Caras e caros Marinhenses
À
meia-noite, quando o tempo parece suspender-se e a história ganha
voz, reunimo-nos nesta varanda para celebrar abril — não apenas
como memória, mas como compromisso vivo.
Celebramos
hoje a Revolução de 25 de Abril de 1974.
Celebramos
a coragem de um povo que ousou ser livre. Celebramos o momento em que
Portugal escolheu a democracia, a dignidade e a esperança.
Mas
este ano, esta noite, este momento… são
diferentes.
Porque
celebramos abril depois
da tempestade.
A
tempestade Kristin não foi apenas vento e chuva. Foi
uma prova dura, inesperada e profundamente marcante para o nosso
concelho. Atingiu a
Marinha Grande, a Vieira de Leiria, a Moita — entrou nas nossas
casas, afetou as nossas famílias, destruiu infraestruturas, abalou
rotinas e deixou cicatrizes no território e no coração de todos
nós.
Espaços
públicos foram danificados. Habitações sofreram perdas. Empresas
viram o seu trabalho interrompido. E, talvez mais doloroso ainda,
vimos o nosso
património natural — o
Pinhal do Rei —
sofrer uma destruição profunda, que nos toca na identidade e na
memória coletiva.
Mas,
minhas Senhoras e meus Senhores,
Se
a tempestade nos mostrou a fragilidade, também revelou — com uma
força extraordinária — aquilo
que verdadeiramente somos.
E
revelou também algo que importa não esquecer: que
há momentos que só podem ser plenamente compreendidos por quem os
vive no terreno, no tempo da urgência, na proximidade das pessoas e
das suas dificuldades.
É
nessa vivência direta que se percebe que, em situações de exceção,
o essencial não são procedimentos burocráticos, mas
a resposta concreta, a presença, a capacidade de agir e de proteger.
Perante
a adversidade, a
Marinha Grande não hesitou.
Levantou-se.
Levantou-se
com milhares de
voluntários que, de forma espontânea, solidária e generosa, saíram
à rua para ajudar.
Pessoas que deixaram o conforto das suas casas para apoiar vizinhos,
limpar ruas, distribuir bens, reconstruir o que era possível
reconstruir.
Vimos
associações mobilizarem-se. Vimos empresas ajudarem. Vimos jovens,
adultos e idosos unidos por um único propósito: cuidar
uns dos outros.
Foi,
verdadeiramente, uma lição de humanidade.
A
todos vós —
voluntários, bombeiros, proteção civil, trabalhadores municipais,
Juntas de Freguesia, forças de segurança, militares, associações,
cidadãos anónimos — deixo
aqui, publicamente, o mais profundo, sentido e emocionado
agradecimento.
Vocês
são o orgulho desta terra.
Vocês
são a alma da Marinha Grande.
Vocês
são a prova de que, quando tudo falha, é a comunidade que resiste.
E
é essa resistência que hoje celebramos.
Mas
resistir não é apenas aguentar.
Resistir
é agir.
Resistir
é exigir.
Resistir
é construir o futuro.
E
é por isso que, enquanto Presidente da Câmara Municipal, quero
assumir aqui um compromisso claro, firme e inabalável:
Não
baixaremos os braços.
Não
baixaremos os braços na reconstrução das nossas infraestruturas.
Não
baixaremos os braços no apoio às famílias afetadas.
Não
baixaremos os braços na recuperação da nossa economia local.
Não
baixaremos os braços na defesa da nossa floresta.
Mas
também não baixaremos os braços na exigência de justiça e de
responsabilidade.
Porque
é importante dizê-lo, com frontalidade e com sentido de dever: em
momentos de grande exigência coletiva, o país tem de responder como
um todo. E não
pode haver desfasamento entre a urgência das populações e a
resposta.
As
autarquias estão na linha da frente — e devem estar — mas não
podem estar sozinhas nesta missão. Não podemos aceitar que o peso
da análise e gestão das candidaturas aos apoios recaia quase
exclusivamente sobre as autarquias.
