Dois detidos por posse de estupefacientes

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O Comando Territorial de Coimbra, através do Destacamento Territorial de Cantanhede detiveram hoje, dia 26 de março, dois homens de 27 e de 28 anos, por posse ilegal de produtos estupefacientes, em Cantanhede - Coimbra.
Foram apreendidos no âmbito da operação:
·         55 doses de haxixe;
·         34 microselos de LSD;
·         Duas doses de liamba;
·         Oito gramas de cogumelos alucinogénios (LSD);
·         Sete gramas de anfetaminas;
Os detidos foram constituídos arguidos e sujeitos a termo de identidade e residência.
Foram ainda elaborados sete autos de contraordenação por consumo de estupefacientes.

Cartaz 41º Torneio Inter-Regiões Páscoa 2017


Cartaz com o programa de jogos do 41º Torneio Inter-Regiões de Hóquei em Patins, que terá lugar no Pavilhão Municipal da Mealhada, de 6 a 9 de Abril de 2017.

Concurso Nacional de Enchidos – Categoria Presuntos Presunto de Santana da Serra (Montaraz) é o Melhor dos Melhores

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O Presunto de Santana da Serra, produzido pela empresa Montaraz de Garvão, Transformação Artesanal de Porco Alentejano, S.A., obteve a distinção Melhor dos Melhores na Categoria Presuntos do  7º Concurso Nacional de Enchidos, Ensacados e Presuntos Tradicionais Portugueses que o CNEMA realizou em conjunto com a Qualifica/oriGIn Portugal – que assumiu a respectiva Direcção – nos passados dias 09 e 10 de março.
 Recorde-se que o objectivo principal do Concurso é premiar, promover, valorizar e divulgar os genuínos Enchidos, Ensacados e Presuntos Tradicionais Portugueses, alguns deles já com Nomes Qualificados.
Este Concurso enquadra-se no âmbito de um conjunto de iniciativas promovidas pelo CNEMA, onde se incluem também outros Concursos Nacionais  de Produtos Tradicionais Portugueses, bem como os Concursos Nacionais de Mel e de Azeite Virgem Extra e o Salão Prazer de Provar integrados na Feira Nacional de Agricultura / Feira do Ribatejo.

JOGADOR EMPRESTADO PELO BENFICA AO CHAVES SOFRE APARATOSO ACIDENTE DE CARRO

Hamdou Elhouni saiu ileso apesar de o veículo ter capotado e sofrido danos graves
Jogador emprestado pelo Benfica ao Chaves sofre aparatoso acidente de carro
Hamdou Elhouni, jogador emprestado pelo Benfica ao Chaves, sofreu este domingo um aparatoso acidente de carro, na A7, no sentido Vila do Conde-Famalicão. O jogador líbio, de 23 anos, saiu ileso apesar de o veículo, um Audi A4, ter capotado várias vezes e sofrido danos bastante graves.
Segundo fonte dos Bombeiros Voluntários de Vila do Conde, chamados ao local para a ocorrência a meio da tarde, o despiste ocorreu numa curva potencialmente perigosa e onde já houve acidentes anteriormente. O piso molhado terá sido um dos fatores.
Hamdou não sofreu quaisquer ferimentos mas recebeu assistência no local, como forma de prevenção, não sendo necessário o atacante deslocar-se ao hospital. Refira-se que o carro do avançado dos flavienses embateu num noutro veículo, causando um ferido ligeiro que precisou de assistência hospitalar.
Fonte: Record
Foto: Amândia Queirós/Arquivo

ROMEU ESTARREJA VENCEU TORNEIO ABERTURA DE COLUMBÓFILIA

O associado Romeu Estarreja foi o grande vencedor da prova promovida pela secção de Columbofilia da Associação de Solidariedade Social Sociedade Columbófila Cantanhedense, que abriu a campanha desportiva 2017 e denominado por “Torneio de Abertura”. Romeu Estarreja somou no final 292 pontos, seguido por Gonçalo Paião que conquistou o segundo lugar do pódio com 283, classificando-se em terceiro lugar Sérgio Pascoal que totalizou 280 pontos, seguindo-se na classificação geral os associados, Dorindo Mendes com 259 pontos, Carlos Lourenço, 257, Miguel & Emanuel 204, Fábio Cruz 154, José Vinagreiro, 147, José Rossa Ribeiro, 127, Cidálio salvador 115, Manuel Santos 112 e José santos 71 pontos

COMO A CGD CONTINUA A SER ARRUINADA


A central sindical amarela, conhecida como UGT, recebeu um financiamento de 1,5 milhão de euros da CGD, a ser pago em 25 anos mediante módicas prestações mensais de 7.500 euros . O referido financiamento destina-se a reembolsar dívidas antigas da UGT para com a UE, decorrente das trafulhices cometidas pela mesma com dinheiros do Fundo Social Europeu. 

Sabe-se que este banco público atravessa dificuldades devido aos empréstimos ruinosos que efectuou no passado, com incumprimento de credores. 

Assim, cabe perguntar:   Que garantias tem a CGD de bom pagamento por parte da UGT?   Terá a UGT dado garantias reais?   Como é possível que as tenha dado se até foi despejada da sua sede por falta de pagamento ao senhorio?   Por que a nova administração da CGD resolveu fazer este frete à UGT?   Não será lícito suspeitar que o governo PS a persuadiu a acudir à UGT?   Como é possível agravar ainda mais a saúde financeira do único banco público que ainda resta em Portugal?   Tais questões deveriam ser respondidas.

