terça-feira, 25 de maio de 2021

Marinha Grande | Fundo de Emergência de Apoio ao Comércio e Empresas

 Câmara disponibiliza 375 mil euros para apoio às empresas

Até ao dia 20 de setembro de 2021, estão abertas as candidaturas ao Fundo de Emergência Municipal de Apoio ao Comércio e Empresas - Impacto COVID-19 (FEMACE), promovido pela Câmara Municipal da Marinha Grande, que disponibiliza um total de 375 mil euros para apoiar o tecido económico no âmbito desta medida.

O FEMACE é um regime temporário e excecional de atribuição de apoio financeiro aos agentes económicos locais, no contexto da pandemia causada pelo vírus SARS CoV2 e pela doença COVID-19, destinado à sua proteção e liquidez e à manutenção do nível de emprego e recuperação económica no concelho da Marinha Grande.

A situação de calamidade pública provocada pela pandemia do vírus SARS-CoV2, COVID-19, forçou o Município a delinear e aprovar um vasto Programa de Apoios aos efeitos da pandemia, tendo como objetivo minimizar o impacto da atual situação pandémica e proteger as famílias do concelho.

A Câmara Municipal, ciente de que atividade comercial e empresarial do concelho detém um papel determinante e estratégico no desenvolvimento económico e social das suas populações, e consciente das suas atribuições e competências para promover o relançamento da economia e para apoiar o desenvolvimento da atividade económica de interesse local, entendeu ser premente a criação de uma medida específica, excecional e temporária, de apoio ao comércio e às microempresas que compõem o tecido empresarial do concelho.

Pretende-se assim a recuperação das empresas, a manutenção de postos de trabalho associados e a mitigação dos efeitos negativos que a crise causada pela pandemia provocou e que se tem vindo a agravar no contexto do aumento das infeções por COVID -19, no concelho e no país.

Para o apoio às empresas através do FEMACE, é disponibilizada uma verba total de 375.000,00 euros, sendo que 250.000,00 euros são afetos às microempresas e 125.000,00 euros são afetos aos empresários em nome individual.

Esta medida destina-se a microempresas ou empresários em nome individual que: tenham a sua sede ou domicílio fiscal no concelho da Marinha Grande; sejam entidades empregadoras; sejam qualificadas como microempresas; ou desenvolvam a título principal alguma das atividades económicas previstas na lista de classificação de atividades económicas (CAE).

O apoio previsto consiste num montante financeiro não reembolsável, cujo valor pode ir até aos 2.000,00€ ou ao limite de 6.000,00€, de acordo com a sua natureza.

O acesso ao apoio financeiro é efetuado por candidatura, a apresentar até ao dia 20 de setembro de 2021, exclusivamente, para o endereço eletrónico do Gabinete de Apoio ao Empresário e Empreendedorismo da Câmara Municipal, gaee@cm-mgrande.pt, acompanhada dos documentos necessários à instrução da candidatura.

O Regulamento do FEMACE e o respetivo formulário de candidatura podem sem obtidos no sítio de internet do Município da Marinha Grande, no link https://www.cm-mgrande.pt/p/femace.

Marinha Grande | Câmara oferece fichas de trabalho aos alunos dos 1º, 2º e 3º ciclos

 Câmara oferece fichas de trabalho aos alunos dos 1º, 2º e 3º ciclos

A Câmara Municipal da Marinha Grande vai fornecer de forma gratuita as fichas de trabalho a todos os alunos dos 1º, 2º e 3º ciclos do ensino básico público, pertencentes aos três agrupamentos de escolas do concelho, com vista a garantir o desenvolvimento dos projetos educativos e promoção do sucesso escolar, no ano letivo de 2021/2022.

No próximo ano letivo pretende-se alargar esta medida também a todos os alunos do 3º ciclo do ensino básico, já que no passado ano letivo o Município já tinha oferecido as fichas de trabalho a todos os alunos dos 1º e 2º ciclos do concelho.

Este material é um encargo anual diretamente suportado pelas famílias e pelos respetivos encarregados de educação, havendo, por isso, a necessidade de suprir essa lacuna na prossecução do ensino universal e gratuito, aos alunos do concelho da Marinha Grande, permitindo com isso a igualdade de oportunidade de acesso e sucesso escolar.

