sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Câmara de Cantanhede mantém reduções no IMI e na Derrama

 

O Município de Cantanhede vai manter em 2021 a taxa de IMI em 0,38%, o que representa um desconto de 15,6% relativamente à taxa máxima de 0,45% que poderia ser cobrada aos proprietários de prédios urbanos. Aprovada em 17 de setembro pela Assembleia Municipal, num plenário realizado no salão dos Bombeiros Voluntários para prevenir os riscos de contágio de Covid-19, a proposta contempla ainda a aplicação do designado IMI Familiar, traduzido na maior redução permitida por lei para os agregados familiares com dependentes a cargo, prescindindo assim a autarquia de cobrar no próximo ano um valor superior a 80 mil euros, em benefício das famílias com maiores encargos.

O desconto é de 20 euros para as famílias com um dependente a seu encargo, 40 euros para as que têm dois dependentes e 70 euros para as que têm três ou mais dependentes. Segundo o que consta na proposta submetida ao plenário do órgão deliberativo municipal pela líder do executivo camarário, Helena Teodósio, as reduções resultam “numa menor arrecadação de receita relativamente àquilo que a lei permite”, e ainda que o executivo camarário não esconda que gostaria de poder reduzir ainda mais a taxa de IMI, “não é possível fazê-lo face à progressiva diminuição das receitas dos municípios e, por outro lado, ao aumento dos encargos inerentes à crescente assunção de competências transferidas pela Administração Central, sem esquecer a realização de despesa para atender às exigências e necessidades causadas pela pandemia de Covid-19”. Além disso, pode ler-se no documento “é preciso garantir um autofinanciamento que permita apresentar candidaturas à obtenção de fundos comunitários para novos projetos, quer no âmbito do quadro comunitário “Portugal 2020”, cujos programas estão em fase de encerramento, quer do “Portugal 2030”, que irá ter início no próximo ano”.

A autarca considera que “o modelo de financiamento dos municípios não facilita nada a obtenção de receitas compatíveis com o nível de atividade que a Câmara de Cantanhede desenvolve e com as competências que tem de cumprir, pelo que se torna impraticável baixar ainda mais as taxas a que tem direito. Fazê-lo na conjuntura que o país está a viver significaria pôr em causa essa atividade e diminuir bastante a capacidade de resposta da autarquia em vários domínios, entre os quais o apoio às famílias em situação de maior fragilidade social que têm vindo a acorrer em número crescente aos nossos serviços de Ação Social devido aos efeitos da pandemia de Covid-19”.

Helena Teodósio adianta que “as reduções do IMI foram estabelecidas com base em critérios de equidade e reforço da coesão social, beneficiando as famílias com maiores encargos, em articulação com outros programas de carácter social, nomeadamente o apoio à natalidade ou o apoio à empregabilidade”.

Taxa de derrama reduzida para pequenas empresas também se mantém em 2021

Além das reduções do IMI, o Município de Cantanhede continua a isentar de Derrama as empresas com um volume de negócios que, no ano anterior, não ultrapasse 150.000 euros. Também aprovada pela Assembleia Municipal em 17 de setembro, esta taxa sobre o lucro tributável sujeito e não isento do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRC) beneficia os agentes económicos que não superem o referido valor de faturação, mantendo-se a taxa de 1,5% para as restantes.

Trata-se de um benefício bastante apreciável e que pode ser interpretado como um incentivo para as empresas beneficiárias superarem as dificuldades resultantes da difícil conjuntura económica que o país atravessa.

Enfatizando “o alcance económico e social desta medida bastante favorável para os pequenos negócios, muitos deles de cariz familiar”, Helena Teodósio lembra que “a receita da Derrama se destina a ser aplicada exclusivamente na ampliação e valorização das zonas industriais, ou seja, na expansão da base produtiva e no reforço da competitividade da nossa economia, com todos os benefícios sociais daí decorrentes”.



MUNICÍPIO DE SILVES ADQUIRIU VIATURA PESADA PARA APOIAR REPARAÇÃO DE ROTURAS NAS REDES DE ÁGUA E SANEAMENTO


O Município de Silves adquiriu viatura pesada tribasculante com grua para intervenção nas roturas nas redes de abastecimento de água e saneamento, e na rede viária, cujo investimento ascendeu a 83 mil euros. A nova viatura possui características especiais que permitem o acesso a locais mais diminutos e de acessibilidade mais complicada, devido à sua dimensão, capacidade de carga e ao acessório grua.

O investimento municipal integra-se na linha de orientação estratégica de renovação e reforço do vasto parque de máquinas e viaturas que tem vindo a ser implementado de forma permanente e gradual pela autarquia, procurando desta forma melhorar a eficácia e a eficiência do serviço público, incutindo maior capacidade de resposta aos problemas das populações e do território.


Águeda recebe 5.ª etapa da Volta a Portugal em Bicicleta



Percurso desta etapa, no Concelho, passa pela chamada “rotunda da bicicleta” em direção ao centro da cidade, terminando na Av. Calouste Gulbenkian 

Águeda torna a receber uma etapa da Volta a Portugal em Bicicleta, o que já não acontecia há 19 anos. A 5.ª etapa, marcada para o dia 2 de outubro, começará em Oliveira do Hospital para terminar, 176,3 quilómetros depois, no centro da cidade de Águeda, mais concretamente na Av. Calouste Gulbenkian. 

A chegada para sprinters a Águeda, um Concelho com fortes ligações à bicicleta, é uma oportunidade para homenagear todos quantos trabalham no setor, bem como todos os amantes do ciclismo. É uma oportunidade para promover o Concelho e a sua aposta nesta área, para dinamizar os circuitos turísticos e de lazer e que podem ser usufruídos de bicicleta. 

“É com grande satisfação que temos a Volta a Portugal de regresso a Águeda”, disse Edson Santos, Vice-Presidente da Câmara de Águeda, reiterando que esta “é uma oportunidade para prestar homenagem a todos quantos trabalham no setor das bicicletas e do ciclismo no Concelho”. 

Para além da indústria das bicicletas (produção de componentes e fabricação da própria bicicleta), Águeda tem um percurso de referência na criação de condições para a prática desportiva e de lazer usando a bicicleta. São disso mesmo exemplo os trilhos cicláveis, que permitem conhecer o Concelho, apreciar a Natureza e praticar desporto, sem esquecer o Águeda Bike Park, o primeiro do país, ou ainda as beÁgueda (bicicletas elétricas de uso partilhado de Águeda). 

A 5.ª etapa da Volta a Portugal em Bicicleta (que iniciará, como referido, em Oliveira do Hospital, às 13h05), deverá chegar à chamada “rotunda da bicicleta” de Águeda às 17h22 e terminará na Av. Calouste Gulbenkian, às 17h29. 

Refira-se que Águeda foi partida e chegada de etapas da “Volta” por 13 vezes, a última das quais aconteceu em 2001. Em 1978, a cidade acolheu a final da competição, a primeira vez que tal ocorreu fora das grandes metrópoles de Lisboa e Porto; já em 1987, o arranque da prova rainha do ciclismo português aconteceu em Águeda.

AVEIRO | OPEN CALL – ESCOLA DE VIDEOMAPPING

 

OPEN CALL – ESCOLA DE VIDEOMAPPING

A Escola de Videomapping é uma iniciativa de capacitação para criadores de várias áreas, promovida pela Câmara Municipal de Aveiro (CMA) e o Teatro Aveirense. A ação surge no âmbito do festival PRISMA / Art Light Tech, um dos eventos integrados na Aveiro Tech Week, juntamente com o CRIATECH e o TECHDAYS. 

O programa está aberto a 15 participantes e é dirigido por Luca Pulvirenti (Itália), professor da Accademia di Belle Arti di Palermo e artista de prestígio internacional. Os melhores projetos serão apresentados no decorrer do festival PRISMA / Art Light Tech, entre 16 e 17 de outubro.

Descrição

O Videomapping é uma técnica de projeção que torna todo o tipo de superfícies em potenciais ecrãs de vídeo dinâmicos, desafiando o espetador a passar da mera observação à experiência imersiva. Este curso vai explorar as dimensões de tempo e de espaço através das possibilidades proporcionadas pelas novas técnicas de projeção e design de luz.

O curso tem módulos online e presenciais, com conteúdos teóricos e sessões práticas, terminando numa apresentação pública onde os participantes irão mostrar o resultado do seu trabalho numa instalação integrada no festival PRISMA / Art Light Tech.

Objetivos de aprendizagem

O objetivo deste curso é oferecer a iniciantes e profissionais novas possibilidades de aplicação das tecnologias de projeção e motion design em áreas como a arquitetura, o design, as artes visuais, o teatro, ambientes multimédia e projetos site specific.

Ao longo da formação irão ser exploradas várias configurações e técnicas, assim como soluções de software e hardware adquadas a diferentes espaços e projetos. Cada participante irá partilhar a sua abordagem com o grupo e o resultado final irá ter em conta não só as metas individuais como a partilha de ideias e métodos.

O objetivo é proporcionar um ritmo de trabalho dinâmico, usando técnicas de projeção imapctantes. O curso será ministrado em inglês.

Linhas gerais da open call

Este curso é dirigido tanto a iniciantes como a participantes com experiência, vindos de áreas tão abrangentes como design, vídeo, performance, instalação, animação, artes digitais, escultura, pintura e outras.

Equipamento e competências necessárias

Computador portátil

Curiosidade e entusiasmo (indispensáveis)

Competências nas áreas da informática e das artes digitais (úteis mas não obrigatórias)

Inscrição

Até ao dia 23 de setembro através do email prisma.aveiro@gmail.com

Documentos

Remeter os seguintes documentos, em inglês, até 26 de setembro em formato PDF via email:

Currículo (máximo de duas páginas)

Carta de motivação (máximo de 500 palavras)

Portfólio (apresentação de dois projetos visuais. São aceites vídeos, pedindo-se neste caso o envio de ligação para a sua versão online – não serão aceites ficheiros.  

Requisitos obrigatórios

- Envio de apenas um ficheiro PDF (máximo de 5MB)

- O nome do ficheiro PDF deverá ser “PRISMA/SoV_apelido_nome próprio do proponente”.

- Enviar o e-mail com o assunto “Application PRISMA-SoV”

RALI DE SANTA JOANA REALIZA-SE ESTE SÁBADO

O 5º Rali de Santa Joana vai para a estrada este sábado, dia 19 de setembro. Esta emblemática prova Aveirense, que chegou a alcançar relevo a nível Europeu nos primeiros anos da década de 70, encontra-se inserida no Campeonato de Portugal de Regularidade Histórica (CPRH).

Destinada a automóveis antigos e clássicos, esta prova é uma organização do Clube de Automóveis Clássicos da Feira e conta com apoio da Câmara Municipal de Aveiro (CMA).

Os Munícipes terão oportunidade de assistir ao vivo a estes autênticos “monumentos sobre rodas”, embora este ano de forma condicionada e cumprindo rigorosamente as principais orientações da Direção Geral de Saúde (DGS), com uso da máscara, lavagem e desinfeção das mãos e distanciamento social.

Às 18h20, os participantes chegam a Aveiro, mais concretamente ao Cais da Fonte Nova, onde iniciarão a Super Especial Final num espaço fechado ao trânsito. Esta prova tão aguardada, é o ponto alto do Rali de Santa Joana, uma vez que, os níveis de adrenalina, face às espetaculares demonstrações de técnica e perícia pelos pilotos ao volante dos seus carros, são elevados.

Este ano, a prova conta com cerca de 42 participantes com veículos de várias marcas, modelos e potências, com o objetivo de ganhar o Troféu da prova.

Condicionamentos de trânsito

O Rali irá provocar alguns condicionamentos de trânsito das 14h00 às 19h00, com a interrupção da circulação na Rua Pe. Arménio Alves da Costa Jr., Cais da Fonte Nova e Rua Carlos Silva Melo Guimarães.



Cartonistas de renome mundial vão fazer caricaturas dos caldenses

 Café CENTRAL | CITRUS | DOMINÓ | CONTRADIÇÃO | VENÉZIA

A partir das 11H00

Amanhã, sábado, 19 de setembro, se for ao Café CENTRAL, CITRUS, DOMINÓ, CONTRADIÇÃO ou VENÉZIA e lhe oferecerem uma caricatura, não estranhe!

Alguns dos mais conceituados cartoonistas do mundo estão nas Caldas da Rainha para participar em mais uma edição do WORLD PRESS CARTOON e amanhã, a partir das 11H00, vão estar nestes locais para surpreender os caldenses com a sua criatividade e talento.

Em anos anteriores, a iniciativa normalmente decorria nas ruas da cidade mas este ano, devido à previsão de chuva, optou-se por realizar a mesma dentro de alguns dos cafés do centro.

É uma oportunidade única para conhecer alguns dos caricaturistas e, quem sabe, ficar com um desenho feito por um artista de renome m



Leiria | Pavimentação na Av. Nossa Senhora de Fátima tem início segunda-feira


Terão início na próxima segunda-feira, dia 21, os trabalhos de pavimentação da Avenida Nossa Senhora de Fátima, no troço entre a Avenida Marquês de Pombal e a Rua João Paulo II, que se encontra atualmente encerrado para a execução das obras de requalificação daquela área. 

Prevê-se que a intervenção termine na sexta-feira, dia 25, e, tendo em conta o tipo de trabalhos, não será permitida a circulação de viaturas alheias às obras durante este período. 