Resistir.info

SESSENTA ANOS DEPOIS – A RESERVA DE SOBERANIA E O FUTURO DE PORTUGAL


João Ferreira do Amaral [*]

A União Europeia não é um mero prosseguimento da CEE sob outro nome. A União é algo de novo e o seu estabelecimento, em 1992, com a ratificação do tratado de Maastricht, representou um corte em relação ao que tinha sido até aí a evolução da integração europeia ocidental pós-II Guerra Mundial.

1. O modelo federal-neoliberal europeu 

Comemora-se este mês o 60.º aniversário do Tratado de Roma. Ou, como muitos acrescentam, os 60 anos da União Europeia, anteriormente designada como Comunidade Económica Europeia (CEE).

Nada mais errado que este acrescento. De facto, a União Europeia não é um mero prosseguimento da CEE sob outro nome. A União é algo de novo, e o seu estabelecimento, em 1992, com a ratificação do tratado de Maastricht, representou um corte em relação ao que tinha sido até aí a evolução da integração europeia ocidental pós-II Guerra Mundial. Por isso, mais do que a comemoração dos 60 anos da CEE, o que deveríamos estar a assinalar (não a comemorar) são os 25 anos do Tratado de Maastricht.

Foi a partir deste tratado que a União entrou numa via federalista induzida pelo objectivo do alargamento do mercado tanto no que respeita ao mercado interno europeu como no que decorre do avanço da globalização económica e financeira que, surgida ainda nos anos oitenta se acelerou fortemente nos anos noventa do século passado.

A via federalista assentou em primeiro lugar na criação do euro, que será efectivada em 1999 e desenvolver-se-á mais tarde, em 2009, com o chamado Tratado de Lisboa, que instituiu uma união estranha, uma espécie de pseudo federalismo subordinado a um Estado – a Alemanha –, por vezes acompanhado por um parceiro menor – a França. 

Este caminho que as instituições europeias seguiram não foi mais que uma forma de prosseguir o alargamento dos mercados e de forçar uma suposta adaptação à globalização, transferindo todo o impacte desta sobre o factor trabalho, seja a nível dos salários e direitos sociais, seja ao nível do emprego.

De facto, as instituições de Maastricht, em particular no que respeita às instituições da União Económica e Monetária, estabeleceram a obrigatoriedade de serem seguidas, por parte do Banco Central Europeu, políticas monetárias ultraconservadoras e, por parte dos governos, políticas orçamentais restritivas. A combinação destas duas exigências tem como consequência que todo o ajustamento macroeconómico assenta necessariamente sobre o emprego e/ou os salários e direitos sociais. Não é, pois, de estranhar que a zona euro seja, desde a sua criação, a zona de maior desemprego a nível mundial e que o peso dos salários no rendimento nacional tenha vindo a reduzir-se ao mesmo tempo que as desigualdades se acentuaram.

A imposição deste pensamento único por parte das instituições de Maastricht exigiu uma perda de soberania dos estados-membros, de modo a que estes não dispusessem de autonomia para decidir sobre as políticas de estabilização económica que pretendessem seguir. O federalismo foi assim um instrumento muito eficaz para forçar os estados a seguir políticas macroeconómicas neoliberais, consideradas pelas propaganda necessárias para reduzir os direitos sociais e os salários no espaço europeu, única forma – dizia-se – de a Europa se poder adaptar à globalização.

Mas não se ficou pelas políticas macroeconómicas a imposição do modelo federal-neoliberal. A política europeia de concorrência e de ajudas de Estado foi reforçada e a jurisprudência do Tribunal de Justiça veio a revelar-se marcadamente ideológica, também ela subordinada à visão neoliberal do primado do mercado, forçando os tratados e impondo uma visão muito restritiva da intervenção do Estado na economia, com o fito, mais uma vez, de potenciar o alargamento de mercado em prejuízo de todos os outros valores. Em vez de perseguir as práticas discriminatórias – entre naturais dos diversos estados – que possam decorrer da política económica, o que é justificado quando existe um processo de integração e que era a sua tradição, o tribunal tornou-se principalmente, sem qualquer base nos tratados, um perseguidor da intervenção estatal na economia.

O modelo federal-neoliberal iniciado com Maastricht cumpriu durante algum tempo o papel para que tinha sido criado. Foi inclusivamente aprofundado pelo Tratado de Lisboa e pelo infame Tratado Orçamental que se lhe seguiu. Mas, quando este entrou em vigor (2013), já o modelo estava em crise. Crise que se transformou numa crise profunda da União e que justifica que se encarem todas as opções para o futuro da cooperação europeia.

2. A reserva de soberania e uma nova cooperação europeia 

A cooperação europeia é essencial, uma vez que existem certos interesses comuns colectivos na Europa que exigem uma gestão baseada na cooperação entre estados. Por isso, é perfeitamente aceitável que os estados acordem em respeitar determinadas regras comuns para prosseguirem da melhor forma esses interesses comuns colectivos. Mas tal tem de ter um limite. Esse limite é o da reserva de soberania que cada Estado-membro tem de manter para prosseguir os seus interesses nacionais e não ficar sujeito ao pensamento único nem aos interesses de outros estados.

Ora, o que sucedeu desde Maastricht é que essa reserva de soberania foi violada e os estados, em particular os de menor dimensão, ficaram sem a autonomia suficiente para poderem prosseguir os seus interesses.

Por isso, o passo fundamental para a criação de uma nova união ou para a reforma drástica da actual é repor a reserva de soberania no essencial do que existia antes de 1992. E nesse aspecto a soberania monetária é a fundamental.

