sábado, 21 de fevereiro de 2026

COMUNICADO DA COMISSÃO COORDENADORA CONCELHIA DO BLOCO DE ESQUERDA DE COIMBRA SOBRE A BARRAGEM DE GIRABOLHOS

Na sequência das gravíssimas inundações do Rio Mondego nos Concelhos de Coimbra, Soure e Montemor–o-Velho, a Comissão Coordenadora Concelhia de Coimbra do Bloco de Esquerda solidariza-se com as populações afetadas por esta calamidade.
 Perante o natural desespero e sofrimento destas populações, certos setores da direita, numa atitude que entendemos ser oportunista, apresentaram a Barragem de Girabolhos como solução milagrosa para as cheias. Foram ainda mais longe, responsabilizando o Bloco de Esquerda pela não concretização desta obra. 
Como o assunto é sério e as populações não podem ser enganadas, importa esclarecer alguns factos: 
- O acordo de incidência parlamentar entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista, assinado em 2015, nunca previu o cancelamento da construção da Barragem de Girabolhos. Esta matéria não fez parte de qualquer negociação entre estes partidos. Para comprovar este facto basta consultar o próprio documento, disponível em https://www.esquerda.net/dossier/acordo-para virar-pagina-ao-ciclo-do-empobrecimento/39512. 
- O cancelamento da construção daquela barragem foi, isso sim, da exclusiva responsabilidade do seu promotor, ou seja, da Endesa. 
Por outro lado, o Bloco votou favoravelmente à conclusão do projeto hidroagrícola do Baixo Mondego, que, segundo os especialistas, ajudaria a mitigar cheias como aquelas que se verificaram. 
É impossível não reparar que os partidos que apoiam o atual Governo, e os mesmos que promovem esta mentira, se opuseram muito recentemente à concretização do projeto hidroagrícola do Baixo Mondego. Com efeito, PSD, CDS e IL votaram contra a conclusão desse importante projeto na discussão do Orçamento de Estado de 2025. Projeto que, esse sim, contribuiria para o controlo de cheias. 
A questão do Mondego é complexa, pelo que o Bloco de Esquerda defende uma discussão séria, ouvindo especialistas, populações locais e associações e movimentos ambientalistas, para que tragédias como esta nunca mais se repitam. 
O momento exige solidariedade para com as populações afetadas – solidariedade essa que deve traduzir-se em responsabilidade política, apoios imediatos e cooperação para construir soluções estruturais e preventivas, capazes de reduzir o risco e proteger as comunidades no futuro.

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