terça-feira, 22 de agosto de 2023

BOMBEIROS FERIDOS EM ACIDENTE COM VEÍCULO LIGEIRO DE COMBATE A INCÊNDIOS

 Quatro bombeiros da corporação dos Bombeiros Voluntários de Vila Meã (Porto) ficaram hoje feridos, na sequência do capotamento do veículo ligeiro de combate a incêndios.
O acidente ocorreu esta tarde, pelas 13h40, no teatro de operações do incêndio que lavra em  Teixeira e Teixeiró - Lugar de Casal, em Baião.     
As vítimas foram assistidas no local por equipas do Instituto Nacional de Emergência Médica e dos Bombeiros, tendo sido transportadas para o Hospital.
O Ministro da Administração Interna, José Luis Carneiro, já estabeleceu contacto com o Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Meã, Ricardo Vieira, tendo manifestado solidariedade pelo acidente ocorrido.
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil encontra-se a acompanhar o desenvolvimento desta situação.

ESTARREJA | Ação social escolar: autarquia oferece material escolar, livros de fichas e licença da Escola Virtual

 No desenvolvimento de ações na área da Educação, como forma de reforçar o apoio socioeducativo aos alunos dos estabelecimentos da rede pública do concelho, a Câmara Municipal de Estarreja comparticipa a aquisição de material escolar, de livros de fichas e oferece o acesso gratuito à licença da “Escola Virtual”. Para o ano letivo 2023/24, estas três medidas de auxílio económico implicam um investimento global superior a 145 mil euros, abrangendo um total de mais de 3 mil alunos.
 
A estratégica política educativa do Município tem como um dos pilares centrais garantir a igualdade de oportunidades e a promoção do sucesso escolar, promovendo medidas de combate à exclusão social e ao abandono escolar e de igualdade de oportunidades no acesso e sucesso escolar.
 
Vale de Material Escolar
 
A Câmara Municipal de Estarreja atribui 20€ por aluno como apoio para a aquisição de material escolar, para todos os alunos do ensino básico e secundário, através da entrega de um voucher de compras.
 
Oferta dos livros de fichas
 
Numa conjuntura marcada por dificuldades económicas das famílias, para além do material escolar, o Município oferece os livros de fichas (de apoio aos manuais escolares) aos alunos do 1.º ciclo.
 
Oferta da licença da “Escola Virtual”
 
O Município oferece a todos os alunos do 1.º ciclo ao ensino secundário a licença da “Escola Virtual”, uma plataforma educativa de apoio ao ensino e ao estudo. Contribuindo para a promoção de melhores aprendizagens e competências digitais, a transição digital é também um desafio para pensar o potencial de desenvolvimento de novas formas de aprender e ensinar.
 
Como aceder aos apoios?
 
O acesso a estes vouchers será feito através de um código de acesso que a autarquia enviará via SMS, durante esta segunda quinzena do mês de agosto, aos Encarregados de Educação para o contacto fornecido ao respetivo Agrupamento de Escolas, e que deve estar devidamente atualizado.
 
Recorrendo aos códigos de acesso na sua posse, os encarregados de educação podem efetuar as suas compras numa livraria aderente ao programa.
 
Livrarias aderentes:
Papel & Arte - Avanca
Papelaria Sousa - Avanca
Papelaria Nova - Estarreja
Mel Office - Estarreja
Note! (continente) – Estarreja
Livraria e Papelaria Moderna – Estarreja
Papelu – Pardilhó.
 
Carla Miranda

ANDRÉ ABRANTES DA SOCIEDADE COLUMBÓFILA VAI PARTICIPAR NO CAMPEONATO DO MUNDO DE PATINAGEM ARTÍSTICA NA COLÔMBIA


Integrando a equipa da SAY YES, André Mendes Abrantes, atleta sénior da Secção de Patinagem Artística da Associação de Solidariedade Social Sociedade Columbófila Cantanhedense, vai participar no Campeonato do Mundo de Patinagem Artística, contando com todas as disciplinas e variantes da modalidade.

O Campeonato do Mundo, irá decorrer de 19 a 30 de setembro, na cidade de Ibagué na Colômbia, capital do departamento colombiano de Tolima, situada nas margens do rio Combeima e atravessada pela rodovia que une as cidades de Armenia e Bogotá, sendo conhecida como a "capital musical da Colômbia".

O patinador da Associação de Solidariedade Social Sociedade Columbófila Cantanhedense, irá participar como membro integrante da equipa da SAY YES, realizando a prova de Precisão Sénior no dia 29 de setembro e a prova de Small Group no dia 30 de setembro.

Embora esta participação seja o resultado de muito esforço e trabalho, na qual não é alheio a presença e o saber da sua treinadora Mariana Veloso, André Abrantes, vê assim, reconhecido a sua dedicação e entrega à modalidade, contribuindo com esta participação para a história desta nova Secção, que muito vai enriquecer o já longo historial da Sociedade Columbófila.

Festival Dunas de São Jacinto com programas gratuitos para famílias e crianças; “Dunas de São Jacinto” com Ferryboat dedicado e travessias a metade do preço