Basta ver o que um país perde quando cede a sua soberania monetária, como foi o caso de Portugal quando aderiu ao euro, para verificar como não pode haver sustentabilidade para um país como membro respeitado da comunidade internacional se não dispuser da sua soberania monetária. Recordemos os poderes soberanos que o País perdeu com a entrada no euro.

Perdemos:

  instrumentos essenciais da política económica (política monetária e cambial); 
  autonomia do Estado em relação aos mercados financeiros e às agências de rating; 
  autonomia das decisões orçamentais e com isso grande parte da soberania em geral; 
  controlo do sistema financeiro por ter deixado de existir um prestamista de última instância nacional (função anteriormente exercida pelo Banco de Portugal); 
  possibilidades de o Estado controlar sectores essenciais para a independência nacional.

A pertença ao euro – um dos maiores desastres da nossa história – tem de ser revertida como primeiro passo fundamental para repor a reserva de soberania. Por isso, é urgente que a nova união defina um conjunto de procedimentos para a saída de um país da zona euro.

Por outro lado, essa nova união deve assentar num tratado [NR] que substitua o modelo federal-neoliberal e que respeite sem subterfúgios a reserva de soberania de cada Estado.

A questão da reserva de soberania é nos tempos actuais a mais importante que o País tem de enfrentar. Nela se joga a possibilidade de Portugal continuar a existir. 

[NR] Resistir.info não considera que a UE seja reformável por meio de um tratado e defende a saída da mesma.

Do mesmo autor em resistir.info: 

[*] Professor catedrático do ISEG.

O original encontra-se em www.abrilabril.pt/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ 

É POSSÍVEL JUSTIÇA SALARIAL


Manuel Carvalho da Silva* – Jornal de Notícias, opinião

Está confirmado, em Portugal e na generalidade dos países da União Europeia (UE), que as respostas à "crise financeira" de 2007/2008, em particular as políticas de austeridade e o reforço da financeirização da economia, agravaram as desigualdades sobretudo dentro de cada país. O aprofundamento das desigualdades salariais fomentou esse agravamento e constatou-se - através de estudos feitos em Portugal, em Espanha e noutros países - que o enfraquecimento da negociação coletiva contribuiu muito para a desigualdade salarial.

A evidência de que os gestores de topo usufruem de chorudas retribuições e tiveram significativos aumentos durante o período em que a generalidade dos trabalhadores viu os seus salários serem reduzidos, tem levado ao surgimento de iniciativas políticas que denunciam este escândalo e procuram travar estas injustiças.

É neste contexto que surgem em preparação, na Assembleia da República (AR), propostas do PS e do BE com vista à discussão de uma limitação do leque salarial nas empresas e serviços. Trata-se de iniciativas positivas. Mas só atingirão êxito se propiciarem uma abordagem que vá muito para além do objetivo de estabelecer um limite razoável na relação entre os que auferem mais e os que têm salários mais baixos. São três as razões fundamentais para a debilidade de um debate centrado apenas nesse objetivo: primeira, existem hoje múltiplas formas de contornar a aplicação de uma norma desse tipo nas empresas e serviços (privados e públicos), através de subcontratações e da "externalização de serviços"; segunda, os leques salariais pornográficos hoje existentes alimentam-se de (e alimentam) conceções e práticas sobre a organização da economia e da sociedade, que subjugam a maioria dos cidadãos no trabalho e fora dele, naturalizando as desigualdades salariais e outras; terceiro, só com o crescimento médio e mediano dos salários se poderá atingir uma política salarial globalmente mais justa.

Os que invocam a soberania das "leis" do mercado para justificar as desigualdades salariais sabem bem que o mercado não se rege por critérios de justiça ou de democracia e, muito menos, de ordem ética e moral. São as organizações e instituições que representam os interesses e valores dos cidadãos na sociedade que têm de estabelecer e balizar regras de comportamento. O Governo tem o dever de entrar neste processo com empenho, municiando o debate a ser feito na AR, na Concertação Social e no plano público, com análises mais finas sobre a desigualdade salarial.

É natural a utilização de critérios de competência, de mérito e motivação para estabelecer os salários, mas isso implica regras abstratas e universais aplicáveis aos do topo e aos de baixo. É preciso um indivíduo ser muito preguiçoso e ganancioso, quando só conseguimos mobilizá-lo a troco de milhões.

A "liberdade económica" não pode permitir que o dono de uma empresa privada ou um conjunto de acionistas façam o que entenderem da riqueza aí produzida. Embora de forma diferenciada nos dois setores, tem de haver regras e controlo que defenda o interesse coletivo da sociedade, na empresa e fora dela.

É possível justiça salarial: i) combatendo a precariedade e o desemprego, os dois fatores de maior pressão negativa sobre os salários; ii) libertando riqueza para o investimento produtivo gerador de emprego e da melhoria da sua qualidade, e não permitindo que o peso do fator trabalho no PIB continue a cair; iii) combatendo a destruição do Estado social, pois a prestação de direitos sociais fundamentais às pessoas é uma forma de remuneração indireta muito importante para quem tem baixos rendimentos; iv) afirmando a igualdade entre homens e mulheres no trabalho e impondo salários e retribuições dignas para os jovens na sua entrada no trabalho; v) repondo a contratação coletiva e tornando-a dinâmica, pois ela possibilita leques salariais mais homogéneos; vi) reequilibrando poderes entre os representantes do trabalho e do capital, através de melhorias na legislação laboral.

Há hoje capacidade de produzir riqueza como nunca e possibilidade de a distribuir melhor. Se os trabalhadores tiverem mais poder e direitos haverá menos desigualdades.