Caso exista essa necessidade, os residentes dos prédios compreendidos neste troço deverão retirar os seus veículos das garagens até às 8:00 de segunda-feira, pois o acesso a estes estacionamentos estará totalmente vedado até às 18h:00 de sexta-feira. 

O Município de Leiria apela à compreensão de todos os moradores.

AVEIRO | CÂMARA PROMOVE APOIO À ESTERILIZAÇÃO DE ANIMAIS DE COMPANHIA

 


Até 27 de novembro de 2020, a Câmara Municipal de Aveiro (CMA) promove um programa de apoio extraordinário às esterilizações de animais de companhia (cães e gatos), efetuadas por detentores que residam no Município (Indivíduos ou Associações).

Esta campanha resulta de uma candidatura da CMA aprovada pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), no âmbito de um programa promovido pelo Governo do País e que recebeu a adesão da CMA, cujo limite máximo de apoio financeiro para o Município se fixa em 15.000€.

Apoios definidos para este novo Programa de Apoio à Esterilização:

- 55€ para esterilização de cadelas;

- 30€ para esterilização de cães;

- 35€ para esterilização de gatas;

- 15€ para esterilização de gatos.

Após realizarem a esterilização, os Munícipes interessados em requerer este apoio deverão submeter o Formulário de Candidatura e os documentos solicitados (disponível em www.cm-aveiro.pt/servicos/ animais-de-companhia), para o endereço de e-mail mnsantos@cm-aveiro.pt.

Controlo de Colónias de Gatos

Uma das áreas de maior e mais intenso trabalho de esterilização é a relacionada com o controlo das colónias de gatos. De realçar que desde agosto de 2019, momento em que a Dra. Nair dos Santos iniciou funções como Médica Veterinária Municipal, foram intervencionadas 13 colónias, esterilizando-se 60 gatos, através da atribuição de Cheques Veterinários.

As solicitações para estilizações de felídeos são inúmeras, sendo que muitos desses pedidos têm de ficar em lista de espera.

21.487€ para o Cheque Veterinário em dois anos

Só em 2020 o Cheque Veterinário, financiando a 100% pela CMA permitiu esterilizar 91 Animais, colocar 55 microchips e administrar 28 vacinas antirrábicas.

Recentemente a CMA reforçou a verba referente aos Cheques Veterinários no valor de 3.000€, aumentado o seu valor em 2020 de 10.000€ previstos para 13.000€. Em 2019 a CMA investiu 8.487€ na atribuição destes apoios.

A esterilização é um dos eixos fundamentais da Campanha Animais de Companhia, ação política prioritária no atual mandato (17/21) e que está em vigor desde o dia 02 de julho de 2018, com resultados muito positivos.

Covilhã | CERÂMICA ARTÍSTICA EM EXPOSIÇÃO NO MUSEU DE ARTE SACRA

A Câmara Municipal da Covilhã apresenta a exposição de cerâmica artística “Risos e Sorrisos sob o signo de Bordallo”, elaborado pelo Atelier de S. Miguel, no Museu de Arte Sacra, entre os dias 18 de setembro e 25 de outubro de 2020. 

A sala de exposições temporárias do Museu de Arte Sacra incorpora, deste modo, o trabalho realizado pelo Atelier S. Miguel que, desde a sua fundação em 1992, dedica os seus esforços à produção de peças cerâmicas diversificadas, únicas e originais. Estas têm como intuito a partilha de elementos culturais com um cariz satírico, sem descurar a grande contribuição artística que se pretende introduzir nas respetivas correntes da arte sacra e da arte figurativa contribuindo para o enriquecimento da arte regional. 

O atelier, no desenvolvimento das peças em exibição, procurou obter a sua inspiração através da elevação do espírito alegre, caricato e primoroso, representativo da obra do mestre Raphael Bordallo Pinheiro, uma das figuras mais marcantes da arte portuguesa na segunda metade do século XIX. Este artista português, cuja vasta e dispersa coleção pode ser encontrada e apreciada em dezenas de livros e publicações, foi um precursor do cartaz artístico em Portugal, ostentando manifestações culturais nas áreas da pintura, aguarelas, ilustração, decoração e escultura. 

A notória influência dos movimentos artísticas do desenho humorístico, da caricatura e da elaboração cerâmica, presentes no reportório de Bordallo, surge ao encontro da atividade cultural desenvolvida pelo Atelier S. Miguel na divulgação da arte local. 

Os membros responsáveis pelo atelier, Fernando Miguel, Alberto Miguel e Milena Miguel, para além de descendentes de uma família artística, são também criadores talentosos e consagrados na arte popular sendo que as suas peças são, atualmente, elementos fundamentais de muitas coleções particulares pertencentes a alguns dos maiores amantes do artesanato, a nível nacional. 

A exposição “Risos e Sorrisos sob o signo de Bordallo” está patente ao público, na sala de exposições temporárias do Museu de Arte Sacra, até ao dia 25 de outubro, de terça a domingo entre as 10h e as 18h. A entrada é gratuita.

Mário Cláudio: «Onde acaba a vida e começa o romance»

Aos 78 anos, Mário Cláudio, um dos mais aplaudidos e marcantes escritores portugueses das últimas décadas, concede uma grande entrevista a José Jorge Letria, agora publicada em livro pela Guerra e Paz Editores. O amor pelos livros e pela pintura, o fascínio por Londres, a experiência em Direito, as marcas da Guerra Colonial e o futuro da literatura portuguesa. Em Mário Cláudio: A Verdade e a Beleza Continuarão a Existir, conheça o homem por detrás da obra. O livro chega às livrarias no próximo dia 22 de Setembro.

 

«Ao fim deste tempo todo, foram 50 anos de trabalho. As coisas confundiram-se de tal maneira que eu já não sei onde acaba a vida e começa o romance.» Indissociável da sua obra, Mário Cláudio, pseudónimo literário de Rui Manuel Pinto Barbot Costa, conta, numa entrevista biográfica concedida a José Jorge Letria, os episódios que marcaram a sua vida. Uma conversa que resultou no livro Mário Cláudio: A Verdade e a Beleza Continuarão a Existir, o 19.º da colecção «O Fio da Memória», resultante da parceria entre a Guerra e Paz Editores e a Sociedade Portuguesa de Autores.

 

Natural do Porto, cidade onde vive ainda hoje, descobriu a pintura e a poesia bem cedo e viveu com entusiasmo a candidatura de Humberto Delgado à Presidência da República. Nesta entrevista, relembrou também a adolescência e a amizade com Adriano Correia de Oliveira e Mário Sottomayor Cardia.

 

Rumou a Lisboa, e depois Coimbra, onde estudou Direito e sentiu o despertar do interesse pela literatura, com idas regulares às aulas leccionadas por Vitorino Nemésio e David Mourão-Ferreira. Nessa altura terminou ainda o curso de bibliotecário-arquivista em Coimbra.

 

Neste livro fala do início da sua carreira literária e da primeira obra de poesia publicada em 1969. No mesmo ano participou na Guerra Colonial como jurista miliciano na Guiné-Bissau. Tempo que recorda com pesar, mas no qual ficou a conhecer a obra de Herberto Hélder e as crónicas de Agustina Bessa-Luís no Diário Popular, autores que de algum modo o influenciaram.

 

No pós-guerra deixou-se fascinar por Londres enquanto se especializava em Ciências Documentais no University Collage. Dessa experiência resultou uma tese sobre o analfabetismo e a relutância à leitura em Portugal, que, segundo Mário Cláudio, nunca teria o aval do Estado Novo para ser publicada.

 

Do presente e do futuro, fala do fim do livro enquanto objecto, do talento de novos autores, como Afonso Reis Cabral, herdeiro de Eça de Queiroz, e da atenção que devemos dar a Donald Trump e a outros governantes populistas.

 

Cinco décadas de trabalho aplaudido pela crítica, que resultaram em vários prémios. Destaque para o Prémio Pessoa, que venceu em 2004, e para o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, que venceu em 1984, 2014 e 2020, tornando-se o primeiro escritor a atingir três vezes a distinção.

 

Mário Cláudio: A Verdade e a Beleza Continuarão a Existir chega às livrarias de todo o país no próximo dia 22 de Setembro. O livro poderá ainda ser adquirido no site oficial da Guerra e Paz Editores.

 

Mário Cláudio: A Verdade e a Beleza Continuarão a Existir

Diálogo com José Jorge Letria

Não Ficção / Biografia

Colecção O Fio da Memória

128 páginas · 15x20 · 13,99 €

Nas livrarias a 22 de Setembro

Guerra e Paz, Editores

Caso Dieselgate. Volkswagen não vai indemnizar os consumidores portugueses.

 Depois de já ter compensado clientes nos Estados Unidos, Austrália e Alemanha, o construtor automóvel alemão deixa outros consumidores europeus sem resposta.

Cinco anos após o caso dieselgate, a Volkswagen (VW) respondeu à DECO PROTESTE sobre as indeminizações aos consumidores europeus, entre os quais se encontram 125 mil portugueses lesados.

Na carta enviada, e que a Renascença teve acesso, a VW revela que não irá indemnizar mais consumidores, tendo em vista os “processos judiciais em curso, alegando que nenhum cliente terá ficado prejudicado em termos de segurança, capacidade do veículo e/ou preço na revenda”.

Em Portugal, 125 mil pessoas ficaram lesadas e continuam sem indemnizações, contrastando com os Estados Unidos, Austrália e Alemanha, onde os clientes já foram compensados.

Em comunicado, a DECO PROTESTE “alerta para a desigualdade no tratamento de situações semelhantes e num mercado (europeu) que se quer único”.

A DECO PROTESTE continua a lamentar a falta de respostas e a desigualdade sublinhada pela VW, assumindo que “é hora de compensar todos os consumidores europeus e não só os alemães”, realçando ainda que em face desta posição autoritária e discriminatória não vão desistir e que “as ações judiciais que correm nos demais países europeus - com destaque para Portugal, Espanha, Bélgica e Itália (do grupo Euroconsumers) – continuarão até todos os consumidores serem compensados de forma justa pelo engano de que foram vítimas.”

A 19 de setembro de 2015, a Volkswagen foi acusada de ter instalado ilegalmente um software nos seus veículos para reduzir artificialmente as emissões de monóxido de azoto durante os testes de emissões. O grupo alemão assumiu a sua responsabilidade, sucederam-se demissões, mas agora recusa-se a compensar todos os clientes abrangidos pelo caso dieselgate.

No total, foram afetados 11 milhões de veículos do grupo Volkswagen, sendo que oito milhões se encontram na Europa.

Fátima Casanova / RR

Campeão Flamengo sofre a maior derrota da história na Libertadores

 O Flamengo sofreu na quinta-feira a maior derrota da sua história na Taça Libertadores de futebol, da qual é campeão em título, ao ser goleado no estádio do Independiente del Valle, por 5-0.

Em jogo da terceira jornada do grupo A da competição mais importantes de clubes na América do Sul, o campeão brasileiro e vencedor da Libertadores em 2019, sob o comando do treinador português Jorge Jesus, foi 'atropelado' pela equipa equatoriana.

Moisés Caicedo (40 minutos), Angelo Preciado (49), Gabriel Torres (59), John Jairo Sánchez (81) e Beber Caicedo (92) foram os marcadores na goleada, que superou o anterior pior registo do 'Mengão' na prova, em 1984, frente ao Grêmio (5-1).

Este foi ainda a maior derrota da equipa do Rio de Janeiro desde há 11 anos, quando perdeu em 2009, no Brasileirão, com o Coritiba, também por 5-0.

O Flamengo, que conquistou quase tudo o que era possível com Jorge Jesus -- Taça Libertadores, campeonato, Supertaça sul-americana e Supertaça brasileira -, contratou no final de julho o treinador espanhol Domenec Torrent, ex-adjunto de Pep Guardiola.

Torrent chegou para substituir Jorge Jesus, que renovou com o clube, mas acabou por regressar a Portugal e ao Benfica, mediante o pagamento da cláusula de rescisão, mas não tem conseguido grande resultados.

Na Libertadores, a equipa sofreu a primeira derrota, no primeiro jogo de Domenec Torrente, e é agora segunda colocada, com seis pontos, atrás do Independiente del Valle, que soma três vitórias em três jogos.

Lusa

Foto: UOL

Homem morre após queda de uma árvore em Miranda do Douro

 Um homem de 70 morreu hoje na sequência da queda de uma árvore em Águas Vivas, no concelho de Miranda do Douro, distrito de Bragança, indicou à Lusa fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS).

"O homem estaria a proceder ao corte de um freixo quando a árvore se partiu e tombou, atingindo o septuagenário que acabou por ficar debaixo do tronco", concretizou a mesma fonte.

O óbito foi confirmado no local pelo médico da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

O alerta foi dada às 08:43.

No local estiveram 16 bombeiros dos voluntários de Sendim que foram apoiados por seis viaturas, aos quais se juntaram as equipas médicas da ambulância de Suporte Imediato de Vida (SIV) e a Viatura Medica de Emergência de Reanimação (VMER) do INEM.

A GNR tomou conta da ocorrência.

Lusa


Ryanair reduz mais 20% na capacidade para outubro

 A Ryanair anunciou hoje uma redução adicional de 20% na capacidade para outubro, além da redução de 20% já anunciada em agosto, devido ao impacto das "contínuas mudanças nas políticas e restrições de viagens" na União Europeia.