 De 25 a 27 de agosto em Aveiro
I – Festival Dunas de São Jacinto com programas gratuitos para famílias e crianças
Atividades com bicicletas e na natureza, uma peça de teatro e um festival de papagaios de papel são algumas das atividades deste evento organizado pela Câmara Municipal de Aveiro.
O Festival Dunas de São Jacinto 2023, um evento promovido pela Câmara Municipal de Aveiro (CMA) e que se realiza de 25 a 27 de agosto, conta com vários programas gratuitos dedicados a famílias e crianças, em particular ligados à sustentabilidade e à natureza.
Ao longo dos três dias do festival, entre as 10h00 e as 17h00, a associação Patrulheiros dinamiza diferentes iniciativas que promovem a utilização de bicicletas como meio de transporte:
• Eco-Taxi: bicicletas de 3 e 2 lugares, que estarão situadas junto à saída do FerryBoat e farão viagens até à praia ou até ao local do festival, permitindo a recolha de lixo nos dois sentidos;
• E-Bike Xperience | Test&Drive: uso de bicicletas elétricas e cargo bikes, com dicas práticas para a sua utilização;
• POP Verão (Programa Operacional Pedalar): zona de obstáculos amovíveis onde crianças e adultos poderão treinar as suas capacidades e destreza utilizando bicicletas;
• Bicycle Sound SUN&SETS: bicicleta equipada com sistema de som.
Uma vez que o festival decorre junto à Reserva Natural das Dunas de São Jacinto, os visitantes poderão, mediante inscrição (https://www.festivaldunassaojacinto.pt/), realizar atividades para ficar a conhecer a fauna e a flora únicas desta área:
• Atividades de valorização da Reserva Natural das Dunas de São Jacinto (25 de agosto, das 10h00 às 11h30): iniciativas no âmbito da manutenção da reserva, como por exemplo colocação de placas de identificação de flora ou apanhar sementes de espécies alvo, para posteriormente criar sementeiras para o viveiro pedagógico;
• Vamos observar e conhecer as plantas! (25 de agosto, das 14h30 às 16h00):elaboração de um herbário, em que os participantes fazem a colheita de exemplares e aprendem a catalogar e a identificar os espécimes de plantas;
• Os agentes secretos da polinização (26 de agosto, das 14h00 às 15h30): sessão de aprendizagem em que o tema são os “agentes secretos” que ajudam a polinizar as plantas e onde os participantes poderão conhecer as diferentes espécies de insetos e suas caraterísticas pelo método de captura com recurso a uma rede.
Haverá também atividades de Educação Ambiental na Praia de São Jacinto na sexta-feira, dia 25 de agosto, das 10h00 e às 12h30 e das 13h30 e as 15h00, e no sábado, 26 de agosto, entre as 10h00 e as 12h30.
Os mais novos também poderão participar no Festival de Papagaios (26 e 27 de agosto das 9h00 às 20h00), onde, além de lançar os papagaios de papel, podem decorá-los, e assistir, mediante inscrição (https://www.festivaldunassaojacinto.pt/), aoespetáculo La Osa Estelar (26 e 27 de agosto das 11h00 às 12h00). Esta peça, da companhia de teatro espanhola Panta Rhei, pretende sensibilizar as crianças para o respeito da biodiversidade, tendo por base a simplicidade e a harmonia da vida animal no seu ambiente natural.
O evento terá também uma Biblioteca Itinerante, com livros para os leitores dos 8 aos 80. Não se esqueça, por isso, de passar pela Avenida Marginal, entre as 10h00 e as 18h00, para descobrir todas as obras disponíveis.
A 7.ª edição do Festival Dunas de São Jacinto conta ainda com concertos de Pedro Abrunhosa, Mimicat, The Black Mamba e Irma, entre outros, bem como com espetáculos aéreos como o conhecido PRIO Air Show e o Flyboard Show.
Serão três dias repletos de entretenimento e diversão, incentivando o convívio entre a população, os visitantes e as instituições e contando com um forte envolvimento de toda a comunidade neste evento que visa destacar todas as potencialidades de São Jacinto.

Consulte o programa completo em: https://www.festivaldunassaojacinto.pt/

II – “Dunas de São Jacinto” com Ferryboat dedicado
e travessias a metade do preço
A Câmara Municipal de Aveiro em estreita parceria com a ETE/ ETAC/ Transdev/ AveiroBus irá disponibilizar nos próximos dias 25, 26 e 27 de agosto, um circuito especial de travessias com a redução do preço dos bilhetes em 50%, para todos aqueles que se deslocarem a pé ou de bicicleta, facilitando desta forma as acessibilidades a São Jacinto, e à participação na 7.ª edição do Festival Dunas de São Jacinto.
Durante os três dias, o transporte fluvial assegurará a travessia do Forte da Barra para São Jacinto, com horários especiais durante todo o dia, destacando-se os horários alargados de regresso ao Forte da Barra ao final da noite, disponíveis para consulta no site do Festival: https://bit.ly/horarios-ferryboat .

Simão Santana
[Adjunto do Presidente | Deputy of the Mayor]

Incêndio de agosto queimou 5.315 hectares de floresta em Proença-a-Nova

 

O incêndio florestal que começou no dia 6 de agosto no concelho de Castelo Branco, estendendo-se posteriormente a Proença-a-Nova, destruiu 5.315 hectares de floresta e algumas áreas agrícolas no concelho, num prejuízo que ultrapassa os 5 milhões de euros, de acordo com o levantamento realizado pelos serviços técnicos da Autarquia.

Não obstante, todo o trabalho que desenvolvemos este incêndio afetou uma área de 5.315 hectares que após levantamento realizado pelos serviços do Município se totalizam em prejuízos no valor de 5.550.297,73 €, valor este que se divide em três áreas fundamentais: 1 - necessidades de intervenções de estabilização de emergência pós-incêndio 2.683.576,70 € mais a intervenção em vias pavimentadas 1.696.448,00 €; 2- Equipamentos Municipais 169.306,23 €; 3- Bens privados 1.000.966,80 €”, divulgou João Lobo, presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova.

Os números foram apresentados na reunião de Câmara pública de 21 de agosto, onde o Executivo deu conhecimento à Câmara da 6.ª Alteração ao Orçamento e Grandes Opções do Plano, tendo sido criada uma nova rubrica para os apoios imediatos às populações no valor de 90 mil euros. O Executivo Municipal anunciou ainda que irá remeter ao Governo o pedido de apoio para se operacionalizar todas as despesas apresentadas.

Entre os prejuízos contabilizam-se o investimento necessário para recuperar as infraestruturas afetadas, para controlar a erosão, tratar e proteger encostas, para prevenir a contaminação e assoreamento e recuperação de linhas de água, infraestruturas públicas como sinalética dos percursos pedestres, das pistas de enduro, das pistas de voo livre, da via ferrata, sinalização rodoviária, contenção dos prejuízos em termos de biodiversidade e os bens privados que incluem animais, árvores de fruto, tubagens de rega, palheiros e anexos agrícolas, utensílios, ferramentas e maquinaria agrícolas, alimentação animal, entre outros.

João Lobo reforçou ainda a importância da limpeza dos cem metros da faixa de proteção dos aglomerados populacionais e que o concelho de Proença-a-Nova, foi pioneiro na criação de regulamento de reconversão de áreas florestais em áreas agrícolas em 2018, para as áreas de gestão de combustível nos 100 metros em torno dos aglomerados populacionais, em que posteriormente e com o primeiro exemplo realizado na aldeia da Mó, a Secretaria de Estado da Conservação de Natureza e Florestas com ligeiras adaptações tornou e muito bem em apoio de candidatura pública denominado “Condomínios de Aldeia” , tendo neste momento, o concelho realizadas 8 intervenções e tem em candidatura mais 8 operações. Informo também que temos aprovadas 4 AIGP´s (Áreas Integradas de Gestão da Paisagem) que totalizam uma área de cerca de 7.200 hectares.

Recorde-se que nos dias em que esteve ativo, o incêndio preocupou principalmente as populações das aldeias das freguesias de Montes da Senhora, União de Freguesias de Sobreira Formosa e Alvito da Beira e algumas localidades da União de freguesias de Proença-a-Nova e Peral que estiveram na linha do fogo.

Andreia Gonçalves



ANIMAÇÃO DE VERÃO COM OS RANCHOS FOLCLÓRICOS DE SÃO BARTOLOMEU DE MESSINES E DE ALGOZ

 A Vila de Armação de Pêra, vai receber mais um espetáculo da Animação de Verão, com a atuação do Rancho Folclórico de São Bartolomeu de Messines e do Rancho Folclórico de Algoz, no próximo dia 26 de agosto, pelas 22h00, na Fortaleza.
O espetáculo é de entrada livre e conta com o apoio da Junta de Freguesia de Armação de Pêra. 
Qualificar a oferta turística de Armação de Pêra, dinamizar o comércio local, atrair visitantes e proporcionar momentos únicos são os principais objetivos desta iniciativa organizada pelo Município de Silves.
 
