Esta manhã o Município de Porto de Mós recebeu o Secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, para uma reunião de trabalho com as forças de segurança e serviços municipais que têm vindo a acompanhar a situação de calamidade depois da Tempestade Krintin ter assolado a região. O encontro teve como objetivo fazer um ponto de situação e auscultar as entidades diretamente envolvidas na gestão de crise.
De acordo com o presidente da autarquia, Jorge Vala, no concelho registam-se ainda 500 casas sem acesso a energia elétrica, assim como centenas de clientes sem acesso a comunicações, motivo que levou ao agendamento de uma reunião com a ANACON, que teve lugar na passada semana, para dar a conhecer os problemas técnicos que se mantém no terreno, contrariando as informações dadas pelas operadoras. O edil referiu também a presença de todas as entidades da proteção civil desde a primeira hora, a partir das 04h00 da madrugada do dia 28 de janeiro até hoje, agradecendo o emprenho e a dedicação de todos.

Rui Rocha, Secretário de Estado da Proteção Civil, iniciou a sua intervenção agradecendo a disponibilidade e modo de atuação das entidades e forças presentes na reunião, reforçando a sua importância, eficácia e atuação ao longo das últimas semanas. Referiu, ainda, que tem estado no terreno, tendo já visitado mais de 30 concelhos, ao contrário do que aconteceu nos incêndios de 2025 onde os políticos foram impedidos de se deslocar aos cenários da tragédia.
Feita a contextualização cronológica dos acontecimentos, Rui Rocha assume que o evento climático ultrapassou a gravidade do que estava previsto, tendo sido feitas todas as ações preventivas possíveis e acauteladas em protocolo nas regiões onde se previa uma maior incidência da tempestade (Coimbra – Aveiro). Após a tempestade, a primeira ação incidiu sobre a desobstrução das vias e a garantia dos pontos críticos, mas há que relembrar que os danos são trágicos, por exemplo, foram destruídos cerca de 6000km de linha elétrica.
No rescaldo da crise, há uma importante avaliação a fazer, assinalar o que deve ser mudado e capacitar as infraestruturas para acautelar situações futuras. Portanto, de acordo com Rui Rocha, é necessário aproveitar estas oportunidades para avaliar o que deve ser melhorado.
O secretário de estado refere ainda que vão ser assegurados starlinks e geradores para bombeiros, câmaras municipais, freguesias, GNR, centros saúde, entre outros pontos-chave que devem estar equipados para prestar apoio às populações em momentos de crise, assegurando que enquanto houver alguém sem energia o problema não está resolvido. Por este motivo, tem feito pressão constante a par com o Governo e o Secretário de Estado da Energia, que esteve recentemente em Porto de Mós, junto da E- Redes. Reconhece que as comunicações são outro ponto crítico, com a dificuldade acrescida de não haver um interlocutor, portanto, esta é outra matéria que merece uma séria reflexão.
Rui Rocha assume que falará com a tutela para a existência obrigatória de um gerador nas várias infraestruturas e garante que se as forças de segurança, autarquias, centros de saúde, ERPI’s, etc tiverem este tipo de meios numa crise, isso gera resiliência e, com isto, ficam asseguradas as medidas que tiveram de ser implementadas na primeira hora, o que permite às entidades atuar desde logo, no nível seguinte. Esta situação exige de facto, uma reflexão ao nível da sociedade para que esta possa estar preparada para estas situações, porque tem verificado, por exemplo, muitas empresas, grandes empresas, sem seguro.
Passado este comboio de tempestades e a dificuldade acrescida que levou à mobilização total das entidades, Rui Rocha refere que este é um processo com várias etapas, onde ainda se está a tentar voltar à normalidade mas depois segue-se para a recuperação. Está, por isso, a ser desenhado um PTRR, com apoio da estrutura de missão, direcionado para a reconstrução do país e, neste momento, quer o Governo, quer as autarquias têm de redirecionar as suas prioridades e planos para este mandato, focando-se na reconstrução e reabilitação do território.
Quando se fala da análise sobre esta calamidade, o Secretário de Estado da Proteção Civil reflete ainda sobre a necessidade de encontrar mecanismos que chamem verdadeiramente a atenção das pessoas para as mensagens enviadas, para que estas não sejam normalizadas, questionando sobre o que teria acontecido se o evento tivesse ocorrido durante o dia e a proteção civil tivesse dado indicações para as pessoas não andarem na rua? Portanto, é essencial conseguir que as populações identifiquem os avisos mais críticos.
Depois da passagem por vários concelhos afetados, Rui Rocha não deixa de anotar a solidariedade notória do povo português, que se manifestou e mobilizou para apoiar as regiões afetadas desde o primeiro dia.
Em resposta ao Secretário de Estado, Jorge Vala esclarece que as operadoras têm informado que não podem atuar no terreno porque não existe disponibilidade da GNR para acompanhar os trabalhos de reposição de fibra ótica, o que não corresponde à verdade, e deu nota que a resposta do Governo para a recuperação das vias rodoviárias, entre outras, é fundamental uma vez que a autarquia já pediu orçamento para a reabilitação de quatro muros de suporte e só para essas intervenções serão necessários mais de 3 milhões de euros, e portanto não há orçamento disponível nas autarquias para fazer face a este tipo de custos.
De referir que o Município de Porto de Mós já assumiu que entregará um gerador a cada freguesia do concelho e a CIMRL vai assegurar a entrega de equipamentos de comunicação starlink às autarquias da Região.
*Patrícia Alves
Gabinete de Comunicação