quarta-feira, 20 de julho de 2016

PROBLEMAS NA BANCA PORTUGUESA E ITALIANA SÃO RISCO PARA ECONOMIA MUNDIAL


 
O legado de problemas no sistema bancário da Europa, em particular em Portugal e na Itália, é um dos riscos apontados pelo FMI para a economia mundial até 2017, bem como as divisões políticas nas economias desenvolvidas.
Na atualização do World Economic Outlook divulgada esta terça-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) justifica a revisão em baixa das projeções com o resultado do referendo no Reino Unido, que ditou a saída do país da União Europeia, mas identifica uma série de outros riscos que podem ainda materializar-se, considerando que estes riscos “se tornaram mais salientes”.
Por exemplo, a instituição liderada por Christine Lagarde refere “o legado de problemas por resolver no sistema bancário europeu, em particular nos bancos italianos e portugueses“.
O Fundo alerta que “a turbulência prolongada nos mercados financeiros e o aumento global da aversão ao risco podem ter repercussões macroeconómicas severas, incluindo através da intensificação dos problemas nos bancos, em particular nas economias vulneráveis”.
O relatório cita conclusões do Global Financial Stability Report, cuja última atualização disponível, em abril de 2016, referia que o bail-in da dívida subordinada de quatro pequenos bancos italianos no final do ano passado levantou preocupações entre os investidores.
Por outro lado, em Portugal, o tratamento de alguns detentores de dívida sénior do Novo Banco levou a uma percepção de imparcialidade desnivelada e a um aumento da incerteza que abalou a confiança.
Outro risco identificado vem da China, considerando o Fundo que o facto de o crédito continuar a ser um motor de crescimento “aumenta o risco de um ajustamento eventual disruptivo” na China.
Além disso, o FMI refere que os exportadores de matérias-primas “ainda enfrentam a necessidade de [realizarem] ajustamentos orçamentais consideráveis” e que os mercados emergentes “têm de estar alerta para riscos à estabilidade financeira”.
A instituição aponta ainda riscos de origem não económica, alertando que “as divisões políticas nas economias desenvolvidas podem prejudicar os esforços para enfrentar desafios estruturais que persistem e o problema dos refugiados”, considerando que “uma mudança para políticas protecionistas é uma ameaça”.
Ainda no plano não económico, o Fundo alerta que “as tensões geopolíticas, os conflitos armados e o terrorismo” estão a penalizar as perspetivas em várias economias, em particular no Médio Oriente.
Outras preocupações incluem fatores climáticos, como a seca em África, e de saúde, como o vírus Zika na América Latina e nas Caraíbas.
Para enfrentar todos estes desafios, o FMI recomenda que as autoridades europeias e britânicas façam “uma transição suave e previsível” para um novo quadro de cooperação comercial que “preserve tanto quanto possível os ganhos comerciais entre o Reino Unido e a União Europeia”.
Sublinhando que a baixa inflação e o fraco crescimento continuam a penalizar o crescimento na maioria das economias desenvolvidas, o Fundo apela a que, por um lado, haja um apoio à procura interna e, por outro, sejam feitas reformas estruturais para “revitalizar o crescimento de médio prazo” destas economias.
ZAP / Lusa

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