+ SOBRE RANCHO FOLCLÓRICO DE SÃO BARTOLOMEU DE MESSINES
O Rancho Folclórico de São Bartolomeu de Messines foi fundado no ano de 1976, na freguesia de São Bartolomeu de Messines. A sede e sala de ensaios é no Museu do Traje e das Tradições.
Em 1981, o Rancho iniciou uma recolha exaustiva, de “porta em porta”, junto da população local, para uma representação o mais fiel possível, tendo sido o primeiro grupo no Algarve a fazer um trabalho desta natureza.
Tem como eventos culturais de referência o “Festival de Folclore“ que conta sempre com a participação de Ranchos convidados e a “Representação da Desenfatanada” que consiste na recreação do convívio e do entretenimento durante a debulha do milho e que conta também com atuações do Rancho e de outros grupos de Rancho Folclórico convidados.
Atualmente é membro da Federação Nacional de Folclore Português, do INATEL e da Associação de Folclore e Etnografia do Algarve. É convidado regularmente a participar em eventos culturais organizados pelo Município de Silves.
As suas danças e os trajes que os seus elementos ostentam, representam a época de finais do século XIX, princípios do século XX, mais concretamente o período compreendido entre 1880 e 1920 e são fruto de uma intensa pesquisa e de recolha dos usos e costumes, danças e cantares, trajes e utensílios utilizados nas lides diárias, junto das gentes da serra e do barrocal algarvio.
O Rancho tem cerca de 60 participantes, com vários pares que dançam, pertencendo os restantes elementos à “tocada” (que cantam e tocam instrumentos). As danças características são: Bailes de Gana (ao som da garganta), Bailes de Roda, em Despique, Encadeados e Mandados; Danças Valseadas e Marcadas; Corridos e o Estravanca (ex-líbris deste Rancho, pela sua originalidade).
 
+ SOBRE RANCHO FOLCLÓRICO DE ALGOZ
O Grupo Rancho Folclórico de Algoz constituiu-se legalmente em 2015, na freguesia de Algoz, concelho de Silves.
Trata-se do segundo Rancho Folclórico originário do concelho de Silves e utiliza uma sala da antiga escola de Algoz como sua sede, espaço de reuniões, sala de ensaios e sala de arrumos.
Este Rancho tem como eventos culturais de referência o “Festival de Folclore“ e a “Representação da Desfolhada” que consiste na recreação do convívio e do entretenimento durante a debulha do milho que ocorre na época de verão. Estes eventos contam sempre com atuações deste Rancho e de outros grupos de Rancho Folclórico convidados.
É composto por pessoas das mais variadas faixas etárias e tem efetuado atuações em diversas localidades, maioritariamente nas regiões do Alentejo e do Algarve.
Durante a época de verão atua em diversas unidades hoteleiras algarvias promovendo com distinção o folclore algarvio.
É convidado regularmente a participar em eventos culturais organizados pelo Município de Silves.
O Rancho tem cerca de 50 participantes, entre músicos, cantadeiras e dançantes, apresentando muitos jovens no seu grupo que enriquecem imenso as atuações ao oferecerem toda a sua energia, dinamismo e entretenimento.

 

Rosana Alves é a primeira portuguesa com o Prémio Jensen

A investigadora Rosana Alves, do Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da Universidade do Minho, tornou-se a primeira portuguesa a receber o Prémio Jensen, da Federação Europeia das Sociedades de Microbiologia (FEMS). O galardão foi entregue no congresso desta entidade, em Hamburgo (Alemanha), e reconhece a cada dois anos um(a) jovem cientista na Europa com um projeto e um potencial ímpares para uma carreira de excelência.
O prémio, com um valor monetário de 10 mil euros, permitirá a Rosana Alves realizar parte do seu projeto de pós-doutoramento na Universidade Católica da Lovaina (Bélgica). O trabalho visa compreender os mecanismos moleculares que permitem a adaptação de fungos patogénicos a diversas áreas do corpo humano. Na prática, o estudo pode ajudar a desenvolver terapias mais eficazes contra infeções fúngicas.
“Este prémio permite-me trabalhar durante seis meses num dos melhores laboratórios europeus da minha área e ter acesso a mais tecnologias e modelos de infeção. Esta distinção é também relevante a nível curricular, representa uma valorização pessoal, académica e científica”, destaca Rosana Alves. O galardão foi atribuído pela FEMS, que agrega mais de 30.000 profissionais de 50 sociedades de 40 países. O nome do prémio evoca o dinamarquês Hans Laurits Jensen, um dos principais microbiologistas do século XX.
Rosana Alves é natural de Ponte de Lima e doutorada em Biologia Molecular e Celular pela Escola de Ciências da UMinho. Foi bolseira Fulbright na Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA) e investigadora visitante nas universidades de Exeter e Aberdeen (Reino Unido). Realizou ainda a sua tese de mestrado ao abrigo do programa Erasmus na Universidade de Liverpool (Inglaterra). Soma várias distinções, como da Confederação Europeia de Micologia Médica, da Sociedade Portuguesa de Bioquímica, da Federação Europeia das Sociedades de Bioquímica, da Boehringer Ingelheim Fonds, da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e da FEMS.
Universidade do Minho
Fonte: APImprensa

“Meta-Ciência” ou Como Nos Devemos Preocupar por uma Ciência Aberta, Reproduzível e com Impacto

