sábado, 2 de setembro de 2017

A "AULA" DO PIDE | Cavaco Silva deixou-se "levar pelo rancor, pelo ressentimento"


Francisco Louçã considera que Cavaco Silva seguiu a "linha de Passos Coelho" durante a sua intervenção na Universidade de Verão do PSD. O antigo líder do Bloco ficou surpreendido com a reação violenta de Marcelo.

No seu espaço de comentário semanal na SIC Notícias, Francisco Louçã abordou um dos temas da semana. O regresso de Cavaco Silva e a sua intervenção durante a Universidade de vVrão do PSD. Para Louçã, Cavaco Silva "cometeu três erros" neste seu regresso à vida pública.

"Primeiro, escolher uma iniciativa partidária. Um ex-Presidente da República deveria procurar alguma coisa de maior dimensão. Em segundo lugar não tratou de nenhum tema. Tudo o que ouvimos desta intervenção são os pequenos comentários marginais, indiretos a alguns políticos", disse Francisco Louçã, que esperava que o ex-presidente "falasse do problema com a Coreia do Norte" ou sobre "a questão dos refugiados".

Mas para o antigo líder do Bloco de Esquerda esses não foram os piores erros de Cavaco. "O terceiro erro que comete é deixar-se levar pelo rancor, pelo ressentimento. Ouvimos Cavaco Silva a dar ênfase à linha de Passos Coelho, que é de desagrado por não estar no Governo, irritado por não estar no Governo, irritado com as sondagens".

Para o comentador, a intervenção de Cavaco até terá sido bem recebida pelo Executivo de António Costa. "No Governo terá havido muita satisfação com esta intervenção de Cavaco Silva", disse Louçã.

Sobre as críticas dirigidas ao primeiro-ministro e ao Presidente, o comentador disse que "António Costa respondeu com algum humor" mas ficou surpreendido com a reação de Marcelo Rebelo de Sousa. "O Presidente podia ter escolhido não responder. Isto passaria e tudo desapareceria. Escolheu responder de uma forma muito violenta", acrescentando que "não é bem uma bofetada de luva branca, é muito mais do que isso".

"Marcelo Rebelo de Sousa caiu um pouco na armadilha. Marcelo percebe que Cavaco Silva é visto por alguns setores da direita como um anti-Marcelo. Ora, uma coisa é o Cavaco Silva ser um anti-Marcelo e já passou. Outra coisa é o Marcelo ser um anti-Cavaco e ainda lá está. Há um que está sempre a ganhar e o outro está sempre de fora e vai desaparecendo. É isso que está a acontecer", afirmou Francisco Louçã.

Notícias ao Minuto

AVANTE | "Valorizamos avanços mas não nos podemos iludir nem anestesiar"


No arranque do Avante coube ao líder Jerónimo de Sousa abrir a festa, com um discurso onde garantiu que o "PCP continuará ao lado dos seus".

Jerónimo de Sousa esteve na abertura da Festa do Avante, que marca a reentré do PCP, e abordou diversos temas, particularmente a questão da Autoeuropa, sem referência ao nome da empresa, mas com um ‘ataque’ à tentativa de a empresa implementar o sábado como um dia de trabalho.

“O capital (…) tenta fazer o ‘assalto’ aos horários de trabalho e eliminar o avanço civilizacional do sábado enquanto dia de descanso”, acusou, frisando que “é possível encontrar soluções que respeitem os direitos dos trabalhadores e ao mesmo tempo assegurem o desenvolvimento da produção”.

No discurso, o comunista focou-se na relevância do trabalho do PCP para os avanços dos últimos anos e revelou que o partido valoriza as medidas, mas refere que é preciso mais.

“Valorizamos avanços mas não nos podemos iludir nem anestesiar tendo em conta os problemas de fundo que permanecem e não foram superados. A fixação no défice das contas públicas não pode ser transformado no alfa e no ómega da política económica e financeira”, exemplificou.

Nesta senda, Jerónimo sublinhou que há “outros défices mais importantes que exigem opções”, entre eles o “défice estrutural da produção nacional”.

“É criando mais riqueza, mais produção nacional, com mais garantia que de um melhor aparelho produtivo e mais desenvolvido, que o país encontrará a saída para a solução dos seus principais problemas”, realçou o comunista.

Inês André de Figueiredo | Notícias ao Minuto

ALUNA DE PASSOS | Governo desmente Assunção. "Cristas insiste na manipulação e na mentira"


Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural desmente declarações de Assunção Cristas a propósito de um concurso de apoio à floresta, aberto no tempo em que Cristas era ministra da Agricultura.

Assunção Cristas acusou o atual ministro da Agricultura de ter anulado um concurso no valor de 300 milhões de euros para apoio à floresta, aberto pela própria, para o substituir por um concurso de apenas 36 milhões de euros, reduzindo dessa forma forma os apoios à prevenção.

Perante as acusações da líder do CDS, feitas ao semanário Expresso, o gabinete da tutela em causa sentiu necessidade de esclarecer que esse concurso (que não era de 300 milhões mas sim de 210 milhões) foi "declarado ilegal pela Inspeção Geral de Agricultura por não respeitar a dotação orçamental da medida do PDR2020 ao abrigo da qual foi aberto, cuja dotação inicial era de apenas 36 milhões de euros, valor definido pela própria".

Num comunicado feito chegar ao Notícias ao Minuto, o gabinete do ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural acusa Assunção Cristas de, "numa tentativa desesperada de iludir a opinião pública e de rejeitar responsabilidades nas consequências da sua própria ação política relativamente à floresta", a anterior ministra da Agricultura "omite o facto de ter levado a cabo uma reprogramação do PRODER em março de 2012 e outra em setembro de 2015, das quais resultou uma redução global de cerca de 175 milhões de euros de apoios públicos à floresta". Ou seja, prossegue, "ao mesmo tempo que abria um concurso de 210 milhões de euros para uma dotação inexistente no programa de apoio seguinte, Assunção Cristas cortava 175 milhões de euros no programa que estava a gerir".

"Assunção Cristas continua igualmente sem explicar por que razão, considerando a prevenção um eixo estruturante e atribuindo-lhe agora uma prioridade extraordinária, programou apenas 36 milhões de euros de apoios à defesa da floresta num pacote de 406 milhões de euros que estão alocados à componente florestal do PDR2020. Ou seja, para Assunção Cristas, a prevenção e defesa da floresta merecem apenas 8,9 % do investimento a fazer, por muitos concursos ilegais de 210 milhões de euros (real valor do concurso) que tenha aberto", lê-se no comunicado. A tutela termina acusando a líder do CDS, candidata à Câmara de Lisboa, de "desespero eleitoral" e de "aproveitamento político do flagelo dos incêndios".