* Investigador e professor universitário

PORTUGAL DO PIOR: SEIS PESSOAS ASSASSINADAS. BANQUEIROS SEMPRE A ROUBAR



Mário Motta, Lisboa

A senda assassina reporta-se a sexta-feira (24) com quatro pessoas mortas à facada, havendo a acrescentar um aborto de grávida assassinada. Foi então que muitos perguntaram ao mais recôndito de seu âmago, às suas consciências, o que leva um ser humano a assassinar naquelas circunstâncias por motivos que em nada justificam a ação criminosa.

Tanto quanto parece o dia de sexta-feira acabou sem mais notícias de assassinatos em Portugal ou envolvendo portugueses. No dia anterior havia sido baleado um jovem numa discoteca de Lisboa, a Luanda, em Alcântara. O costume naquela discoteca ou nas suas imediações.

Ontem, sábado, logo pela manhã, ficámos a saber que um jovem assassinou a sua mãe a tiro. Portugueses no Luxemburgo. O que é preciso para se ser capaz de matar a própria mãe? O que move aqueles que assim agem? O que lhes vai na cabeça?

Mas no dia de sábado (25) a senda dos assassinatos não acabou com portugueses no Luxemburgo. Pela tarde chegava a notícia de um homem em Esmoriz, Barcelos, que matou à facada a sua própria companheira.

Nada justifica cabalmente estas mortes. São crimes puros e duros que devem ser punidos com o máximo das armas judiciais que a lei permite. Só a autodefesa justifica que se mate ser humano ou animal que nos ataque. Assim, nos moldes das ocorrências em relato, a loucura poderia ser um justificativo, mas isso, nos casos expostos, só pode ser assacado à ira ou à premeditação, aos instintos assassinos dos que foram protagonistas desses crimes. Quanto à ira sabemos que é um dos apêndices que possuímos mas que devemos saber controlar e dominar, o mais possível e nunca ao ponto de tirar a vida a quem quer que seja. Há a dizer que os crimes deste inicio de primavera foram hediondos, repugnantes. Tudo aconteceu por dá cá aquela palha. Por coisas de nada.

Ciclicamente acontece em Portugal e com portugueses estas ondas de assassinatos. O que leva a tal só os especialistas no comportamento humano estão habilitados a explicar. Porquê, em dois dias, esta onda de crimes? Terá que ver com o início da primavera? Existe quem acredite nisso. Ou no pico do verão, com o calor e o álcool a mais. Mas, então, nessas circunstâncias tem que ver com o álcool ou droga e pode acontecer em qualquer momento, em qualquer estação do ano.

Portugal e portugueses do pior, é o que foi.

Aos interessados, para melhor se documentarem e esclarecerem, fornecemos os títulos das notícias com as respetivas ligações. Basta clicar para acederem aos originais.

Punição adequada aos criminosos. Paz e solidariedade pelas vítimas e seus familiares. (PG)


Um homem é suspeito de ter esfaqueado hoje mortalmente a mulher em Esmoriz, concelho de Ovar, num contexto de violência doméstica, disse à agência Lusa fonte da Guarda Nacional Republicana (GNR).


Uma mulher de nacionalidade portuguesa terá sido, alegadamente, morta a tiro pelo próprio filho o Luxemburgo.


O suspeito já foi detido, indica a GNR. Uma das mulheres mortas estava grávida.

PARA ASSALTAR PESSOAS E BANCOS IMPUNEMENTE CONVÉM SER BANQUEIRO

O que dá o título a esta parte da prosa é já dito popular, tal é a respeitabilidade e a idoneidade que os portugueses reservam aos banqueiros, gestores e afins.

No dia de hoje, escarafunchando o Notícias ao Minuto ou qualquer outro jornal de Portugal, encontramos a chamada de atenção da defesa dos consumidores, a DECO, sobre a cobrança da banca “aos clientes de comissões indevidas”. 

Estes alertas são useiros e vezeiros, os banqueiros roubam mas a impunidade é o seu prémio. Se necessário argumentam isto e aquilo para justificarem os roubos que praticam e ainda se dizem ofendidos por lhes chamarem ladrões, que é o que são. Podem não ser todos, mas é certo que são demasiados. E porque nunca se apura e responsabiliza ao milímetro quem é quem, quem são os ladrões e os honestos, porque não são punidos os que devem ser exemplarmente punidos, porque o legislador via lobie armadilha as leis com os chamados “alçapões de fuga” nada lhes acontece apesar dos roubos a que nem sequer lhes chamam abusos sistemáticos que dessem para irradiar tais Al Capones das “artes” bancárias.

É assim. É a vida. Os políticos, os legisladores, as maiorias eleitas que não protegem os interesses dos cidadãos em imensos aspetos, promovem-se e progridem nas suas vidas a dar as mãos e a servirem os senhores mafiosos… mas banqueiros - com e sem o epíteto de DDTs, de donos disto tudo

A podridão anda a carcomer a democracia, a justiça, as liberdades fundamentais dos cidadãos, a decência. Cada dia que passa apercebemo-nos ainda mais dessa realidade.

Resta fazer aqui constar o título e um parágrafo da peça, assim como a ligação:


A Deco acusa a banca de cobrar comissões aos clientes sem prestar qualquer serviço, como por processamento de prestação de crédito ou manutenção de conta, e de querer compensar as perdas da intermediação financeira com a atividade de comissionamento.