No atual contexto da pandemia da Covid-19 e dos impactos de diversa natureza, que todas as medidas de contenção e de combate à propagação da doença já causaram, e ainda estão a causar, nas economias dos agregados familiares dos alunos, justificam-se, medidas excecionais que ajudem as famílias a ultrapassar estes impactos, sem prejuízo para o sucesso escolar das crianças e jovens, podendo esta ser considerada, pela autarquia, como mais uma medida de apoio nesse âmbito.

Recorde-se que o Município da Marinha Grande iniciou a distribuição gratuita dos manuais escolares e fichas de trabalho aos alunos do 1º ciclo do ensino básico púbico, no ano letivo de 2010/2011. Há mais de de 10 anos que esta medida se encontra em prática no concelho, com o objetivo de apoiar as famílias e promover o sucesso escolar dos alunos.

Complementarmente, o Governo, iniciou a política de gratuitidade dos manuais escolares aos alunos do 1º ano do 1º ciclo no ano letivo de 2016/2017, como experiência piloto, tendo prossecução no ano letivo seguinte, a todos os alunos do 1º ciclo, alargando-se posteriormente essa medida aos restantes níveis de ensino da escolaridade obrigatória, designadamente, 2º, 3º ciclo do ensino básico e secundário.

Fora destas medidas tinha ficado o material didático nomeadamente os livros de fichas, que apesar de não ser obrigatório, é considerado fundamental para garantir o ensino, a aprendizagem e o sucesso educativo e, com a sua utilização diária, garantir a preservação dos manuais escolares, que são adotados em regra pelo período de quatro anos.

Marinha Grande | Construção de equipamento de apoio (restauração) ao Património Stephens e Parque da Cerca


A Câmara Municipal da Marinha Grande iniciou a requalificação da zona entre a Biblioteca Municipal e o estacionamento do parque da cerca, enquadrada no Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU), um investimento superior a 800 mil euros.
A empreitada foi adjudicada pelo valor de 826.199,38 euros, acrescido de IVA à taxa legal em vigor, e prazo de execução de 240 dias.

O programa definido para a dinamização do conjunto dos edifícios culturais do património Stephens pretende concretizar o desafio lançado nas conclusões do estudo dos achados arqueológicos - a requalificação integral do espaço tardoz da biblioteca.
Prevê-se um moderno espaço de restauração, como função base, podendo desenvolver e acolher de forma articulada atividades culturais complementares à Casa da Cultura, Museu do Vidro entre outros.

O acesso ao espaço do restaurante aproveita os vãos existentes nos cunhais salientes da fachada original. Era por estes vãos, um dos quais já se encontra demolido, que se processaria a entrada no edifício, e que replicaremos através de dois pórticos com a geometria dos vãos que se lhes sobrepõem.

Deste modo o restaurante transmuta-se num percurso quase museológico sobre as pré-existências da envolvente oitocentista.

Nos registos da planta da fábrica de 1896, subsiste a ideia de que neste espaço funcionaram os primeiros fornos de vidraça na Marinha Grande.

Assim, o projeto em construção procurou respeitar a imagem inicial da construção dos Stephens.

Cientistas criam plataforma de gestão unificada para os diferentes tipos de sensores da Internet das Coisas


Inicialmente, a Internet das Coisas (IoT, na sigla inglesa) dependia essencialmente de sensores reais (físicos), mas nos dias de hoje usa dados de outros tipos de sensores, nomeadamente virtuais e sociais, o que torna a gestão extremamente complexa. Para ultrapassar este problema, uma equipa da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu uma plataforma que permite a gestão unificada de ambientes heterogéneos que suportam a IoT.

Mais do que Internet das Coisas, atualmente temos «“Internet of Everything”, ou seja, internet de tudo, pois é internet das coisas, mas é também internet de pessoas e internet de software. Há uma série de sensores de fontes diversas, heterogéneas, que recolhem gigantescos volumes de informação que permitem medir, entre outras variáveis, temperatura, humidade e poluição atmosférica, mas também movimentos humanos, ambientes industriais, especialmente na indústria 4.0, etc.; por exemplo, os nossos telemóveis são dispositivos repletos de sensores que, sem nos apercebermos, medem tudo e mais alguma coisa», explica Fernando Boavida, coautor do estudo, publicado na revista científica IEEE Internet of Things.