Melissa Lopes | Notícias ao Minuto

Novo estudo climático desmente a teorização aquecimentista


– Mas o "nosso novo documento técnico... provavelmente será ignorado"

Tyler Durden

Não é de surpreender que tantas pessoas acreditem na ideia de que o aquecimento global está a ser causado quase inteiramente pela actividade humana, dado o facto de grande parte dos cientistas parecer acreditar nisso. Mas cientistas deveriam perguntar-se porque ainda há uma grande legião de "negadores", como eles gostam de chamá-los, os quais são categóricos ao afirmarem que a alteração climática antropogénica é uma vigarice.

A razão para isso é que a comunidade científica foi apanhadamuitas vezes a manipular dados climáticos e a fazer afirmações aberrantes . As celebridades e políticos que promovem esta causa em muitas ocasiões também foram apanhados a viverem em mansões palacianas, a voarem por todo o mundo em jactos privados e geralmente a viverem vidas de excesso que produzem muito mais carbono do que a pessoa média. Dados estes factos, como é que alguém poderia tomar com seriedade os argumentos do aquecimento global?

O que tão pouco ajuda a sua causa é cientistas respeitáveis questionarem o dogma da alteração climática. Recentemente, dois cientistas australianos publicaram um documento que explica porque as mudanças na temperatura global que vemos hoje provavelmente são totalmente naturais.

Jennifer Marohasy, uma cientista com uma longa lista de credenciais impressionantes , as quais incluem a fundação do The Climate Modeling Laboratory, abre o seu espantoso relatório climático com uma dose de realidade: 

"Nosso documento técnico ... provavelmente será ignorado", escreve ela em The Spectator Australia .

Ela prossegue para explicar o porque: "Porque depois de aplicar a técnica mais recente para grandes conjuntos de dados (big data) a seis séries de temperaturas proxy com 2000 anos de duração não podemos confirmar que o aquecimento recente tenha qualquer outra origem senão a natural – que poderia ter ocorrido de qualquer maneira, mesmo se não houvesse revolução industrial".

No cerne do seu argumento está o facto de as temperaturas globais terem sido realmente mais quentes durante a Idade Média , o que durante anos costumava ser considerado de conhecimento geral e hoje é muitas vezes negado por muitos proponentes das alterações climáticas. Estes investigadores confirmaram que o mundo na verdade era mais quente antes da revolução industrial. O que naturalmente sugere que a actividade humana quase não tem impacto sobre o clima como afirmam muitos ambientalistas.

Típico de grande parte de tais séries de temperatura, elas ziguezagueiam para cima e para baixo enquanto mostram duas tendências ascendentes: a primeira tem o pico cerca do ano 1200 DC e corresponde à época conhecida como Período de Aquecimento Medieval (PAM), ao passo que a segunda atinge o pico em 1980 e a partir de então mostra declínio...

Entretanto, há múltiplas linhas de evidência a indicarem que a Europa estava cerca de um grau mais quente durante o PAM – o que corresponde à ascensão de 1200 DC no nosso Hemisfério Norte combinado. De facto, há montes de documentos técnicos publicados com base em registos proxy que apresentam um perfil de temperatura relativamente quente neste período.

O ponto principal é não deixar ninguém dizer-lhe que o debate da alteração climática está acabado e que a ciência sobre a matéria está estabelecida. Não deixe ninguém enganá-lo com a ideia de que há um consenso estrito entre cientistas quanto ao aquecimento global (e mesmo se houvesse um consenso de 100%, só porque muitas pessoas acreditam em algo isso não significa que seja verdadeiro).

As pessoas que andam a promover a teoria do aquecimento global provocado pelo homem foram apanhadas a mentir-nos demasiadas vezes para que possamos segui-las cegamente. 

25/Agosto/2015

Ver também: 

O original encontra-se em www.zerohedge.com/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

A ESQUERDA SEM IMAGINAÇÃO - Boaventura


Por não ousar novas formas de Democracia, Estado e Economia; e por não enfrentar articuladamente as três faces da dominação, ela tem sido incapaz de deter a ofensiva brutal do sistema

Boaventura de Sousa Santos | Imagem: Edward Hooper, Pessoas ao sol (1963)

A dominação social, política e cultural é sempre o resultado de uma distribuição desigual do poder, nos termos da qual quem não tem poder ou tem menos poder vê as suas expectativas de vida limitadas ou destruídas por quem tem mais poder. Tal limitação ou destruição manifesta-se de várias formas, da discriminação à exclusão, da marginalização à liquidação física, psíquica ou cultural, da demonização à invisibilização. Todas esta formas podem-se reduzir a uma só – opressão. Quanto mais desigual é a distribuição do poder, maior é a opressão.

As sociedades com formas duradouras de poder desigual são sociedades divididas entre opressores e oprimidos. A contradição entre estas duas categorias não é lógica, é antes dialéctica, já que as duas categorias são ambas parte da mesma unidade contraditória. Os fatores que estão na base da dominação variam de época para época. Na época moderna, digamos, desde o século XVI, os três fatores principais têm sido: capitalismo, colonialismo e patriarcado. O primeiro é originário da modernidade ocidental, enquanto os outros dois existiram antes mas foram reconfigurados pelo capitalismo. A dominação capitalista assenta na exploração do trabalho assalariado por via de relações entre seres humanos formalmente iguais. A dominação colonial assenta na relação hierárquica entre grupos humanos por uma razão supostamente natural, seja ela a raça, a casta, a religião ou a etnia. A dominação patriarcal implica outro tipo de relação de poder mas igualmente assente na inferioridade natural de um sexo ou de uma orientação sexual.

As relações entre os três modos de dominação têm variado ao longo do tempo e do espaço, mas o fato de a dominação moderna assentar nos três é uma constante. Ao contrário do que vulgarmente se pensa, a independência política das antigas colônias europeias não significou o fim do colonialismo, significou apenas a substituição de um tipo de colonialismo (o colonialismo de ocupação territorial efetiva por uma potência estrangeira) por outros tipos (colonialismo interno, neocolonialismo, imperialismo, racismo, xenofobia, etc.).Vivemos hoje em sociedades capitalistas, colonialistas e patriarcais. Para ter êxito, a resistência contra a dominação moderna tem de assentar em lutas simultaneamente anticapitalistas, anticoloniais e antipatriarcais. Todas as lutas têm de ter como alvo os três fatores de dominação, e não apenas um, ainda que as conjunturas possam aconselhar que incidam mais num fator que noutro.

O século XX foi dos séculos mais violentos da história, mas também se caracterizou por muitas conquistas positivas: dos direitos sociais e econômicos dos trabalhadores à libertação e independência das colônias, dos movimentos dos direitos cívicos das populações afrodescendentes nas Américas às lutas das mulheres contra a discriminação sexual. No entanto, apesar dos êxitos, os resultados não são brilhantes. Nas primeiras décadas do século XXI atravessamos mesmo um período de refluxo generalizado de muitas das conquistas dessas lutas. O capitalismo concentra a riqueza mais do que nunca e agrava a desigualdade entre países e no interior de cada país; o racismo, o neocolonialismo e as guerras imperiais assumem formas particularmente excludentes e violentas; o sexismo, apesar de todos os êxitos dos movimentos feministas, continua a causar a violência contra as mulheres com uma persistência inabalável.

