sábado, 9 de maio de 2026

Opinião - O legado dos Anjos para um humor sem ódio


Durante anos, uma parte do humor português viveu convencida de que possuía uma espécie de superioridade moral e intelectual sobre o resto do país. Atrás do rótulo confortável da “piada”, criou-se uma máquina de ataque permanente onde humilhar, ridicularizar e repetir o mesmo alvo até ao esgotamento passou a ser vendido como inteligência sofisticada. Quem fazia parte daquele circuito mediático ria-se entre amigos, protegia-se entre amigos e promovia-se entre amigos, sempre com a arrogância típica de quem acreditava nunca vir a ser questionado. O problema começou quando os portugueses perceberam que muitas vezes aquilo já não era humor — era apenas ódio socialmente aceite porque vinha embrulhado em sarcasmo e aplausos de estúdio.
O caso envolvendo os Anjos e Joana Marques veio partir essa bolha. E ainda bem.

Pela primeira vez em muitos anos, os humoristas perceberam que o público começou a distinguir humor de perseguição. Uma piada ocasional é uma coisa; transformar determinadas pessoas em saco de pancada diário é outra completamente diferente. Foi precisamente aí que muitos portugueses abriram os olhos. Não por falta de liberdade de expressão, mas por excesso de arrogância de quem acreditava estar acima de qualquer crítica.

A verdade é simples: o humor português, durante anos, habituou-se a atacar sempre dentro do mesmo guião ideológico. Os alvos eram previsíveis, os temas repetidos e a sensação de impunidade total. Quem discordava era imediatamente catalogado como antiquado, conservador ou inimigo da liberdade. Mas a realidade começou a mudar quando os próprios humoristas perceberam que já não estavam isolados numa torre de vidro.

No último ano, tornou-se evidente uma mudança importante, ainda que discreta. Não se tratou tanto de moderar discursos, mas de deixar de fazer lobby às claras, como durante tanto tempo aconteceu sem qualquer pudor. Programas que juntavam à mesma mesa humoristas, assessores da Presidência, comentadores residentes e figuras influentes da comunicação social começaram lentamente a alterar-se. Ainda de forma modesta, é verdade, mas suficientemente visível para mostrar que o desconforto existe. O caso Joana Marques tornou demasiado evidente a promiscuidade entre entretenimento, influência mediática e proteção corporativa.

Até no círculo próximo de Joana Marques surgiram sinais claros desse incómodo. Em vários “à partes” radiofónicos, as próprias colegas foram deixando reparos subtis sobre o hábito de martelar consecutivamente nas mesmas pessoas durante dias seguidos. E esses detalhes têm importância porque revelam algo maior: a consciência de que havia ali um excesso evidente que começou finalmente a incomodar dentro da própria máquina mediática.

Mais interessante ainda foi observar outra mudança: o medo do sectarismo. Muitos humoristas e comentadores começaram subitamente a abrir espaço a vozes diferentes, talvez porque perceberam que o país estava cansado de ouvir sempre a mesma bolha cultural a falar para si própria. Figuras vindas de setores mais conservadores começaram a ter mais presença e mais espaço mediático, como é o caso de Francisco Pereira Coutinho. Isso não aconteceu por acaso. Aconteceu porque se tornou evidente que o humor português tinha passado demasiado tempo fechado numa espécie de clube ideológico onde todos pensavam da mesma maneira.

Também os jornais e televisões começaram a sentir o desconforto. Durante anos, humoristas convidaram editores, jornalistas e figuras mediáticas para os seus programas semanais, criando relações de proximidade que destruíram qualquer aparência de neutralidade. O caso Joana Marques mostrou precisamente isso: muitos deixaram de conseguir parecer observadores imparciais porque pertenciam todos ao mesmo circuito de proteção mútua.

Os Anjos fizeram aquilo que poucos tiveram coragem de fazer: disseram “basta”. Não apenas por eles, mas contra uma cultura de linchamento mascarada de entretenimento inteligente. E independentemente de concordâncias ou divergências jurídicas, conseguiram algo raro em Portugal: obrigaram o país a pensar.

Foi em vão? Claramente não.

Hoje existe mais prudência. Mais cuidado. Mais consciência de que o humor também pode destruir reputações quando perde o equilíbrio. O país percebeu que liberdade de expressão não significa licença para transformar pessoas em personagens permanentes de escárnio coletivo.

Portugal talvez não tenha ainda um humor melhor. Mas tem certamente um humor menos arrogante. E isso, só por si, já representa uma vitória importante.