Assim, o paradigma atual da IoT, que permite ligar a internet a diferentes tipos de sensores e ambientes, de modo a recolher dados em larga escala, exige sistemas que façam a gestão da informação, isto é, sistemas que permitam controlar e monitorizar dados, independentemente do tipo de sensor.

Havendo sensores de vários tipos – sensores reais, sensores virtuais (de software) e sensores sociais, também designados sensores humanos, pois extraem informação colocada pelas pessoas nas redes sociais –, a questão de partida para o desenvolvimento da plataforma foi, segundo o docente e investigador do Departamento de Engenharia Informática da FCTUC, «Como podemos gerir de forma eficiente e eficaz diferentes tipos de fontes de dados de IoT?».

Tirando partido de vários estudos sobre IoT que tem vindo a realizar ao longo de mais de uma década juntamente com Jorge Sá Silva, do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da FCTUC, a equipa partiu à procura de soluções que fossem capazes de dar resposta à questão.

«A partir de tecnologias amplamente adotadas em IoT para gerir sensores reais, com destaque para a tecnologia FIWARE, desenvolvemos uma solução informática capaz de gerir diferentes tipos de sensores e analisar quais os melhores protocolos de gestão em termos de desempenho», conta Fernando Boavida, esclarecendo que, na prática, «pegámos em protocolos e tecnologias utilizadas para gerir sensores reais, ajustando para sensores virtuais e sociais».

Posteriormente, o protótipo do sistema desenvolvido foi testado com voluntários, estudantes da Universidade de Coimbra e de uma escola politécnica do Equador, durante um semestre, tendo demonstrado a viabilidade da abordagem proposta. Os resultados obtidos representam mais um passo na evolução da Internet das Coisas: «com as mesmas ferramentas, consegue-se fazer uma gestão unificada de vários tipos de sensores, isto é, de ambientes heterogéneos da Internet das Coisas. É uma plataforma que permite gerir de forma eficaz os dados, independentemente do tipo de sensor - físico, virtual e social», refere Fernando Boavida.

Por exemplo, se pensarmos numa smart city (cidade inteligente), «onde é possível inferir a qualidade de vida numa cidade, temos de gerir um sem número de fatores: ambientais, como temperatura, poluição, humidade, etc.; fatores mais complexos, como a facilidade de deslocação dentro da cidade; e temos de perceber se as pessoas estão satisfeitas. Neste exemplo, estão envolvidos diferentes tipos de sensores. Um sistema como o nosso permite gerir tudo isso de forma unificada», ilustra o professor da FCTUC.

A fase seguinte da investigação vai centrar-se na evolução dos sensores sociais, que são os que representam o maior desafio, porque a informação que é possível extrair é praticamente ilimitada. Em particular, a equipa de Fernando Boavida e Jorge Sá Silva vai explorar o processamento e análise dos dados extraídos das redes sociais. Ou seja, conclui Fernando Boavida, «pretendemos fechar o ciclo. Além de extrair informação das redes sociais, também queremos dar informação útil, fornecendo aconselhamento e dados que possam contribuir para a melhoria da qualidade de vida das pessoas».

Cristina Pinto

Agitação insana das ‘lives’ contraposta à paz no convívio medieval

 

  • Luis Dufaur

Quando videoconferências, teletrabalho e sistemas semelhantes de home office substituem o relacionamento humano, as pessoas sofrem de exaustão e até de esquizofrenia. Sobretudo com o uso intensivo e cotidiano de tais sistemas, como acontece nesses dias de confinamento, segundo se deduz do artigo da psicóloga e pesquisadora da PUC-SP, Katty Zúñiga, publicado numa reportagem da “Folha de Pernambuco”: “Cada vez mais as pessoas se queixam de se sentirem cansadas ou esgotadas nessa nova realidade em que a casa se tornou o local para se fazer tudo”.

A fadiga do ‘zoom’

      ‘Zoom fatigue’ é a denominação atribuída recentemente à fadiga causada pelo Zoom, uma plataforma muito usada nos encontros virtuais ou ‘lives’. O mosaico de muitas caras de pessoas conectadas sobrecarrega o cérebro. Explica a psicóloga: “Presencialmente, as reuniões de trabalho, ou mesmo as salas de aula, são permeadas por momentos de distração, descontração. Já no online, não há isso, e a parte cognitiva fica em constante estado de atenção”. O fato de não seguir os padrões humanos da convivência exige uma hipervigilância, que no fim do dia se revela devastadora.