Um diagnóstico correto é a condição necessária para sairmos deste aparente curto-circuito histórico. Sugiro vários componentes principais do diagnóstico. O primeiro reside em que, enquanto a dominação moderna articula sempre capitalismo com colonialismo e patriarcado, as organizações e os movimentos que vêm lutando contra ela têm sempre estado divididas, cada uma delas privilegiando um dos modos de dominação e negligenciando, ou mesmo ignorando, os outros, e cada uma delas defendendo que a sua luta e o seu modo de luta é o mais importante. Não surpreende assim que muitos partidos socialistas e comunistas, que lutaram (quando lutaram) contra a dominação capitalista, tenham sido durante muito tempo colonialistas, racistas e sexistas. Do mesmo modo, não surpreende que movimentos nacionalistas, anticoloniais e antirracistas tenham sido capitalistas ou pró-capitalistas e sexistas, e que movimentos feministas tenham sido coniventes com o racismo, o colonialismo e o capitalismo. Deste fato histórico resulta claro que os avanços serão escassos se a dominação continuar unida e a oposição a ela, desunida.

O segundo componente tem a ver com o modo como se organizaram as resistências anticapitalistas, anticolonialistas e antipatriarcais. Trabalhadores, camponeses, mulheres, escravizados, povos colonizados, povos indígenas, povos afrodescendentes, populações discriminadas pela deficiência ou pela orientação sexual recorreram a muitas formas de luta, umas violentas outras, pacíficas, umas institucionais outras, extra-institucionais. Ao longo do século passado essas múltiplas formas foram-se condensando em partidos políticos, movimentos de libertação e movimentos sociais, e, com algumas exceções, foram dando preferência à luta institucional e não violenta. O regime político que se impôs como dando a melhor resposta a estas opções foi a democracia de origem liberal, a democracia atualmente existente. Acontece que a potencialidade deste tipo de democracia para corresponder às aspirações das populações oprimidas sempre foi muito limitada e as limitações foram-se agravando em tempos mais recentes.

O tipo que mais desenvolveu essa potencialidade foi a social-democracia europeia, e o seu melhor momento (conseguido, em boa medida, à custa do colonialismo e neocolonialismo, ou seja, das relações econômicas desiguais com as colônias e as ex-colônias), está hoje sob ataque, não só na Europa, como também em todos os países que procuraram imitar o seu espirito moderadamente redistributivo para reduzir as enormes desigualdades sociais (Argentina, Brasil, Venezuela). Por todo o lado, a democracia de baixa intensidade que ainda existe está sendo cercada por forças antidemocráticas e, nalguns países, vai transitando para ditaduras atípicas, muitas vezes assentes na destruição da separação dos poderes (do Brasil à Polônia e à Turquia) ou na manipulação dos sistemas majoritários (fraude eleitoral sistemática, como no México, sistemas eleitorais que não garantem a vitória ao candidato mais votado, como nos EUA). Sabíamos que a democracia se defende mal dos antidemocratas pois, doutro modo, Hitler não teria ascendido ao poder por via de eleições. Mas note-se que, ainda que de modo fraudulento, o seu partido ostentava a palavra “socialismo” no seu nome.

Hoje, a democracia está a ser sequestrada por forças econômicas poderosas (Bancos Centrais, Fundo Monetário Internacional, agências de avaliação de crédito) não sujeitas a qualquer deliberação democrática. E as imposições podem ser legais (e legítimas?): juros de dívida pública, imposição de tratados de “livre” comércio, políticas de austeridade, rules of engagement das multinacionais, controle corporativo dos grande meios de comunicação social; e ilegais: corrupção, tráfico de influências, abuso de poder, infiltração nas organizações democráticas, incitamento à violência. A democracia é hoje subserviente dos interesses imperiais, senão mesmo um dos seus instrumentos. Para a impor destroem-se países inteiros, sejam eles o Iraque, a Líbia, a Síria, o Yemen. Está bem documentada a intervenção imperialista para desestabilizar processos democráticos dotados de algum ânimo redistributivo e animados de algum defensismo nacionalista para proteger do mercado internacional predador de recursos estratégicos, sejam eles petróleo, minérios ou, crescentemente, terra ou água. Esta desestabilização nutre-se sempre dos erros, por vezes graves, dos governos nacionais (alguns considerados progressistas) e conta com a ativa cumplicidade das oligarquias que dominaram estes países. A descaracterização da democracia é tal que já se fala hoje de pós-democracia, um novo regime político assente na conversão dos conflitos políticos em conflitos mediáticos minuciosamente geridos por técnicos de publicidade e comunicação e ultimamente apoiados pela pós-verdade mediática das fake news.

O terceiro componente do diagnóstico diz precisamente respeito aos erros dos governos nacionais. Porque erram tão frequentemente, sobretudo quando considerados progressistas? São muitos os fatores: não há alternativas anticapitalistas credíveis e as conquistas contra o colonialismo, o racismo ou o sexismo parecem depender de não interferirem com a dominação capitalista; uma vez com poder de governo, as forças progressistas comportam-se como se tivessem, além dele, o poder econômico, social e cultural que se reproduz na sociedade em geral, e com isso deixa de se reconhecer a gravidade ou mesmo a existência de antagonismo de classes, de raças e de sexos. As lutas contra o capitalismo, o colonialismo e o patriarcado são sempre concebidas como visando eliminar os “excessos” destes modos de dominação, e não a sua fonte. Desta “autocontenção”, voluntária ou imposta, decorrem duas consequências fatais.

A primeira é tolerar ou mesmo promover um sistema de educação que promove os valores e as subjetividades que sustentam o capitalismo e as relações coloniais, racistas e sexistas. A segunda é recusar imaginar (ou ignorar quando ocorrem) formas alternativas de organizar a economia, conceber a democracia ou organizar o Estado, praticar a dignidade humana e dignificar a natureza, promover formas de sentir e de ser solidárias, substituir quantidades e gostos infinitos pela proporcionalidade, deixar de lado euforias desenvolvimentistas em benefício de limites justos e fruições comedidas, promover a diferença e a diversidade com a mesma intensidade com que se promove a horizontalidade. Ao apresentarem-se como fatais, estas duas consequências são desumanas. Pela simples razão de que ser humano é não ser ainda plenamente humano. É não ter de ser para sempre o que se é num dado contexto, tempo ou lugar.

