segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

SILVES RECEBE FESTIVAL DE MÚSICA AL-MUTAMID, NO DIA 13 DE MARÇO

A 26.ª edição do Festival de Musica Al-Mutamid está de regresso ao Teatro Mascarenhas Gregório, em Silves, no dia 13 de março, com o concerto do grupo Milo Ke Mandarini.
Promovido pelo Município de Silves, o concerto inserido no festival Al-Mutamid, com início marcado para as 21h30, reúne em palco uma combinação sonora com os estilos musicais originários de três culturas do Mediterrâneo - árabe-andalusí, judaica-sefardita e medieval cristã - que irá transportar o público para uma viagem melodiosa e artística pela riqueza multicultural do Mediterrâneo, da Península Ibérica e das três culturas monoteístas do Mediterrâneo.
Os ingressos, com o custo associado de 10 euros, estão à venda, e podem ser adquiridos na bilheteira online BOL, em https://cmsilves.bol.pt , ou nos pontos de venda habituais.
De salientar que este festival itinerante é uma homenagem ao rei poeta Al-Mutamid (nomeado governador de Silves com apenas 12 anos e figura incontornável dos mais belos tempos do Al-Andalus) e um evento pioneiro, de caraterísticas únicas, quer em Portugal quer na Península Ibérica, na divulgação das músicas e danças de raiz provenientes do Médio Oriente, Magrebe e Mediterrâneo Oriental.

O Município de Silves espera por todos nesta bonita viagem musical!

MERCADO LABORAL É O MAIOR CONDICIONANTE DA COMPETITIVIDADE DAS EMPRESAS


· » 25% das empresas identificam o Mercado Laboral como o principal fator condicionante da sua competitividade. Sistema fiscal (18%) e conjuntura internacional (17%) encerram o pódio das preocupações.

· » Mais de 60% das empresas indicam o nível de procura externa como o que mais condiciona as suas exportações.

· » 35% do investimento realizado em 2025 teve como finalidade equipamento produtivo. Digitalização absorveu 11% e a qualificação de RH 8%.

· » Mais de 65% das empresas mantiveram ou aumentaram os níveis de investimento face ao ano anterior.

As empresas nacionais que participaram no inquérito anual da AIP à Atividade Empresarial elegem como principal entrave à sua competitividade o Mercado Laboral. Entre os respondentes, 25% elegem a Legislação laboral e a mão de obra como o principal fator que as impede de competir da melhor forma. Entre outros fatores referenciados pelas empresas estão igualmente o sistema fiscal (18%) e a conjuntura internacional (17%). Além destes fatores, as empresas referem ainda a Carga Administrativa (13%), os Custos Energéticos (11%), mas também a digitalização (6%) e o Sistema Judicial (4%).
Também no que diz respeito às exportações (53% das empresas inquiridas desenvolvem atividade exportadora), as empresas sinalizam o nível de procura externa como o fator mais crítico para a exportação, sendo assinalado por 60% como principal constrangimento. De igual forma, o nível de concorrência, a existência de parcerias e a logística e transportes são referenciados como relevantes para a sua atividade para 52%, 34% e 22%, respetivamente.

Em 2025, mais de 65% das empresas afirmam ter mantido ou incrementado os seus níveis de investimento, com 7% a avançarem um aumento muito superior quando comparado com o ano anterior. Já 22% das empresas avançaram menores investimentos e 3% muito menor.

O equipamento produtivo foi o destino do investimento para 34% do total investido. A digitalização com 11% e a qualificação de recursos humanos com 8% são as áreas que fecham o pódio. A Investigação e Desenvolvimento continuou a não ser uma área prioritária, recolhendo apenas cerca de 8%. Aliás, 38% das empresas afirmam no mesmo inquérito que nunca investiram em I&D, 31% raramente o fazem, enquanto 28% investem frequentemente e 3% de forma permanente.

Questionadas sobre a avaliação da situação financeira atual, a maioria (41%) considera que é normal, ou boa (29%), enquanto 16% a classificam como má e apenas 3% como muito má. As empresas que dizem estar muito boa, representam 10% dos respondentes.

No conjunto das empresas inquiridas e sobre o recurso a crédito bancário 45% afirma recorrer de forma pontual a este tipo de financiamento, enquanto 26% o fazem de forma regular e 29% não recorrem aos bancos para obter os recursos que necessitam. A taxa a que se financiam as empresas que recorrem varia entre 30% abaixo de 2% e os 8% acima de 6%. Um terço das empresas dizem financiar-se a uma taxa entre os 2 e os 4% e 30% entre os 4 e os 6%.