      O atraso entre a fala e a escuta na transmissão de dados, e a falta de liberdade de movimentos que a câmera ligada induz, aumentam o desgaste, afirma Marcos Oreste Colpo, psicólogo e professor da PUC-SP: “Quando você está conversando presencialmente, o corpo também fala, mostra inquietações. Nesses sinais, você aprende sobre o outro, percebe aprovação ou reprovação”.

      Quando ele ministra aulas remotas, os alunos desligam as câmeras, morrendo o relacionamento no grupo, que fica sem reações afetivas. Isto é devastador para a psique humana, que não funciona como circuitos eletrônicos, mas é um espírito vivo.

Problemas na visão

      Danilo Soriano, doutor em oftalmologia da USP, explica que a longa exposição à luz da tela do computador tem efeitos oculares que acentuam a exaustão: “Prestar atenção nas telas por horas seguidas faz que a gente fique muito tempo sem piscar”, aumentando a chance de ressecamento ocular e de presbiopia, ou ‘vista cansada’. Soriano recomenda soluções paliativas: uma pausa caso os olhos fiquem irritados, ardendo ou lacrimejando; lubrificá-los para evitar um cansaço excessivo; ou usar um protetor de tela.

      “Os smartphones já tinham nos colocado numa tensão constante”, afirma Zúñiga. Mas não se revelou verdadeira a ideia de que permanecer no lar é melhor: “Ao contrário, as pessoas estão ainda mais sobrecarregadas nas suas casas”. A psicóloga recomenda conferir se é o caso de deixar a conversa para depois, ou então marcar um horário: “A melhor coisa é ser sincero e dizer que não pode falar naquele momento, sem rodeios”.

Fim do relacionamento

      O especialista em comportamento André Spicer afirma que as videochamadas tornam irreais os contatos. Diante da tela perdemos muitos sinais indispensáveis na vida real, como o cheiro da sala ou detalhes em nossa visão periférica. Esses dados adicionais nos ajudam a entender o que se passa. Quando eles inexistem, nosso cérebro multiplica o trabalho para entender, e às vezes chega a uma conclusão errada. Por exemplo, um estudo do desempenho virtual de candidatos em entrevistas de emprego mostrou resultados piores que quando entrevistados presencialmente.

      Outro estudo descobriu que num seminário virtual os médicos se concentravam no apresentador, e só no comparecimento presencial focavam a razão de ser do encontro. Os juízes que deviam julgar casos de refugiados por asilo mostravam-se inseguros nas entrevistas por vídeo, além de seu entendimento ser pior. Descobertas as fraquezas do método, as partes são propensas a enganar os juízes, que ficam menos capazes de detectar as falsidades.

      Na conversa online se perde o contato com a personalidade, porque “não há espaço para um papinho paralelo, um comentário baixinho para um amigo que está no bar com você, ou um olhar atravessado para um colega de trabalho que vai lhe entender do outro lado da mesa. Quando você chega numa reunião no escritório, tem aquele papo no café, tem um tititi antes. Esse tititi, em geral, nós perdemos [no online]. Não tem um social que envolve o trabalho, não tem como olhar na expressão das pessoas se aquilo causou algum incômodo ou tédio. Com tanta gente, você perde a individualidade”. É o que explica a psicóloga Maluh Duprat, pesquisadora do Laboratório de Estudos de Psicologia e Tecnologias da Informação e Comunicação da PUC-SP. Também diminui nossa capacidade de ‘medir a temperatura’ do ambiente da conversa. Sem uma leitura corporal, é difícil saber se a fala é bem-vinda, quando encerrá-la ou outras decisões ditadas pela percepção das atitudes psicológicas.

      No contato virtual, os colegas de trabalho ou os alunos de um curso perdem a sensação de pertencerem a um grupo. Estudos observaram que assim os mestres não podem ‘ler’ a sala de aula ou a equipe de estudo; isso é danoso para a interação aluno-professor; e gera piores desempenhos. Para os chefes o dano é maior, pois não podem julgar a acolhida dos empregados ou dependentes, não conseguem encontrar expressões de concordância, desacordo ou tédio.