* Boaventura de Sousa Santos é doutor em sociologia do direito pela Universidade de Yale, professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, diretor dos Centro de Estudos Sociais e do Centro de Documentação 25 de Abril, e Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa - todos da Universidade de Coimbra. Sua trajetória recente é marcada pela proximidade com os movimentos organizadores e participantes do Fórum Social Mundial e pela participação na coordenação de uma obra coletiva de pesquisa denominada Reinventar a Emancipação Social: Para Novos Manifestos.

FRANÇA | Para Macron, é tudo ou nada


Futuro do presidente depende da aprovação da reforma trabalhista. Se ele não conseguir, vai virar um "pato manco" já no início do mandato, afirma correspondente 

Barbara Wesel.

Barbara Wesel (as) | Deutsche Welle | opinião
O presidente Emmanuel Macron não teve um verão muito feliz. A criação de um cargo oficial de primeira-dama para sua mulher deu errado e foi mal recebida na imprensa, assim como a divulgação dos gastos com a maquiadora que o prepara para aparecer na televisão. A popularidade dele está em queda livre. Na verdade tudo isso é insignificante, mas mostra com que impaciência os franceses acompanham seu novo presidente. A reforma trabalhista é que vai mostrar se ele tem condições de governar e vai decidir sobre a sua sobrevivência política.

Os antecessores de Macron, Nicolas Sarkozy e sobretudo François Hollande, fracassaram retumbantemente na tentativa de reformar as enferrujadas leis trabalhistas. O primeiro não aguentou o ronco das ruas, e o socialista diluiu tanto as reformas que, no fim, não tinha mais apoio em nenhum dos lados.

Os socialistas fracassaram na última eleição, e mereceram. E como também na direita o que predomina é o conflito, com republicanos e Frente Nacional ocupados em brigas internas, Macron tem, politicamente, as mãos livres para agir. Os seus próprios deputados podem até cometer erros e se envolver em escândalos, mas garantem uma maioria parlamentar ampla e estável ao presidente.

Além disso, o poder dos sindicatos diminuiu. O moderado CFDT anunciou, apesar de meses de debates com o governo, sua esperada rejeição às reformas, mas não vai sair às ruas contra elas. Os linhas-duras da CGT, porém, já estão rufando os tambores e querem levar os franceses às barricadas a partir de meados de setembro.

Porém, o que interessa a eles é menos a proteção dos direitos dos trabalhadores, como afirmam suas bandeiras, mas a própria sobrevivência. A esquerdista CGT perde membros e influência. Só 11% dos franceses estão em sindicatos. Os gritos são mais altos do que o número de trabalhadores representados. Ninguém precisa, portanto, se intimidar com um mar de bandeiras vermelhas e uma elevada disposição para o quebra-quebra – os sindicatos radicais falam em nome de uma pequena minoria de franceses.

Porém, eles são reforçados pelos esquerdistas de Jean-Luc Mélenchon. Ele representa a única oposição que funciona e alcançou 17% dos eleitores, um resultado expressivo. Seu furor de tons comunistas e sua disposição para a luta não devem ser subestimados.

Mas, mesmo que em setembro as pedras voltem a voar e o trânsito seja interrompido em Paris, Macron precisa encarar tudo isso. A maioria dos franceses não vai sair às ruas, e muitos querem as reformas, mas o presidente precisa voltar a se comunicar com a população. Sua atitude divina e o celebrado distanciamento o prejudicam. Ele precisa se mostrar destemido, como na campanha, e buscar o contato com os trabalhadores, mesmo que seja vaiado.

O direito trabalhista francês é um monstro. Essas centenas de páginas devem ser jogadas fora. É um milagre que ainda haja postos de trabalho na França. Por isso é correto que Macron, com a sua reforma, mire sobretudo nas pequenas e médias empresas.  Ele precisa tornar a vida delas mais fácil, pois é lá que está o maior potencial de criação de empregos.

Não se trata de acabar com o Estado de bem-estar social e com os direitos dos trabalhadores na França, isso é propaganda. Trata-se da abertura para negociações entre empresas e sindicatos, mais espaço para as pequenas empresas, uma certa flexibilização da proteção contra a demissão. Hoje os trabalhadores na França se dividem em duas classes: aqueles que têm postos de trabalho protegidos e os que têm contratos temporários, sem chance de entrar no sistema. A prova de que isso não funciona é o desemprego, que está em torno de 10% há anos.

Para o presidente, porém, é tudo ou nada. Ele precisa vencer essa primeira rodada da disputa e fazer a reforma dar certo. Do contrário, vai virar um "pato manco" já no primeiro semestre na presidência. Durante uma viagem ao Leste Europeu, ele reclamou que é impossível reformar a França e que os franceses têm muitas expectativas. Ele deveria tomar mais cuidado, pois essas são coisas que se pode pensar, mas não dizer – elas soam arrogantes.

E arrogância é um dos grandes riscos do presidente. Ele precisa arregaçar as mangas e botar a mão na massa, mesmo que se considere fino demais para o corpo a corpo político. Aqui o líder francês tem algo a aprender com a chanceler federal Angela Merkel: não deixe o poder subir à cabeça e mantenha os pés no chão. Do contrário, ele poderá fracassar já no primeiro mandato.

BLÁ BLÁ | Cavaco e a realidade, uma relação difícil


Antigo Presidente da República regressa para repetir argumentos de sempre

Cavaco Silva regressou aos palcos do PSD para repetir a velha teoria das inevitabilidades. A «aula» desta quarta-feira devia ter sido dedicada aos «jovens e a política», mas o antigo primeiro-ministro e Presidente não se desviou da sua mais antiga tese.

homem que, entre 1985 e 2016, esteve durante 20 anos na chefia do governo (1985-1995) e na Presidência da República (2006-2016) foi o convidado desta manhã da «Universidade de Verão» do PSD, para falar sobre «os jovens e a política: quando a realidade tira o tapete à ideologia».

Cavaco Silva aproveitou o regresso ao palco de uma iniciativa do seu partido para retomar o discurso revanchista que foi repetindo, particularmente, nos últimos meses do seu mandato como Presidente da República. «A realidade acaba sempre por derrotar a ideologia», sustentou, para concluir que não há outro rumo que não seja a submissão à União Europeia e às suas imposições.

O espectro da «revolução socialista»

Referindo-se ao que caracteriza como «alguns devaneios revolucionários», o antigo presidente do PSD contrapôs o cumprimento das «regras europeias de disciplina orçamental» como caminho único perante a sua percepção da realidade.

Uma percepção que, ao longo do discurso, se revela substancialmente distorcida pela lente com que o distinto executor das «regras europeias» observa a realidade. Cavaco Silva chega a falar «dos que, no governo, querem realizar a revolução socialista», após elencar dois dos «três casos» na União Europeia: a Grécia, onde o Syriza governa, e a França, onde o PS governou até Maio deste ano – ostensivamente, não nomeou o terceiro «caso».

