quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Opinião - O último passo do primeiro Rei de Portugal

 Foi junto às muralhas de Badajoz, numa tarde abafada de 1169, que o corpo do rei cedeu onde a alma nunca vacilara. D. Afonso Henriques, senhor de guerras e fundador de reinos, caiu do cavalo ao tentar resgatar o genro aprisionado. A queda foi dura. A perna ficou esmagada. A dor foi tanta que, dizem, não gritou. Apenas fechou os olhos como quem aceita que, um dia, até os maiores precisam de parar.
A notícia correu depressa. O rei estava ferido. Já não montava, já não marchava, já não comandava como antes. Um homem que fora muralha do seu povo agora coxeava. E nesse passo trémulo começava a desenhar-se a sua última e mais difícil conquista: a de abdicar sem abdicar, a de reinar sem estar no centro da batalha.
Com os músculos cansados e os ossos doridos, retirou-se para Coimbra. Não por derrota, mas por sabedoria. Entendeu que era tempo de preparar o filho. De não cair no erro de tantos outros reis, que levaram os tronos consigo para o túmulo. Chamou D. Sancho, confiou-lhe tarefas, entregou-lhe campanhas, deu-lhe poder como quem ensina um filho a andar com as próprias pernas. E Sancho andou. O reino seguiu. Portugal não estremeceu.
Nos corredores da sua residência, onde outrora se desenhavam planos de cerco e tratados com Roma, agora ouvia-se o arrastar lento da bengala. Mas não havia humilhação nesse som. Havia dignidade. O velho rei, cansado mas atento, observava de longe o que tinha construído. Era um homem a envelhecer dentro da obra que ele próprio tinha erguido. Já não precisava de estar no campo de batalha. Bastava-lhe saber que o país existia.
Não se conhece uma última frase. Não há um testamento heroico nem um clamor final. Apenas o silêncio. Morreu em dezembro de 1185, com mais de setenta anos, idade que poucos alcançavam. Partiu como vivera: com força contida, com fé discreta, com sentido de dever. Sem palco. Sem cortejos. Apenas um corpo deitado num leito simples e o peso da História pousado sobre o peito.
Foi enterrado em Coimbra. Não com pompa. Não com aparato. Apenas com respeito. A lápide não grita, mas todos a escutam. É a pedra de um rei que não precisou de morrer em combate para provar quem era. Porque a sua última vitória foi, afinal, a mais humana. Soube deixar. Soube confiar. Soube sair.
Portugal nasceu da espada, mas sobreviveu porque esse homem, já velho e ferido, soube dar o último passo no momento certo.
O mais difícil.
O mais nobre.
O mais português.

*Paulo Freitas do Amaral
Professor, Historiador e Autor

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Coligação Evoluir Figueira: uma alternativa justa, verde e livre.

 

Foi apresentada na passada sexta-feira, 1 de agosto, a Coligação Evoluir Figueira, que reúne o Bloco de Esquerda, o Livre e o PAN para oferecer uma alternativa justa, verde e livre à atual governação da Figueira da Foz. A Assinatura Pública do Acordo de Coligação entre os três partidos decorreu na Sociedade Filarmónica 10 de Agosto, na Figueira da Foz, pelas 18.00h.

A cerimónia contou com intervenções de Pedro Jorge, deputado municipal do Bloco de Esquerda e Mandatário da Candidatura, de João Fontes da Costa, da distrital do PAN, e dos cabeças de lista à Câmara Municipal e Assembleia Municipal.

“Queremos mudar o rumo da Figueira – com humildade, com trabalho e com esperança”, afirmou Gonçalo Mano, do LIVRE e cabeça de lista à Câmara Municipal pela Coligação. “A Coligação Evoluir Figueira apresenta-se como a alternativa que a cidade precisa: uma alternativa com transparência, com coragem, com escuta. Um projeto pela positiva, onde cabem todos, com um sentido de missão: a de finalmente fazer cumprir o tal potencial de que ouvimos falar desde sempre. Uma alternativa que acredita, acima de tudo, nas pessoas da Figueira”.

Ao seu lado, Diogo Duarte Silva, do Bloco de Esquerda e cabeça de lista à Assembleia Municipal, reforçou a urgência de uma mudança de prioridades:

“Ou escolhemos meter a Figueira no mapa e torná-la atrativa a todo o custo, ou escolhemos olhar para o mapa da Figueira e construir uma cidade e um concelho dignos para quem cá trabalha, para quem cá vive, para quem chama à Figueira de sua casa (…) isto implica colocar o investimento nas necessidades do concelho e da população acima de gastos com eventos esporádicos”.