      Quem modera uma ‘live’ fica facilmente perdido, diz Duprat. Pode ser que o outro desligue a câmera porque tinha uma necessidade, ou foi embora por desgosto: “Você não tem como saber se o sujeito foi fazer outra coisa, ou o quanto dele está ali”.

Funcionária do Capitólio da Virgínia, nos EUA, monitora uma reunião de Zoom entre membros da Casa.

Presença, papel e caneta levam a melhor

      Os intérpretes da ONU e da União Europeia sentem-se escravizados pelo sistema. E os terapeutas dizem que “perdem a conexão” com seus pacientes nas consultas por vídeo (telemedicina). Outra análise verificou que os funcionários remotos padecem uma forma de exílio, pois se sentem esquecidos. Spicer recomenda arranjar outras atividades durante uma ‘live’: fazer pausas; afastar-se da tela para refletir e se recuperar; desligar a câmera; considerar que há formas de comunicação mais eficientes que as videoconferências.

      Há momentos em que funciona melhor não ter comunicação e permanecer em silêncio. Até papel e caneta levam vantagem, pois constatou-se que um agradecimento escrito manualmente deixa os destinatários muito mais felizes.

Sedentarismo danoso

      Longas horas em ‘lives’ levam a um nível prejudicial de sedentarismo. Mesmo as pessoas não ativas sofrem agora com a falta de pausas para alongamentos, beber água, até para ir ao banheiro. Os intervalos para o cafezinho são escassos, e o tempo para fazer algum exercício é quase nulo. Por isso o Prof. Jeremy Bailenson, que liderou estudo da Universidade Stanford, julga necessário fazer pausas periódicas para refrescar o corpo e a mente. Segundo a neurocientista Thaís Gameiro, doutora pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), enquanto funcionarem plataformas como Zoom, Google Meet e Microsoft Teams, alertas de exaustão estarão sendo enviados para o seu cérebro.

      De todas as empresas procuradas pela reportagem do caderno LINK do jornal “Estado de S. Paulo” (abaixo citada), apenas o Google não se pronunciou. A Zoom acolheu conselhos para moderar o uso de sua plataforma. A Microsoft pesquisa desde o ano passado os danos das ‘lives’ aos usuários. Mas parece pouco. Pelo jeito, a única saída é adotar pausas para caminhar, ir ao banheiro e beber água periodicamente; e, sempre que possível, ficar com a câmera desligada. Reservar um local de trabalho para as chamadas virtuais também pode ajudar o corpo a entender quando é hora de descanso e quando é hora de trabalho.

A memória rateando

      Ronald Fischer, psicólogo e pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) da Victoria University de Wellington, Nova Zelândia, afirma: “No Zoom, Teams, Skype ou outro, muita informação visual é cognitivamente cansativa. […] Estudos demonstram que a memória funciona melhor quando se liga a ambientes específicos. Quando voltamos àquele ambiente, ele nos ajuda a recordar a experiência. Sem ambiente fica mais difícil para o nosso cérebro guardar todas essas reuniões”.

      Pequenos atrasos na conexão afetam negativamente a forma como vemos uns aos outros. Um delay de 1,2 segundos traz ao nosso subconsciente a impressão enganosa de que a outra pessoa é menos amigável. Afinal, o outro pode montar um ambiente artificial, ou introduzir um fundo de tela que não tem nada a ver com o local em que está, e mudá-lo como preferir. Outro estudo mostrou que o distanciamento reduz a empatia pelo próximo. “A esquisitice aumenta se as pessoas não estão familiarizadas umas com as outras. Elas não têm conhecimento prévio da personalidade do outro ou como ele fala”, afirma a pesquisadora Katrin Schoenenberg.

Por que é cansativa a tela virtual

Quando videoconferências, teletrabalho e sistemas semelhantes de home office substituem o relacionamento humano,
as pessoas sofrem de exaustão e até de esquizofrenia

      No site TAB Reporteres na rua, Luiza Pollo chegou a uma conclusão mais direta: “Todo mundo está exausto de conversar por vídeo”. Já para Fischer, sentir-se extenuado depois de uma longa conversa por vídeo é normal, sendo o estresse diretamente proporcional ao número de participantes da ‘live’. Nosso cérebro fica atento principalmente a pessoas e animais, a seus movimentos ou gesticulações. Nós prestamos sempre atenção às expressões faciais e aos movimentos dos colegas, e até dos pets. Isso é muito “diferente de olhar para uma única pessoa falando por vez; no computador ou no celular, todos estão te encarando” – ou, pelo menos, essa é a sensação.