Se o Partido Socialista francês é insuspeito em matéria de cumprimento das «regras europeias» – tal como o PS que ocupa o Governo português –, o Syriza grego pode ter iludido sectores à esquerda, mesmo fora da Grécia, mas que rapidamente deixaram de posar ao lado de Tsipras.

As saudades do «arco da governação»

Cavaco Silva foi um dos mais ferozes opositores – e dos que mais fizeram para evitar – a actual solução política portuguesa, saída das posições conjuntas subscritas pelo PS com o BE, o PCP e PEV após as eleições de 4 de Outubro de 2015. No seu canto do cisne, empossou Passos Coelho para formar um novo governo de coligação entre o PSD e o CDS-PP, que acabou derrotado na Assembleia da República, depois da derrota nas urnas.

A mensagem que o anterior Presidente da República deixou para os jovens foi de conformismo – o cumprimento das imposições do directório que dirige a União Europeia é, para Cavaco, um dogma, doa o que doer. Regressando ao primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, usou a sua resposta, numa entrevista recente ao The Guardian, sobre uma eventual saída do euro, para a classificar como «ir para outra galáxia», ou «o delírio e a ignorância».

O poder como coutada dos fiéis ao euro

A passagem de Cavaco Silva pela iniciativa do seu partido serviu, essencialmente, para recuperar a sua comunicação ao País, após as eleições de 2015, em que argumentou contra a actual solução política. Na altura, colocou os «compromissos internacionais» no quadro da União Europeia e da NATO acima dos interesses nacionais e dos resultados eleitorais.

Quase dois anos depois, o ex-Presidente continua zangado com o travão imposto à política de cortes nos direitos e rendimentos protagonizado pelos anteriores governos, e recupera os mesmos argumentos com que, enquanto governante, animou as privatizações e colocou o País na rota da moeda única.

AbrilAbril | editorial | Foto: Nuno Veiga / Agência Lusa

Portugal | CAVACO SILVA, MÚMIA QUE NEM PIA, SÓ CHIA... E ZURRA


Cavaco faz tanta falta a Portugal como uma viola num enterro, diria a minha avó naqueles termos antigos e objetivos no dizer. Já João Vieira Pereira, no Expresso Curto refere que “a oposição ganhou uma nova voz. Cavaco Silva marcou a rentrée política.” Foi? E credibilidade do sujeito qual é? Ora experimentem lá a fazer uma sondagem.

Disse Cavaco que  “a realidade tira sempre o tapete à ideologia”. Pois. Ele lá sabe por experiência própria, de PIDE passou a democrata (da treta).

Cavaco nem vale a tinta, o tempo, nem a cabeça dos dedos que se possa gastar sobre ele.

Ele não pia, chia. Aliás, mostra que tem as cordas vocais cada vez mais parecidas com as de Salazar, como se não bastasse o resto…

Vão para o Curto. Boa beberricagem.

MM | PG

Diga olá ao novo líder da oposição

João Vieira Pereira - Expresso

Se dúvidas houvesse da importância do animal político que é Cavaco Silva ficaram sanadas com o impacto das suas declarações proferidas na Universidade de Verão do PSD. Cavaco estava fora dos holofotes mediáticos há muito tempo, mas regressou com estrondo. Escolheu a dedo os seus alvos, colocou a metralhadora em riste e disparou.

E eis que do nada — na primeira fila Passos Coelho assistia — a oposição ganhou uma nova voz. Cavaco Silva marcou a rentrée política com um verdadeiro discurso anti-governo completamente inesperado.

De propósito, ou não, Cavaco assumiu o papel de líder de oposição, se só por momentos ninguém sabe, atacando de forma direta o Governo e os partidos da geringonça.

Com um “acabam por perder o pio ou fingem apenas que piam”, fez questão de colar António Costa, e a sua “revolução socialista”, à estratégia de Alexis Tsipras e François Hollande, como exemplo de políticos que defendem o impossível e que acabam por recuar quando a realidade lhes bate à porta: “a realidade tira sempre o tapete à ideologia”.

As críticas ao Governo continuaram no campo económico, atacou a política do Governo que mantém Portugal “cinco pontos acima da carga fiscal média dos países do sul e do leste da UE" e a despesa pública “quatro pontos percentuais acima da de Espanha”, as políticas orçamentais, o “aumento de impostos indiretos que anestesiam os cidadãos”, o corte no investimento, as cativações que “deterioram os serviços públicos” e até “a contabilidade criativa” como forma de dar a volta à disciplina orçamental.
E claro, ainda houve tempo para atacar Marcelo Rebelo de Sousa. Sem referir o nome do Presidente da República usou o estilo do Presidente francês Emmanuel Macron para o atacar. Criticou “a verborreia frenética dos políticos" para defender que "a palavra presidencial deve ser rara". E acrescentou ainda "não passa pela cabeça de ninguém que ele [Macron] telefone a um jornalista para lhe passar uma informação".

Se Marcelo não reagiu até agora, o mesmo não se pode dizer do PS que, diretamente da Assembleia da República, respondeu a Cavaco. Os socialistas convocaram uma conferência de imprensa para “lamentar” as declarações do antigo Presidente da República. Para a deputada Susana Amador, a intervenção de Cavaco revelou que o antigo Presidente “não está confortável nem se sente bem com o modelo e as políticas adotadas”. Mas foi mais longe, ao afirmar que se Cavaco fala “sobre a falta de reconhecimento e gratidão na vida política”, o PS não está “na vida política para a realização individual e vaidade pessoal. Estamos na vida política pela realização das pessoas”.

Esperemos agora as reações do Bloco, do PCP e claro de…. Marcelo.

Hoje já é outro dia na Autoeuropa, mas as recordações da greve de ontem perduram. A primeira paralisação da empresa num ato de confronto com a administração sem precedentes. A gestão já veio dizer que está aberta ao diálogo e os trabalhadores acreditam num acordo, mas a greve já ninguém a tira. Ontem, António Chora, o antigo líder da comissão de trabalhadores responsável por 20 anos de paz social, acusou o PCP (que não reagiu) de querer dominar aquele órgão, que vai a eleições em breve, e de usar a Autoeuropa como arma política junto do Governo.

Vale a pena recordar o que querem os trabalhadores.

E dizer que, por mais voltas que dermos ao tema, é difícil perceber como é possível deitar duas décadas de paz social pela janela, colocar em causa a criação de postos de trabalho e até a sustentabilidade de um projeto ganhador… Não estou a dizer que os trabalhadores não devem lutar pelo o que acham correto, estou a dizer que a greve devia ser o último recurso. Da última vez que os sindicatos e comissão de trabalhadores tomaram posições intransigentes com a indústria automóvel, a fábrica da Opel na Azambuja fechou. Estávamos em 2006 e 1100 postos de trabalho diretos foram destruídos.