NEOLIBERALISMO, ORDEM CONTESTADA


Sistema sofre pressão inédita – da esquerda e da direita – mas resiste, apoiando-se no medo. Por que o populismo retrógrado ainda é mais forte. Como mudar o jogo

Perry Anderson, no Le Monde Diplomatique – em Outras Palavras - Tradução: Antonio Martins

O termo “movimentos anti-sistêmicos” era comumente usado, há 25 anos1, para caracterizar forças de esquerda, em revolta contra o capitalismo. Hoje, ele não perdeu relevãncia no Ocidente, mas seu sentido mudou. Os movimentos de revolta que se multiplicaram na última década não se rebelam mais contra o capitalismo, mas contra o neoliberalismo – os fluxos financeiros desregulados, os serviços privatizados e a desigualdade social crescente, uma variante específica do domínio do capital adotada na Europa e América desde aos anos 1980. A ordem econômica e política resultante foi aceita indistintamente por governos de centro-direita e centro-esqueda, de acordo com o princípio central do pensamento único e do dito de Margareth Thatcher, segundo o qual “não há aloternativa”. Dois tipos de movimento agora mobilizam-se contra este sistema; e a ordem estabelecida estigmatiza-os – sejam de direita ou de esquerda – como a “ameaça populista”.

Não por acaso, ests movimentos emergiram antes na Europa que nos Estados Unidos. Sessenta anos após o Tratado de Roma, a razão é clara. O mercado comum europeu de 1957, um desdobramento da comunidade de carvão e aço do Plano Schuman – concebido tanto para prevenir o retrocesso a um século de hostilidades franco-alemãs quanto para consolidar o crescimento econômico pós-guerra na Europa Ocidental – foi produto de um período de pleno emprego e aumento dos rendimentos populares, a consolidação da democracia representativa e dos sistemas de Bem-estar Social. Seus arranjos comerciais pesavam muito pouco na soberania dos Estados-Nações que o compunham – e à época, foram fortalecidos, não enfraquecidos. Os orçamentos e as taxas de câmbio eram determinadas internamente, por parlamentos que prestavam contas a seu eleitorado nacional, e nos quais políticas contrastantes eram debatidas com vigor. Tentativas da Comissão de Bruxelas para tornar-se mais poderosa foram notoriamente rechaçadas em Paris. Não apenas a França de Charles de Gaulle mas também a Alemanha Ocidental de Konrad Adenauer, ainda que de forma mais discreta, perseguia políticas externas independente dos Estados Unidos e capazes de desafiá-los.

O fim dos trinta anos gloriosos impôs uma grande mudança a esta construção. A partir de meados dos 1970, o mundo capitalista avançado mergulhou num longo declínio, analisado pelo historiador norte-americano Robert Brenner2: taxas de crescimento mais baixas e aumentos de produtividade menores a cada década, menos emprego e maior desigualdade, pontuados por recessões agudas. A partir dos 1980, as orientações políticas foram revertidas, num processo que começou no Reino Unido e nos Estados Unidos mas espalhou-se rapidamente para a Europa. O sistemas de Bem-estar foram cortados, as indústrias e serviços públicos foram privatizados e os mercados financeiros, desregulamentados. O neoliberalismo havia chegado. Na Europa, ele adiquiriu com o tempo uma forma institucional particularmente rígida: o número de Estados-membros do que se tornou a União Europeia (UE) multiplicou-se mais de quatro vezes, incorporando uma vasta zona de baixos salários a leste.

Austeridade draconiana

Da união monetária (1990) ao Pacto de Estabilidade (1997) e à Lei do Mercado Único (2011), os poderes dos parlamentos nacionais foram esvaziados por uma estrutura supranacional de autoridade burocrática blindada da vontade popular, extamente como o economista ultraliberal Friedrich Hayek havia profetizado. Com esta máquinária instalada, a “austeridade” draconiana pode ser imposta sobre eleitorados desprotegidos, sob a direção conjunta da Comissão Europeia e de uma Alemanha reunificada – agora o Estado mais poderoso da União, onde pensadores influentes anunciaram de modo cândido sua vocação para hegemon continental. Externamente, no mesmo período, a União Europeia e seus membros deixaram de jogar qualquer papel relevante no mundo, tornando-se a guarda avançada de novas políticas de guerra fria contra a Rússia – articuladas pelos Estados Unidos e pagas pela Europa.

Por isso, não é surpresa que a casta cada vez mais oligárquica da União Europeia, desafiando a vontade popular em sucessivos referendos e forçando diktats orçamentários nas leis constitucionais, tenha gerado tantos movimentos de protesto contra si. Qual o panorama destas forças?

No coração da UE pré-expansão, da era da guerra fria (a topografia da Europa Oriental é tão diferente que pode ser posta à parte, para os propósitos deste texto), movimentos de direita dominam a oposição ao sistema na França (Frente Nacional), Holanda (Partido da Liberdade, PVV), Áustria (Partido da Liberdade da Áustria), Suécia (Democratas Suecos), Dinamarca (Partido do Povo Dinamarquês), Finlândia (Finlandeses Verdadeiros), Alemanha (Alternativa para a Alemanha, AfD) e Grã-Bretanha (Partido pela Independência do Reino Unido, UKIP).

Na Espanha, Grécia e Irlanda, movimentos de esquerda predominaram: Podemos, Syriza e Sinn Fein. Em caso único, a Itália tem tanto um forte movimento anti-sistêmico de direita (a Lega) quanto um ainda maior, que atravessa a fronteira esquerda/direita: o Movimento Cinco Estrelas (M5S). Sua retórica extra-parlamentar sobre impostos e imigração coloca-o na direita, mas ele está à esquerda por seu histórico parlamentar de oposição consistente às medidas neoliberais do governo Matteo Renzi (particularmente sobre Educação e mercado de Trabalho) e seu papel central ao derrotar os esforços de Renzi para enfraquecer a Constituição democrática da Itália3. A todos estes pode ser acrescentado o Momentum, movimento que emergiu na Grã-Bretanha por trás da inesperada eleição de Jeremy Corbyn para a liderança do Partido Trabalhista. Todos os movimentos de direita, exceto a AfD, precedem o crash de 2008; alguns têm histórias que remontam aos 1970 ou antes. O Syriza decolou, e o M5S, Podemos e Momentum nasceram como resultados diretos da crise financeira global.