      Elisa Brietzke, psiquiatra e professora da Escola Paulista de Medicina, explica que o cérebro precisa reconhecer sinais corporais que complementam a fala. Mas as ‘lives’ eliminam tudo o que caracteriza uma conversa presencial: falar, gesticular, fazer caretas etc., são coisas que compõem a sobrevivência do relacionamento humano.

      O caderno LINK, do “Estado de S. Paulo”, apresenta conclusões análogas. Por exemplo, Gabriela Costa, 25, professora de inglês e mestranda em Geografia, sofreu utilizando o sistema Zoom nas suas salas de aula. “A gente fica muito mais cansada. Quando termina a aula, só me jogo na cama”. A Dra. Thaís Gameiro explica que a sensação de estar sendo monitorada por muito tempo tira o conforto do contato presencial. “Diante da tela, ficamos olhando o tempo todo para o nosso rosto como se a gente estivesse olhando para um espelho. O usuário pode correr o risco de se desconectar mentalmente do que está fazendo para se analisar”. Assim o explica Sylvia van Enck, especialista em dependência de Tecnologia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. Segundo ela, a nossa própria imagem transmitida na tela joga contra. A Dra. Thaís completa, dizendo que ficar a maior parte do tempo se olhando pode entrar na conta da fraqueza extrema.

Conselho dos especialistas: evitar o vídeo

      No final de fevereiro de 2020, uma pesquisa da Universidade Stanford mostrou que a exposição excessiva às videochamadas é prejudicial a curto e longo prazo. Entre os sintomas estão dores de cabeça, depressão e crises de ansiedade. Por isso, o conselho dos especialistas é evitar o vídeo.

      O Prof. Bailenson liderou a pesquisa e detectou vários fatores degradantes da percepção. O primeiro é uma espécie de estresse, por tornar-se o “centro das atenções”. Cada participante recebe o tempo inteiro os olhares do grupo postos sobre ele, e um painel de teleconferência pode ter dezenas de olhares diferentes e/ou desconhecidos.

      A pesquisa de Stanford vai além da recomendação, e é categórica: desligue a própria imagem. Bailenson afirma: “No mundo real, se alguém estivesse seguindo você constantemente com um espelho, de forma que enquanto estivesse falando com as pessoas você estivesse se vendo num espelho, isso seria loucura”.

O equilíbrio necessário

      No seu conjunto, as conclusões dos autores citados são válidas e úteis como advertências, pois abordam as consequências negativas do uso intensivo, muitas vezes abusivo, de instrumentos desenvolvidos na esteira de uma mentalidade moderna, superconectada, revolucionária. Evidentemente, tudo isso pode trazer consigo consequências indesejáveis como as que foram apontadas. No entanto, considerados em si mesmos, esses instrumentos podem se prestar ao uso útil, sério, necessário, quando feito moderadamente e sem os abusos aos quais também se prestam.

      Entre os muitos efeitos de uma guerra, como um exemplo analógico, pode ser destacado o conjunto de ruídos ensurdecedores produzidos por bombas, aeronaves, canhões, tanques de guerra e toda a parafernália, que no entanto é indispensável para enfrentar e derrotar o inimigo. Além das mortes, destruições e outros prejuízos conhecidos, constam também no campo médico as neuroses de guerra e outros males como endemias, epidemias e pandemias, muitas das quais surgiram depois das guerras, como suas consequências diretas ou indiretas. E grandíssima parte dos atingidos nem sequer participou do esforço de guerra.

      O mesmo se pode dizer sobre outros utensílios aceitos e de uso generalizado, como computadores, celulares, televisões, rádios, automóveis. A decisão de utilizar ou não tais instrumentos úteis, mas potencialmente perigosos para os incautos, cabe portanto a cada um.