Se quiser ler mais sobre tema, eis o meu elogio a António Chora e o de Henrique Monteiro à “grandiosa greve na Autoeuropa

OUTRAS NOTÍCIAS

Faz hoje 20 anos que morreu a princesa Diana. Sim, já foi há 20 anos. Não perca este texto de Luis Faria para recordar e perceber como a sua vida e morte mudaram a monarquia e até o Reino Unido.

Ontem foi dia de debate entre os candidatos à Câmara Municipal de Lisboa. Acredite ou não, Madona foi um dos assuntos preferidos. O debate em que Medina estava de um lado e do outro os quatro que ambicionam o seu cargo, foi morno. Pode ler aqui os vários pontos e promessas onde a mobilidade e o turismo estiveram em destaque. Não perca ainda o debate em 12 imagens pela lente de José Carlos Carvalho.

A economia portuguesa está boa e recomenda-se. Só nos primeiros sete meses do ano a população empregada cresceu em 86,2 mil pessoas, o valor mais elevado registado pelo INE. Mesmo assim o desemprego estagnou, interrompendo o ciclo de queda que vinha a registar.

Pedro Palma, fotojornalista, estava desaparecido desde a passada quinta feria. O seu corpo foi encontrado na bagageira do carro.

Continua a polémica sobre as refeições servidas aos bombeiros que combatem os fogos. Agora há imagens que confirmam a má qualidade da comida servida.

Hoje fecha o mercado de transferências do futebol. Acompanhe aqui todas as novidades. Para já destaque para o fim das negociações por William Carvalho e o novo destino de Renato Sanches passa pelo Swansea.

Também hoje joga a seleção, no Porto, frente às Ilhas Faroé num jogo a contar para o apuramento para o Mundial.

O golfe ao mais alto nível regressa a Portugal no dia 21 de setembro. Numa prova do European Tour com a maior participação jogadores portugueses de sempre (e um field de luxo), o destaque vai para Ricardo Melo Gouveia.

O conflito na Birmânia que opõe o exército e um grupo armado está a fazer milhares de refugiados entre a população da minoria rohingya.

A tempestade tropical Harvey continua a fazer vítimas no Texas. O número de mortos relacionados com este desastre já totaliza os 38. A onda de destruição começa a ser cada vez mais evidente com o aparecimento dos primeiros raios de sol e o início da redução do nível das águas. As fotos são impressionantes. A tempestade, já mais fraca, está agora sobre o Louisiana onde tem provocado fortes chuvadas.

A queda na produção e stocks do petróleo no Texas, na sequência da tempestade Harvey, já obrigou a que uma frota de mais de 40 petroleiros europeus levantem âncora em direção aos EUA. O impacto no mercado de energia a nível global já se fez sentir, principalmente no golfo do México.

Enquanto o Texas continua submerso, Trump decidiu começar o seu road-show para ‘vender’ a sua reforma fiscal. O Presidente norte-americano quer diminuir os impostos sobre as grandes empresas com o argumento de que isso irá beneficiar a classe média. Impacto desmentido por vários economistas.

Mais um retrocesso na política anti-imigração de Trump. Desta vez um juiz federal bloqueou a intenção do estado do Texas de banir as chamadas ‘Sanctuary Cities’, cidades onde os direitos dos imigrantes ilegais estão protegidos, nomeadamente onde a polícia não pode questionar se um cidadão é ilegal ou não.

A chuva excessiva também tem atingido a região do sudeste asiático. Está é a época das chuvas mas este ano está a cair uma quantidade de água anormal. As inundações provocadas pela chuva têm devastado zonas da Índia, Bangladesh e Nepal.

O juiz Rolando Spanholo suspendeu o decreto promulgado por Michel Temer que autorizava a extinção de quatro milhões de hectares de uma reserva natural na Amazónia com vista à exploração mineira.

A China, através do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, admitiu que o lançamento do míssil norte-coreano que sobrevoou o Japão “violou as resoluções das Nações Unidas e minou os tratados de não proliferação”. O Conselho de Segurança da ONU já tinha condenado "veementemente" o lançamento pela Coreia do Norte de um míssil balístico que sobrevoou o Japão. A declaração foi aprovada por unanimidade. Kim Jong-uncontinua indiferente e já fez saber que o lançamento daquele míssil é o primeiro de muitos.

Na sua primeira visita a Gaza desde que tomou posse como secretário-geral da ONU, António Guterres pediu o levantamento do bloqueio ao território imposto por Israel e apoiado pelo Egito e que dura há mais de uma década.

Macron vai revelar hoje as alterações à lei laboral francesa, uma das promessas que fez durante a campanha. O Presidente francês considera que a regulação laboral restritiva é a principal razão da persistência do alto desemprego no país.

A um mês das eleições alemãs, o lugar de terceira força política mais votada poderá ser o mais apetecível. O "Politico" explica porquê.

Vamos as jornais de hoje. ‘UGT acusa Centeno de ignorar sindicatos e ameaça com greve” é a manchete do "Público". Os sindicatos querem discutir com o ministro das Finanças o próximo Orçamento do Estado e exigem o descongelamento das carreiras na função pública.

O "Jornal de Notícias" diz que mais de 250 mil multas ficaram por cobrar. O destaque fotográfico do diário vai para os protestos dos professores que foram colocados a centenas de quilómetros de casa.

A notícia de que a Judiciária esteve sem inspetores de prevenção ao terrorismo durante vários períodos em agosto faz manchete do "Diário de Notícias". A greve da Autoeuropa preenche o destaque fotográfico, com a informação de que um acordo tem de ser atingido até ao final do ano.

O "Negócios" diz que a isenção de IRS vai chegar a mais famílias e destaca ainda que o CaixaBank afinal avalia o BPI 25% acima do preço que ofereceu na OPA.

FRASES

“O que se passou em Barcelona voltará a acontecer. Nunca vai ser possível parar um lobo solitário que se radicalizou sozinho na internet e sai à rua como uma faca, mas podem-se tentar evitar os atropelamentos em massa (…) Há 50 mil radicais na Europa” — Gilles de Kerchove, coordenador europeu na luta contra o terrorismo em entrevista ao "El Mundo".

“Esta Europa, a francesa, com os códigos e os tratados após tratados, não funciona do ponto de vista institucional (…) É burocrata, é eurocrata, são o tamanho dos biscoitos, o tamanho da laranja, uma burocracia doentia, maníaca e contraproducente. O lado institucional falhou.” — Marcello Duarte Mathias, em entrevista ao "Público".

“O grande problema da Europa já não são as tais instituições ou como melhorar a democracia interna. A meu ver, o problema é a emigração. Sei que isto é muito pouco popular, mas é o meu pensamento sobre o assunto. Acho que é trágico e continua”. — Idem.

O QUE DIZEM OS NÚMEROS

3,2%, foi o crescimento da economia americana no terceiro trimestre e revisto em alta impulsionado pelo consumo privado.