O fato central é o peso maior do conjunto de movimentos de direita em relação aos de esquerda, tanto em número de países em que são maios fortes quanto em força eleitoral. Ambos são reações à estrutura do sistema neoliberal, que tem sua expressão mais aguda e concentrada na EU atual, com sua ordem fundada na redução e privatização de serviços públicos, no abandono do controle democrático e representação; e na desregulação dos fatores de produção. As três tendências estão presentes em plano nacional na Europa e em outras partes, mas são mais intensas no espaço europeu – como atestam a tortura da Grécia, o atropelamento dos referendos e o tráfego humano. Na arena política, eles suscitam temas de preocupação popular, convocando protestos contra o sistema relacionados à “austeridade”, soberania e imigração. Os movimentos anti-sistêmicos diferenciam-se pelo peso que dão a cada tema – ou com a cor da paleta neoliberal que mais hostilizam.

Os movimentos de direita predominam sobre os de esquerda porque desde o início apoderaram-se do tema da imigração, estimulando reações xenofóbicas e racistas para obter apoio amplo entre os setores mais vulneráveis da população. Com exceção dos movimentos na Holanda e Alemanha, que acreditam em liberalismo econômico, esta reação está (na França, Dinamarca, Suécia e Finlândia) tipicamente ligada à defesa – e não à denúncia – do Estado de Bem-estar social. Afirma-se que a chegada de imigrandes sabota-o. Mas seria errado atribuir a vantagem da direita a esta carta. Em casos importantes – a Frente Nacional (FN) francesa é o mais significativo –, ela apoia-se também em outros temas.

A união monetária é o exemplo mais óbvio. A moeda e o banco central únicos, concebidos no acordo de Maastricht, produziram, num único sistema, a imposição da “austeridade” e a negação da soberania popular. Os movimentos de esquerda atacam-no tão veementemente como os de direita, ou até mais. Mas as soluções que propõem são menos radicais. Na direita, a FN e a Lega têm remédios claros para a moeda única e a imigração: sair do euro e proibir a entrada de estrangeiros. Na esquerda, com exceções isoladas, há respostas ambíguas. No máximo, propõem-se ajustes técnicos à moeda única, complicados demais para ter audiência popular; e alusões vagas, envergonhadas, a quotas para imigrantes. Nenhuma destas propostas é tão facilmente inteligível para os eleitores como as proposições diretas da direita.

O desafio da migração crescente

A imigração e a união monetária criam, por razões históricas, dificuldades especiais para a esquerda. O Tratado de Roma foi estabelecido sob a premissa do livre movimento de capital, mercadorias e trabalho no interior do Mercado Comum Europeu. Enquanto a Comunidade Europeia esteve restrita aos países da Europa Ocidental, os fatores de produção para os quais a mobilidade importava eram o capital e as mercadorias: a migração entre fronteiras dentro da comunidade era bem modesta. Mas no final dos 1960, o trabalho imigrante das antigas colônias africanas, asiáticas e caribenhas, e das regiões semi-coloniais do antigo Império Otomano, já era numericamente significativo. A expansão da UE para a Europa Oriental ampliou de modo agudo a migração intra-União. Finalmente, aventuras neo-imperiais nas antigas colônias do Mediterrâneo – a blitz militar na Líbia e o incentivo por procuração à guerra civil na Síria – projetaram grandes ondas de refugiados na Europa, além de terror retaliatório por militantes de uma região onde o Ocidente permanece instalado como senhor, com suas bases, bombardeiros e forças especiais.

Tudo isso alimentou a xenofobia. Os movimentos anti-sistêmicos de direita alimentaram-se dela e os movimentos de esquerda combateram-na, leais à causa do internacionalismo humanitário. As mesmas ligações históricas levaram a maior parte da esquerda a rejeitar qualquer pensamento de fim da união moetária, vista como uma regressão a um nacionalismo responsável pelas catástrofes europeias do passado. O ideal de União Europeia ainda é, para estas forças, um valor central. Mas a Europa concreta, de integração neoliberal, é mais coerente que qualquer das alternativas até agora propostas. “Austeridade”, oligarquia e mobilidade de fatores de produção formam um sistema interconectado. A mobilidade dos fatores não pode ser separada da oligarquia. Historicamente, nenhum eleitorado europeu foi consultado jamais sobre a chegada em grande escala de trabalho estrangeiro; ela ocorreu pela porta dos fundos. A negação da democracia, que incorporou-se à estrutura da UE, excluiu de início qualquer voz na composição de suas populações. A rejeição desta Europa por movimentos de direita é politicamente mais consistente que a rejeição pela esquerda, outra razão para a vantagem da direita.