A companhia aérea irlandesa afirmou, em comunicado, que a "redução adicional de 20% na capacidade de outubro" tornou-se necessária pelas alterações às restrições nas viagens, face à pandemia de covid-19, "muitas das quais são introduzidas sem aviso prévio, prejudicando a intenção dos consumidores de realizar reservas com antecedência".

A Ryanair espera, assim, que a capacidade de outubro caia de 50% para cerca de 40%, em comparação com os níveis de outubro de 2019.

No entanto, a transportadora aérea espera manter uma taxa de ocupação superior a 70%.

"Estamos desapontados por reduzir a nossa capacidade de outono de 50% (em relação a 2019) para 40%. A confiança dos clientes está a ser prejudicada pela má gestão governamental em relação a políticas de viagens", defendeu um porta-voz da companhia, citado no comunicado.

A Ryanair considera que há governos que têm mantido restrições de viagem "excessivas e deficientes" desde 01 de julho, sobretudo na Irlanda, onde a companhia está sediada.

A transportadora argumenta que, naqueles países, "as taxas de covid-19 aumentaram para 50 por cada 100.000 habitantes nas últimas semanas, mais do dobro das taxas verificadas na Alemanha e Itália, onde as viagens aéreas intracomunitárias estão permitidas desde 01 de julho".

Desta forma, a Ryanair diz-se a favor do plano da Comissão Europeia para eliminar as restrições de viagem dentro da União Europeia (UE), sujeito apenas à análise da evolução dos casos de covid-19 por país e região.

A empresa apela também a todos os Estados-membros, "especialmente a Irlanda", que implementem uma abordagem coordenada, no sentido de permitir que os cidadãos da UE possam reservar as suas viagens com segurança.

Apelamos ao ministro dos Transportes da Irlanda, Eamon Ryan, para explicar por que razão, mais de dois meses depois, ainda não implementou nenhuma das 14 recomendações apresentadas no passado 07 de julho pelo Grupo de Trabalho para a Aviação", refere o mesmo porta-voz.

Mais de 20 organizações europeias dos setores do turismo e aviação pediram hoje à Comissão Europeia que ponha fim à "situação caótica" das restrições de viagens devido à covid-19 e estabeleça um Protocolo de Testes para a UE.

O apelo surge numa carta aberta dirigida à presidente do executivo comunitário, Ursula von der Leyen, na qual as federações, associações e sindicatos europeus, que representam mais de 5.000 membros, sublinham a urgência de Bruxelas assumir a liderança neste processo, face à "contínua falta de coordenação" e "restrições de viagens divergentes", que ameaçam seriamente os postos de trabalho de 27 milhões de europeus.

A carta refere os mais recentes dados, que dão conta de "um declínio contínuo no tráfego de passageiros nos aeroportos europeus durante as primeiras duas semanas de setembro", com uma queda de 73%, mais acentuada que aquela verificada em meados de agosto (-65%).

Lusa

Governo admite novo confinamento no Reino Unido como “último recurso”

 O ministro da Saúde britânico, Matt Hancock, admitiu hoje que o Governo conservador não descarta decretar um segundo confinamento nacional para conter a pandemia covid-19, embora considere esta opção um "último recurso".

"Faremos o que for necessário para garantir a segurança dos cidadãos, mas a primeira linha de defesa é respeitar as regras de distanciamento social", disse à emissora pública BBC.

O ministro disse que, como uma segunda "linha de defesa" está o sistema de deteção e rastreamento de contágio, depois do qual vêm os confinamentos localizados, como o que hoje vigora em partes do nordeste da Inglaterra, e, finalmente, "medidas nacionais", como as aplicadas entre março e maio.

"Não quero que isso aconteça", e para evitá-lo é importante que "as pessoas se unam e reconheçam que estamos diante de um desafio sério", afirmou.

A BBC noticiou hoje que o Executivo britânico está a avaliar a imposição de novas restrições em toda a Inglaterra na próxima semana, que incluiriam o encerramento de bares e restaurantes, mas mantendo escolas e locais de trabalho abertos, devido ao aumento exponencial de infeções nos últimos dias.

Segundo a estação pública, o diretor geral de saúde e o principal assessor científico do governo alertaram, numa reunião na quarta-feira, para o risco de um agravamento da situação epidémica e um número significativo de mortes até o final de outubro se não forem feitas mais intervenções.

O jornal Financial Times adianta que uma hipótese sugerida por cientistas que aconselham o governo é decretar um confinamento mais curto para coincidir com as férias escolares intercalares da última semana de outubro, limitando assim o impacto no ensino.

Dados oficiais divulgados na quinta-feira indicam que foram contabilizados 3.395 novos casos de covid-19 em 24 horas, com 381.614 positivos confirmados até ao momento, e um total de 41.705 mortes, após somar 21 entre quarta e quinta-feira.

Um estudo da universidade Imperial College publicado na semana passada sobre os níveis de infeção em Inglaterra indicou que o número de casos tem estado a duplicar todos os sete a oito dias desde 22 de agosto.

O Reino Unido é o país com o maior número de mortos na Europa e o quinto a nível mundial, atrás dos EUA, Brasil, Índia e México.

Lusa

Primeiras Pagaiadas reúnem o futuro da canoagem em Montemor

Centro de Alto Rendimento de Montemor-o-Velho é palco, no sábado, da Final Nacional

Montemor-o-Velho recebe, no sábado, 19 de setembro, a Final Nacional das Primeiras Pagaiadas, naquela que é a última competição realizada em 2020, no Centro de Alto Rendimento (CAR), depois de o calendário competitivo ter sido alvo de alterações profundas devido à Covid-19. Fruto da pandemia, a Federação Portuguesa de Canoagem decidiu centralizar, em Montemor-o-Velho, a maioria das provas, aproveitando o facto de o recinto ser fechado e, desta forma, ter a possibilidade de realizar as competições sem a presença de público, cumprindo, assim, todas as determinações impostas pela Direção-Geral da Saúde.

A Final Nacional das Primeiras Pagaiadas conta com um total de 14 regatas, nas quais os mais jovens da canoagem vão querer mostrar o que valem ao longo de um percurso com 2.000 metros. Com a participação de 305 atletas de 33 clubesque, no CAR de Montemor-o-Velho, vão competir em diferentes horários, com o objetivo de diminuir as possibilidades de contágio, a competição arranca este sábado, às 10h00, com a realização das provas de K1 Menor e K1 Menor 1.ª Inscrição, e termina às 17h00, com a competição de K1 Cadete.

Organizada pela Federação Portuguesa de Canoagem, a Final Nacional das Primeiras Pagaiadas conta com atletas em representação do Clube Náutico de Crestuma, Vila do Conde Kayak Clube, Clube Fluvial Odemirense, Grupo Cultural, Desportivo e Recreativo de Gemeses, Clube de Canoagem de Setúbal, Sporting Clube de Aveiro, Clube Naval de Portimão, Centro de Recreio Popular de Arnelas, Clube Náutico de Fão e Clube Fluvial de Coimbra.

Centro Náutico de Ribadouro, Associação Recreativa e Cultural de Óis da Ribeira, Clube Náutico de Ponte de Lima, Clube de Canoagem Scalabitano da Ribeira de Santarém, Associação Cultural e Recreativa Saavedra Guedes, Associação Naval Amorense, Darque Kayak Clube, Clube Naval de Sesimbra, Clube Desportivo Os Patos, Liga-Dura – Cultura, Espectáculo e Conhecimento, Amigos da Montanha Barcelinhos, Clube do Mar Costa do Sol e Clube Fluvial de Merelim também vão competir em Montemor-o-Velho.

A lista de emblemas representados na Final Nacional das Primeiras Pagaiadas conta, ainda, com jovens canoístas do Clube de Canoagem de Amora, Associação Náutica da Torreira, Clube Náutico de Marecos, Kayak Clube Castores do Arade, Gaia Kayak Clube, Instituto para o Desenvolvimento e Estudos de Cacia, Douro Canoa Clube, Casa do Benfica de Montemor-o-Velho, Clube Náutico do Litoral Alentejano e Clube Náutico do Mondego.

Os documentos da Final Nacional das Primeiras Pagaiadas estão disponíveis em fpcanoagem.pt na área competições|calendário. Uma vez mais, em virtude de a competição se disputar à porta fechada, sendo apenas permitida a entrada de agentes da canoagem no CAR de Montemor-o-Velho, a Federação Portuguesa de Canoagem disponibiliza, no sábado, a transmissão de todas as provas em streaming na FPCanoagemTV

Câmara de Águeda contrata 17 novos auxiliares de ação educativa e recebe seis estagiários PEPAL


Funcionários vão integrar os recursos humanos nas escolas do Concelho, enquanto os estagiários iniciam funções em vários serviços da autarquia 

A Câmara Municipal de Águeda procedeu, esta semana, à assinatura do contrato de trabalho de 17 novos funcionários para as funções de Auxiliar de Ação Educativa e de seis estagiários ao abrigo da VI Edição do PEPAL (Programa de Estágios Profissionais na Administração Local). 
No momento da receção a este grupo de novos assistentes operacionais, que vão cumprir funções nas escolas do Concelho, Jorge Almeida, Presidente da Câmara de Águeda, salientou que “agora fazem parte de uma equipa e família”, apontando que o recrutamento destes profissionais é relevante para o bom funcionamento dos estabelecimentos de ensino do Concelho. 
“O que fazem é um importante contributo para a capacidade de intervenção neste setor tão decisivo da nossa sociedade, que são as escolas”, frisou ainda o Edil, recomendando os 17 novos assistentes operacionais a que tenham garra e determinação no desempenho das suas funções. 
Elsa Corga, Vereadora da Educação da Câmara de Águeda, deu as boas-vindas a estes novos funcionários, destacando “o novo desafio que vão abraçar iniciando funções nas escolas do Concelho”. 

Esta contratação visa, por um lado, colmatar a necessidade de recursos humanos que prestem apoio às atividades letivas nas escolas do Concelho e, por outro, substituir alguns assistentes operacionais que se reformaram. 

Para além destes 17 assistentes, a Câmara Municipal de Águeda recebeu seis estagiários PEPAL, que vão desempenhar funções nas áreas de criminologia, gerontologia, recursos humanos, tecnologias da informação, financeira e ação social.

Portugal leva à feira de calçado de Milão comitiva mais “modesta” mas motivada

Trinta e três empresas portuguesas, metade das que integraram a última edição da mostra, participam de domingo a quarta-feira na maior feira de calçado do mundo, que em contexto de pandemia vai reunir 500 expositores em Milão, Itália.

"Depois de meses atípicos, de um inesperado confinamento, a indústria de calçado está de regresso aos grandes palcos", congratula-se a Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS), salientando tratar-se de "uma edição muito esperada" da MICAM, "em virtude de dezenas de cancelamentos de eventos internacionais nos últimos meses".

Embora arranque "a um ritmo modesto, com 500 expositores, longe dos 1.600 do passado recente", a 90.ª edição da MICAM conta já com 5.000 compradores registados, sobretudo oriundos de Itália e da Europa, e às 33 empresas portuguesas de calçado participantes juntam-se mais nove na Lineapelle, a feira de componentes para calçado de referência.

"A MICAM será o primeiro grande evento à escala internacional a ser realizado na Fiera Milano Rho desde o bloqueio. Será uma oportunidade de relançamento para as empresas de calçado", considera o presidente da feira, citado num comunicado.

Para Siro Badon, "o encontro presencial na feira ainda é a melhor forma de fazer negócios, permitindo que os compradores possam ter contacto direto com os fornecedores".

Já o presidente executivo da MICAM, Tomasso Cancellara, considera que "esta edição assumirá um significado particular, pois será uma oportunidade importante para todos restabelecerem laços com o mercado e criarem novas oportunidades, em total segurança".

De acordo com a organização, quer a MICAM, quer a Lineapelle, decorrerão debaixo de bastantes condicionamentos, em especial no que se refere a medidas de higiene e segurança, nomeadamente com o uso obrigatório de máscara, medição da temperatura à entrada e saída dos certames, e limpeza e higienização dos 'stands' de expositores várias vezes ao dia.
Pela primeira vez, no espaço da MICAM haverá uma área ocupada pela MIPEL (mostra de artigos de pele e marroquinaria), contando ainda esta edição com o espaço "TheOneMilano Special", um destaque da MICAM (com moda feminina 'prêt-à-porter') em formato original que promete "oferecer novas oportunidades para compradores e visitantes".

Já a "MICAM X área" será um "laboratório de ideias inovadoras" e receberá reuniões e iniciativas com foco nos quatro grandes temas lançados na edição de fevereiro de 2020: "Futuro do Retalho", "Sustentabilidade", "Tendências e Materiais", "Património e Futuro".

O "País das Maravilhas" é apresentado como "uma área incomum", no Pavilhão 3, inspirada no segundo capítulo do País das Maravilhas, o conto de fadas que fornece o tema para a edição de setembro da feira.

Ainda previsto está um espaço para os 'designers' emergentes: "Não pode haver um verdadeiro relançamento da indústria se não construirmos o nosso futuro com os jovens. Por isso, nesta edição, mais uma vez está reservado um espaço especial para eles, que confirma a intenção da MICAM em mostrar os talentos mais promissores", diz a organização.