O sossego, a estabilidade, a tranquilidade e o gosto de viver, caraterísticas da sociedade em geral durante a Idade Média

Lucidez e coerência em usar e não usar

         Sobre este assunto, transcrevemos a seguir um comentário esclarecedor do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira. Como se verá, ele sempre foi adepto incondicional da calma, de períodos de silêncio, da reclusão voluntária para pensar tranquilamente. Mas nunca deixou de utilizar – sempre que necessário para combater a Revolução – instrumentos que também são úteis à Revolução. E o fazia recomendando a mesma atitude aos seus seguidores, como também o fez no seu livro “Revolução e Contra-Revolução”:

“Tender para os grandes meios de ação – Em princípio, é claro, a ação contra-revolucionária merece ter à sua disposição os melhores meios de televisão, rádio, imprensa de grande porte, propaganda racional, eficiente e brilhante. O verdadeiro contra-revolucionário deve tender sempre à utilização de tais meios, vencendo o estado de espírito derrotista de alguns de seus companheiros que, de antemão, abandonam a esperança de dispor deles porque os veem sempre na posse dos filhos das trevas” (parte II, cap. VI, 1).

         Estas diretrizes, que Plinio Corrêa de Oliveira praticou eximiamente ao longo de toda a vida e recomendou aos seus seguidores em sua obra-prima, não contradizem em nada a vida plácida, pacífica, estável e tranquila que também levou e recomendou aos seus seguidores em conferência de 28-2-1991:

      “Em geral, as iluminuras da Idade Média representam o operário trabalhando no seu métier, a dona de casa cozinhando ou costurando, ou o calígrafo desenhando uma letra, com algo que eu não me farto de admirar: o sossego, a estabilidade, a tranquilidade e o gosto de viver; fazendo o mesmo trabalho que leva dias, meses, às vezes anos; sem pressa, contanto que saia perfeito.

      “Sem esse estilo de vida, o mundo enlouqueceria. O pequeno burguês, o operário qualificado ou não, o pedreiro medieval podiam passar anos cinzelando uma coluna, sem pressa, sem aflição. Paravam o trabalho na hora de rezar o Ângelus, iam para casa, encontravam a mulher preparando o jantar. Sentavam-se, os filhos se punham em torno deles, calçavam uns chinelões e contavam histórias da família, dos antepassados, da região; liam um trecho da Escritura, da vida dos Santos.

      “Essa estabilidade eu ainda peguei muito, porque em frente de minha casa, na Rua Barão de Limeira, havia um renque de casas operárias misturadas com as casas das melhores famílias de São Paulo. Eu achava a vida deles muito mais sossegada do que a nossa. E eu, que sou amigo do sossego, suspirava: ‘Afinal, eles lá ficaram com o melhor da vida’.

      “O medieval compreendia o nexo do mais alto e sobrenatural com o menor, com coisas sem importância. Uma dona de casa preparava as malas para ir passar uma temporada na casa de uma prima, lembrando de Nossa Senhora indo visitar Santa Isabel, num ambiente densamente impregnado de aroma sobrenatural”.

      Quando concluí a leitura deste texto de Dr. Plinio, perguntei-me se não estou num mundo insano de teletrabalho, videoconferências, comunicação digital, pandemias, lockdowns, políticos corruptos, crises econômicas etc. E pensei: Como seria bom estar junto a um camponês, um burguês ou um castelão, imerso naquela imensa paz e perfume sobrenatural da vida medieval. Mas para chegarmos a algo pelo menos parecido com isso, temos de empreender esforços gigantescos a fim de derrotar a Revolução gnóstica e igualitária. Sem menosprezar os recursos que a própria técnica revolucionária coloca ao nosso alcance.

ABIM

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Notas: 

1. https://www.folhape.com.br/noticias/videoconferencias-e-excesso-de-chamadas- -causam-exaustao-na-pandemia/143760/ 

2. https://epocanegocios.globo.com/Carreira/ noticia/2020/06/como-videochama das-podem-te-deixar-emocionalmente- -exausto.html 

3. https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/05/08/por-que-todo-mundo-esta-exausto-de-conversar-por-video.htm 

4. https://link.estadao.com.br/noticias/cultura-digital,videochamadas-sao-uma-usina- -de-exaustao-e-estudo-mostra-os-motivos,70003646089 

5. Plinio Corrêa de Oliveira, conferência em 28-2-91. Sem revisão do autor.

André Ventura condenado a pedir desculpa a família a quem chamou “bandidos”

O deputado e líder do Chega André Ventura foram condenados, em tribunal, por "ofensas ao direito à honra" de uma família do Bairro Jamaica, Seixal, por lhes ter chamado "bandidos", e vai ter de pedir-lhes desculpa.