Niveis inéditos de descontentamento dos eleitores

A chegada do M5S, Syriza, Podemos e AfD marcou um salto no descontentamento popular na Europa. As pesquisas mostram agora rejeição nunca antes vista à UE. Mas, sejam de direita ou esquerda, o peso eleitoral dos movimentos anti-sistêmicos permanece limitado. Nas últimas eleições europeias, os três melhores resultados da direita – UKIP, FN e o Partido do Povo da Dinamarca – tiveram em torno de 25% do voto nacional. Em eleições nacionais, o número médio na Europa Ocidental, para todas estas forças de esquerda e direita, é cerca de 15%. Esta percentagem do eleitorado representa pouco perigo ao sistema; 25% podem representar uma dor de cabeça, mas o “perigo populista” que a mída alardeia permanece muito modesto ainda. Os únicos casos em que movimentos anti=sistêmicoos chegaram ao poder, ou pareceram próximos de fazê-lo, são aqueles onde uma desproporção proposital das cadeiras do Parlamento, construída como um prêmio para fortalecer o establishment, saiu pela culutra ou ameaça fazê-lo, como na Grécia e Itália.

Na verdade, há uma larga distância entre o graude desilusão popular com a UE neoliberal – no verão passado, maioras expressaram, na França e Espanha, sua aversão a ela, e mesmo na Alemanha apenas metade dos entrevistados têm uma opinião positiva – e a extensão do apoio a forças que se declaram ontra ela. Indignação ou repulsa diante da UE tornara-mse comuns, mas há algum tempo o determinante fundamental dos padrões de voto na Europa tem sido, e é, o medo. O status quo sócio-econômico é amplamente detestado. Mas é regularmente ratificado nas pesquisas, com a reeleição dos partidos responsáveis por ele, devido ao medo de que sacudir a ordem e alarmar os mercados torne a miséria pior. A moeda única não acelerou o cresciento na Europa, e infligiu aridez aguda nos países do sul mais afetados. Mas a perspectiva de uma saída aterroriza mesmo aqueles que sabem o quanto já sofreram. O medo deerrota a raiva. Por isso, a aquiescência do eleitorado grego diante da capitulação do Syriza a Bruxelas, as decepções do Podemos na Espalha e as trapalhadas do Partido de Esquerda na França. O sentido geral é o mesmo, em todos os lugares. O sistema é ruim. Confrontá-lo é arriscar-se à vingança.

O que explica, então, o Brexit? A imigração em massa é outro medo que atravessa a UE, e foi agitada no Reino Unido pela campanha pela Retirada, em que que Nigel Farage foi um orador e organizador notável, junto a consevadores destacados. Mas a xenofobia sozinha não é suficiente para superar o medo do colapso econômico. Na Inglaterra, e em outros países, ela cresceu à medida em que um governo depois do outro mentiu sobre a escala da imigração. Mas se o referendo sobre a UE tivesse sido apenas uma disputa entre estes dois medos, como o establishment político desjava, a opção por Permanecer teria certamente vencido por uma boa margem, como ocorreu em 2014, no referendo sobre a independência da Escócia.

Houve outros fatores. Depois de Maastricht, a classe política britânica rejeitou a camisa de força do euro, apenas para buscar um neoliberalismo local mais drástico que qualquer outro no continente. Primeiro, a arrogância financeirizada do Novo Trabalhismo, que afundou a Grã-Bretanha numa crise bancária antes de todos os outros países europeus. Em seguida, um governo Conservador-Liberal de “austeridade” mais drástica que qualquer politica gerada por constrangimento europeu. Do ponto de vista econômico, os resultados desta combinação são únicos. Nenhum outro país europeu foi tão polarizado regionalmente, entre uma metrópole na bolha, de alta renda (Londres e Sudeste) e um Norte e Nordeste empobrecidos, desindustrializados. Onde os eleitores sentiram que tinham pouco a perder se votassem pela Retirada (uma perspectiva mais abstrata do que deixar o euro), não importou o que poderia acontecer à City e aos invetimentos estrangeiros. Nesse caso, o Medo importou menos que o Desespero.

Também do ponto de vista político, nenhum outro país tem um sistema eleitoral tão escancaradamente blindado. Em 2014, sob um regime de representação proporcional, o UKIP tornou-se o maior partido inglês no Parlamento Europeu. Mas um ano depois, com 13% dos votos, ele obteve um único assento em Londres, enquanto o Partido Nacional Escocês, com menos de 5%, conquistou 55 cadeiras. Sob os regimes intercambiáveis de Trabalhistas e Conservadores, produzidos por este sistema, os eleitores da base da pirâmide de renda abandonaram as eleições. Mas ao adquiriem subitamente, por uma vez, uma chance real de decidiu um referendo nacional, eles voltaram para tomar a decisão que desolou Tony Blair, Gordon Brown e David Cameron.

Por fim, e de modo decisivo, há a diferença histórica que separa a Grã-Bretanha do continente. Além de ter sido, por séculos, um império que apequenou culturalmente todos os rivais europeus, o país não sofreu qualquer derrota, invasão ou ocupação nas duas guerras mundiais – ao contrário da França, Alemanha, Itália e a maior parte do continente. Por isso, a expropriação dos poderes locais por uma burocracia na Bélgica causou mais atrito que em outros lugares. Por que um Estado que derrotou duas vezes o poder de Berlim deveria se curvar à intromissão insolente de Bruxelas ou de Luxemburgo. Temas relacionados a identidade podem desencadear reações mais diretas que no resto da UE. Por isso, a fórmula normal – o medo de vingança econômica supera o medo da imigração desconhecida – não funcionou, curvado por uma combinação de desespero econômico e auto-estima nacional.