Apenas com dois dias de duração, terça e quarta-feira, o evento dedicado aos componentes também terá configurações diferentes para responder às necessidades de segurança: "As empresas vão expor em 'stands' uniformizados e os corredores terão indicações de entrada/saída para evitar ajuntamentos. Todas as medidas de segurança prescritas serão adotadas, para garantir a segurança total de todos os participantes, visitantes e 'staff' de apoio", garante a organização da feira.
A presença em certames internacionais insere-se na estratégia promocional definida pela APICCAPS e pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), com o apoio do Programa Compete 2020, e visa consolidar a posição relativa do calçado português nos mercados externos.

Aumentar as exportações, abordar novos mercados, contactar com novos clientes e testar novos produtos são alguns dos objetivos desta ofensiva promocional, no âmbito da prioridade dada à promoção comercial externa pela indústria portuguesa de calçado, que exporta mais de 95% da sua produção.

Lusa

MUNICÍPIO DE SILVES LANÇA CAMPANHA DE COMPOSTAGEM


Numa aposta na preservação e proteção do ambiente e da eficiência energética, o Município de Silves arranca hoje com uma campanha de implementação de compostagem doméstica e compostagem comunitária direcionada, numa primeira fase, às freguesias de S. Marcos da Serra e de S. Bartolomeu de Messines. A iniciativa, pioneira no Algarve, é um
a das atividades previstas no âmbito de uma candidatura comunitária mais abrangente, co financiada a 85% pelo fundo de Coesão.

Neste contexto, está prevista a distribuição de cerca de duas centenas de compostores, assim como a distribuição de baldes para apoio aos aderentes (munícipes, instituições ou comerciantes), mediante inscrição prévia, através do preenchimento de formulário próprio, disponível no portal do Município de Silves, em https://www.cm-silves.pt/pt/6948/ficha-de-inscricao.aspx. O referido formulário deverá ser enviado para o email residuos@cm-silves.pt podendo, ainda, ser entregue em papel na Câmara Municipal de Silves ou nas juntas de freguesias de S. Marcos da Serra e SB Messines. Numa fase posterior, os munícipes inscritos irão receber um kit de compostagem constituído por um compostor, um balde de apoio e um guia com instruções, no caso de compostagem doméstica; ou um kit composto por balde de apoio e um guia com instruções, no caso da compostagem comunitária.

De salientar que a correta gestão de resíduos é um dos desafios mais complexos das sociedades contemporâneas que exige níveis elevados de educação, consciência cívica e ambiental, pelo que, através deste projeto inovador a autarquia pretende dar cumprimento ao Plano Estratégico de Apoio ao Cumprimento das Metas Estabelecidas no PERSU 2020 do Município de Silves.

Reveja o vídeo sobre o tema em https://youtu.be/q4mljp5USt0

Covid-19: Eixo Atlântico descarta novo fecho de fronteiras entre Portugal e Espanha

 Os dois países farão uma avaliação no âmbito da pandemia de Covid-19 nos próximos dias. O Eixo Atlântico defende a necessidade de "serem reforçadas as medidas de prevenção da doença".

O secretário-geral do Eixo Atlântico, Xoan Mão, considerou esta quinta-feira não existirem motivos que justifiquem um novo encerramento de fronteiras entre Portugal e Espanha, defendendo antes um reforço das medidas preventivas da doença de Covid-19.

Não vejo que a situação atual da pandemia de Covid-19 nos dois países justifique o encerramento de fronteiras. Há um aumento do número de casos de infeção nos dois países, mas não está a pôr em risco os hospitais, nem as Unidades de Cuidados Intensivos (UCI). Por outro lado, também não está a registar-se um aumento do número de mortes como aconteceu durante o período de confinamento, quando foram repostas as fronteiras", afirmou o responsável.

Em declarações à agência Lusa, a propósito de uma eventual nova limitação à mobilidade entre os dois países, no âmbito da avaliação à evolução da Covid-19 que os governos dos dois países vão fazer nos próximos dias, o secretário-geral da associação transfronteiriça explicou que a evolução da doença na Galiza "está a ser vivida com normalidade" e adiantou "não estar em cima da mesa novo confinamento".

"Tanto quanto sei, em Portugal esse cenário também não está em cima da mesa. A subida do número de casos da doença está relacionada com o período de férias, mas a situação sanitária está longe de ser aquela que motivou o confinamento em março", reforçou.

Xoan Mao defendeu a necessidade de "serem reforçadas as medidas de prevenção da doença".

"Há que reforçar e muito as medidas de prevenção, que foram um pouco esquecidas durante o período de férias, mas não vejo motivos para novo encerramento das fronteiras. Se isso acontecesse seria um autêntico desastre financeiro", reforçou.

Na terça-feira, o ministro português dos Negócios Estrangeiros afirmou que vai abordar a evolução da pandemia de Covid-19 em Portugal e Espanha com a homóloga espanhola na sexta-feira, destacando o trabalho "de forma muito coordenada" entre os dois países.

"Eu terei o prazer de receber a minha colega espanhola [Arancha González Laya] na próxima sexta-feira, dia 18. Teremos depois a cimeira bilateral entre os dois países, no dia 2 de outubro, e, naturalmente, essas são oportunidades para nós trocarmos informação sobre o modo como estamos a acompanhar a evolução da pandemia e das medidas que todos estamos a tomar para combatê-la", disse à Lusa Augusto Santos Silva.

O ministro dos Negócios Estrangeiros acrescentou que tem havido um trabalho "de forma muito coordenada com as autoridades espanholas", exemplificando que a fronteira entre Portugal e Espanha esteve encerrada, entre 16 de março e 30 de junho, "por decisão conjunta dos dois Estados".

Questionado sobre a necessidade de uma eventual nova limitação à mobilidade entre os dois países, depois de as autoridades espanholas terem anunciado, na segunda-feira, 27.404 novos casos desde sexta-feira, Augusto Santos Silva sublinhou que as decisões recaem sobre os ministros da Administração Interna de Portugal e do Interior de Espanha.

A pandemia de Covid-19 já provocou pelo menos 936.095 mortos e mais de 29,6 milhões de casos de infeção em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Lusa

A Nova Teologia do Concílio Vaticano II

 

  • Luiz Sérgio Solimeo

Muitas pessoas se perguntam se a atual crise na Igreja começou com o Concílio Vaticano II. Outros acreditam que a crise é anterior ao Concílio e, portanto, este último não pode ser acusado de causá-la.

A realidade é mais complexa. Se a Igreja não estivesse em crise, o Concílio Vaticano II, com todas as suas inovações em termos de doutrina, pastoral, liturgia e disciplina, teria sido impossível. Por outro lado, embora o Concílio não esteja na origem da crise atual, ele a tornou mais profunda e universal. Efetuou também uma mudança quase completa de mentalidade entre os católicos, levando-os, por um lado, a abandonar o espírito de sacrifício, a piedade e o senso de sacralidade e, por outro, a se aproximarem do mundo, suas pompas e obras.

“Aliança Européia” ou “Grupo do Reno”

Após o Concílio Vaticano II, foram publicados estudos documentados mostrando que, desde seu início, uma minoria bem organizada de bispos e teólogos progressistas, com métodos e objetivos bem definidos, conseguiu assumir o controle de suas operações e resultados.

Em janeiro de 1967, logo após o fim do Concílio, o Pe. Ralph M. Wiltgen, S.V.D., publicou The Rhine Flows Into the Tiber: The Unknown Council [O Reno se Lança no Tibre: O Concílio Desconhecido].[capa ao lado][1] O livro se tornou famoso e foi traduzido para várias línguas. O título resume a tese do livro: desde o início, o Concílio Vaticano II foi dominado por uma aliança de bispos e teólogos progressistas europeus de países situados às margens do Rio Reno — França, Alemanha e Holanda.

Durante o Concílio em Roma, o padre Wiltgen dirigiu a agência de notícias Divine Word News Service [Agência de Notícias Verbo Divino], com boletins noticiosos em seis idiomas. Isso lhe deu acesso a “toda a correspondência oficial, documentos e textos de trabalho enviados aos Padres conciliares pelo secretariado do Concílio”. Ele também teve “acesso a toda a correspondência e documentação enviada pelo grupo do Reno a seus membros”.[2]

Ninguém contestou os fatos apresentados no bem informado e documentado livro. Pelo contrário, o padre dominicano francês Yves Congar, líder da Aliança Européia e possivelmente o teólogo mais influente do Concílio, declarou: “Padre Wiltgen […] era notavelmente bem informado; e seu relato, que mostra o desenrolar de todo o Concílio, está cheio de detalhes precisos. […] Em resumo, o Reno era na realidade aquela ampla e vigorosa corrente da teologia católica e da ciência pastoral que havia começado no início dos anos 50; e, no que diz respeito a questões litúrgicas e fontes bíblicas, ainda antes disso”.[3]

Em 2010, o historiador Roberto de Mattei publicou seu magnífico livro Il Concilio Vaticano II: Una storia mai scritta [O Concílio Vaticano II: Uma História Nunca [antes] Escrita].[4] [capa ao lado] Ele confirmou e ampliou o quadro pintado pelo Padre Wiltgen, acrescentando novos documentos e considerações. Por exemplo, de Mattei destacou o papel do bispo brasileiro D. Hélder Pessoa Câmara — um grande amigo dos cardeais Montini (futuro Paulo VI) e Suenens, primaz da Bélgica — como um dos organizadores da corrente progressista.[5]

O Prof. de Mattei estuda o contexto ideológico do Concílio, suas raízes neo-modernistas, e menciona reações importantes contra essa tendência teológica, enfatizando, entre outras coisas, o papel do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, especialmente com seu livro Em Defesa da Ação Católica, de 1943.[6] [capa ao lado]

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Nouvelle Théologie

A “aliança” que o Padre Wiltgen descreveu, e que Roberto de Mattei chamou de “rede de relações”,[7] foi uma vasta corrente teológica (ou movimento) neo-modernista, conhecida como a Nouvelle Théologie (“Nova Teologia”).[8] As doutrinas desta corrente, que os padres dominicanos Marie-Michel Labourdette[9] e Réginald Garrigou-Lagrange denunciaram em 1946,[10] foram condenadas pelo Papa Pio XII em 1950 na encíclica Humani Generis. Seus principais representantes, incluindo o Pe. Yves Congar O.P. e o Pe. Henri de Lubac S.J., foram proibidos de exercer cargos de ensino superior.[11]

O Papa João XXIII, entretanto, reabilitou esta corrente neo-modernista convidando os Padres Congar, de Lubac, e Jean Danielou S.J., como peritos do Concílio. Em seu livro sobre o Vaticano II o Pe. John W. O’Malley escreveu: “Os teólogos da ‘nouvelle théologie’, como Henri de Lubac e Yves Congar, foram reabilitados no Concílio Vaticano II”.[12]

Escrevendo sobre o Vaticano II, o historiador francês Philippe Levillain diz que na Comissão Teológica Preparatória do Concílio, “entre os consultores pode-se notar a presença dos Padres Congar, de Lubac, Hans Küng, etc. Toda a clique dos teólogos implicitamente condenados pela encíclica Humani Generis em 1950 havia sido chamada a Roma por vontade de João XXIII”.[13]

Em seu livro, Nouvelle Théologie-New Theology: Inheritor of Modernism, Precursor of Vatican II [A Nouvelle Théologie-Nova Teologia: Herdeira do Modernismo, Precursora do Vaticano II], que teve vasta repercussão, Jürgen Mettepenninghen fala de uma “implícita ‘reabilitação’ da nouvelle théologie durante o Concílio Vaticano II”. Ele explica: “De fato, o Concílio parece representar um momento de transformação na recepção da nouvelle théologieNão apenas vários representantes do movimento tiveram a oportunidade de participar do próprio concílio, mas sua influência, como podemos ver nas acta [registros] do concílio e em diferentes diários do concílio, acabou sendo muito considerável”.

Mettepenninghen prossegue comentando: “[O] próprio Concílio Vaticano II […] finalmente apropriou-se das características centrais das ambições da nouvelle théologie. […] A deposição do neoescolasticismo romano e a assimilação da nouvelle théologie nos permitem falar […] da reabilitação de Chenu, Congar e de Lubac durante o Concílio”. E conclui: “[O] Concílio transformou as conotações negativas associadas à nouvelle théologie em conotações positivas”.[14]

Segundo a revista católica progressista Informations Catholiques Internationales, o Padre Congar “inspirou diretamente dez dos dezesseis textos [conciliares]”.[15] O próprio Padre Congar reconhece sua participação ativa na redação de oito dos documentos conciliares: “Eu contribuí

[para]

: Lumen Gentium … De Revelatione … De ecumenismo … Declaração sobre as religiões não-cristãs … Esquema 13 [Gaudium et Spes] … De Missionibus … De Libertate religiosa … De Presbyteris”.[16]

Na Sombra de Teilhard de Chardin

Em seu estudo sobre a nova teologia, o Padre Garrigou-Lagrange enfatizou o papel das teorias evolucionistas panteístas do Padre Pierre Teilhard de Chardin, S.J. nesse movimento neo-modernista.[17] Embora o Padre Teilhard de Chardin tenha sido proibido de publicar seus escritos, eles eram mimeografados e circulavam em seminários e comunidades religiosas. Suas teorias destruíam qualquer possibilidade de dogmas imutáveis ou a distinção entre o natural e o sobrenatural. O naturalismo era uma das características da Nouvelle Théologie, especialmente nos escritos do Padre Henri de Lubac, S.J.,[18] discípulo do Padre Teilhard de Chardin, sobre o qual escreveu numerosos livros.[19]

Em seu livro Principles of Catholic Theology [Princípios da Teologia Católica], publicado em 1982, o Cardeal Joseph Ratzinger destaca a influência do Padre Teilhard de Chardin nas doutrinas do Vaticano II, e especialmente na Gaudium et Spes.