O Inquérito à Atividade Empresarial em Portugal, realizado pela AIP desde 1995, desenvolveu-se no segundo semestre de 2025 e contou com 156 respostas validadas. A indústria é o setor mais representado na amostra com 43%, seguido pelos Serviços com 32% e do Comércio com 25%. 64% das empresas apresentam um volume de negócios inferior a 2 milhões de euros anuais, 17% entre 2 a 5 milhões, 5% entre 5 a 10 milhões, 12% entre 10 a 25 milhões e 2% acima de 50 milhões de euros. Por número de trabalhadores, 43% contam com menos de 10 empregados, 14% com 10 a 19, 22% com entre 20 e 49, 17% com um número entre 50 e 249 e 3% com mais de 250 trabalhadores. 40% das respostas pertencem à região Centro, 25% à Região de Lisboa e Vale do Tejo, 22% à Região Norte, 8% ao Alentejo, 4% ao Algarve, e 1% à Região dos Açores.

*Departamento de Comunicação

AIP reforça apoio às PME com dois projetos estratégicos para acelerar sustentabilidade e competitividade


A Associação Industrial Portuguesa (AIP) está a reforçar o seu compromisso com a sustentabilidade e a competitividade empresarial através do lançamento e dinamização de duas iniciativas estratégicas dirigidas às pequenas e médias empresas (PME): o EcoChain – Cadeias de Valor para a Descarbonização e o ALL ABOUT ESG.

Com uma atuação complementar, os dois projetos visam apoiar as empresas na adaptação às novas exigências ambientais e de mercado, promovendo a transição para modelos produtivos mais sustentáveis e a integração de práticas de gestão alinhadas com os princípios ESG – Environmental, Social and Governance.

EcoChain: descarbonização e eficiência nas cadeias de valor industriais

O projeto EcoChain, desenvolvido em copromoção com o Instituto Politécnico de Portalegre, tem como foco as PME dos setores agrícola, silvícola, indústrias alimentares, bebidas e fabricação de produtos químicos, abrangendo as regiões Norte, Centro e Alentejo. A iniciativa pretende acelerar a redução de emissões e a modernização dos processos produtivos em setores com elevada intensidade energética e carbónica.

A intervenção baseia-se numa abordagem integrada por cadeias de valor, promovendo cooperação intersetorial, valorização de resíduos e subprodutos e a adoção de soluções tecnológicas de baixo carbono, incluindo digestão anaeróbia, eficiência energética, eletrificação de processos e integração de energias renováveis, com forte orientação prática e suporte técnico especializado.

ALL ABOUT ESG: capacitação e governação responsável para PME da Região de Lisboa

Em paralelo, a AIP promove o projeto ALL ABOUT ESG, dirigido às PME da Região de Lisboa, com o objetivo de sensibilizar, capacitar e apoiar a incorporação estruturada de critérios ESG, num contexto marcado pela crescente exigência regulamentar e de mercado, incluindo a CSRD, a Taxonomia Europeia e novas políticas europeias de sustentabilidade.

Entre as principais ações previstas, destacam-se a criação do Barómetro ALL ABOUT ESG, programas de capacitação com webinars temáticos, iniciativas de comunicação ESG (revista digital, videocasts e manual de comunicação), bem como a realização da Conferência ALL ABOUT ESG. O projeto contempla ainda o reconhecimento público das PME com melhores práticas através da iniciativa Firstrow ESG.

*Departamento de Comunicação

Cantanhede | Conferência “Brincar, Criar e Cuidar: Arte & Natureza” no Museu da Pedra. Projeto Educ@rteNatureza evocou Maria Amélia de Magalhães Carneiro


O auditório do Museu da Pedra foi palco no passado sábado, 21 de fevereiro, da conferência “Brincar, Criar e Cuidar: Arte & Natureza”, uma iniciativa do projeto Educ@rteNatureza, através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e Universidade Aberta, que conta com o apoio do Município de Cantanhede.
A conferência, que integrou a 4.ª edição do projeto cultural “Gente da Nossa Terra”, dedicada a Maria Amélia de Magalhães Carneiro, reuniu três dimensões essenciais para os tempos atuais: educação, arte e natureza. Tratou-se, no fundo, de uma oportunidade de reflexão académica, prática e pedagógica, bem como de partilha de experiências.

Presente na abertura da sessão, o vice-presidente da Câmara Municipal de Cantanhede com o pelouro da Educação e da Cultura, Pedro Cardoso, destacou “a abordagem inovadora deste projeto Educ@rteNatureza e o trabalho consistente que vem desenvolvendo na promoção de um modelo educativo que valoriza a criatividade, a ligação ao território e a sustentabilidade”.