Hoje vamos falar de uma área do conhecimento que poucos se calhar ouviram falar: “meta-ciência”. Apesar de soar um pouco estranho, a meta-ciência (ou a ciência da ciência) procura aumentar a qualidade da investigação científica enquanto reduz o “desperdício”. E que “desperdício” é esse? É toda a investigação que não consegue ser aplicada com sucesso ao dia a dia porque os processos que levaram aos resultados científicos não foram os mais correctos. E há muitas formas desses processos serem feitos de forma incorrecta. A escolha dos resultados que se publicam, por exemplo. Em alguns casos, quando os cientistas publicam os seus resultados em revistas da especialidade há a tendência de deixar de fora os chamados resultados negativos, ou seja, aqueles resultados que não deram diferenças estatisticamente significativas entre os grupos experimentais. Perdem-se assim dados importantes que seriam essenciais para a análise dos resultados por terceiros. Ou, numa desvirtuação do processo científico, desenvolver a hipótese experimental no final do projecto, e não no início, como deveria ser feita. Ou ainda, a escolha de testes estatísticos que não são os adequados à amostra (ou amostras) que existem. Muitas outras incorrecções poderiam ser aqui descritas, mas o resultado final seria sempre o mesmo. Um trabalho de investigação que tem problemas na sua concepção e que como tal leva a dificuldades na sua repetição por outros grupos ou mesmo a que o mesmo consiga resultar em algo tangível para a nossa sociedade, seja um novo medicamento ou uma nova tecnologia.
Um outro problema que a Ciência enfrenta é o facto de muitas vezes não ser aberta, isto é, não se ter acesso aos dados originais que foram obtidos pelos cientistas. Apenas uma pequena percentagem de investigadores carrega os dados obtidos no decurso de um trabalho científico em repositórios abertos, para que possam ser re-analisados por outros. Isto é um problema porque não é fácil assim averiguar a qualidade dos mesmos. Ou, ainda noutro contexto, muitas publicações científicas, para serem visualizadas, requerem o pagamento de taxas às revistas científicas onde são publicadas. Isto impede o fácil aberto aos trabalhos publicados. Uma percentagem ainda pequena deposita os manuscritos científicos em repositórios abertos e gratuitos para que possam ser consultados e analisados pelos seus pares.
É preciso assim conseguir “certificar” a ciência que se faz como aberta, reproduzível, e de confiança. É este o objectivo da meta-ciência, aumentar a qualidade e o impacto da investigação científica, reduzindo o gasto em ciência sem qualidade. O conceito envolve a optimização interactiva de elementos-chave do processo científico, como métodos, produção de relatórios e sua disseminação, e reprodutibilidade do que foi feito e reportado. Isso inclui a optimização da abertura dos dados científicos (por exemplo, partilha de dados, algoritmos, protocolos e materiais), a melhoria do uso de métodos (estatísticos, laboratoriais, computacionais e clínicos) e a criação de uma cultura de avaliação e recompensa da investigação que os cientistas fazem, alinhada com a responsabilidade, confiabilidade e utilidade dessa mesma investigação, com um impacto significativo nas nossas vidas.
Ao fim ao cabo, a Ciência modela o mundo que conhecemos. A Ciência salva vidas, como se pode ver na recente epidemia de COVID-19 e em outras epidemias, que se calhar já nem nos lembramos do nome. A Ciência igualmente pode servir para servir de justificação para decisões políticas, muitas vezes sendo distorcida para servir esses mesmos interesses. Nestes casos, teremos de ter a certeza de que a Ciência é feita da maneira correcta e aberta possível para que realmente cada Euro investido em investigação científica tenha de facto impacto na Sociedade.
É na sequência do descrito acima que a Universidade de Coimbra coordena actualmente o projecto Excelscior, um projecto financiado pela Comissão Europeia. O principal objetivo estratégico deste projecto é promover a reprodutibilidade e a interdisciplinaridade da investigação, tornando a ciência mais eficiente por meio do melhor uso dos dados experimentais, mais confiável por meio de uma melhor verificação e, em última instância, mais transparente (aberta) e responsiva às necessidades da sociedade, em total conformidade com as políticas das melhores práticas de Ciência Aberta incorporada ao processo científico. Para por em prática o projecto Excelscior na Universidade de Coimbra, convidámos o Prof. John P.A. Ioannidis, Professor de Medicina, de Epidemiologia e Saúde Populacional e, de Estatística e Ciência de Dados Biomédicos, na Universidade de Stanford, Califórnia, EUA. O Prof. Ioannidis alcançou reconhecimento mundial como principal especialista em Meta-Ciência, tendo co-fundado os centros METRICS (um centro altamente influente e interdisciplinar na Universidade de Stanford) e METRIC-B (para o qual o Prof. Ioannidis recebeu uma prestigiosa bolsa Einstein no Instituto de Saúde de Berlim). O seu trabalho até à data recebeu o mais alto reconhecimento internacional e transformou a ciência em biomedicina e em várias outras áreas. Atualmente, ele está entre os dez cientistas mais citados do mundo.
Estamos certos que a Meta-Ciência, uma área em crescimento, vai transformar para melhor a Ciência que se faz em Portugal e garantir que cada vez mais a investigação científica contribui para a melhoria do nosso dia-a-dia e para fazer diferença nas nossas vidas.
O projeto EXCELSCIOR recebeu financiamento do Horizonte Europa da UE sob o contrato de financiamento nº 101087416. No entanto, as opiniões expressas neste artigo são apenas autor e não refletem necessariamente as da União Europeia ou da Direção-Geral de Investigação e Inovação. Nem a União Europeia nem a autoridade financiadora podem ser responsabilizados por elas.
Paulo J. Oliveira
Investigador Principal com Agregação e Coordenador do projecto Excelscior
CNC – Centro de Neurociências e Biologia Celular, CIBB, Universidade de Coimbra
Fonte: APImprensa

“Spoilers, por favor!”: Saber de antemão o final de um filme estraga a experiência?

É consensualmente aceite que informação prévia acerca de um arco narrativo, particularmente do seu desfecho – spoilers –, arruína a experiência de consumir um livro ou filme. Contudo, e pese embora a intuição popular, os spoilers não só não têm o impacto negativo que se julga como podem, nalguns casos, aumentar, ao invés de diminuir, o prazer na leitura de um livro ou visualização de um filme. Conheça, neste artigo, os principais resultados científicos acerca dos efeitos dos spoilers e as teorias em torno do prazer no consumo de narrativas ficcionais.