O Cardeal Ratzinger fala do otimismo em relação ao “progresso” que prevalecia na época do Concílio, e comenta:

“No domínio católico, o Concílio Vaticano II promoveu a participação neste movimento geral. […] O impulso dado por Teilhard de Chardin exerceu uma ampla influência. Com uma visão ousada, incorporou o movimento histórico do Cristianismo no grande processo cósmico de evolução de Alfa para Omega.

“A ‘Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo Moderno’ do Concílio acatou a sugestão; o slogan de Teilhard ‘Cristianismo significa mais progresso, mais tecnologia’ tornou-se um estímulo no qual os padres conciliares […] encontraram uma esperança concreta que era mais fácil de interpretar e disseminar do que o significado das complicadas discussões sobre a colegialidade dos bispos, o primado do papa, a Escritura e a tradição, o sacerdote e os leigos”.[20]

O estudo do Padre Garrigou-Lagrange [foto ao lado] mostra que, ao aceitar um conceito relativista e evolucionista de verdade, a Nouvelle Théologie caiu no mesmo erro que os modernistas. Ele cita a condenação de São Pio X no decreto Lamentabili Sane“A verdade não é mais imutável que o próprio homem, na medida em que evoluiu com ele, nele e através dele”.[21] Ele também cita a encíclica Pascendi, na qual, falando dos modernistas, o santo papa diz: “Eles pervertem o conceito eterno de verdade”.[22]

Em 1946, o Papa Pio XII apontou a gravidade dessa mudança no conceito de verdade: “Se alguém pensasse que tinha de concordar com uma idéia como essa, o que seria dos dogmas católicos, que nunca devem mudar? O que aconteceria com a unidade e a estabilidade da fé?”.[23]

Discurso de João XXIII na abertura do Concílio e a Nouvelle Théologie

Em 12 de agosto de 1950, com a encíclica Humani Generis, o Papa Pio XII publicou a tão esperada condenação da Nouvelle Théologie.

Um dos pontos centrais da Nouvelle Théologie foi o abandono do uso da filosofia escolástica, e especialmente do Tomismo, na teologia. Por esta razão, Pio XII defendeu a filosofia escolástica, que o Magistério da Igreja sempre aceitou como a mais adequada como auxiliar da teologia:

“A Igreja exige que os futuros sacerdotes sejam instruídos nas disciplinas filosóficas, segundo o método, a doutrina e os princípios do Doutor Angélico” (CIC [1917] cân. 1366, §2), visto que, através da experiência de muitos séculos, conhece perfeitamente que o método e o sistema do Aquinate se distinguem por seu valor singular, tanto para a educação dos jovens quanto para a investigação das mais recônditas verdades, e que sua doutrina está afinada como que em uníssono com a divina revelação e é eficacíssima para assegurar os fundamentos da fé e para recolher de modo útil e seguro os frutos do são progresso”.[24]

Ora, em seu discurso de abertura do Concílio, intitulado Gaudete Mater Ecclesiae (11 de outubro de 1962), o Papa João XXIII pediu que o Concílio adotasse o pensamento moderno, o que implicava abandonar o Tomismo — o que era o objetivo da Nouvelle Théologie.

Comparando algumas das condenações feitas por Pio XII na encíclica Humani Generis com o texto deste discurso, não se pode deixar de ver a semelhança entre estas condenações à Nouvelle Théologie e o que João XXIII apresenta como o propósito do Concílio.

Pio XII condenou o uso da filosofia moderna

“[Os inovadores] crêem que se abre também o caminho para obter, segundo exigem as necessidades atuais, que o dogma seja formulado com as categorias da filosofia moderna, quer se trate do imanentismo, ou do idealismo, ou do existencialismo, ou de qualquer outro sistema”.[25]

No parágrafo seguinte, o papa refuta essa afirmação:

“É evidente que tais esforços não somente levam ao relativismo dogmático, mas já de fato o contém, pois o desprezo da doutrina tradicional e de sua terminologia favorece tal relativismo e o fomenta”.[26]

Mais adiante, Pio XII [foto ao lado] insiste:

“E, ao desprezarem esta filosofia, enaltecem outras, antigas ou modernas, orientais ou ocidentais, de forma tal a parecer insinuar que toda filosofia ou doutrina opinável, com o acréscimo de algumas correções ou complementos, se for necessário, harmonizar-se-á com o dogma católico; o que nenhum fiel pode duvidar seja de todo falso, principalmente quando se trata dos errôneos sistemas chamados imanentismo, ou idealismo, ou materialismo, seja histórico, seja dialético, ou também existencialismo, tanto no caso de defender o ateísmo, quanto no de impugnar o valor do raciocínio metafísico”.[27]

João XXIII, pelo contrário, ordenou o uso dessa filosofia

A doutrina católica, diz João XXIII, “seja estudada e exposta por meio de formas de indagação e formulação literária do pensamento atual”.[28]

João XXIII justifica o uso de filosofias modernas, dizendo: “Uma é a substância da antiga doutrina do ‘depositum fidei’, e outra é a formulação que a reveste”.[29]

Agora, as verdades da fé são expressas através de conceitos e palavras que exprimem a sua substância. Assim, as filosofias modernas não podem ser usadas para expressar dogmas, pois não aceitam o princípio de causa e efeito nem o de não-contradição.[30]

Por outro lado, como disse Pio XII, a Igreja examinou cuidadosamente as noções e palavras usadas pelo Magistério para expressar dogmas. Portanto, elas não devem ser alteradas: “Algumas dessas noções não só [foram] empregadas, mas também sancionadas por concílios ecumênicos; de sorte que não é lícito apartar-se delas”.[31]

Um Concílio que não condena erros

No seu discurso de abertura, João XXIII declarou também que o magistério do Vaticano II teria um “caráter prevalentemente pastoral”.[32] Por esta razão, separando-se da prática anterior da Igreja, não proclamaria novas verdades nem condenaria erros: “Sempre a Igreja se opôs a estes erros: muitas vezes os condenou com a maior severidade. Nos nossos dias, porém, a esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia que o da severidade”.[33]

Assim, ao contrário dos Concílios anteriores, o Vaticano II não condenaria os erros da época, quer teológicos quer filosóficos. O historiador francês Philippe Levillain avaliou isto com precisão: “A primeira definição do Concílio, clara e decisiva, foi negativa. O Vaticano II não irá fazer condenações. Sobre este ponto, as palavras de João XXIII dificilmente permitem quaisquer [outras] interpretações”.[34]

Se assim é, isto equivale a uma mudança na finalidade dos concílios ecumênicos e no próprio múnus magisterial da Igreja.

Ao estudar o magistério dos bispos, o teólogo jesuíta espanhol Pe. Joaquín Salaverri diz que, reunidos num concílio, os bispos “definem doutrinas porque isto é próprio do concílio ecumênico; eles fazem decretos definitivos que estabelecem a doutrina que deve ser aceita ou crida; e condenam, com anátema, aqueles que sustentam ou crêem em opiniões contrárias”.[35]

O Papa Pio IX [quadro ao lado] expôs essa finalidade de um concílio ecumênico no documento com o qual convocou o Concílio Vaticano I. Nele, o Papa que definiu a Imaculada Conceição explicou que os concílios são convocados pelos papas “para definir dogmas, condenar erros dispersos, propor, ilustrar e desenvolver a doutrina católica, manter e reforçar a disciplina eclesiástica, e corrigir os costumes corruptos dos povos”.[36]

Alguns concílios tiveram um propósito mais restrito, por exemplo os de carácter judicial, ou aqueles reunidos para convocar uma Cruzada contra os muçulmanos, para resolver problemas disciplinares, ou abusos por parte dos imperadores do Sacro Império Romano.[37]

Por esta razão, depois de expor a verdade do dogma, os concílios ecumênicos sintetizavam e condenavam os erros contrários, lançando anátemas contra aqueles que os defendiam. Por exemplo, o I Concílio do Vaticano condenou como merecedor de anátema quem professar o seguinte erro: “Se alguém disser que é possível que aos dogmas declarados pela Igreja deva por vezes, de acordo com o progresso da ciência, ser atribuído um significado diferente daquele que a Igreja compreendeu e entendeu: que seja anátema”.[38]

Perigo da misericórdia mal compreendida

Além de abandonar o propósito comum de um concílio, o Papa João XXIII deu como motivo para não condenar os erros o fato de que hoje a Igreja preferiria usar de misericórdia. Entretanto, uma das obras de misericórdia espiritual é “admoestar os pecadores”.

Segundo São Tomás de Aquino, a correção fraterna é exigida pela caridade quando se trata de uma correção individual sem repercussões sociais. Mas é outra a correção exigida pela justiça: aquela “que se obtém não só advertindo o irmão, mas também, às vezes, castigando-o, para que outros, por medo, desistam do pecado”. Esta correção, continua ele, é a obrigação dos prelados, “cuja tarefa não é apenas admoestar, mas também corrigir por meio de punições”.[39]

Como São Tomás também afirmou, o perigo de entender a misericórdia apenas como um ato de caridade, sem levar em conta o bem comum e o dever de justiça, leva à dissolução da sociedade: “A misericórdia sem justiça é a mãe da dissolução; [e] a justiça sem misericórdia é crueldade”.[40]

Otimismo utópico

Além de seus sérios aspectos doutrinários, não se pode deixar de apontar o otimismo utópico do discurso inaugural do Concílio.

Em 1962, quando o discurso foi proferido, o comunismo dominava grande parte do mundo. Ele governava grandes porções da Europa e da Ásia e tinha penetrado nas Américas, na ilha de Cuba. Milhões de católicos estavam sendo perseguidos, e a Igreja tinha a sua liberdade restringida.

Entretanto, nem o comunismo e seus erros, ou como lutar contra ele, foi mencionado seja pelo Papa, seja pelo Concílio. Tampouco João XXIII se referiu à crescente neo-paganização do Ocidente: o abandono da prática religiosa, a imoralidade das modas e dos costumes e a destruição gradual da família. Do mesmo modo, não se referiu à crise interna da Igreja, os erros generalizados da Nouvelle Théologie, a falta de zelo do clero e dos leigos e o desejo de agradar ao mundo.

Este otimismo utópico levou o Papa a chamar pejorativamente “profetas de desgraça” aqueles preocupados com a situação: “Nos tempos atuais, não vêem senão prevaricações e ruínas”.[41] “Mas a Nós parece-Nos que devemos discordar desses profetas de desgraça, que anunciam acontecimentos sempre infaustos, como se estivesse iminente o fim do mundo”.[42]

Tal expressão, surpreendente nos lábios de um Papa que havia acabado de invocar a misericórdia, não passou despercebida. O Cardeal Giacomo Biffi (1928-2015), antigo arcebispo de Bolonha, observou com inteligência e um toque de ironia:

“Na história da Revelação, os verdadeiros profetas foram aqueles que geralmente anunciavam castigos e calamidades, como em Isaías (capítulo 24), Jeremias (capítulo 4), e Ezequiel (capítulos 4-11). O próprio Jesus, no capítulo 24 do Evangelho de Mateus, teria que ser contado entre os “profetas da desgraça”: sua proclamação de futuros triunfos e alegrias iminentes geralmente não se relacionam com a existência aqui na Terra, mas sim com a “vida eterna” e o “Reino dos Céus”. Mas as pessoas na Bíblia que geralmente proclamam a iminência de tempos tranqüilos e serenos são, ao contrário, os falsos profetas (ver capítulo 13 do Livro de Ezequiel).[43]

O “espírito do Concílio”

O discurso de João XXIII foi de grande importância para criar o “espírito do Concílio”, um espírito de abandono da tradição e de desistência da luta contra os erros do mundo moderno.

Ninguém pode descrever melhor o que foi esse espírito do que um teólogo que teve intensa participação nas quatro sessões do Concílio, o então Padre Joseph Ratzinger. Ele descreveu suas impressões em um livro publicado logo após o evento conciliar, intitulado Theological Highlights of Vatican II [Destaques Teológicos do Concílio Vaticano II]. [capa ao lado].

Sobre o discurso inaugural de João XXIII, o Pe. Ratzinger comenta que o Papa “rejeitou todas as condenações meramente negativas”, e que “o Concílio não deveria se envolver em disputas escolásticas”, mas deveria se engajar em “diálogo com os tempos presentes”.[44]

Para o Pe. Ratzinger, “a atmosfera do Concílio foi predeterminada pelo espírito generoso desse papa que, nisto, diferiu marcadamente do Papa Pio IX, que havia convocado o Concílio Vaticano I”. João XXIII, continua ele, influenciou o Concílio para que tivesse “abertura e sinceridade”, num sentido muito diferente da “neurose anti-modernista que tinha repetidamente paralisado a Igreja desde a virada do século”. Segundo o Pe. Ratzinger, no Concílio esta “neurose” “parecia estar caminhando para uma cura”.[45]

Mais tarde, comentando a discussão do texto sobre as fontes da Revelação, preparado pela Cúria Romana, o Pe. Ratzinger critica sua “mentalidade anti-modernista”“marcada [pelo] Syllabus de Pio IX”“com zelo excessivamente unilateral”. Uma atitude coerente com uma mentalidade que “alcança seu zênite nas várias medidas de Pio X contra o Modernismo” e continuou “até que sua última reverberação soou na encíclica Humani Generis, de Pio XII”“Este documento”, comenta ele, “levou adiante mais uma vez a linha de pensamento de Pio IX e Pio X”.[46]

Ainda, para o Pe. Ratzinger, a grande questão no Concílio era escolher entre uma “posição intelectual de ‘anti-modernismo’” — que ele descreve como “a velha política de exclusividade”, fruto de “uma negação quase neurótica de tudo o que era novo” —, ou, ao contrário, mudar para uma posição de “encontro positivo […] com o mundo de hoje”.[47] Segundo ele, “[o] Concílio tinha-se colocado resolutamente contra a perpetuação de um anti-modernismo unilateral, e assim tinha escolhido uma nova e positiva abordagem”.[48]

Anos mais tarde, o já Cardeal Joseph Ratzinger expressou seu acordo com a ruptura do Concílio em relação à posição dos papas anteriores, que condenaram os erros da Revolução Francesa, do liberalismo e do Modernismo.