“O Município de Cantanhede continuará a apoiar iniciativas que promovam conhecimento, qualificação e inovação pedagógica, reforçando a ligação entre cultura, educação e território”, reforçou o autarca.
A sessão, moderada por Sónia Valente (Universidade Aberta), abordou temáticas como “O Ateliê da Natureza: onde o Brincar se Transforma em Arte e Desenvolvimento”, por Tânia Cartaxo (Projeto TerraEduca), “Entre Luzes e Bastidores: A Educação Artística para um Mundo Sustentável”, por Mónica Oliveira (Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti) e “Educ@rteNatureza: a Arte como meio para a Educação com/pela Natureza”, por Teresa Pessoa (Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra).

A escolha destes temas ganhou especial significado quando integrada na evocação de Maria Amélia de Magalhães Carneiro, artista profundamente ligada ao mundo rural, às paisagens gandaresas e às gentes do nosso território.

Maria Amélia encontrou na natureza não apenas cenário, mas matéria viva para a sua expressão artística. Pintou ao ar livre, valorizou os rostos, os trajes, os interiores, os campos e os caminhos — e fez da observação atenta do meio envolvente uma forma de criação e de educação.

Foi também pioneira no ensino artístico no concelho, transformando a sua casa-ateliê num espaço de aprendizagem e formação, deixando um legado pedagógico que continua a inspirar.

Novo cone de conífera com cerca de 133 milhões de anos descoberto no Cretácico Inferior de Portugal


Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) identificou uma nova espécie de conífera, com cerca de 133 milhões de anos, na flora de Vale Cortiço, na região de Torres Vedras.
Trata-se de um cone masculino muito bem preservado, composto por microsporófilos imbricados e dispostos helicoidalmente, no qual se observam grãos de pólen do género Classopollis. O achado enquadra-se no género Classostrobus (porque produzia pólenes do género Classopollis) e foi descrito como Classostrobus amealensis, derivando o restritivo específico do nome da pequena localidade de Ameal, onde foi encontrado.
«As floras do Cretácico português são ricas em coníferas da família Cheirolepidiaceae (atualmente extintas) de grande importância para a compreensão das condições paleoclimáticas e dos ecossistemas em que viveram», explica Mário Miguel Mendes, investigador do Centro de Investigação da Terra e do Espaço da Universidade de Coimbra (CITEUC) e professor da Universidade Fernando Pessoa (Porto).
Nesta família enquadram-se os frenelopsídeos pertencentes aos géneros Frenelopsis e Pseudofrenelopsis. Atendendo ao que tem sido observado no registo fóssil, estas plantas tinham uma notável capacidade de adaptação, habitando uma ampla gama de habitats, desde ambientes semiáridos a áridos e, em certos casos, regiões interiores com condições mais amenas.
«A presença destes frenelopsídeos, mas, sobretudo, dos seus pólenes característicos atribuíveis ao género Classopollis, é um indicador chave de climas quentes, semiáridos ou áridos. A flora de Vale Cortiço é rica em restos de frenelopsídeos pertencentes às espécies Frenelopsis teixeirae e Pseudofrenelopsis dinisii, sendo a primeira, particularmente, abundante nos níveis fossilíferos de onde provém o novo cone masculino agora descrito. Portanto, além dos restos vegetativos, foi encontrada, agora, uma estrutura reprodutiva masculina», revela o especialista.
Mário Miguel Mendes já tinha estudado, com detalhe, a associação esporo-polínica desta jazida fossilífera e identificou pólenes que suspeitava pertencerem à espécie Classopollis martinottii. No entanto, e porque apenas os observou em microscopia ótica, optou por classificá-los dentro do género Classopollis e como espécie indeterminada.
«Os pólenes observados in situ foram estudados minuciosamente, através da técnica de microscopia eletrónica de transmissão. Os resultados obtidos permitiram concluir tratar-se da espécie Classopollis martinotii, o que significa que o novo cone, Classotrobus amealensis, produzia pólenes da espécie Classopollis martinottii. Todavia, o novo cone não se encontrava anexado a nenhum ramo vegetativo – Frenelopsis teixeirae ou Pseudofrenelopsis dinisii», esclarece o paleobotânico.
No entanto, conclui, «a predominância de fragmentos de Frenelopsis teixeirae, no mesmo nível fossilífero, e a organização dos estomas observada nas cutículas de Classostrobus amealensis, sugere que a espécie Frenelopsis teixeirae dava origem a cones da espécie Classotrobus amealensis que, por sua vez, produziam pólenes atribuíveis a Classopollis martinottii».
Este trabalho foi realizado em parceria com investigadores do Paleontological Institute of the Russian Academy of Sciences (Rússia), do National Museum Prague (República Checa) e do Naturalis Biodiversity Center (Leiden, Holanda), tendo recebido financiamento do CITEUC e da Czech Grant Agency.