O salto no escuro dos EUA

Estas foram também as condições em que, nos EUA, um candidato presidentcial republicano de história e temperamento sem precedentes – detestável para a opinião tradicional dos dois partidos, sem nenhum esforço para conformar-se aos códigos aceitos de conduta civil ou política e mal visto por muitos de seus eleitores – pode atrair um número suficiente de trabalhadores industriais desprezados e ganhar a eleição. Como na Grã-Bretanha, o desespero superou a apreensão, nas regiões proletárias desindustrializadas. Também lá, de forma muito mais crua e aberta, num país com uma hisória mais profunda de racismo, os imigrantes foram denunciados e exigiram-se barreiras físicas e burocráticas. Acima de tudo, o império não era uma memória distante do passado, mas um atributo vívido do presente e uma exigência natural do futuro. No entanto, tinha sido posto de lado pelos poderosos em nome de uma globalização que significou ruína das pessoas comuns e humilhação de seu país. O slogan de Trump foi Fazer os EUA grandes de novo – prósperos e dispostos a descartar os fetiches do livre movimento de bens e trabalho, vitoriosos em ignorar as barreiras e piedades do multilateralismo. Ele não errou ao proclamar que seu triunfo foi um Brexit em grande escala. Foi uma revolta muito mais espetacular, porque não se restringiu a um único item – simbólico, para a maioria – e não contava com nenhum respeito do establishment ou bênção editorial.

A vitória de Trump deixou a classe política europeia – o centro-direita e o centro-esquerda unidos – em desencanto ultrajado. Romper as convenções estabelecidas sobre migração é ruim demais. A UE pode ter tipo poucos escrúpulos para encurralar os refugiados na Turquia de Recep Tayyip Erdogan, com suas dezenas de milhares de presos políticos, tortura policial e suspensão do império da lei; ou para fazer vistas grossas às barricadas de arame farpado na fronteira norte da Grécia, para mantê-los bloqueados nas ilhas do Mar Egeu. Mas a UE, em respeito à decência diplomática, nunca glorificou abertamente suas exclusões. A desinibição de Trump nesta matéria não afeta diretamente a União. O que afeta, e causa preocupações muito mais sérias, é sua rejeição à ideologia do livre movimento dos fatores de produção e, ainda mais, seu desdém sem cerimônia pela OTAN e seus comentários sobre uma atitude menos beligerante diante da Rússia. Se alguma destas atitudes é mais de um gesto a ser em breve esquecido, como muitas de suas promessas domésticas, ainda falta saber. Mas sua eleição cristlizou uma diferença significativa entre diversos movimentos anti-sistêmicos da direita ou de um centro ambíguo e partidos da esuerda estabelecida – rosados ou verdes. Na França e Itália, movimentos de direita opuseram-se de modo consistente a políticas de nova guerra fria e a aventuras militares aplaudidas por partidos da esquerda – incluindo a blitz sobre a Líbia e as sanções contra a Rússia.

O referendo britânico e a eleição norte-americana foram convulsões anti-sistêmicas da direita, porém acompanhadas por levantes anti-sistêmicos de esquerda (o movimento de Bernie Sanders nos EUA e o fenômeno Corbyn, no Reino Unido) menores em escala, embora mais surpreendentes. Ainda não se sabe quais serão as consequências dos dois fenômenos, embora certamente mais limitadas que as previsões atuais. A ordem estabelecida não foi nem de longe derrotada nos dois países e, como demonstrou a Grécia, ela é capaz de absorver e neutraliazar revoltas de qualquer sentido, com rapidez impressionante. Entre os anticorpos que ela já gerou, estão simulacros yuppies das rupturas populistas (Albert Rivera na Espanha, Emmanuel Macron na França), que investem contra os impasses e corrupções do presente e prometem uma política mais limpa e dinâmica no futuro, além dos partidos decadentes.

Para os movimentos anti-sistêmicos de esquerda, a lição dos anos recentes é clara. Se não desejam ser superados pelos movimentos de direita, não podem ser menos radicais em atacar o sistema – e precisam ser mais coerentes em sua oposição a ele. Isso significa, na Europa, admitir a possibilidade de que a UE pode ter se tornado tão atrelada à construção neoliberal que reformá-la já não é seriamente concebível. Ela precisaria ser desfeita, antes que algo melhor possa ser construído – ou por meio de rupturas em face da UE real, ou reconstruindo a Europa em outras bases, jogando Maastricht às chamas. Estas possibilidades provavelmente só serão reais em caso de uma crise econômica nova, e mais profunda.
1 Por Immanuel Wallerstein, Giovanni Arrighi e outros
2 Robert Brenner, The Economics of Global Turbulence: the Advanced Capitalist Economies from Long Boom to Long Downturn 1945-2005, Verso, Nova York, 2006.
3 Raffaele Laudani, ‘Renzi’s fall and Di Battista’s rise’, Le Monde diplomatique, edição em inglês, Janeiro de 2017

Na foto: Movimento “Nuit Debout” (Noite Desperta), que contestou o neoliberalismo pela esquerda em Paris, 2016. Na França, no entanto, principal contestação é de direita. Segundo Anderson, um dos motivos é o fato de ela ter propostas mais simples e claras contra a tirania da União Europeia

MARROCOS: POLÍCIA CERCA FAMÍLIAS, JORNALISTAS E OBSERVADORES





Familiares dos Presos Políticos Saharauis do grupo de Gdeim Izik, jornalistas e observadores internacionais cercados pela polícia marroquina.

Isabel Lourenço – Jornal Tornado

Nota PG: O despacho da reportagem de Isabel Lourenço foi publicado em 26 de Março no Jornal Tornado. No original pode encontrar dois vídeos, um dos quais é o que vê aqui publicado. A repressão continua em Marrocos e carece de mais e maior acompanhamento da imprensa mundial.

Nesta Primavera vá ver os passarinhos



O Público que (às vezes) lhe escapa
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26 DE MARÇO DE 2017
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