Em Princípios de Teologia Católica, o Cardeal Ratzinger nota o otimismo que guiou o Concílio. Referindo-se à constituição Gaudium et Spes, ele escreve: “O texto e, mais ainda, as deliberações a partir das quais ele evoluiu respiram um otimismo surpreendente. Nada parece impossível se a humanidade e a Igreja trabalharem juntas”.[49]

Ele afirma ainda que a Gaudium et Spes foi fruto de uma nova posição da Igreja em relação ao mundo, proposta por João XXIII em seu discurso de abertura.

“A afirmação do presente que ressoou no discurso do Papa João XXIII na abertura do Concílio é levada à sua conclusão lógica: a solidariedade com o hoje parece ser a promessa de um novo amanhã”.

Falando da Gaudium et Spes, ele prossegue:

“Se é desejável oferecer um diagnóstico do texto como um todo, podemos dizer que (em conjunto com os textos sobre liberdade religiosa e as religiões mundiais) ele é uma revisão do Syllabus de Pio IX, uma espécie de contra-syllabus”.

Em nota de rodapé, ele acrescenta:

“A posição tomada no Syllabus foi adotada e continuou na luta de Pio X contra o ‘Modernismo’”.[50]

O Cardeal Ratzinger afirma a seguir que as posições assumidas pelos Papas Pio IX e São Pio X visavam a situação do mundo decorrente da Revolução Francesa, e que a Gaudium et Spes “serve como um contra-syllabus e, como tal, representa, por parte da Igreja, um intento de reconciliação oficial com a nova era inaugurada em 1789”.[51]

Em resumo, o “espírito” que dominou o Concílio Vaticano II e inspirou seus textos, marcado por “um otimismo surpreendente”, foi um “espírito” de abandono da Tradição da Igreja, e especialmente de seu espírito militante e anti-mundano. O novo “espírito” voltou-se especialmente contra o Concílio de Trento e o Concílio Vaticano I, assim como o Syllabus de Pio IX e a encíclica Pascendi de São Pio X. Foi o mesmo espírito que animou os liberais no século XIX, os modernistas no início do século XX, e a Nouvelle Théologie.

O Concílio, um todo coerente

Os textos do Vaticano II não são uma série de escritos independentes uns dos outros, reunidos em uma coleção. Pelo contrário, formam um todo coerente, com a mesma inspiração e propósito. Eles se apoiam mutuamente.

Muitos afirmam que o Vaticano II também tem afirmações tradicionais que contrabalançam as inovações. Entretanto, as primeiras não se opõem às segundas, para condená-las; elas simplesmente “coexistem”. Para os progressistas, duas afirmações contraditórias podem ser consideradas verdadeiras, pois as filosofias modernas, fenomenológicas e existencialistas, rejeitam o princípio de causa e efeito e o princípio de não-contradição.

Na encíclica Humani Generis, Pio XII apontou esse aspecto dialético dos seguidores da Nouvelle Théologie“Eles sustentam, contrariamente, que as verdades, principalmente as transcendentes, só podem ser expressas por doutrinas divergentes que mutuamente se completam, embora pareçam opor-se entre si”.[52]

Mudança do conceito de Igreja

O Cardeal Avery Dulles, S.J., no ensaio Meio Século de Eclesiologia, de 1989, mostra o papel desempenhado pela eclesiologia do Pe. Yves Congar[53] na preparação do Concílio. E acrescenta: “A eclesiologia do Vaticano II, em suas linhas principais, é bem conhecida. De modo geral, ela seguiu as orientações da Nouvelle Théologie e não as da Neo-Escolástica”.[54]

De fato, seguindo a Nouvelle Théologie, o Concílio abandonou o conceito de que a Igreja Católica é o Corpo Místico de Cristo, ensinado pelos Papas Leão XIII, Pio XI, e Pio XII.

Na encíclica Humani Generis, condenando a Nouvelle Théologie, Pio XII afirma que seus seguidores rejeitam essa verdade. Escreve o Papa: “Alguns não se consideram obrigados a abraçar a doutrina que há poucos anos expusemos numa encíclica [Mystici Corporis Christi, 1943], e que está fundamentada nas fontes da revelação, segundo a qual o corpo místico de Cristo e a Igreja católica romana são uma mesma coisa”.[55]

A própria encíclica Mystici Corporis Christi reitera que o Corpo Místico de Cristo é a Igreja Católica:

“A doutrina do Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja (cf. Cl 1, 24), recebida dos lábios do próprio Redentor (nº 1).

“Para definir e descrever esta verdadeira Igreja de Cristo — que é a santa, católica, apostólica Igreja romana (Conc.Vat. I, Const. Dei Filius de fide cath., cap. 1) — nada há mais nobre, nem mais excelente, nem mais divino do que o conceito expresso na denominação ‘corpo místico de Jesus Cristo’; conceito que imediatamente resulta de quanto nas Sagradas Escrituras e dos santos Padres freqüentemente se ensina ( nº 13).

“Prova-se que este corpo místico, que é a Igreja, é realmente distinguido com o nome de Cristo, porque ele deve ser considerado de fato como sua cabeça (nº 33)”.[56]

Toda a encíclica gira em torno destas duas afirmações fundamentais:

1 — A verdadeira Igreja de Cristo é a santa, católica, apostólica Igreja romana  (nº 13);

2 — O Corpo Místico de Cristo é a Igreja Católica (nº 1).

Em sua encíclica Satis Cognitum, de 1896, Leão XIII ensinou: “O Corpo Místico de Cristo é a verdadeira Igreja, somente porque suas partes visíveis extraem vida e poder dos dons sobrenaturais e outras coisas de onde brotam sua própria natureza e essência” (nº 3).[57]

E Pio XI, em sua encíclica Mortalium Animos, de 1928, ensinou: “Portanto, dado que o Corpo Místico de Cristo, isto é, a Igreja, é um só (1 Cor. 12,12), compacto e conexo (Ef. 4,15), à semelhança do seu corpo físico, seria inépcia e estultice alguém afirmar que ele pode constar de membros desunidos e separados: quem pois não estiver unido com ele, não é membro seu, nem está unido à cabeça, Cristo (Cfr. Ef. 5,30; 1,22). (nº 16).[58]

Substituição de “Est” por “Subsistit in”

Na primeira sessão do Concílio, em dezembro de 1962, o texto do esquema sobre a Igreja dado aos padres conciliares dizia: “A Igreja Católica Romana é o Corpo Místico de Cristo”.[59]

Vários cardeais e bispos da corrente da Nouvelle Théologie se levantaram para questionar esta afirmação, que vinha da encíclica Mystici Corporis Christi. Eles alegavam que o Corpo Místico de Cristo é mais amplo que a Igreja Católica, incluindo também os protestantes…

O Cardeal Lienart, Bispo de Lille, França, um dos líderes desta corrente, argumentou que “O Corpo Místico é […] muito mais inclusivo do que a Igreja Romana na Terra. […]. Eu não ousaria dizer que eles [os cristãos separados] não pertencem de modo algum ao Corpo Místico de Cristo, apesar de não estarem incorporados à Igreja Católica”.[60]

Então o Cardeal Montini, que logo seria eleito papa, também se levantou em apoio àqueles que se opunham à doutrina ensinada na Mystici Corporis Christi.[61]

Os padres conciliares abandonaram a fórmula tradicional e clara de identificar o Corpo Místico de Cristo com a Igreja Católica, com base na falsa premissa de que o Corpo Místico de Cristo seria mais amplo do que a Igreja Católica. Esta falsa premissa constitui a base do ecumenismo.

Frei Boaventura Kloppenburg, O.F.M. lembra: “Após longo debate, o é foi substituído por subsiste em, ‘de modo a estar mais de acordo com o ensinamento sobre elementos eclesiais a serem encontrados em outro lugar que não a Igreja Romana’”.[62]

Nos muitos debates que se seguiram ao Concílio, foram invocadas sutilezas filológicas para provar a “continuidade” do Concílio com os ensinamentos anteriores do Magistério. Assim, se encontrou no verbo “subsistir” (subsistit in) o mesmo significado que o do verbo “ser” (est).[63] Ora, se o significado era o mesmo, por que mudar a expressão? E por que aqueles que exigiam a mudança argumentaram que não havia uma identidade perfeita entre a Igreja Católica e o Corpo Místico de Cristo, porque este último também incluía os protestantes?

O Espírito Santo santifica fora da Igreja Católica?

Em um parágrafo, a Constituição Dogmática Lumen Gentium (L.G.) afirma claramente a necessidade de pertencer à Igreja para ser salvo: “Pelo que, não se poderiam salvar aqueles que, não ignorando ter sido a Igreja católica fundada por Deus, por meio de Jesus Cristo, como necessária, contudo, ou não querem entrar nela ou nela não querem perseverar”. (nº 14)

No entanto, a seção seguinte contradiz essa afirmação. Referindo-se àqueles que “embora não professem integralmente a fé ou não guardem a unidade de comunhão com o sucessor de Pedro” [isto é, hereges e cismáticos], a L.G. afirma que o Espírito Santo “neles atua com os dons e graças do Seu poder santificador, chegando a fortalecer alguns deles até ao martírio”. (nº 15)

Esta declaração contradiz o Concílio de Florença: “A Igreja crê firmemente, confessa e anuncia que ‘nenhum dos que estão fora da Igreja católica, não só os pagãos’, mas também os judeus ou hereges e cismáticos, poderá chegar à vida eterna, mas irão para o fogo eterno ‘preparado para o diabo e para os seus anjos’ [Mt 25,41], se antes da morte

não tiverem sido a ela reunidos”.[64]

Também é contrário ao que Pio XII ensina na encíclica Mystici Corporis Christi:

“Ele [o Espírito Santo] enfim, que cada dia produz na Igreja com sua graça novos incrementos, mas não habita com a graça santificante nos membros totalmente cortados do corpo. Essa presença e ação do Espírito de Jesus Cristo exprimiu-a sucinta e energicamente nosso sapientíssimo predecessor de imortal memória, Leão XIII, na encíclica Divinum Illud, por estas palavras: ‘Baste afirmar que, sendo Cristo cabeça da Igreja, o Espírito Santo é a sua alma’”.[65]

De fato, se o Espírito Santo, a alma incriada da Igreja, concedesse graça santificante àqueles que estão em heresia e cisma, não haveria necessidade de se pertencer à Igreja Católica para ser salvo. É muito diferente de dizer que o Paráclito concede graças atuais a todo homem — mesmo aos que estão no paganismo, na heresia e no cisma — para que, correspondendo a elas, os não-católicos possam se converter e se unir à Igreja Católica, e assim serem salvos.[66]

O “desígnio da salvação” inclui judeus e muçulmanos?

Para a Lumen Gentium, a Igreja estaria “relacionada” de uma forma especial com os judeus, “povo que segundo a eleição é muito amado, por causa dos Patriarcas” (nº 16). Os judeus participariam assim do “desígnio da salvação”.

O documento também discute o Islã: “Mas o desígnio da salvação estende-se também àqueles que reconhecem o Criador, entre os quais vêm em primeiro lugar os muçulmanos, que professam seguir a fé de Abraão, e conosco adoram o Deus único e misericordioso”.[67]

Esta afirmação de que cristãos e muçulmanos adoram juntos o único Deus é mais uma manifestação do aspecto dialético dos documentos conciliares, negando o princípio da não-contradição. Pois, enquanto os católicos crêem e professam a doutrina da Santíssima Trindade e adoram o Deus Uno e Trino, os seguidores de Maomé não só negam esta verdade, mas a combatem, acusando os cristãos de serem politeístas.[68]

Esse “desígnio da salvação” incluiria também os ateus de “boa vontade”?

Lumen Gentium fala a seguir daqueles que procuram o “Deus desconhecido” (Deum ignotum quaerunt), ou daqueles que, sem culpa, “não chegaram ainda ao conhecimento explícito de Deus” (nº 16) — isto é, os ateus de “boa vontade”.[69]

Em suma, a Igreja Católica estaria supostamente ligada aos hereges e cismáticos, bem como àqueles que negam a Santíssima Trindade, aos animistas, panteístas e até mesmo aos ateus.

