sábado, 2 de maio de 2020

Se hoje ouvirdes a voz da graça, não endureçais vosso coração


  • Padre David Francisquini *
Tomei conhecimento de notícia publicada pelo G1 que trata da aprovação de um projeto de lei que transitou na Câmara estadual do Rio de Janeiro. Pleiteia-se a decretação do estado de calamidade púbica em 66 municípios do estado por causa da pandemia do vírus Chinês. Esse projeto de lei pleiteia também autorização para os municípios poderem realizar gastos extras na saúde.
O mesmo projeto de lei, publicado no dia 16 de abril, autoriza os prefeitos a gastarem mais do que o previsto do orçamento municipal com obras, serviços e pessoal para o combate da peste, sem que haja a aplicação das penalidades previstas na lei.
Não vou entrar no mérito de se serão fiscalizados ou não os gastos superfaturados. Se bem que, em momentos de crise como a atual não se deve duvidar da idoneidade dos prefeitos, é sabido  que, em matéria de dinheiro, políticos inescrupulosos costumam aproveitar situações como essa para assaltar os cofres públicos.
A nós, católicos, uma pergunta se impõe: Como é que fica o Quinto Mandamento da Lei de Deus, que proíbe apoderar-se dos bens alheios? Infelizmente sabemos que muitos políticos não são assim tão sensíveis à Lei de Deus.  
Contudo, o que me deixa surpreso é o fato de ser decretado de modo amplo e irrestrito o estado de calamidade pública no Estado, sem se verificar se cada município está nesse caso. Cito como exemplo os municípios de Cardoso Moreira, Italva, Laje do Muriaé, entre outros.
Referindo-me à minha cidade, Cardoso Moreira: não há um só caso constatado do novo coronavírus. Houve apenas suspeitos, mas que foram depois liberados. Então, por que decretar estado de calamidade pública em regiões em que não se verificam casos que exijam isto?
O que se pode chamar de “calamidade pública”: ter numa localidade um ou dois casos constatados de infectados do vírus chinês, ou grande parte da população infectada? Qual a razão para se decretar estado de calamidade pública no primeiro caso? Muitos diriam que é para se receber dinheiro do Governo Federal com mais facilidade, ou mesmo com fins eleitoreiros, num ano eleitoral.
Nosso Senhor, nas páginas do Evangelho, nos ensina a prevalência dos bens espirituais sobre os bens materiais na vida do homem. Ele disse mesmo que “Onde está o teu tesouro, aí também está teu coração.” (Mt 6-21). É lamentável ter que reconhecer que muitos de nossos políticos, habituados ao prestígio, à honra e à dignidade, dão mais importância aos bens materiais que aos espirituais, visando assegurar suas posições.
Num Estado já falido pelas más gestões anteriores como o do Brasil, alguns deles parecem estar procurando agravar mais a situação econômica e social do País, mesmo com o risco de apressar seu funeral ou acelerar as exéquias do que ainda resta de ordem e de bem na nação. Eles agem como verdadeiras aves de rapina, predadoras desse Estado mal governado por décadas de governos inescrupulosos, verdadeiros abutres ansiosos para se açambarcar dos cofres públicos, já tão deficitários.
Desejam eles endividar propositalmente os Estados e os municípios, para que o Brasil se torne uma nova Venezuela? Pois tentam saquear os cofres públicos, desinteressados do progresso, do enriquecimento do País e da cultura.
O controle sobre a população indefesa está ficando cada vez maior. Já há, e é de se lamentar, guardas e enfermeiros à entrada das cidade para submeter quem entra e sai às exigências sanitárias. O que nos deixa perplexos é estar o comércio parado, as liberdades individuais cerceadas, as pessoas impedidas no que tem de mais elementar que é o direito de receber os Sacramentos e servir a Deus em suas igrejas. Lamentamos que não haja reação proporcional por parte da sociedade contra essa interferência dos poderes públicos.