18 meses é o prazo mínimo dado pelo novo CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, para a empresa entrar em bolsa.

2 milhões de muçulmanos são esperados em Meca para a peregrinação Hajj, circulando em torno do cubo de Kaaba naquele que é o sítio mais sagrado do Islão.

O QUE EU ANDO A LER

Porque é a última quinta-feira do mês, a minha sugestão de leitura vai para a revista "Exame" que está hoje nas bancas.

O primeiro destaque vai para a entrevista a Marvão Pereira. O economista que reside nos Estados Unidos há 35 anos, onde faz investigação, pede tempo para Portugal. Tempo para se pensar. Principalmente para os políticos, já que em Portugal “quem pensa tem pouca capacidade de decidir e quem decide pensa pouco”.

Os alertas sobre a falta de estratégia de longo prazo, que resultam deste défice estrutural de pensamento, são constantes. Ao ponto do economista dizer que, depois das falhas do SIRESP, a próxima bomba-relógio são as autoestradas. Tudo porque as renegociações das parcerias público privadas foram feitas com base em corte de investimento na manutenção, corte esse que se vai fazer notar no futuro.

Especialista em infraestruturas, Marvão Pereira foi contra a construção de tanta autoestrada em Portugal, mas também defende que agora que as temos é necessário pô-las a funcionar. E para o fazer acabava com o seu custo para o utilizador: “não sou nenhum esquerdista perigoso, mas as portagens [SCUT] não fazem sentido nenhum”.

Ficam aqui algumas frases para servirem de isco à leitura

“As parcerias público-privadas discutem-se de um ponto de vista muito emocional. Vamos pagar caro esta atitude”.

“Se me perguntasse se o Governo anterior fez um bom trabalho diria que, razoavelmente, fez. O que não significa achar que deveria ter continuado. O médico que trata da emergência para me salvar não é o mesmo que me vai fazer a recuperação”.

“Às pessoas que estão excitadíssimas por termos um crescimento de dois virgula qualquer coisa digo que isso é tão provável como termos uma recessão da mesma ordem”.

Fecho com impostos. A capa da "Exame" é sobre eles. Esse monstro que nos persegue todos os minutos de cada dia. Sobre os desafios que o sistema fiscal vai ter nos próximos tempos e o que esperar do próximo Orçamento do Estado. Para já fique com estes números. As receitas de impostos totalizaram 46,3 mil milhões de euros em 2016. Em média cada português paga 12,28 euros por dia engrossar os cofres do Estado. Este ano o valor ainda vai ser mais alto. Para o ano logo se vê…

Este Expresso Curto fica por aqui. Tenha uma ótima quinta-feira e aproveite o último dia de agosto de 2017.

PORTUGAL | Ex-governante diz serem "falsas" declarações de Cristas sobre florestas

O antigo secretário de Estado das Florestas Rui Barreiro apelidou hoje de "falsas" afirmações da antiga ministra da Agricultura Assunção Cristas sobre as florestas e sapadores e pediu "sensatez" nas declarações políticas.


Rui Barreiro, que foi secretário de Estado das Florestas no último Governo de José Sócrates (quando o ministro foi António Serrano), referia-se a declarações à Lusa da dirigente do CDS-PP na qualidade de antiga ministra da Agricultura e do Mar (2011-2015), quando disse que encontrou ao chegar ao Governo um setor florestal desprezado, com os fundos comunitários desadequados e baixa execução.

"É completamente falso. Resolvemos todos os problemas sobre financiamento comunitário, alterámos as regras do ProDer (programa de desenvolvimento rural), e quando Assunção Cristas tomou posse tudo estava resolvido e manteve todas as decisões que tomámos sobre o ProDer. Veio a beneficiar do trabalho do último Governo de José Sócrates", disse Rui Barreiro à Lusa.

E sobre a antiga ministra dizer que ao chegar ao Governo não tinha havido nenhum investimento nos sapadores o antigo responsável pelas florestas salientou que foi por proposta sua que foi alterado o meio de financiamento dos sapadores florestais, que eram financiados pelo Orçamento Geral do Estado e passaram a sê-lo pelo Fundo Florestal Permanente, o que ainda hoje acontece. "Foram criadas equipas e preparado concurso para criar mais 20", afirmou.

Na entrevista à Lusa Assunção Cristas disse que gostaria de ter ido "mais longe" na aprovação e concretização do funcionamento do cadastro florestal, tema que chegou a ser discutido, mas "entendeu o Governo que estava demasiado em cima das eleições para aprovar uma legislação tão relevante". Porém "ficou tudo pronto", disse a antiga ministra.

Rui Barreiro contesta, considerando que "estava preparada legislação para iniciar um projeto-piloto com alguns municípios. O novo Governo (no qual Cristas foi ministra) meteu na gaveta esse projeto-piloto".

Um projeto-piloto de cadastro florestal vai iniciar-se com o atual Governo.

Lusa | em Notícias ao Minuto

Portugal | DESCULPAS? PEÇA-AS PASSOS COELHO


ariana Mortágua | Jornal de Notícias | opinião

Foi em janeiro de 2015, Passos Coelho era ainda primeiro-ministro. Durante um debate quinzenal, na sequência do descalabro do BES e da ruinosa fusão com a brasileira Oi, Catarina Martins apresentou a proposta do Bloco de Esquerda para a situação crítica que a PT vivia: juntar os votos do Novo Banco e do fundo da Segurança Social aos dos pequenos acionistas para travar a venda da PT à Altice. A resposta de Passos veio rápida e perentória: o Governo não se mete em negócios de privados. Mesmo quando os interesses dos privados são contrários aos interesses do país e dos trabalhadores? - retorquiu Catarina Martins. E a resposta manteve-se.

O negócio avançou e hoje conseguimos avaliar as verdadeiras consequências da irresponsabilidade do anterior Governo perante uma das mais importantes empresas do país. Em causa, primeiro, esteve o investimento que se perdeu e, agora, os direitos de centenas de trabalhadores.

O relatório da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) é devastador para a Altice, ao reportar "a existência de comportamentos repetidos, indesejados e humilhantes com potencial para causar danos na integridade moral da pessoa visada" bem como "evidências da existência de situações de assédio", que podem levar a empresa a pagar cinco milhões de euros de multas. Quanto ao mecanismo (i)legal utilizado para os despedimentos - a transmissão de estabelecimento - a ACT afirma que a sua utilização é matéria judicial, devendo pois ser avaliada pelos tribunais.

Perante este relatório, qual foi a reação de Passos Coelho? Instar a Altice a retratar-se? Não. Uma nota de preocupação para os trabalhadores vítimas de assédio? Também não. O líder do PSD veio desafiar o Bloco de Esquerda a pedir desculpa por supostas acusações falsas à Altice.