*Pedro Jorge

Células que protegem o cérebro respondem de forma distinta a lesões em diferentes idades

 As microglias são células do sistema nervoso central, que assumem um papel essencial na defesa imunológica do cérebro, combatendo infeções e patogénios. Perante o contributo vital destas células, uma equipa de investigação internacional, liderada pela investigadora da Universidade de Coimbra (UC) Vanessa Coelho-Santos, procurou perceber como é que se comportam ao longo da vida, desde o nascimento e durante o envelhecimento. Os cientistas conseguiram desvendar que, com o avançar da idade, as microglias se alteram e comportam de forma diferente perante lesões no cérebro, acreditando que as conclusões desta investigação podem abrir caminho a abordagens terapêuticas ajustadas à idade e ao tipo de lesão cerebral.
“Neste estudo, em modelo animal, usámos um laser de alta precisão para causar danos localizados no tecido cerebral e, com a mesma potência, simular lesões vasculares que bloqueiam temporariamente o fluxo sanguíneo. Isso permitiu comparar as respostas microgliais a diferentes tipos de lesão ao longo da vida, concluindo-se que a idade tem um impacto marcante na morfologia e dinâmica das microglias em resposta a diferentes tipos de lesões cerebrais”, explica Vanessa Coelho-Santos. “Esta variabilidade ajuda a explicar vulnerabilidades distintas ao longo da vida, como mecanismos associados a doenças do neurodesenvolvimento, quando há resposta inflamatória nas fases iniciais de vida, assim como défices de resposta em idades avançadas”, acrescenta a investigadora do Centro de Imagem Biomédica e Investigação Translacional (CIBIT) do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da UC.
Embora as microglias sejam determinantes para o funcionamento do cérebro, ainda há diversos aspetos sobre o seu comportamento ao longo do tempo que permanecem desconhecidos. Foi neste contexto que Vanessa Coelho-Santos – em conjunto com uma equipa do Seattle Children’s Research Institute – estudou “a evolução morfológica e funcional destas células, desde o nascimento até à idade sénior”. A equipa de investigação procurou ainda “caracterizar a resposta das microglias a duas formas de lesões localizadas, em diferentes idades ao longo da vida, um aspeto que até agora permanecia pouco explorado”, partilha a neurocientista.
Assim, neste estudo – que está agora publicado na revista científica Cell Reports – é revelado que, na idade adulta, as microglias são bastante eficazes na resposta a lesões. Já no período neonatal – os primeiros 28 dias de vida –, embora sejam mais dinâmicas, apresentam uma reação tardia e exagerada à lesão. Já no envelhecimento, as microglias perdem complexidade e respondem a lesões de forma mais lenta. “Ao percebermos como é que as microglias se distribuem e atuam na defesa do cérebro em diferentes fases da vida, acreditamos que podemos, futuramente, criar terapêuticas mais personalizadas”, remata Vanessa Coelho-Santos.
Esta investigação foi desenvolvida com recurso a uma técnica de captação de imagem de ponta, chamada microscopia de dois fotões, que permite captar imagens de alta resolução do cérebro ao longo do tempo.
O artigo científico Physiological and injury-indued microglial dynamics across the lifespan está disponível em www.cell.com/cell-reports/fulltext/S2211-1247(25)00762-4.

*Universidade de Coimbra

No âmbito do Dia da Juventude. Cantanhede destacou talentos locais e promoveu reflexão sobre os desafios dos jovens

 
O Município de Cantanhede assinalou o Dia da Juventude com um programa diversificado que decorreu na segunda-feira, dia 4 de agosto, na tenda do setor da Educação e Juventude, localizada no relvado principal da Expofacic.
O vice-presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, Pedro Cardoso, deu as boas-vindas aos jovens e enalteceu o envolvimento das associações, das escolas e dos artistas locais em iniciativas como esta que promovam o desenvolvimento pessoal, cultural e social dos jovens.
“Momentos como este são fundamentais para reconhecer e valorizar o papel ativo da juventude na construção de uma sociedade mais participativa, criativa e solidária”, sublinhou o autarca.
O evento contou com atuações de bandas jovens do concelho, como os “4 em Linha” e os “Old Spirit”, bem como duas apresentações artísticas da ETPC- Escolíadas.
O Dia da Juventude em Cantanhede foi também um espaço de diálogo e reflexão, com duas debates que reuniram jovens representantes de associações do concelho.
Na sessão dedicada ao tema “Desafios no trabalho com jovens”, os participantes partilharam experiências e preocupações em torno de questões como a dificuldade em manter os jovens motivados e comprometidos com as atividades associativas, os obstáculos relacionados com a falta de tempo, interesse ou disponibilidade, e a necessidade de reforçar o apoio municipal, institucional, financeiro e formativo.
Esta mesa redonda contou com a presença dos representantes do Agrupamento de Escolas Marquês de Marialva, da Associação de Estudantes da Secundária Lima de Faria, do Corpo Nacional de Escutas – Agrupamento 382 Cantanhede, da Associação de Solidariedade Social Sociedade Columbófila Cantanhedense e do Grupo Folclórico "Cancioneiro de Cantanhede".
Já a sessão dedicada ao tema “Festivais de, com e para jovens”, os participantes a refletiram sobre assuntos fundamentais para o sucesso destas iniciativas, tais como: o que é essencial para que um festival, evento ou espetáculo direcionado ao setor juvenil seja realmente atrativo e feito com os jovens; de que forma os jovens são envolvidos no planeamento e realização de eventos culturais ou recreativos; e quais os principais obstáculos que se enfrentam ao organizar iniciativas culturais destinadas ao público jovem.
Nesta sessão estiveram presentes representantes da Associação de Moradores da Praia da Tocha – Festival Catraia, do Centro Cultural e Recreativo da Pena – Festa d’Anaia, da ACA TEA - Academia de Teatro de Cantanhede e da Associação Escolíadas.