Por outro lado, alguns particulares tornam-se cada vez mais ousados e atrevidos em dilatar aos órgãos públicos seus vizinhos que não estejam cumprindo as normas do Governo. Há uma vigilância cada vez maior para coibir a liberdade individual, numa cidade cada vez mais controlada pela polícia, que está se tornando num regime de terror.
Indo as coisas como vão, em matéria de liberdade individual, qual será a diferença entre a tirania da China comunista e o Brasil em pouco tempo?
Todas estas considerações nos fazem lembrar do que disse Nosso Senhor Jesus Cristo sobre o resultado de nossas ações: “Ou dizei que a árvore é boa, e o seu fruto bom: ou dizei que a árvore é má, e o seu fruto mau; pois que pelo fruto se conhece a árvore. Raça de víboras , como podeis dizer coisas boas, vós que sois maus? Porque a boca fala da abundância do coração. O homem bom tira boas coisas do bom tesouro (do seu coração); e o mau homem tira más coisas do mau tesouro. Ora, eu digo-vos que de qualquer palavra ociosa que tiverem proferido os homens, darão conta dela no dia do juízo. Porque pelas tuas palavras serás justificado ou condenado.” (Mt 12, 33-37).
Acrescenta-se a isso que, num ambiente cada vez mais afastado dos mandamentos, há um terrorismo mediático que vai gradualmente se impondo e mais exigindo do homem levando-o a se despojar de sua individualidade, dos seus valores, de sua liberdade, como ser racional, dono dos seus próprios atos. É uma ditadura de poucos que quer obrigá-lo a aceitar tragicamente o caminho das concessões. O que vai fragilizando e prostrando mais o homem rumo ao despenhadeiro.
Santo Agostinho afirma “que a vontade livre deve ser contada entre os bens recebidos de Deus”. (De Lib. Arb. II 18,47). Caso o homem observe atentamente a lei perfeita de Deus e a pratique, terá sua recompensa como afirma São Tiago Apostolo.
Temos liberdade de fazer o bem e o mal. O bom ou o mau uso dessa liberdade está nas mãos de cada um. O que a Revolução gnóstica e igualitária deseja quebrar em nós, é esse dom magnífico que Deus nos deu: ou seja a nossa liberdade de escolha. O que fazem os terroristas ao utilizar homens bombas para semear o caos, hoje a mídia ideologizada e esquerdista utiliza o terrorismo psicológico abusando de um vírus made in China para cercear nossa liberdade de ir e vir, pela ameaça de uma possível calamidade pública, real ou fictícia. Isto porque os malefícios da crise são muito maiores do que os da própria doença. Pois está provocando fome, desempregos em massa, doenças psicológicas, desesperos, suicídios, assaltos sem conta. Enquanto prendem os homens de bem por usar de sua liberdade de ir e vir, soltam os bandidos.
Ao mesmo tempo, enquanto falam de preservar a vida, com pretexto da ameaça do vírus chinês, o STF tenta legalizar o aborto em nosso país, em nome da eugenia.
 Em que país estamos, cheio de contradição, em que desejam nos levar à miséria moral, psicológica, econômica e política? Ninguém confia em ninguém. Para alguns os dias são sombrios, borrascosos, sem esperança. Se a própria Igreja fecha seus templos privando-nos dos Sacramentos e do Santo sacrifício, o que nos aguarda?
O que devemos esperar de tudo isto, quando já se fala que o mundo, depois dessa pandemia, não será mais o mesmo? Dizem mesmo que já começou uma outra era. E essa era imprevisível, com um Estado totalitário e todo poderoso, nos leva a temer pelo futuro.

Se a dúvida e a incerteza tomam conta dos espíritos, o que nos resta é voltarmos de todo o coração para Deus e Senhor de todas as coisas. “Se ouvirdes hoje sua voz, não endureçais vossos corações”.
 A Virgem, em Fátima, alertou que o Comunismo espalharia seus erros pelo mundo. Mas prometeu que seu Coração Imaculado triunfaria. Por isso, dizemos: “Se hoje ouvirdes a voz da Virgem de Fátima, não queirais endurecer vossos corações, mas permanecei na esperança, na certeza, na fé, na luta, para alcançar a vitória do Imaculado Coração de Maria”, porque cremos e esperamos contra todas as esperanças.
ABIM
Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ).

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