O estudo será publicado no volume de maio da revista internacional Cretaceous Research e pode ser consultado aqui.

Legenda Figura 1. Imagens obtidas a partir e microscopia eletrónica de varrimento. A. Cone masculino pertencente à espécie Classostrobus amealensis exibindo microsporófilos imbricados dispostos helicoidalmente. B. Grãos de pólen atribuíveis a Classopollis martinotii observados no cone masculino ilustrado em A.

**Sara Machado
Assessora de Imprensa
Universidade de Coimbra• Faculdade de Ciências e Tecnologia

Águeda | Nota de pesar pelo falecimento de Rogério Estrela

Câmara Municipal de Águeda manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento de Rogério Estrela, que exerceu funções como Presidente da Junta de Freguesia de Águeda entre 2005 e 2009.
Durante o seu mandato, Rogério Estrela dedicou-se com empenho e sentido de missão ao serviço da comunidade, contribuindo para o desenvolvimento da freguesia e para a melhoria da qualidade de vida dos seus cidadãos.
Foi igualmente antigo professor na Escola Secundária Marques de Castilho, onde deixou a sua marca junto de várias gerações de alunos, distinguindo-se pelo profissionalismo, dedicação e serviço à educação.
Neste momento de dor e consternação, a Câmara Municipal de Águeda endereça à família, amigos e a todos quantos com ele privaram as mais sentidas condolências, reconhecendo e agradecendo o seu contributo em prol da nossa comunidade.

*Ana Sofia Pinheiro
Técnica Superior
Gabinete de Comunicação e Imagem


 

Ação promocional do Município decorre no dia de abertura do evento. Cantanhede leva a Expofacic à Bolsa de Turismo de Lisboa


Os contornos da 34.ª edição da Expofacic - Exposição Agrícola, Comercial e Industrial vão ser revelados na ação promocional do Município de Cantanhede na Bolsa de Turismo de Lisboa, que decorre entre os dias 25 de fevereiro e 1 de março.
A apresentação do evento decorre na próxima quarta-feira, dia da abertura daquele que é o maior encontro nacional de operadores turísticos, no stand da Comunidade Intermunicipal da Região Metropolitana de Coimbra, a partir das 14h00.
Momento especialmente aguardado vai ser a divulgação de alguns nomes do cartaz musical, que se vão juntar aos já anunciados Vizinhos, que se estreiam em Cantanhede a 30 de julho.
Ao longo de 11 dias – de 30 de julho a 9 de agosto – a Expofacic proporcionará uma oferta diversificada e de grande qualidade para públicos de todas as idades.
De acordo com a presidente da Câmara Municipal, Helena Teodósio, o evento assume-se como “uma das maiores realizações nacionais”, impulsionando o Município de Cantanhede “a tirar o melhor partido possível para afirmar o potencial turístico do território e promover os valiosos recursos e produtos existentes nesse âmbito”.
“O investimento que autarquia tem feito para lhes dar a maior visibilidade possível, passa também pela participação tão representativa quanto possível em certames desta natureza, na perspetiva de que, juntamente com outras ações promocionais, estamos a estimular a procura da diversidade das experiências que o concelho proporciona”, justifica.
A Expofacic 2026 vai contar, de novo, com a Expofacic Kids – espaço de diversão dedicado às crianças – e o Street Gaming, cuja aposta em 2025 registou elevada adesão de curiosos e apaixonados de videojogos de todas as idades.
A estas duas marcas incontornáveis junta-se uma expressiva feira de atividades económicas, os setores agrícola e de artesanato e cerca de 50 tasquinhas tradicionais, onde será possível apreciar as melhores iguarias da região.
A esta ação promocional do Município de Cantanhede vão associar-se agentes económicos e produtores de vinhos locais. A par disso, está previsto um momento de degustação de produtos locais, pela Escola Técnico-Profissional de Cantanhede, entre os quais se destacam os negalhos e o bolo de Ançã.