Qualquer utilizador de redes sociais contemporâneas sabe que é regra consensual não divulgar pontos ou eventos críticos de um arco narrativo, particularmente o seu desfecho – ou, fazendo-o, ter a gentileza de o prefaciar previamente com o aviso de “spoiler alert!”. Por outro lado, consumidores de cinema, televisão e literatura esforçam-se activamente por, entre o ritmo frenético a que a informação se propaga na internet, se escudar de lerem ou verem inadvertidamente qualquer peça que revele o final do filme, série ou livro que ainda não tiveram oportunidade de degustar. Inclusive, existem hoje várias aplicações que permitem aos utilizadores filtrar preventivamente qualquer informação que possa constituir um spoiler (revelação prematura de informação acerca de uma narrativa com o potencial de estragar [spoil] o prazer que advém do seu consumo), praticamente um equivalente moderno de tapar os ouvidos e balbuciar para não ouvir algo indesejável. Porém, uma linha de investigação com já quase uma década tem mostrado sistematicamente que, pese embora a crença popular, os spoilers não apenas não têm o impacto negativo que se julga como podem, nalguns casos, aumentar ao invés de diminuir o prazer que advém de ver, ler ou ouvir uma narrativa.
Nos estudos fundacionais, investigadores da Universidade da Califórnia, San Diego, recrutaram pouco mais de 800 participantes para lerem alguns contos curtos de autores como John Updike, Roald Dahl, Anton Checkov, Agatha Christie, entre outros e, no final, para indicarem o quão aprazível foram as narrativas. A metade dos participantes, porém, foi dado previamente um pequeno parágrafo, em jeito de sinopse, que revelava, de forma aparentemente acidental, o final dos contos. Estes últimos participantes reportaram, consistentemente, um maior prazer e agrado com as narrativas, incluindo aquelas cujos desfechos eram, no âmbito dos contos, inesperados e surpreendentes. Numa sequência posterior de outras três experiências, os mesmos autores replicaram o resultado mostrando, além do mais, que spoilers revelados a meio do conto (isto é, antes de os leitores chegarem ao final) também aumentam o agrado pelas narrativas. Finalmente, spoilers feitos sobre contos com estruturas narrativas mais simples (contos de antologias infanto-juvenis), não parecem beneficiar de spoilers, ainda que esses também não diminuam o prazer da sua leitura.
Mas porque, ou como, poderiam os tão indesejados spoilers afinal serem benéficos? Antes de uma resposta mais teórica, note-se que vários amantes de leitura tendem ocasionalmente a reler o seu livro predilecto sem aparente impacto negativo por saberem de antemão o desenrolar da narrativa; o mesmo pode ser dito acerca dos entusiastas de cinema (eu próprio, não obstante as reclamações de familiares, já perdi a conta às vezes que revi o Parque Jurássico de Spielberg desde que o vi pela primeira vez, no cinema, aos 11 anos). Nestes casos, é inclusive comum as pessoas reportarem ainda maior agrado ao reler/rever obras predilectas, precisamente porque elementos da narrativa podem ser interpretados numa nova perspectiva somente possível a quem saiba o seu desfecho. No mesmo sentido, quando um livro popular é adaptado para cinema ou televisão, são comummente aqueles que leram previamente a narrativa (e que, por isso mesmo, já a conhecem de antemão) que se mostram mais entusiasmados com a adaptação, quando bem-sucedida (e.g., Senhor dos Anéis e as primeiras temporadas de Game of Thrones), ou frustrados quando a adaptação não respeita o arco narrativo original (e.g., The Witcher). Finalmente, obras clássicas do teatro, amplamente conhecidas pelo público em geral desde há milénios (e.g., peças de teatro da Grécia Antiga), continuam a ser ensaiadas e apresentadas, com público suficiente para o justificar. Todos estes exemplos mostram que o conhecimento prévio de uma narrativa, per se, não têm necessariamente o impacto negativo que se poderia assumir dada a atitude dos internautas face a spoilers.
Esta oposição entre, por um lado, uma certa intuição de que saber de antemão o desfecho de uma narrativa arruína o prazer do seu consumo e, por outro, alguns exemplos citados, em que reler/rever uma obra pode ser tão ou mais prazeroso que da primeira vez, possui um paralelismo com algumas teorias psicológicas acerca das razões pelas quais obtemos satisfação em contos ficcionais. A teoria clássica, consonante com a intuição popular acerca dos spoilers e apelidada de Teoria de Transferência da Excitação, postula que o prazer no consumo de uma narrativa advém de uma tensão vicariante que acompanha as lutas do(s) protagonista(s) face a obstáculos, desafios e/ou perigos, conquanto o seu desfecho seja incerto e desconhecido para o espectador; quando, tipicamente no clímax narrativo, essa tensão é resolvida (e.g., o herói vence o vilão, a última vítima sobrevive ao monstro, a protagonista consegue lidar com uma situação dramática, os amantes ficam juntos, etc.), é o ‘alívio’ da tensão que fornece o prazer e satisfação com a narrativa. Num estudo empírico clássico, crianças de 8 anos que viram uma narrativa audiovisual com maior suspense (dois irmãos que tentavam caçar e um leão feroz que havia morto pessoas da sua aldeia) e com uma resolução sólida (os irmãos conseguem vencer o leão) reportaram terem gostado significativamente mais da história que crianças que viram uma versão da mesma história com menos suspense (envolvendo apenas um leão ‘normal’) ou com uma resolução menos incerta (o leão foge e, no final da história, ruge à distância). Ainda que esta perspectiva teórica forneça uma base para a atitude negativa face a spoilers, falha em explicar a razão por que a visualização/leitura repetidas da mesma narrativa (ou, ainda mais evidente, a audição de uma mesma música, cujo prazer também tem sido explicado com base nalgumas versões da Teoria da Transferência da Excitação em que, por exemplo, uma progressão de acordes gera tensão, ao afastar-se do acorde raiz, ou resolução, ao retornar a esse) não diminua o prazer – facto que veio a ficar conhecido por Paradoxo do Suspense.
Em grande parte, na sequência dos estudos empíricos, já referidos, acerca do efeito de spoilers, os investigadores têm, recentemente, desenvolvido a chamada Teoria da Fluência de Processamento. De acordo com esta, a facilidade com que um consumidor faz sentido de um arco narrativo contribui para a sensação prazerosa que acompanha a leitura de um livro ou a visualização de um filme. Os spoilers, ao fornecerem alguma informação acerca do desfecho de uma narrativa, facilitariam a geração de um modelo mental acerca do arco narrativo, o qual, por sua vez, iria ajudar a um processamento cognitivo dos elementos narrativos e a uma maior apreciação da relevância de eventos e/ou diálogos que, numa primeira exposição, passariam despercebidos (processo apelidado de Ressonância do Modelo Mental). A título de exemplo, num estudo recentemente aceite para publicação, investigadores mostraram, a participantes que nunca haviam visto a série, os últimos dois episódios da série How I Met Your Mother, sendo que a alguns dos participantes mostraram a versão oficial – a qual, de forma inesperada, rompeu várias convenções para o género ao ponto de gerar uma onda de indignação por parte dos fãs – e aos restantes a versão alternativa – mais prototípica de uma série de comédia. Adicionalmente, os participantes leram, previamente, uma breve sinopse dos episódios que, nalguns casos, fornecia spoilers acerca do seu desfecho. Em conformidade com a Teoria da Fluência de Processamento, os spoilers aumentaram o prazer na visualização dos episódios para o final oficial mas não para a versão alternativa – presumivelmente porque, para o final prototípico, o final seria expectável e, por isso, em si mesmo fácil de processar; já para o final inesperado, conhecimento prévio acerca do seu desfecho facilitou o processamento do arco narrativo aumentando, consequentemente, o prazer da sua visualização.
Neste ponto, e para o leitor que se esteja a questionar se não só poderá, como deverá mesmo, começar a fornecer spoilers aos seus amigos, mesmo quando não requisitados, com a expectativa de lhes fazer um favor, não o faça! Ainda que as evidências empíricas revistas neste artigo sugiram que conhecimento prévio acerca do desfecho de um livro ou filme possam, nalguns casos, aumentar o prazer do seu consumo, estão também documentadas condições em que os spoilers têm o efeito contrário. Por exemplo, algumas dimensões de personalidade atenuam potenciais efeitos benéficos de spoilers, em particular a chamada necessidade de cognição – pessoas com grandes pontuações nesta dimensão tendem a procurar e privilegiar actividades intelectuais, como puzzles e quebra-cabeças, preferem consumir narrativas acerca das quais nada sabem e, quando expostas a spoilers, relatam menos prazer com a visualização/leitura da narrativa. Por outro lado, o efeito benéfico dos spoilers parece restringir-se a situações em que quem os recebe não os interpreta como tal – dito de outra forma, quando é óbvio que a informação recebida constitui um spoiler ou quando é explicitamente apelidada como tal, o prazer na visualização/leitura de uma narrativa diminui, ao invés de aumentar, em grande medida porque, compreensivelmente, as pessoas mostram reacções adversas quando percepcionam que lhes foi negada uma opção (Reactância Psicológica). Dadas estas advertências, se vier a questionar-se sobre se valerá ou não a pena ver no cinema o novo filme acerca do qual todos falam, não hesite em ler uma boa crítica pese embora as advertências de spoiler alert– no pior dos casos, terá um impacto bem menor do que antecipa e, no melhor, poderá aumentar a sua apreciação e prazer pela obra.
Nuno de Sá Teixeira
Fonte: APImprensa

Será rir mesmo o melhor remédio?