*Paulo Freitas do Amaral
Professor, Historiador e Autor

09 de maio, 16h - Conferência PS Anadia: Alexandra Leitão e o processo de revisão constitucional aberto pelo Chega


Conferência PS Anadia: Alexandra Leitão deverá reagir à abertura
do processo de Revisão Constitucional pelo Chega

Data: sábado, 09 de maio (amanhã)
Hora: 16h00
Local: Termas da Curia, Anadia

A Concelhia do Partido Socialista de Anadia, presidida por Joaquim Ramos Pereira promove, amanhã, sábado, dia 9 de maio, pelas 16h00, nas Termas da Curia, uma conferência dedicada ao tema “A Constituição da República: 50 anos de vigência democrática e os seus atuais desafios”.

A iniciativa contará com a presença da Vereadora do PS na Câmara de Lisboa, Alexandra Leitão e surge no contexto da abertura do processo de revisão constitucional desencadeado esta semana por iniciativa do Chega.

Em cima da mesa estará o debate a necessidade — ou não — de rever a Constituição da República Portuguesa, os seus limites, implicações políticas e institucionais, bem como os desafios que o atual contexto democrático coloca ao sistema constitucional português.

Além da participação de Alexandra Leitão o momento contará também com a presença de Luís Meneses do Vale, constitucionalista e professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.

Entre os temas em análise estarão igualmente o papel estratégico do Partido Socialista no atual quadro político, a renovação do Tribunal Constitucional e a capacidade de resposta da Constituição aos desafios contemporâneos da democracia portuguesa.

 (Presidente do PS Anadia, Joaquim Ramos Pereira)
Simão Santana
Founder & Strategic Advisor

FNAEESP – Federação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico


No que concerne à oferta formativa das Instituições de Ensino Superior (IES), é agora possível que as Universidades lecionem Cursos de Ensino Superior de Curta Duração (CTeSP). Estes cursos são profundamente orientados para a especialização profissional e contribuem para a qualificação técnica e para o fortalecimento das empresas, criando impacto direto na economia dos territórios que os acolhem, que são maioritariamente territórios de baixa densidade populacional.

Ao ser permitido que as Universidades lecionem estes cursos, não se está a criar um sistema binário flexível, mas sim a ir contra a definição das instituições de natureza universitária: “o ensino e a formação académica, centrados em estudos gerais de artes, humanidades e ciências, na investigação básica”. Defendemos portanto, que estes cursos devam ser exclusivamente lecionados no subsistema politécnico, dada a sua ligação com o tecido económico e regional.

Na proposta aprovada, é permitida a fusão e integração de IES, independentemente da sua natureza ou missão. A FNAEESP entende que esta medida apesar de parecer uma forma de racionalizar recursos, pode acabar por levar ao encerramento de instituições, sobretudo em regiões de menor densidade populacional. Apesar da autonomia das IES ser essencial para garantir a inovação e qualidade das mesmas, é indispensável uma coordenação nacional eficaz para evitar fragmentação e concorrência desnecessária.

É portanto, crucial existir uma revisão da carreira docente no ensino superior, assim como, uma revisão da Lei de Bases de Financiamento do Ensino Superior acrescentando que a fórmula de financiamento para as Instituições de Ensino Superior (Politécnicas e Universitárias) tem ser igual para ambos os subsistemas, de forma a que os Politécnicos não tenham a tentação de transitar para o subsistema universitário apenas por procurarem maior financiamento estatal.

No que diz respeito aos novos estatutos, deparamo-nos que os estudantes têm um peso percentual de representação de cerca de 19% enquanto que os docentes têm um peso de cerca de 47%. Por isso, a FNAEESP defende um aumento da representação estudantil, sem a criação de maiorias artificiais. Estas salvaguardas são essenciais para garantir que o processo de revisão estatutária decorra num quadro verdadeiramente plural, participado e democraticamente legitimado.

Em suma, a FNAEESP reafirma que o RJIES não pode servir para descaracterizar a missão do subsistema politécnico nem para silenciar as vozes dos estudantes. Insistimos, por isso, que é necessário uma política que garanta um financiamento justo e equitativo e que respeite a identidade das instituições. O desenvolvimento do país depende de um ensino superior forte, mas também coerente, onde o foco esteja no sucesso dos estudantes e não na mera gestão administrativa de recursos.

Proteção Civil aciona “Operação Fátima 2026”


A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) volta a coordenar todo o sistema de assistência e socorro aos peregrinos que participam nas cerimónias religiosas no Santuário de Fátima, nos dias 12 e 13 de maio.

Através do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo, serão institucionalmente coordenados os Sistemas Integrados de Operações de Proteção e Socorro (SIOPS) e de Emergência Médica (SIEM), garantindo-se, desta forma, a mobilização, prontidão, empenhamento, pré-posicionamento e gestão dos meios e recursos operacionais.