A doutrina de L.G. sobre a Igreja (completada por Unitatis Redintegratio, sobre ecumenismo, e Nostra Aetate, sobre diálogo com religiões não-cristãs), não ficou no papel, mas foi posta em prática. Um dos muitos exemplos disso pode ser visto no encontro inter-religioso em Assis, em 27 de outubro de 1986. Nele estavam presentes trinta e dois grupos cristãos e onze não-cristãos. Orações tanto cristãs quanto pagãs foram feitas, e cerimônias foram realizadas.[70] O mesmo vale para a reunião de Abu Dhabi, em 4 de fevereiro de 2019 [foto ao lado]. Seu Documento sobre a Fraternidade Humana afirma que Deus quer “o pluralismo e as diversidades de religião”.[71]

Um Concílio “pastoral” e não dogmático

Além das questões doutrinárias discutidas brevemente acima, o Vaticano II se diferenciou dos concílios anteriores por sua insistência em se apresentar como um “concílio pastoral”.[72]

Em um concílio ecumênico, o Papa convoca os bispos do mundo para abordar os problemas da Igreja universal, sob sua direção e autoridade. É intrínseco à natureza de tal reunião que ela seja uma ocasião para o exercício do magistério extraordinário dos bispos.[73] Assim, quando manifestam a clara intenção de definir uma doutrina ou condenar um erro, os concílios ecumênicos são infalíveis.

O mesmo não se passou com o Concílio Vaticano II. Na abertura, João XXIII declarou que seu ensino seria “um magistério de caráter prevalentemente pastoral”. E Paulo VI, ao encerrar o Concílio, declarou que nele “o Magistério da Igreja” não quis “pronunciar-se em sentenças dogmáticas extraordinárias”.[74]

Além disso, na audiência geral de 12 de janeiro de 1966, Paulo VI reafirmou que “dado o caráter pastoral do Concílio, evitou este proclamar em forma extraordinária dogmas dotados da nota de infalibilidade. Todavia, conferiu a seus ensinamentos a autoridade do supremo Magistério ordinário”.[75]

Noutra audiência geral, em 8 de março de 1967, o mesmo pontífice confirmou que o concílio tinha, como um dos seus pontos programáticos, “não emitir novas definições dogmáticas solenes”.[76]

Objeção: O Espírito Santo não permitiria…

Muitos dos defensores do Vaticano II se baseiam em um argumento a priori: o Espírito Santo assiste os concílios. Portanto, Ele não poderia permitir que o Concílio Vaticano II caísse em erro.

No entanto, esse argumento leva ao seguinte absurdo: uma vez que o Concílio Vaticano II abandonou doutrinas ensinadas pelo Concílio de Trento e pelo Primeiro Concílio do Vaticano, bem como o ensinamento comum dos papas contra o liberalismo, o ecumenismo e os princípios da Nouvelle Théologie, de Gregório XVI a Pio XII (ou seja, de 1831 a 1958), deve-se concluir que ou o Paráclito assistiu o Concílio Vaticano II e se absteve de dar assistência a esses dois concílios anteriores, bem como a cerca de 120 anos de magistério papal, ou vice-versa. Mas o Espírito Santo não poderia ter assistido a ambos os termos da comparação, pois, como um “espírito de verdade” (Jo 14,17), Ele não pode se contradizer.

Aqui se confunde “assistência” do Paráclito — ou seja, um efeito da providência especial de Deus para Sua Igreja — com um governo direto que substitui os homens ou elimina seu livre arbítrio ou a tendência para o mal herdado com o pecado original.[77]

É preciso ter em mente que esta ação especial da Divina Providência favorece o bem, mas também permite muitas vezes que o mal ocorra no elemento humano da Igreja, como uma prova ou punição por nossos pecados.[78]

Portanto, não se pode usar o argumento da assistência do Espírito Santo à Igreja para justificar desvios, imprudências ou escândalos, como se o mal fosse positivamente desejado pela Vontade Divina, e não apenas tolerado permissivamente.

Assim, na encíclica Mystici Corporis Christi o Papa Pio XII explica que, devido a nossa inclinação para o mal, “às vezes na Igreja se vê algo em que se manifesta a fraqueza humana”. Essa “lamentável inclinação do homem para o mal”, diz ele, se manifesta “até nos membros mais altos do seu corpo místico”. Entretanto, ele acrescenta que Deus permite que isso aconteça “para provar a virtude das ovelhas e dos pastores, e para que em todos cresçam os méritos da fé cristã”.[79]

O Vaticano II optou por não utilizar o poder magisterial infalível, portanto seus ensinamentos podem conter erros.[80] A Divina Providência permite o erro no magistério não-definitivo, mas esses erros são depois corrigidos, não sendo incorporados ao Depósito de Fé.[81]

Qual é, afinal, a natureza do Vaticano II?

Para responder a esta pergunta, esquematizamos aqui o que foi apresentado acima:

1 — Ao contrário dos concílios ecumênicos anteriores, o Concílio Vaticano II não quis proclamar dogmas ou condenar erros;

2 — Ele foi apresentado, tanto pelo Papa que o convocou quanto pelo que o encerrou, como sendo “de caráter prevalentemente pastoral”. No entanto, ele foi predominantemente doutrinário;

3 — Embora intitulando-se “concílio ecumênico”, não quis usar da prerrogativa da infalibilidade em questões teológicas de importância doutrinária fundamental; por exemplo, na constituição Lumen Gentium (sobre a Igreja);

4 — Finalmente, foi um ato do magistério episcopal extraordinário que teve apenas a autoridade do supremo magistério ordinário.

Em conclusão, pode-se dizer que o Concílio Vaticano II é totalmente diferente dos concílios anteriores, e que sua real natureza é confusa, assim como o são os seus textos.

QUADRO 1

“Hermenêutica da Continuidade”

ou

“Hermenêutica da Verdade”?

É geralmente aceito que os textos do Concílio Vaticano II são ambíguos. Assim, torna-se necessário recorrer a uma interpretação especial — a chamada “hermenêutica da continuidade” — para descobrir um significado tradicional para os textos.

A Hermenêutica é a ciência da interpretação dos textos, portanto não pode ser subordinada a uma conclusão pré-determinada. Uma interpretação científica dos textos não pode partir de uma conclusão alcançada antes de qualquer análise.

Portanto, os textos conciliares não podem ser interpretados usando uma hermenêutica que predetermina haver continuidade entre todos os ensinamentos do Concílio Vaticano II e os do anterior Magistério da Igreja.

O papel da hermenêutica é simplesmente interpretar palavras e conceitos de acordo com seu significado natural e com as leis da lógica. O resultado desta análise pode mostrar continuidade ou ruptura. Em qualquer caso, deve ser um julgamento que sempre segue a análise. Jamais deve preceder a análise.

Além disso, é característico do Magistério da Igreja ser claro, sem a necessidade de uma interpretação trabalhosa para apreender o seu significado. Nosso Senhor Jesus Cristo não estabeleceu um Magistério ambíguo. Pelo contrário, Ele enviou os Apóstolos para pregar o Evangelho a todos os povos (cf. Mat 28,19; Marcos 16,15), e ordenou: “Mas seja o vosso dizer: Sim, sim; Não, não: porque tudo o que é mais do que isto procede do maligno.” (Mt 5,37 ‒ Vulgata).

QUADRO 2

Papa Paulo VI sobre a Igreja pós-conciliar:

“Não um dia ensolarado”, mas “autodestruição” e “a fumaça de Satanás”.

Em alocução aos estudantes do Pontifício Seminário Lombardo, em 7 de dezembro de 1968, o Papa Paulo VI afirmou: “A Igreja atravessa hoje um momento de inquietação. Alguns praticam a autocrítica, dir-se-ia até a autodemolição. É como uma perturbação interior, aguda e complexa, que ninguém teria esperado depois do Concílio. Pensava-se num florescimento, numa expansão serena dos conceitos amadurecidos na grande assembléia conciliar”.*

O mesmo Papa Paulo VI fez um comentário na alocução Resistite fortes in fide, de 29 de junho de 1972, que aqui citamos na versão da Poliglotta Vaticana“Referindo-se à situação da Igreja de hoje, o Santo Padre afirma ter a sensação de que ‘por alguma fissura tenha entrado a fumaça de Satanás no templo de Deus’. Há — transcreve a Poliglotta — a dúvida, a incerteza, o complexo dos problemas, a inquietação, a insatisfação, o confronto. Não se confia mais na Igreja […] Acreditava-se que, depois do Concílio, viria um dia ensolarado para a História da Igreja. Veio, pelo contrário, um dia cheio de nuvens, de tempestade, de escuridão, de indagação, de incerteza”.**

ABIM

_________

* Paulo VI, Insegnamenti di Paolo VI, Tipografia Poliglotta Vaticana, vol. VI, p. 1188. (Tradução e destaque nossos).

**Paulo VI, homilia Resistite fortes in fide (no 9º aniversário de sua coroação), 29 de junho de 1972. Insegnamenti di Paolo VI, Tipografia Poliglotta Vaticana, vol. X, pp. 707-709 (Tradução e destaque nossos).


[1] Ralph M. Wiltgen,S.V.D., The Rhine Flows Into the Tiber: The Unknown Council (Nova Iorque: Hawthorne Books, 1967). Publicado no Brasil pela Editora Permanência, Rio de Janeiro, s/d. O livro foi publicado também na Itália, França e outros países.

[2] Ralph M. Wiltgen,S.V.D., The Rhine Flows Into the Tiber: A History of Vatican II (Rockford, Ill.: TAN Books, 1985), 2. Neste artigo, citamos esta edição de 1985, a qual traz um subtítulo ligeiramente modificado.

[3] Révue des Sciences Philosophiques et Théologiques (Paris, 1977), citado em Wiltgen, The Rhine Flows Into the Tiber, 2. (Destaque nosso).

[4] Roberto de Mattei, Il Concilio Vaticano II: Una storia mai scritta. Lindau, Torino, 2010; tradução inglesa: The Second Vatican Council: An Unwritten Story, ed. Michael M. Miller (Fitzwilliam, N.H.: Loreto Publications, 2012); tradução portuguesa: O Concílio Vaticano II: Uma História Nunca Escrita. Ed. Caminhos Romanos, Lisboa, s/d.

[5] O Prof. de Mattei menciona as conversas que Dom Hélder teve com o Cardeal Suenens, logo na primeira sessão. Suenens foi uma das figuras mais importantes do Concílio, e Paulo VI o nomeou um dos quatro moderadores. O bispo brasileiro sugeriu que o Cardeal Suenens assumisse a liderança dos progressistas. O cardeal respondeu: “Todos sabem de sua amizade com Montini: por que você está pensando em mim e não nele para … a liderança do Concílio?”. O bispo respondeu: “Devemos preservar Montini como o sucessor de João [XXIII]”. O Cardeal Suenens, acrescenta Dom Hélder, mostrou-se “completamente de acordo” (Hélder Pessoa Câmara, Lettres Conciliaires, vol. 2, 657, citado em de Mattei, Concílio Vaticano II, 193).

[6] Ibid., 55-71.

[7] Ibid., 218.

[8] Aqui tomamos esta designação em seu sentido amplo, incluindo os movimentos bíblicos, litúrgicos, ecumênicos e teológicos de orientação reformista, neo-modernista e protestantizante que surgiram na Europa por volta da década de 1930. São Pio X, na introdução ao Juramento Anti-Modernista, denunciou a existência de uma “associação secreta” (clandestinum foedus) formada pelos modernistas. Embora condenados pela Autoridade Suprema, os conspiradores continuaram operando em seminários e universidades católicas, “injetando o vírus de sua doutrina nas veias da sociedade cristã” (Motu Proprio Sacrorum Antistum, Set. 1910, http://www.vatican.va/content/pius-x/la/motu_proprio/documents/hf_p-x_motu-proprio_19100901_sacrorum-antistitum.html). (Tradução nossa).

[9] Marie-Michel Labourdette, O.P., “Fermes propos”, Révue Thomiste 47 (1947): 5-19. Para um bom resumo da polêmica, ver Philip J. Donnelly, S.J., “Current Theology-Theological Opinion on the Development of Dogma”, http://cdn.theologicalstudies.net/8/8.4/8.4.4.pdf.

[10] Réginald Garrigou-Lagrange, O.P., “La nouvelle théologie où va-t-elle?”. Angelicum 23, n. 3/4 (1946): 126–45. Para uma tradução em inglês, ver “Where is the New Theology Leading Us?” tradução de. Suzanne M. Rini, Catholic Family News Reprint Series, https://archive.org/stream/Garrigou-LagrangeEnglish/_Where%20is%20the%20New%20Theology%20Leading%20Us__%20-%20Garrigou-Lagrange%2C%20Reginald%2C%20O.P_#mode/2up; ver também Aidan Nichols, O.P., “Thomism and the Nouvelle Théologie”, The Thomist 64 (2000): 1-19.

[11] Ver Jurgen Metterpenningen, Nouvelle Théologie-New Theology: Inheritor of Modernism, Precursor of Vatican II (Londres-Nova York: T & T Clark International – A Continuum Imprint, 2010), 42, 96.

[12] John W. O’Malley, What Happened at Vatican II (Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 2008), 43. (Destaque nosso).

[13] Philippe Levillain, La Mécanique Politique de Vatican II: La Majorité et l’Unanimité dans un Concile (Paris: Éditions Beauchesne, 1975), 77.

[14] Metterpenningen, Nouvelle Théologie, 6, 36.

[15] Informations Catholiques Internationales, n°336 (15 de maio de 1969), 9.

[16] Yves Congar O.P., My Journal of the Council (Collegeville, Minn.: Liturgical Press, 2012), 871.