Uma recente revisão da literatura realizada no Centro de Investigação e Intervenção Social (CIS-Iscte) sugere que o humor está associado a um aumento do bem-estar, nomeadamente do bem-estar psicológico.
Raquel Oliveira, aluna do Doutoramento em Psicologia do Iscte e primeira autora deste trabalho, explica que “Não se sabe ao certo porque é que as pessoas riem, mas há evidências de que possa estar relacionado com a socialização. Por exemplo, as pessoas tendem a rir mais na presença de outras, e o humor tem sido associado ao fortalecimento de laços sociais”. Para além do seu valor social, o humor e o riso têm sido associados a diferentes tipos de bem-estar.

A equipa de investigação pretendia compreender a relação entre o humor e o bem-estar. Patrícia Arriaga, investigadora do CIS-Iscte e orientadora de Raquel, esclarece que “Existem muitas teorias sobre o humor e o bem-estar, e cada teoria tem o seu próprio entendimento destes dois conceitos. Isto é um desafio quando se tenta compreender se o humor tem um impacto no bem-estar das pessoas, porque depende do estilo de humor e do tipo de bem-estar considerados”. Ao analisar 128 estudos empíricos com participantes adultos, a equipa de investigação quis resumir sistematicamente as evidências da associação entre o riso, o humor e o bem-estar. Para isso, analisaram diferentes componentes do humor, como os estilos de humor e os estilos de comédia.

Segundo Raquel Oliveira, “Os estilos de humor referem-se às formas habituais como as pessoas utilizam o humor no seu quotidiano e podem ser classificados em quatro categorias: afiliativos (positivos, dirigidos aos outros), auto-reforçadores (positivos, dirigidos a si próprio), agressivos (negativos, dirigidos aos outros) e auto-destrutivos (negativos, dirigidos a si próprio)”. Os estilos de comédia baseiam-se na literatura clássica do humor e incluem diferentes tipos de humor, como a sátira, a ironia e a comédia física. Já o riso, por sua vez, é um tipo específico de vocalização que está tipicamente (mas nem sempre) associado ao humor. A investigadora refere ainda que “também encontrámos estudos que exploraram a forma como as pessoas utilizam o humor como mecanismo para lidar com o stress e a adversidade (humor de “coping”), e o sentido de humor – a capacidade do indivíduo para perceber e apreciar o humor”.

Esta revisão debruçou-se sobre as diferentes dimensões do bem-estar, nomeadamente o bem-estar psicológico, físico, social e geral. João Barreiros, terceiro autor do artigo, explica as diferenças entre elas: “O bem-estar psicológico refere-se à avaliação subjetiva que um indivíduo faz da sua própria vida, incluindo o sentido de propósito e o crescimento pessoal, por exemplo. O bem-estar físico refere-se à saúde física de um indivíduo e o bem-estar social está relacionado com um sentimento de pertença e de ligação aos outros. O bem-estar geral refere-se ao sentido mais global de felicidade e satisfação com a vida.”

Os resultados da revisão de literatura indicam que os estilos de humor parecem ser os mais investigados. Os resultados deste conjunto de estudos apoiam a ideia de que os estilos de humor positivos (afiliativos e auto-reforçadores) estão associados a um maior bem-estar psicológico. Verificou-se também uma associação entre os estilos de humor positivos e o bem-estar social e geral. Embora a relação entre o humor e o bem-estar físico seja menos explorada na literatura, os resultados sugerem que o humor auto-reforçador está associado a um maior bem-estar físico. No entanto, não se observou uma associação consistente entre quaisquer outros estilos de humor e o bem-estar físico. Por fim, as intervenções baseadas no riso e no humor produziram resultados positivos em muitas dimensões do bem-estar, especialmente no bem-estar psicológico.

Em suma, este estudo fornece evidências da importância do humor na promoção do bem-estar e salienta os potenciais benefícios de cultivar estilos de humor positivos, em particular o humor auto-reforçador. Embora a equipa de investigação reconheça a limitada evidência empírica que existe na literatura relativamente à associação entre humor e bem-estar físico, considera que a sua natureza positiva estabelece um caminho promissor para investigação futura. Além disso, “estes resultados podem ter implicações importantes para intervenções destinadas a melhorar o bem-estar, em particular o bem-estar psicológico”, conclui Raquel Oliveira.

Pedro Simão Mendes
Comunicação de Ciência (CIS-Iscte) 
Fonte: APImprensa

Bioblitz da Universidade do Minho identifica 160 espécies de fauna e flora no centro de Braga

Melros, sapos, rabirruivos, poupas, toupeiras, alvéolas-brancas, nenúfares, dedaleiras, choupos, medronheiros, mentas, chapins ou líquenes. Estas foram algumas das 163 espécies identificadas por várias dezenas de pessoas, durante uma manhã, no parque desportivo da Rodovia e na vizinha ecovia do rio Este, em Braga. Chamada “Bioblitz”, a iniciativa partiu da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM) e desafiou o público a encontrar espécies vivas naqueles locais. Tratou-se do primeiro evento em Braga a antecipar a Noite Europeia dos Investigadores, que se realiza a 29 de setembro em toda a Europa.
No total, registou-se 384 observações na aplicação online iNaturalist, onde é possível ver agora as fotos tiradas pelos participantes e a fauna e flora elencadas. “Correu muito bem, com pessoas e famílias curiosas, em especial as crianças, muito entusiasmadas e a quererem ‘carregar’ espécies na aplicação, desde aves, peixes, répteis, batráquios, insetos, líquenes e plantas. Se o sol tivesse aparecido, haveria mais insetos, como as borboletas”, assinalou Alexandra Nobre, professora do Departamento de Biologia da ECUM. O “Bioblitz” juntou naturalistas, cientistas e cidadãos, promovendo a “ciência cidadã” e momentosde convívio em prol da conservação da biodiversidade, da gestão ambiental e de decisões políticasinformadas.

Pais, filhos e avós à descoberta
A chuva miudinha não impediu os participantes de andarem de telemóvel ou máquina fotográfica na mão à procura das espécies. Sem saber o que iam encontrar, jovens e menos jovens deixaram-se por vezes conduzir pelos elementos da ECUM e tiraram fotos ao que iam encontrando, descarregando-as com o respetivo local e hora e identificando as espécies. “Encontrei insetos e plantas. Na edição de 2022, no campus de Gualtar, só identifiquei plantas”, disse Alice Afonso, com 11 anos e o sonho do curso de Biologia. A seu lado seguiam o pai, a mãe, a irmã e o avô. “É a segunda vez que participamos e as miúdas gostam”, avançou a mãe Marta, professora. O avô Agostinho não deixava escapar nenhuma espécie. “Gosto de tudo o que tem a ver com natureza. Só fiz a quarta classe, mas tenho a experiência de vida”, assegurou o vimaranense de 82 anos.