As
câmaras municipais estão próximas das pessoas — e devem estar.
Mas o Estado central não pode demitir-se das suas responsabilidades.
As populações precisam de respostas rápidas, claras e eficazes.
Precisam de sentir que o país está com elas.
E
nós estaremos sempre — sempre
— ao lado das
nossas populações. Mas
exigiremos, com a
mesma determinação, que todos os níveis de poder façam a sua
parte.
Porque
servir as pessoas não é uma opção.
É um dever.
Minhas
Senhoras e meus Senhores,
Celebramos
em abril também os 50 anos da Constituição da República
Portuguesa.
Cinquenta
anos de um documento que é muito mais do que um texto jurídico. É
o reflexo de um sonho coletivo.
É o garante dos nossos direitos, das nossas liberdades, das nossas
garantias. É a base
da nossa democracia.
Recordamos
hoje os constituintes — homens e mulheres que, vindos de diferentes
caminhos e visões, foram capazes de construir um pacto fundamental
para o país. Um pacto assente na dignidade humana, na justiça
social, na igualdade de oportunidades.
A
Constituição ensinou-nos que a democracia não é apenas votar. É
participar. É incluir. É proteger os mais vulneráveis. É
garantir que ninguém fica para trás.
E
essa responsabilidade atravessa gerações.
Aos
jovens da Marinha Grande, quero dirigir uma palavra muito especial.
Vocês
são herdeiros de Abril.
Mas, mais do que isso, são os seus continuadores. A democracia
precisa da vossa voz, da vossa energia, da vossa capacidade de
questionar e de transformar.
A
vossa ação é determinante para construir comunidades melhores,
mais justas e mais humanas.
O
futuro desta terra também vos pertence.
E
é a pensar nesse futuro que trabalhamos todos os dias.
Assumimos
compromissos claros com a população — e
estamos determinados em cumpri-los.
Vamos
avançar com a construção da piscina municipal — um projeto há
muito aguardado, que responde a uma necessidade real e sentida da
nossa comunidade.
Vamos
investir na requalificação das nossas escolas, porque acreditamos
que a educação é o pilar fundamental de qualquer sociedade
desenvolvida.
Vamos
requalificar infraestruturas essenciais, melhorando as condições de
vida das pessoas e a qualidade dos serviços públicos.
Vamos
continuar a requalificar os nossos espaços públicos, as nossas
rotundas, os nossos acessos — tornando o concelho mais seguro, mais
organizado e mais acolhedor.
E
enfrentaremos, com coragem, um dos maiores desafios do nosso tempo: a
recuperação do Pinhal do Rei.
Não
será um caminho fácil. Exigirá tempo, investimento, conhecimento e
persistência. Mas
não temos medo.
Porque sabemos que aquilo que está em causa não é apenas uma
floresta — é a
nossa história, a nossa identidade, o nosso futuro.
E
a Marinha Grande nunca virou costas aos seus desafios.
Nunca!.
Marinhenses
Abril
ensinou-nos que a liberdade conquista-se. Que a democracia
constrói-se. Que o futuro faz-se com coragem.
A
tempestade ensinou-nos que a união salva. Que a solidariedade cura.
Que a resiliência transforma.
Hoje,
juntamos essas duas lições.
E
dizemos, com toda a força: estamos
aqui. Ardemos…
Abanámos,
mas não caímos.
Estamos de pé.
Estamos juntos.
E
juntos vamos reconstruir o que foi destruído.
Juntos
vamos honrar o passado. Juntos vamos construir o futuro.
Com
coragem. Com responsabilidade. Com esperança.
Porque
esta terra tem história. Tem identidade.
E
tem, acima de tudo, um
povo extraordinário.
Um
povo que não desiste. Um povo que não se rende. Um povo que nunca
baixa os braços.
Viva
o 25 de abril!
Viva
a Liberdade!
Viva
a Marinha Grande!
Viva
Portugal!
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