[17] Fr. Aidan Nichols, O.P. escreve: “Quem foi colocado na linha de fogo [do ensaio de Garrigou-Lagrange]? Aqueles especificamente mencionados, todos jesuítas, foram Bouillard, Hans Urs von Balthasar, Gaston Fessard, de Lubac, Pierre Teilhard de Chardin, mas acima de tudo Daniélou”. Nichols, “Thomism and the Nouvelle Théologie”, 4.

[18] Comentando o livro Sobrenatural do Pe. Henri de Lubac, o Cardeal Giuseppe Siri (1906-1989) diz que este jesuíta “afirmou que a ordem sobrenatural está necessariamente implícita na ordem natural. Como conseqüência deste conceito, resulta inevitavelmente que o dom da ordem sobrenatural não é gratuito porque é devido à natureza”. Joseph Siri, Gethsemane: Reflections on the Contemporary Theological Movement (Chicago, Ill.: Franciscan Herald Press, 1981), 55-6.

[19] O Pe. De Lubac publicou uma série de livros sobre o Pe. Teilhard de Chardin, que foram traduzidos para o inglês: The Religion of Teilhard de Chardin (1967); Teilhard de Chardin: The Man and His Meaning (1965); Teilhard Explained (1968); Teilhard Postume (1977). (Ver de Mattei, The Second Vatican Council, nota 327).

[20] Joseph Ratzinger, Principles of Catholic Theology (São Francisco: Ignatius Press, 1987), 334. Em uma nota de rodapé, o Cardeal Ratzinger acrescenta: “Sobre a influência de Teilhard no Concílio Vaticano II, cf. o estudo de Wolfgang Klein, Teilhard de Chardin und das Zweit Vatikanische Konzil (Paderborn: Schöningh, 1975)”. Ibid., nota 3.

[21] São Pio X, decreto Lamentabili Sane, julho de 1907, n° 58, https://www.papalencyclicals.net/pius10/p10lamen.htm.

[22] São Pio X, encíclica Pascendi Dominici Gregis, n° 13, http://www.vatican.va/content/pius-x/en/encyclicals/documents/hf_p-x_enc_19070908_pascendi-dominici-gregis.html.

[23] Pio XII, alocução Quamvis Inquieti, 17 de setembro de 1946, http://www.vatican.va/content/pius-xii/la/speeches/1946/documents/hf_p-xii_spe_19460917_compagnia-gesu.html.

[24] Pio XII, encíclica Humani Generis, 12 de agosto de 1950, n° 31, http://www.vatican.va/content/pius-xii/pt/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_12081950_humani-generis.html. (Destaque nosso).

[25] Ibid., n° 15. (Destaque nosso).

[26] Ibid., n° 16. (Destaque nosso).

[27] Ibid., n° 32. (Destaque nosso).

[28] Discurso de abertura do Concílio. In Concílio Ecumênico Vaticano II, Edições Paulinas, 1967, p. 18. Usamos aqui o texto do discurso de abertura publicado no dia seguinte em L’Osservatore Romano e reproduzido por quase todas as coleções de documentos do Vaticano II em diferentes idiomas. O texto italiano do discurso publicado em L’Osservatore Romano difere um pouco da versão latina. Ele é mais explícito em sua aceitação da metodologia e do pensamento modernos (Ver Romano Amerio, Iota Unum, trad. John P. Parsons [Kansas City, Mo.: Sarto House, 1996], 78). Do ponto de vista estritamente canônico, o texto em latim é o texto oficial. Entretanto, a versão italiana é importante para se conhecer a mente do pontífice e suas intenções em relação ao Concílio. O texto italiano parece ser o original, tanto mais que, em um discurso aos cardeais, João XXIII citou o texto italiano de L’Osservatore. Isto mostra que a versão de L’Osservatore expressava bem o pensamento e a intenção de João XXIII para o concílio. Ver “Discorso Del Santo Padre Giovanni XXIII Al Sacro Collegio e Alla Prelatura Romana In Occasione Della Solennità Del Santo Natale”, 23 de dezembro de 1962, http://www.vatican.va/content/john-xxiii/it/speeches/1962/documents/hf_j-xxiii_spe_19621223_prelatura-romana.html

[29] Discurso de abertura do Concílio, Paulinas, p. 18.

[30] Ver Réginald Garrigou-Lagrange, La synthèse thomiste, troisième partie (Paris: Desclée de Brouwer, 1947), http://www.christ-roi.net/index.php/Garrigou-Lagrange%2C_R%C3%A9ginald_Fr.%2C_La_synth%C3%A8se_thomiste%2C_troisi%C3%A8me_partie#LES_BASES_R.C3.89ALISTES_DE_LA_SYNTH.C3.88SE_THOMISTE

[31] Pio XII, encíclica Humani Generis, nº 16. (Destaque nosso).

[32] Discurso de abertura do Concílio, Paulinas, p. 18.

[33] Ibid., pp. 18-19.

[34] Levillain, La Mécanique Politique de Vatican II, 57.

[35] I. Salaverri, De Ecclesia Christi, vol. I, p. 3, n° 559, in Sacrae Theologiae Summa (Madri: Biblioteca de Auctores Cristianos, 1958). (Destaque nosso).

[36] Pius IX, Bula Aeterni Patris, 29 de junho de 1868, http://www.vatican.va/content/pius-ix/it/documents/litterae-apostolicae-aeterni-patris-29-iunii-1868.html (Tradução e destaque nossos)

[37] Por exemplo, o Primeiro Concílio Lateranense (1123) “aboliu o direito reivindicado pelos príncipes leigos, de investidura com anel e báculo e o usufruto de benefícios eclesiásticos e tratou da disciplina da igreja e da recuperação da Terra Santa dos infiéis”. O Primeiro Concílio de Lião, em 1245, “excomungou e depôs o Imperador Frederico II e dirigiu uma nova cruzada, sob o comando de São Luís, contra os sarracenos e os mongóis”. O Concílio de Vienne (1311-1313) foi convocado especialmente para decidir sobre “os crimes e erros imputados aos Cavaleiros Templários”, como também “projetos de uma nova cruzada, a reforma do clero e o ensino das línguas orientais nas universidades” (J. Wilhelm, s.v. “General Councils”, em The Catholic Encyclopedia – New York: Robert Appleton Company, 1908), acessado em 26 de agosto de 2020, a partir de New Advent: http://www.newadvent.org/cathen/04423f.htm

[38] Dogmatic Constitution Dei Filius, 24 de abril de 1870, cânon IV, n. 3, http://www.vatican.va/content/pius-ix/it/documents/constitutio-dogmatica-dei-filius-24-aprilis-1870.html (Tradução nossa).

[39] Summa Theologica, II-II, q. 33, a. 3, c. (Destaque nosso).

[40] São Tomás de Aquino, Super Matthaeum, cap. 5, leitura 2, n° 7 (Tradução nossa).

[41] Discurso de abertura do Concílio,Paulinas, p. 16.

[42] Id. Ibid.

[43] Giacomo Biffi, Memorie e Digressioni di un Italiano Cardinale (Siena, Itália: Cantagalli, 2007), 178. (Tradução e destaque nossos).

[44] Joseph Ratzinger, Theological Highlights of Vatican II (Nova York: Paulist Press, 1966), 22.

[45] Ibid., 27. (Destaque nosso).

[46] Ibid., 40-2. (Destaque nosso).

[47] Ibid., 44. (Destaque nosso).

[48] Ibid., 48. (Destaque nosso).

[49] Joseph Ratzinger, Principles of Catholic Theology (San Francisco: Ignatius Press, 1987), 380. (Destaque nosso).

[50] Ibid., 380-381 e nota 16. (Destaque nosso).

[51] Ibid., 382. (Destaque nosso).

[52] Pio XII, encíclica Humani Generis, n° 32.

[53] “Nos anos entre Mystici Corporis e o Concílio Vaticano II, o eclesiologista mais influente foi sem dúvida [Pe.] Yves Congar”. Avery Dulles, “A Half Century of Ecclesiology” Theological Studies 50, n° 3 (1º de setembro de 1989): 424.

[54] Ibid., 429.

[55] Pius XII, encíclica Humani Generis, n° 27. (Destaque nosso).

[56] Pio XII, Encíclica Mystici Corporis Christi (O Corpo Místico de Cristo), 29 de junho de 1943. http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_29061943_mystici-corporis-christi_po.html. (Destaque nosso).

[57] Leão XIII, encíclica Satis Cognitum, 29 de junho de 1896, http://www.vatican.va/content/leo-xiii/en/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_29061896_satis-cognitum.html. (Destaque nosso).

[58] Carta Encíclica Mortalium Animos do Sumo Pontífice Pio XI, 6 de janeiro de 1928, http://www.vatican.va/content/pius-xi/pt/encyclicals/documents/hf_p-xi_enc_19280106_mortalium-animos.html

05/09/2020 12:05. (Destaque nosso).

[59] Bonaventure Kloppenburg, O.F.M., The Ecclesiology of Vatican II (Chicago: Franciscan Herald Press, 1974), 63. (Destaque nosso).

[60] Ibid., 64-5

[61] Ver ibid., 65.

[62] Ibid., 66.

[63] Ver Christopher J. Malloy, “Subsistit In: Identidade Não Exclusiva ou Identidade Completa?” The Thomist 72, n° 1 (Jan. 2008): 1-44.

[64] Eugênio IV: Concílio de Florença: Bula Cantate Domino (união com os coptas e os etíopes), 4 fev. 1442, in Denzinger-Hünermann 1352 [Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral da Igreja católica, traduzido, com base na 40a. edição alemã (2005), aos cuidados de Peter Hünermann, por José Marino Luz e Johan Konings. Paulinas-Edições Loyola São Paulo, Brasil, 2006]. (Destaque nosso).

[65] Pio XII, Encíclica Mystici Corporis Christi (O Corpo Místico de Cristo), 29 de junho de 1943, n° 55. http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_29061943_mystici-corporis-christi_po.html (Destaque nosso).

[66] “Na presente ordem [depois que Jesus consumou a Redenção e fundou Sua Igreja], nenhuma graça sobrenatural é dada, a não ser em ordem à Igreja de Cristo. Por esta razão o Espírito Santo impele e ajuda os homens a chegarem ao conhecimento da verdade, e depois serem incorporados como membros da Igreja”. Ludovico Lercher, S.J., Institutiones Theologiae Dogmaticae (Barcelona: Herder, 1945), vol. 1, 252.

[67] Concílio Vaticano II. Constituição Dogmática ‘Lumen Gentium’ n° 16. http://www.catolicoorante.com.br/docs/vaticanoii/constituicoes/vat-ii_const_19641121_lumen-gentium_po.html

06/09/2020 16:07. (Destaque nosso).

[68] Luiz Sérgio Solimeo, Islam and the Suicide of the West (Spring Grove, Penn.: The American Society for the Defense of Tradition, Family, and Property, 2018), 118.

[69] Pode alguém professar o ateísmo sem culpa? O homem pode conhecer a Deus naturalmente, através da razão. Além disso, recebe também graças atuais para ajudar a chegar a esse conhecimento.

[70] Ver Henry Sire, Phoenix from the Ashes (Kettering, OH: Angelico, 2015), 382-8; William F. Murphy, “Remembering Assisi After 20 Years”, America 195, n° 12 (Oct. 23, 2006), https://www.americamagazine.org/issue/588/article/remembering-assisi-after-20-years

[71] Luiz Sérgio Solimeo, “Theological and Canonical Implications of the Declaration Signed by Pope Francis in Abu Dhabi”, TFP.org, 27 de fevereiro de 2019, https://www.tfp.org/theological-and-canonical-implications-of-the-declaration-signed-by-pope-francis-in-abu-dhabi/

[72] “[Um] Magistério de caráter prevalentemente pastoral”. João XXIII, Discurso de abertura do Concílio, Paulinas, p. 18 .

[73] Ver a seção acima, “Um Concílio que não condena erros”.

[74] “Discurso do Papa Paulo VI durante a última Assembléia Geral do Concílio Vaticano II”, 7 de dezembro de 1965, In Frei Boaventura Kloppenburg O.F.M-Frei Frederico Vier O.F.M, Compêndio do Vaticano II, Vozes, Petrópolis, 1968, p. 31

[75] Id. Ibid.

[76] Paulo VI, audiência geral, 8 de março de 1967. http://w2.vatican.va/content/paul-vi/it/audiences/1967/documents/hf_p-vi_aud_19670308.html. (Tradução nossa).

[77] Ver E. Magenot, s.v. “Assistance du Saint-Esprit”, in Dictionnaire de Théologie Catholique (Paris: Letouzey et Ané, 1931), vol. 1, 2ª parte, cols. 2123–2127.

[78] Ver R. Garrigou-Lagrange, s.v. “Providence, Théologie, L’Infallibilité”, in Ibid., vol. 13, 1ª parte, col. 1015.

[79] Pio XII, encíclica Mystici Corporis Christi, n° 64.

[80] Ver Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira, Can Documents of the Magisterium of the Church Contain Errors? (Spring Grove, Penn.: The American Society for the Defense of Tradition, Family, and Property-TFP, 2015).

[81] “Entretanto, não é absolutamente de se excluir que o erro [do Magistério] seja remediado pelo Espírito Santo, fazendo com que os fiéis percebam suficientemente o erro para negar o seu assentimento interno”. Lercher, Institutiones Theologiae Dogmaticae, nn. 499, 297. (Tradução nossa).