
Opinião
É
muito difícil compreender certas contradições e paradoxos da vida. O exame
metódico e sereno das coisas, feito por processos rigorosamente científicos,
baseados numa segura e firme argumentação, não se aplica quando se pretende
explicar determinados mistérios da alma humana, que escapam duma maneira geral
à observação mais aguçada e minuciosa. Por isso, na necessidade de analisar
esses sentimentos e de os explicar melhor ou pior, tem de se recorrer ao estudo
de tantos outros factores que com eles estão relacionados, e depois, por
deduções, bastantes ocasiões muitas vezes à «contrário sensu», concluir aquilo
que parece estar mais conforme com as circunstâncias especiais no fenómeno.
Há
sentimentos que desnorteiam e desorientam as mais sólidas teorias e entre eles
figura, talvez, em lugar bem distinto, precisamente porque é dos mais
vulgarizados, a ingratidão, nas suas múltiplas fórmulas e revelações externas.
Não custa nada, por muito orgulhoso que seja, mostrar reconhecimento a quem nos
fez um favor, e que, portanto, se soubermos ser delicados, nos pode vir a fazer
muitos mais.
Os
homens obcecados na alucinada demência duma maldade feroz e egoísta, esquecem o
que convém às suas conveniências, agradecer para receber, pois não é com
«espinhos que se colhem rosas»...
Ocultos
atrás dum sorriso alvar, escondidos na mesquinha insolência duma inteligência
que a maldade desvaria à multidão é difícil sentir prazer espiritual da
gratidão.
Reconhecer
uma fineza, é admitir em alguém uma virtude, prestar-lhe homenagem, elevá-la, e
essas criaturas não sabem mais do que rebaixar os outros, difamar todas as
intenções honestas e todos os esforços generosos.
Ser
reconhecido e agradecer, é prestar um alto acto de Justiça e, devemos
confessá-lo, se o verdadeiro sentido da Justiça não existe na maioria dos
homens, também não pode existir neles o sentido abençoado da gratidão.
Tenho
sentido na pele a feroz ingratidão desde a fundação desta associação, que por
sua vez se torna difícil explanar. Por vezes surge do lado que menos esperava,
mas, o ser humano na sua maioria é assim, é ingrato, é mau e tem memória curta.
Para
poucos a ADASCA é filha, para alguns é sobrinha e para muitos é enteada. É
nesta última condição que desde sempre tem sido tratada. Haja respeito pelo
trabalho que tem sido desenvolvido em prol da comunidade necessitada.
“Existem
três classes de ingratos: os que silenciam diante do favor; os que o cobram e
os que se vingam.” (Ramón y Cajal).
Por Joaquim M. C. Carlos
Presidente
da Direcção da ADASCA.
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