Município alia-se

O “Bioblitz” tem a colaboração do Município de Braga, que se fez representar pelo vereador do Ambiente e Alterações Climáticas. Altino Bessa considerou a iniciativa “muito positiva” e destacou as intervenções da autarquia na última década para melhorar a qualidade da água e o repovoamento do rio Este. “Havia grandes agentes poluidores e temos vindo a ‘degolar’ essas descargas”, disse, lembrando que em torno da área onde decorreu o “Bioblitz” “vivem mais de 100 mil pessoas e há indústrias, empresas e restaurantes”.
O município está também a cadastrar a rede de águas pluviais na envolvente do rio para identificar ligações irregulares. Desenvolve ainda um projeto de renaturalização do Este, tendo já efetuado um repovoamento com duas mil trutas. “Precisamos de mais corredores verdes e galeria ripícola, para aumentar a biodiversidade e para o aparecimento de espécies como a lontra, que não era avistada desde 2016”, concluiu Altino Bessa.

Universidade do Minho
Fonte: APImprensa

Novo tipo de estrela dá-nos pistas sobre a origem misteriosa das magnetars

As magnetars são os ímanes mais fortes do Universo. Estas estrelas mortas super densas com campos magnéticos extremamente fortes podem ser encontradas em toda a parte na nossa Galáxia, mas os astrónomos não sabem exatamente como é que estes objetos celestes se formam. Agora, usando vários telescópios de todo o mundo, incluindo infraestruturas do Observatório Europeu do Sul (ESO), os investigadores descobriram uma estrela viva que provavelmente se transformará numa magnetar. Este resultado marca a descoberta de um novo tipo de objeto astronómico — estrelas magnéticas massivas de hélio — e ajuda-nos a investigar as origens das magnetars.
Apesar de já ter sido observada há mais de 100 anos, a natureza enigmática da estrela HD 45166 continua a não ser facilmente explicada por modelos convencionais e pouco se sabe sobre este objeto para além do facto de pertencer a um binário de estrelas, ser rica em hélio e ser algumas vezes mais massiva que o nosso Sol.
Esta estrela tornou-se um pouco uma obsessão minha,” diz Tomer Shenar, autor principal de um estudo sobre este objeto publicado hoje na revista Science e astrónomo na Universidade de Amesterdão, Países Baixos. “Tomer e eu referimo-nos à HD 45166 como a ‘estrela zombie’,” confessa a co-autora e astrónoma do ESO Julia Bodensteiner, que trabalha na Alemanha. “E não é apenas pelo facto desta estrela ser tão única, mas também porque eu digo a brincar que este objeto consegue transformar o Tomer num zombie.
Tendo já estudado anteriormente várias estrelas ricas em hélio, Shenar teve a ideia de que os campos magnéticos poderiam ajudar a explicar o comportamento desta estrela. De facto, sabe-se que os campos magnéticos influenciam o comportamento das estrelas e por isso talvez pudessem explicar também por que é que os modelos tradicionais falharam na descrição da HD45166, a qual se localiza a cerca de 3000 anos-luz de distância da Terra, na constelação do Unicórnio. “Lembro-me de ter tido um ‘momento eureka’ enquanto lia alguns artigos da literatura e pensar: ‘Então e se a estrela for magnética…?’,” comenta Shenar, atualmente a trabalhar no Centro de Astrobiologia de Madrid, em Espanha.
Shenar e a sua equipa prepararam-se para estudar esta estrela utilizando várias infraestruturas de todo o mundo. As observações principais foram efetuadas em Fevereiro de 2022 com um instrumento montado no Telescópio Canadá-França-Hawaii, o qual pode detectar e medir campos magnéticos. A equipa utilizou também dados de arquivo obtidos com o instrumento FEROS (Fiber-fed Extended Range Optical Spectrograph), no Observatório de La Silla do ESO, no Chile.
Assim que teve acesso a todas a observações, Shenar pediu ao co-autor Gregg Wade, especialista em campos magnéticos estelares, do Colégio Militar Real do Canadá, para examinar os dados. A resposta de Wade confirmou o palpite de Shenar: “Bom, meu amigo, o que quer que esta coisa seja, é definitivamente magnética!
A equipa de investigadores descobriu que a estrela tem um campo magnético extremamente forte, de 43 000 gauss, o que faz da HD 45166 a estrela massiva mais magnética encontrada até à data. “Toda a superfície da estrela de hélio tem um campo magnético quase 100 000 mais forte que o da Terra” explica o co-autor Pablo Marchant, astrónomo no Instituto de Astronomia da KU Leuven, Bélgica [ver correção].
Esta observação marca a descoberta da primeira estrela magnética massiva de hélio. “É muito excitante descobrir um novo tipo de objeto astronómico,” diz Shenar, “especialmente quando esteve este tempo todo ‘escondido de rabo de fora’.
Adicionalmente, esta descoberta dá-nos pistas sobre a origem das magnetars — estrelas mortas compactas permeadas por campos magnéticos pelo menos um milhar de milhões de vezes mais fortes do que o da HD45166. Os cálculos da equipa sugerem que esta estrela irá terminar a sua vida como uma magnetar. À medida que for colapsando sob a sua própria gravidade, o seu campo magnético irá fortalecer-se e eventualmente a estrela tranformar-se-á num núcleo muito compacto com um campo magnético de cerca de 100 biliões de gauss — o tipo de íman mais poderoso do Universo.
Shenar e a sua equipa descobriram igualmente que a HD 45166 tem uma massa mais pequena do que a registada anteriormente, cerca de duas vezes a massa do Sol, e que a sua companheira orbita a uma distância maior do que o que se supunha antes. Para além disso, este trabalho indica que a HD 45166 se formou através da fusão de duas estrelas mais pequenas ricas em hélio. “Os nossos resultados alteraram radicalmente a nossa compreensão da HD 45166,” conclui Bodensteiner.

Observatório Europeu do Sul
Fonte: APImprensa

Cosmos

O termo “cosmos” tem várias interpretações e significados, dependendo do contexto em que é usado. Geralmente, cosmos refere-se ao universo como um todo, abrangendo tudo o que existe, desde estrelas e planetas até galáxias e todas as formas de matéria e energia. Nesse sentido, cosmos é o sistema organizado e em constante expansão que compreende o espaço, o tempo e todas as leis físicas e naturais que o regem.