Crónica - O maior artista português do século XX ignorado por ser salazarista


Há formas discretas de esquecimento que não resultam de proibição nem de censura explícita, mas antes de um lento afastamento da memória coletiva, quase imperceptível, que acaba por produzir efeitos mais duradouros do que qualquer interdição formal. A história cultural portuguesa do século XX contém alguns desses silêncios, e poucos serão tão reveladores como o caso de um artista cuja obra permanece amplamente visível em instituições nacionais e internacionais, embora o seu nome raramente surja no discurso público contemporâneo. Refiro-me a António Lino, cuja trajetória artística levanta uma questão que importa colocar com serenidade intelectual: como pode um criador com reconhecimento internacional significativo ter praticamente desaparecido da consciência cultural do seu próprio país.
A resposta não pode ser encontrada na ausência de obra nem na irrelevância artística. Pelo contrário, os factos disponíveis indicam uma presença invulgarmente consistente em espaços de elevada centralidade simbólica. Uma das suas pinturas encontra-se na Basílica da Natividade, em Belém, lugar que a tradição cristã identifica como o local do nascimento de Jesus Cristo, circunstância que representa, por si só, um grau de reconhecimento internacional raramente alcançado por artistas portugueses do seu tempo. Em território nacional, intervenções artísticas suas integram o Santuário de Fátima, os vitrais do Paço dos Duques de Bragança, painéis em edifícios do Estado, representações simbólicas em tribunais portugueses e gravuras inseridas na Cidade Universitária de Lisboa, acompanhando diariamente milhares de cidadãos que frequentemente desconhecem a autoria das obras que observam.
Não estamos, portanto, perante um artista esquecido por falta de relevância histórica, mas diante de um fenómeno mais complexo, no qual a permanência material da obra contrasta com o progressivo desaparecimento do autor da narrativa cultural dominante. Tal fenómeno torna-se inteligível quando considerado à luz da profunda transformação política ocorrida em Portugal após 1974. A transição para a democracia implicou necessariamente uma revisão crítica do passado recente e das estruturas culturais associadas ao regime anterior, processo historicamente compreensível e politicamente legítimo. Contudo, como frequentemente sucede em períodos de rutura, a necessidade de redefinir referências coletivas conduziu por vezes a simplificações interpretativas que tenderam a associar a avaliação cultural ao posicionamento político dos seus protagonistas.
A ligação institucional e estética de António Lino ao contexto do Estado Novo e à figura de António de Oliveira Salazar terá contribuído decisivamente para esse afastamento gradual. Não se tratou de censura formal nem de exclusão deliberada declarada, mas antes de um processo difuso de desvalorização, traduzido na escassez de estudo académico, na limitada divulgação mediática e na ausência de reavaliações críticas que normalmente acompanham figuras artísticas de relevância comparável. Assim se produziu um paradoxo digno de reflexão: numa sociedade democrática que justamente rejeitou a censura política, consolidou-se um silêncio cultural que acabou por desempenhar função semelhante ao esquecimento institucional.
A questão que daqui decorre ultrapassa largamente a figura individual do artista. Trata-se de saber se a apreciação estética deve depender do contexto político em que a obra foi produzida ou da qualidade intrínseca da criação artística. A tradição cultural europeia oferece múltiplos exemplos de criadores cuja importância histórica não foi anulada pelas circunstâncias ideológicas do seu tempo, precisamente porque a maturidade cultural das sociedades reside na capacidade de distinguir entre compreensão histórica e julgamento sumário. Recordar não equivale a legitimar; estudar não implica concordar; reconhecer valor artístico não significa reabilitar sistemas políticos.
Uma democracia segura de si mesma não necessita de reduzir a complexidade do passado para afirmar os seus princípios. Pelo contrário, demonstra maturidade quando consegue integrar criticamente todas as dimensões da sua herança cultural, incluindo aquelas que suscitam desconforto ou debate. Ignorar determinadas figuras não corrige a história, apenas a simplifica, e toda simplificação excessiva empobrece inevitavelmente o conhecimento coletivo.
Talvez o caso de António Lino revele, em última análise, menos sobre o artista do que sobre a forma como Portugal ainda dialoga com o seu século XX. O tempo histórico suficiente já decorreu para permitir avaliações mais serenas, menos condicionadas pela proximidade emocional das ruturas políticas. Reexaminar trajetórias artísticas não significa rever consensos democráticos fundamentais, mas apenas reconhecer que a cultura nacional é sempre mais ampla do que as circunstâncias políticas que a atravessam.
Uma comunidade cultural madura não teme revisitar o passado com espírito crítico e equilíbrio intelectual. Teme apenas que o silêncio substitua o conhecimento e que o esquecimento, em vez do estudo, passe a determinar aquilo que as gerações futuras julgam digno de memória.
*Paulo Freitas do Amaral
Professora, Historiador e Autor