É preciso dizer, em primeiro lugar, que o relatório da ACT não rejeita as acusações do Bloco, apenas as remete para tribunal. Mas, o que é de realçar, é o imenso e insultuoso desinteresse de Passos pelos trabalhadores da PT. Ao defender os interesses da Altice acima do abuso laboral, o líder do PSD deixou claro até onde pode ir para "não se intrometer em negócios privados", e esse sítio é a total selvajaria laboral. Nada que os seus anos como primeiro-ministro não tivessem já demonstrado.

Este Governo tem obrigação de falar e fazer diferente. Tem o dever de interpretar a lei para proteger os trabalhadores, os da Altice tal como os de todas as empresas que, inspiradas, utilizem o mesmo expediente. Se não o fizer, o primeiro projeto que o Bloco de Esquerda agendará na Assembleia da República será a clarificação legal que protege os trabalhadores da PT. E não, dr. Passos Coelho, não pedimos desculpa por isso.

Deputada do BE

Autoeuropa | ATAQUE DE MULTINACIONAIS RECRUDESCE. NÃO ACONTECE POR ACASO


A Autoeuropa hoje produziu zero. Esteve parada. O motivo foi a greve dos trabalhadores, que contestam o trabalho ao sábado decretado pela administração da empresa sem ouvir os trabalhadores e assumindo uma atitude irredutível após constatar a discordância daqueles por motivos absolutamente justificáveis, que se relacionam com a vida familiar, a saúde, o trabalho excessivo sem descanso, etc.

A seguir incluímos uma breve reportagem da TSF na recolha de declarações de trabalhadores da Autoeuropa. Antes fazemos referência a manipulações de números da greve em que os representantes dos trabalhadores não entram no jogo. 

Diz a administração que a adesão à greve foi de 41 por cento de trabalhadores. Porém reconhece a paralisação total da fábrica, a paralisação da linha de montagem. De tudo e da produção zero de hoje. Provavelmente estava a referir-se a escriturários, gestores, administradores e afins… que não fizeram greve. Porém, sem os que produzem tudo pára.

Logo de manhã a TSF indagou da opinião de Torres Couto, antigo secretário-geral da UGT, e de outros que à priori  sabemos ser insufláveis da alta finança e muito pouco representantes da defesa dos interesses e direitos dos trabalhadores. Claro que Torres Couto repegou no papão CGTP e PCP, o que não demonstrou foi estar contra o aumento das horas de trabalho, a alteração de horários que prejudicam de vários modos a vida familiar dos que ali trabalham, etc. Couto, um próadministrações bem pago, que se diz sindicalista… E também socialista… Pois.

O sucesso da Autoeuropa está nas capacidades e qualidades dos seus trabalhadores. Qualquer ataque da administração ao bem-estar familiar e de saúde (entre outros itens) dos trabalhadores, acaba por também ser nocivo para a empresa. Mas parece que a administração quer impor a ditadura destes tempos neoliberais-fascizantes que apostam tudo no esclavagismo e no desprezo pela humanidade.

O ataque concertado das multinacionais vai recrudescer e todos nós vamos ver. Não acontece por acaso. Portugal demonstrou nestes quase dois anos que a "crise" não justificou o debulho e roubo de direitos, liberdades e garantias que os governos da UE puseram em prática, principalmente a troika e a "trika" nacional Cavaco-Passos-Portas. (PG)

GREVE NA AUTOEUROPA

"A família é que sofre. Trabalhar ao sábado será como viver num hostel"

Estão colocados em turnos diferentes mas, em geral, os casais que trabalham na Autoeuropa só se conseguem ver ao fim de semana.

Daniela Costeira está casada há 11 anos e trabalha na Autoeuropa há seis, tal como o marido. Lamenta só ter vida ao fim de semana, essencial para estar com os dois filhos, de 10 anos e 10 meses. "Esta história de trabalhar ao fim de semana está fora de questão".

Outro caso idêntico é o de Rui Fernandes, cuja mulher também trabalha na Autoeuropa. "Com as novas regras propostas é a vida familiar que sofre. Afeta bastante, deixamos de nos ver, porque seria ao fim de semana que nos encontrávamos. Tendo só o domingo e um dia de semana que nunca vai ser o mesmo, praticamente deixo de ver a minha mulher. É como viver num hostel. Para quem tem casais e filhos a situação é difícil. Imaginemos que temos de pagar a uma ama ao sábado, ao final do mês esse casal vai perder muito dinheiro."

Sara de Melo Rocha e Jorge Garcia | TSF

EM ANGOLA HÁ ELEIÇÕES, MAS NÃO HÁ DEMOCRACIA

Angola é um dos regimes mais corruptos do mundo. Disso dão nota os indicadores internacionais, como o Índice de Percepção da Corrupção da Transparency International, em que o país surge num vergonhoso 164º lugar, em 176 avaliados – o 13º pior do mundo!

Paulo de Morais | opinião
Prova de corrupção em Angola é também a obscena fortuna da família Dos Santos, com a sua filha Isabel à cabeça, uma das mulheres mais ricas do mundo, que ostenta diariamente no Instagram, a riqueza que partilha com o congolês Sindika Dokolo. A riqueza estende-se a toda a família, à irmã de Eduardo dos Santos, Marta, aos filhos e sobrinhos.

Aliás, todos os que gravitaram à volta de Eduardo dos Santos nas últimas décadas ficaram multi-milionários, à custa de sugar os recursos naturais (petróleo, diamantes e outros), de destruir bancos como o BES (Angola), que concedeu empréstimos sem garantias a toda a cúpula do MPLA, inclusive ao próprio presidente anunciado, João Lourenço; e graças a muitas outras edificantes actividades que depauperaram o país e hipotecaram o seu futuro.

Mas o testemunho mais doloroso de toda esta corrupção são as crianças que morrem na rua, numa pátria que lhes é madrasta e que, apesar do seu petróleo e dos seus diamantes, possui o pior indicador mortalidade infantil do mundo, com o aterrador score de 156/1000. A este indicador de pobreza junta-se uma esperança média de vida de apenas 52 anos. Em suma, um povo em sofrimento, uma sociedade em extinção.

Com a corrupção a dominar o regime, Angola vê destruído o seu Estado de Direito. E um estado que não é de direito não é, obviamente, democrático. Pelo que Angola não é uma democracia.

As eleições de amanhã serão assim apenas uma legitimação formal da escolha, por parte de Eduardo dos Santos, do regente João Lourenço. A sua legitimidade é nula e semelhante à dos actos eleitorais nos anos terminais de vigência do regime fascista colonizador; à época, organizava-se um acto eleitoral formal e, no final, vencia a União Nacional no poder e reforçava-se o ditador. Era esse o regime contra o qual o MPLA genuíno de então lutava; mas que o actual MPLA decrépito – e abastardado por uma geração de líderes corruptos – optou por imitar.