Nesta “Operação Fátima 2026” participam mais de 300 operacionais, dos quais 170 provenientes de 29 Corpos de Bombeiros da Região de Lisboa e Vale do Tejo, mas também o Serviço Municipal de Proteção Civil de Ourém, a Força Especial de Proteção Civil da ANEPC, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), a Cruz Vermelha Portuguesa (CVP), a Guarda Nacional Republicana (GNR) e o Corpo Nacional de Escutas (CNE), entre outras entidades civis e religiosas, nomeadamente a Associação de Servitas de Nossa Senhora de Fátima e as Unidades Locais de Saúde da Região de Leiria e Médio Tejo.

O Posto de Comando Operacional a partir do qual a ANEPC irá coordenar toda esta operação, está instalado no Colégio de São Miguel, situado na Rua D. João Pereira Venâncio, em Fátima.

Para mais informações os interessados podem contactar diretamente o Posto de Comando Operacional ou o Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo, através do telefone: 249 413 340.

*Alcina Coutinho
Chefe de Divisão
Divisão de Comunicação e Sensibilização
Presidência

Silves | 27.º FESTIVAL DA CALDEIRADA E DO MAR E 3.ª CONFERÊNCIA DO MAR REGRESSAM A ARMAÇÃO DE PÊRA, DE 22 A 24 DE MAIO

 A vila de Armação de Pêra volta a receber mais uma edição do Festival da Caldeirada e do Mar, que decorre entre os dias 22 e 24 de maio, celebrando a boa gastronomia, o mar, a tradição e a sustentabilidade.
Ao longo de três dias, mais de uma dezena de restaurantes aderentes irão apresentar menus especiais inspirados nos sabores do mar e na tradição gastronómica da vila, proporcionando experiências únicas aos visitantes e apreciadores da boa gastronomia.
Participam nesta edição, os seguintes estabelecimentos: Marisqueira Hera, Churrasqueira Balbino, O Silvense, Praia com Tempero, Estrela do Mar, O Walter, O Pelintra, Churrasqueira O Casarão, Olivalmar, Papa Restaurante, Ondas do Mar, Serol e Restaurante Davi.
Organizado pelo Município de Silves, o Festival da Caldeirada e do Mar pretende valorizar os produtos locais ligados ao mar, com a utilização de peixe e frutos do mar de Armação e Pêra, especialmente do Parque Natural Marinho do Recife do Algarve - Pedra do Valado.
A apresentação pública do evento terá lugar na manhã de 22 de maio, no Mercado Municipal de Armação de Pêra.
Integrada na programação do festival, a 3.ª edição da Conferência do Mar está de regresso e vai ter lugar nos dias 22 e 23 de maio.
O primeiro dia será dedicado aos alunos das escolas do concelho de Silves, com atividades orientadas para a promoção da literacia oceânica e sensibilização ambiental junto dos mais jovens.
Já no dia 23 de maio, todos os interessados poderão assistir às intervenções de diversos especialistas e representantes do meio académico, da administração pública e de organizações não governamentais, todos reunidos para debater o futuro programa especial do Parque Natural Marinho do Recife do Algarve - Pedra do Valado, bem como a importância dos seus valores naturais e a sua relevância em termos socioeconómicos. A sessão abordará, ainda, as dinâmicas de cogestão implementadas nesta área marinha protegida, a primeira criada em Portugal continental no século XXI, integrando a Baía de Armação de Pêra e de Pêra.
Durante o Festival da Caldeirada e do Mar, os visitantes que optarem pelos pratos incluídos no menu especial dos restaurantes aderentes terão, ainda, a oportunidade de participar no sorteio e ganhar prémios:

1.º prémio: quatro pulseiras de entrada livre para a Feira Medieval de Silves 2026;
2.º prémio: quatro entradas para uma sessão do Sunset Secrets 2026;
3.º prémio: quatro entradas para um evento no Teatro Mascarenhas Gregório.
No caso do segundo e terceiro prémios, a data será escolhida pelo vencedor.
Cada participante receberá um cupão de concurso ao selecionar um dos pratos do festival, devendo preenchê-lo, anexar a respetiva fatura e entregá-lo no restaurante aderente. Os vencedores serão anunciados posteriormente nas redes sociais do Município de Silves.
Todas as informações sobre os restaurantes participantes, menus especiais, mapa do evento, regulamento do sorteio e programação da 3.ª Conferência do Mar estarão disponíveis em: https://www.cm-silves.pt/pt/menu/4304/27-festival-da-caldeirada.aspx
De 22 a 24 de maio venha celebrar os sabores do mar, com destaque para o nosso Parque Natural Marinho do Recife do Algarve - Pedra do Valado, em Armação de Pêra!
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