Turismo Centro de Portugal congratula-se com a escolha de Coimbra para receber bienal Manifesta


Em 2028, Coimbra e o Centro de Portugal serão o coração da arte contemporânea europeia.

A Turismo Centro de Portugal congratula-se com a escolha de Coimbra para acolher, em 2028, a bienal europeia de arte contemporânea Manifesta, naquela que será a primeira edição alguma vez realizada em território português.

A cada dois anos, a Manifesta realiza-se numa cidade europeia diferente, selecionada por apresentar condições únicas de cocriação entre arte, território e sociedade. Em 2028, esse lugar será Coimbra, numa edição colaborativa com a bienal Anozero, promovida por três entidades locais com forte tradição cultural: a Câmara Municipal de Coimbra, a Universidade de Coimbra e o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra.
O evento contará com um investimento global de oito milhões de euros, assegurado em partes iguais pelo Governo de Portugal – que suportará 50% do valor – e pelas entidades locais, patrocinadores e doadores da iniciativa. A edição terá como epicentro a cidade de Coimbra, mas envolverá toda a região, numa abordagem territorial alargada e inclusiva.

Para Rui Ventura, presidente da Turismo Centro de Portugal, “a escolha de Coimbra para acolher a Manifesta 2028 é um marco histórico para a cultura contemporânea no nosso país e uma extraordinária oportunidade de projeção internacional da Região de Coimbra e do Centro de Portugal. Estamos certos de que este evento será um passo decisivo na construção de um destino turístico culturalmente ativo, sustentável e inovador”.

“Coimbra e toda a região vão beneficiar da visibilidade global de um evento que atrai públicos exigentes e promove um envolvimento ativo dos cidadãos. A Turismo Centro de Portugal felicita todos os que tornaram possível esta candidatura vitoriosa e estará ao lado dos promotores na construção de uma edição memorável, que marcará o futuro da arte contemporânea em Portugal e na Europa”, acrescenta Rui Ventura.

Sobre a Turismo Centro de Portugal:
A Turismo Centro de Portugal é a entidade que estrutura e promove o turismo na Região Centro do país. Esta é a maior e mais diversificada área turística nacional, abrangendo 100 municípios, e tem registado um intenso crescimento da procura interna e externa. É a região a escolher para quem pretende experiências diversificadas, pois concilia locais Património da Humanidade com a melhor costa de surf da Europa, termas e spas idílicos, locais de culto de importância mundial e as mais belas aldeias.

*Sílvia Ribau
Diretora do Departamento de Estratégia e Operação
Turismo Centro de Portugal

**Luís Miguel Nunes
Consultor de comunicação


Marinha Grande | ÁLVARO LABORINHO LÚCIO APRESENTA NOVO LIVRO EM SÃO PEDRO DE MOEL

 O Edifício Cosmos Azul & Mar, em São Pedro de Moel, recebe no dia 15 de agosto de 2025, às 22h00, a iniciativa “Livros em Boa Companhia”, com a presença do juiz jubilado, escritor e ex-ministro da Justiça Álvaro Laborinho Lúcio.


A sessão tem o formato de uma conversa informal com o autor sobre o seu mais recente livro, “Marília ou a Justiça das Crianças”, escrito em coautoria com Odete Severino Soares.

A obra foi pensada para crianças e jovens que enfrentam o divórcio ou a separação dos pais e que, em muitos casos, são chamados a pronunciar-se em tribunal sobre o seu futuro. Um livro que procura, também, sensibilizar os adultos envolvidos – familiares, profissionais ou magistrados – para a importância de ouvir e respeitar a voz das crianças.

Destinada a maiores de 12 anos, esta proposta integra a programação de verão promovida pelo Município da Marinha Grande.

A entrada é gratuita, limitada à lotação da sala, e não requer inscrição prévia.

*Gabinete de Comunicação e Imagem

Marinha Grande | OLINDA COLAÇO E FILHA VÂNIA COLAÇO CONVERSAM SOBRE CARREIRA ARTÍSTICA


Na noite de 14 de agosto, a partir das 22h00, o Edifício Cosmos Azul & Mar, em São Pedro de Moel, recebe a iniciativa “Filho de Peixe Sabe Nadar”, que tem como convidadas Olinda Colaço e a filha Vânia Colaço.

A iniciativa integrada na programação de verão promovida pelo Município da Marinha Grande, vai ser uma conversa informal entre as duas artistas plásticas que partilham, não só os laços familiares, como a paixão pela arte.
Este encontro intergeracional pretende refletir sobre o percurso artístico de mãe e filha, os desafios de uma profissão criativa e o legado que passa de geração em geração.

A entrada é gratuita, limitada à lotação da sala, e não requer inscrição prévia.

*Gabinete de Comunicação e Imagem