A palavra “cosmos” tem origem na palavra grega “kosmos”, que significa “ordem” ou “beleza”. Essa origem reflete a ideia de que o universo possui uma estrutura organizada, em que os corpos celestes, como estrelas, planetas e galáxias, seguem padrões e leis previsíveis e entendíveis.
O estudo científico do cosmos e do universo é designado por cosmologia. A cosmologia investiga a origem, a evolução, a estrutura e a composição do universo, bem como as leis fundamentais da física que o governam. Através de observações, experiências e modelos teóricos, os cientistas buscam compreender as forças e fenómenos que moldam o cosmos.
A cosmologia moderna revelou-nos uma série de descobertas fascinantes sobre o universo. Por exemplo, descobrimos que o universo está em constante expansão desde o seu início, há cerca de 13,8 mil milhões de anos, num evento designado por Big Bang. Também foi observado que a matéria visível, como estrelas e galáxias, representa apenas uma pequena fração da composição total do cosmos, sendo a maior parte composta por matéria escura e energia escura, que ainda são áreas de investigação e compreensão ativas.
Além disso, a exploração espacial e o avanço da tecnologia permitiram que os seres humanos testemunhassem a beleza e a diversidade do cosmos através de telescópios, sondas espaciais e missões espaciais. Através dessas explorações, fomos capazes de obter imagens impressionantes de estrelas, nebulosas, galáxias distantes e outros objetos cósmicos, despertando um senso de admiração e curiosidade sobre o nosso lugar no vasto cosmos.
O cosmos não é apenas um objeto de estudo científico, mas também um tema de reflexão filosófica e contemplação espiritual. Muitas culturas e civilizações ao longo da história desenvolveram mitologias, cosmogonias e cosmologias próprias para explicar a origem e o significado do cosmos. Essas perspectivas variam, mas geralmente refletem a busca humana por compreender nossa existência e nosso papel no universo.
Em resumo, o cosmos refere-se ao universo como um todo, abrangendo tudo o que existe e as leis naturais que o governam. É um tema fascinante e complexo que nos desafia a explorar e entender as maravilhas do espaço e do tempo.

António Piedade
Fonte: APImprensa

Depressão: Que história acha que os seus netos lhe vão pedir para contar?

 Em saúde mental temos uma medida chamada DALY: Disability Adjusted Life Years (em português – AVAI: Anos de Vida Ajustados por Incapacidade) que mede o peso da doença expressa no número de anos perdidos por questões de doença.
No mundo, no TOP 1 dos DALY temos a depressão, independentemente der se ser homem ou mulher. Em segundo lugar, enquanto que nos homens aparece o álcool, nas mulheres surge a ansiedade. A ansiedade nos homens aparece em terceiro lugar, sendo nas mulheres este lugar ocupado pela enxaqueca.
A depressão é o transtorno mental mais comum que actualmente atinge um número cada vez maior de pessoas no mundo. A depressão é mais do que apenas tristeza. A depressão é uma doença real e traz consigo um alto custo em termos de problemas de relacionamento, sofrimento familiar e perda de produtividade.
No entanto, a depressão é uma doença altamente tratável, com técnicas de psicoterapia (coping = lidar com as situações, cognitivo-comportamental = pensamentos e comportamento) e nalguns casos também medicação.
As pessoas com depressão podem sentir falta de interesse e prazer em actividades diárias, perda ou ganho de peso significativo, insónia ou sono excessivo, falta de energia, incapacidade de concentração, sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva e pensamentos recorrentes de morte ou suicídio.
Estas pessoas às vezes precisam de ajuda psicológica. Principalmente quando elas ou quem está à sua volta percebe que não estão a funcionar tão bem como podiam.
Quanto mais cedo se procurar ajuda profissional, melhor. Psicólogo ou também juntamente um psiquiatra. Há casos em que uma combinação de terapia e medicação antidepressiva pode ajudar a garantir a recuperação. Os psicólogos podem ajudar estas pessoas e as suas famílias a lidar com problemas de depressão.
Felizmente, a depressão é tratável. O isolamento social aumenta o risco de depressão. Mas acontece que passar muito tempo a discutir problemas também pode aumentar a depressão.
Hábitos saudáveis como a prática de um tipo de exercício físico que lhe dê prazer e uma dieta saudável, principalmente saber tomar melhores decisões sobre o que come e ter sempre no prato várias cores, são um tratamento efectivo e económico para a depressão e podem ajudar na prevenção e tratamento de outras doenças, como por exemplo a obesidade.
Marta Pimenta de Brito (Psicóloga)
Fonte: APImprensa

Os ursos polares comem pinguins?


Imagine um urso polar. E agora tente um pinguim. Porque será que um não come o outro? Esta e outras perguntas têm sido essenciais para transferir conhecimentos básicos sobre geografia, biologia, física e até línguas nas nossas escolas. Como biólogo marinho a estudar estes animais na Antártida desde 1997, tenho ido a inúmeras escolas a mostrar que os cientistas podem não ter óculos fundos de garrafa, podem não usar sempre a bata de laboratório e que também adoram seguir o nosso Sporting, Benfica ou Porto (ou qualquer outro clube). Sim, os cientistas também têm sentido de humor, podem ser simpáticos e a nova geração de jovens cientistas provam isso.
Agora já não são só os documentários da BBC a falar da natureza. São os nossos próprios cientistas Portugueses que vão a áreas remotas do planeta, como o Ártico e a Antártida, para desvendar questões importantes para a ciência e para a Humanidade. Nas escolas, menciono que também TU (os alunos) podes seguir a carreira que desejas, só tens de dar o teu melhor na escola. Para ser cientista, ou qualquer outra profissão, é importante gostar muito do que se faz, mas é tão importante ser bom também, e ter espírito de sacrifício e muita dedicação. O papel dos pais, dos avós e da restante família, da escola e da sociedade são muito importantes. Evidencio nas palestras que, apesar de querer ser jogador de futebol (eu queria ser o Figo!), também tentava tirar boas notas na escola, e que foi muito importante dedicar-me a todas as disciplinas. Como biólogo marinho, foi essencial ser bom a biologia, mas também no inglês (como falaria com os meus colegas estrangeiros?), na matemática (como analisaria os meus dados?), na educação física (como poderia trabalhar na Antártida se não estivesse em forma?) e em todas as restantes disciplinas. Ainda hoje reencontro conceitos de matérias dadas nas aulas, que só agora compreendo serem importante para o que faço. O segredo é incutir nos nossos filhos/netos/bisnetos que não basta gostar, é preciso ser bom também. A minha Avô sempre dizia que “o conhecimento não ocupa espaço, e ele irá sempre contigo e ajudar-te-á todos os dias…por isso, toca a estudar!”. E para se ser bom é preciso dedicação e trabalho, tal como o Cristiano Ronaldo que treina mais que os outros…dando sempre o seu melhor.

Deve estar ainda curioso(a) para saber porque é que os ursos polares não comem pinguins? Bem, os ursos polares vivem na região Ártica do nosso planeta e os pinguins só vivem no hemisfério sul. Resumindo: eles vivem em partes diferentes do planeta, daí não ser possível os ursos polares comerem pinguins.

Através da ciência que faço, e dando exemplos como este acima, pretende-se transmitir os valores que a escola e a sociedade deverão transmitir às gerações mais novas. Ao fim das palestras, nada me deixa mais feliz do que ouvir que “eu quero ser é engenheiro! Mas agora sei que, para o conseguir, vou ter de estudar tudo!”. Nem mais…

José Xavier (Cientista polar português)
Fonte: APImprensa