Na sentença, a que a Lusa teve acesso, a juíza do tribunal de Lisboa reconhece as "ofensas ao direito à honra e ao direito de imagem" da família Cotxi quando Ventura exibiu a sua fotografia, num debate televisivo para as presidenciais, em janeiro, tendo-lhes chamado "bandidos".

Tanto André Ventura como o partido terão de fazer um pedido de desculpa, "escrita ou oral", de "retratação pública" quanto aos factos praticados, que deverá ser publicada pelos meios de comunicação social onde foram "originalmente divulgadas" as "publicações ofensivas dos direitos de personalidade" (SIC, SIC Notícias, TVI) e também na conta do Chega no Twitter.

Se não o fizerem no prazo de 30 dias após o trânsito em julgado da sentença, Ventura e o partido terão de pagar uma sanção de 500 euros por dia de atraso.

Na primeira sessão do julgamento, em 10 de maio, André Ventura declarou que não pretendia ofender a família do Bairro da Jamaica a quem se referiu como "bandidos" durante um debate da campanha presidencial e disse que voltaria a dizer o mesmo.

Lusa

Fintech, oportunidad para invertir en México: WORTEV CAPITAL

  • El ecosistema fintech en México ha recaudado un capital por 1.3 mil millones de dólares en los últimos años.

  • Las instituciones de tecnología financieras no sólo transforman los servicios financieros también representan una alternativa para los inversionistas, sector con gran impacto y disrupción. 


CDMX, mayo 2021.- Las finanzas y la tecnología son dos de las industrias más grandes del mundo, la combinación de ambas es disruptiva y representa una alternativa para los inversionistas en México, coincidieron Alberto Chaia, socio senior de McKinsey & Company México y Denis Yris, director del fondo de capital emprendedor WORTEV CAPITAL, en el webinar “Fintech: retos y oportunidades para un sector con alto potencial”

Durante el último año se contabilizan 441 startups dentro del ecosistema fintech en México, lo que representó un crecimiento de 14% con respecto a los registros de 2019, según datos de Finnovista. Además el Transactional Track Record (TTR) refiere que el 59% de la inversión de Venture Capital fue destinada a este sector, posicionándolo como el más atractivo en 2020.

“El sector de la tecnología financiera está avanzando de muchas maneras, tanto a nivel local como internacional. De hecho, México fue el primer país de la región en establecer una normativa para estas entidades -Ley Fintech- que brinda certidumbre a la industria. Por ende, las instituciones de tecnología financieras son una alternativa interesante para invertir, pues se trata de un ecosistema con futuro que está cambiando el paradigma financiero”, puntualizó Denis Yris, fundador y director del fondo de capital.


Actualmente México ocupa el segundo lugar entre los países de la región que concentran mayor inversión para el financiamiento de empresas fintech, con alrededor de mil 300 millones de dólares, inversión que se concentra en subsectores tales como: préstamos, payments, crowdfunding y servicios financieros.


“A pesar del desafiante contexto, el ecosistema fintech representa una gran oportunidad, debido a que los mexicanos requieren de soluciones de financiamiento con métodos distintos a los que han prevalecido hasta hoy. Es necesario una mayor diversificación de las inversiones que se está haciendo en fintech; hay que trabajar más en crear oportunidades para el resto de los subsectores que conforman este ecosistema”, comentó Alberto Chaia, socio senior de la consultora McKinsey.


De manera particular, los servicios que ofrecen las fintech en el país con espacio para crecer son la gestión financiera para empresas: los bancos digitales, las criptomonedas y el blockchain y un nuevo sector poco explorado referente al mercado de divisas y remesas. 


“La alternativa que ofrecen las fintech a los inversionistas promete mayores rendimientos dado que sus costos de operación son menores a comparación de otras opciones tradicionales en el sistema financiero. Representan una alternativa de diversificación importante de las inversiones, reduciendo el riesgo y aumentando la probabilidad de obtener mayores rendimientos”, puntualizó Yris.

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Denisse Patiño