quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Balanço da safra 2021 — “Fique na roça…”

 

  • Hélio Brambilla
  • Fonte: Revista Catolicismo, Nº 854, Fevereiro/2022

OAgronegócio vai bem, obrigado. E muito obrigado aos valentes produtores rurais que, apesar de dois anos de pandemia e recessão no mundo inteiro, continuaram agindo sem ouvir aqueles que mandavam ficar em casa.

Ao optarem por “ficar na roça” preparando o solo, plantando, cultivando, colhendo e distribuindo seus produtos, os ruralistas impediram a falta de alimentos, além de segurarem os preços, que poderiam ter atingido patamares incompatíveis com a renda da maioria dos brasileiros.

Onde está a crise do arroz de dois anos atrás? Onde está a crise da carne, tão trombeteada pela mídia? No meu modesto parecer, o Prêmio Nobel deveria ter sido concedido aos agropecuaristas brasileiros, que durante a pandemia não pararam um só instante de trabalhar, permitindo não apenas que a nossa população se mantivesse alimentada, mas cerca de 1.500.000.000 (um bilhão e meio) de pessoas em mais de 200 países!

Uma homenagem igualmente aos nossos bravos caminhoneiros, que apesar de alguns governadores inescrupulosos terem fechado temporariamente os postos de serviço situados às margens das rodovias, tampouco pararam.

Caso emblemático foi o de uma carreta carregada, cujo motorista alimentou-se e tomou banho pela última vez em Uberaba-MG, pois no Estado de São Paulo ele não conseguiu refeições, tendo de comer sanduíches durante os quatro dias em que permaneceu nas estradas paulistas…

Também não poderíamos deixar de apresentar as nossas homenagens aos profissionais de saúde, bem como às corporações militares, aos policiais que garantiram a lei e a ordem. Mas vamos ao nosso balanço da safra agropecuária de 2021.

Ela bateu novo recorde, apesar de uma seca imprevista que muito prejudicou o cultivo em parte do Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Paraná. Neste último estado, a “safrinha” de milho, que deveria ter produzido cerca de 13 milhões de toneladas, produziu apenas seis milhões, obrigando o Paraná a suprir sua demanda de milho com a produção de outros estados. A falta deste produto não somente aumentou seu preço, como refletiu nas carnes de aves e suínos.

O Brasil produziu mais de 260 milhões de toneladas de grãos e, se Deus nos ajudar com o bom tempo, a safra de 2022 deverá saltar para 290 milhões de toneladas.

Quanto às exportações do agro, o Brasil ultrapassou a casa dos 100 bilhões de dólares, tendo o valor bruto de produção (VBP), índice que indica a quantidade produzida dentro das porteiras das propriedades rurais, passado de um trilhão de reais.

Para o leitor menos afeito a essa linguagem, isso significa a criação de uma riqueza antes inexistente. Portanto, alimentação que antes não existia e que passou a encher as nossas despensas. Bem diferente da produção dita cultural de uma novela, de uma música funk que movimenta outros mercados, bem mais subtis…

Verdadeiro paraíso terrestre

Seguindo o ensinamento de nosso Divino Redentor na parábola do semeador, o homem do campo preparou a terra, semeou, cultivou e colheu, em união com os pecuaristas, que cuidaram de seus rebanhos, criaram-nos, propiciaram a geração desses produtos e o giro de trilhões de reais entre a nossa população.

Stephen Kanitz, jornalista e consultor de empresas, afirmou, com base em dados científicos, que, ao somar tudo o que o agronegócio movimenta, direta ou indiretamente, ultrapassa os 50% de toda a riqueza gerada no País. Isto é, o PIB (Produto Interno Bruto).

Tudo então foi, no jargão da aeronáutica, céu de brigadeiro para o agro? Certamente, não! Para se entender a sanha revolucionária dos ataques ao Brasil, capitaneados pelos mandatários da França e da Alemanha, cumpre recordar as invasões dos franceses e holandeses, bem como o reconhecimento das potencialidades do Brasil por autores insuspeitos.

Tomemos, por exemplo, o que deixou consignado em seu livro A viagem ao interior do Brasil o botânico Georg Wilhelm Freyreiss, que aqui esteve no século XIX:

“Talvez nenhum país do mundo dê ao homem tanta facilidade de sustento e conforto quanto o Brasil. Aqui o lavrador laborioso não precisa esperar a metade do ano para colher” (pág. 20).Ele ainda afirmou: “Lembramos que, apesar de tal extensão de terra fértil, haja tanta falta de agri(cultura) e de gente. E isto em um clima que é o melhor do mundo” (p. 32).

Também Johan Nieuhof, oficial do exército holandês a serviço da Companhia das Índias Ocidentais, ao retornar à Holanda, asseverou em seu livro Memorável viagem marítima e terrestre ao Brasil“O lugar mais abençoado do mundo, um verdadeiro paraíso terrestre” (p. 13).

Governos europeus vêm movendo uma forte campanha ambientalista contra o Brasil para tentar ganhar alguns dividendos eleitorais. Isso ficou muito claro durante a Cop-26 em Glasgow, na Escócia

Um engodo global

Nesse contexto, não é de admirar a cobiça que desperta o quarto maior país em extensão do mundo — o qual já figura como o maior produtor de alimentos — se manifeste em forma de sanha, como se viu nas reuniões do G20 e da Cop-26 em Glasgow, na Escócia.

Esses eventos não foram senão um embuste global, pois os Estados Unidos, China, Índia e Rússia não assumiram compromisso algum quanto à mitigação dos gases poluentes, apesar de representarem quase a totalidade das emissões mundiais.

A Alemanha de Angela Merkel substituiu suas usinas atômicas por usinas de carvão altamente poluentes, uma vez que o gás proveniente da Rússia está ameaçado em decorrência de desentendimentos políticos entre Putin e alguns chefes de governo da União Europeia.

O novo governo alemão, chefiado por Olaf Scholz, aliou-se aos verdes e aos socialistas, e nomeou para ministra das Relações Exteriores a advogada Annalena Baerbock, uma das líderes do partido Verde e crítica sectária do governo brasileiro, sobretudo no que se refere à nossa Amazônia. Nomeou também outro ambientalista, Robert Habeck, para a chefia do Ministério do Clima e da Economia.

A doce França, um país de fábulas pelo seu charme, está invadida por imigrantes. Sua população decresce e sua energia é gerada por uma centena de usinas à la Chernobyl, espalhadas por todo o país.

Comenta-se que o presidente Macron se encontra muito desgastado, razão pela qual vem movendo essa campanha ambientalista contra o Brasil, para tentar ganhar alguns dividendos eleitorais. Soa falso ou apenas meia verdade, pois se trata de um problema ideológico muito mais profundo, que não cabe analisar aqui. Vamos aguardar os resultados das próximas eleições francesas.

Sobre a China, que expele 30% de gases poluentes do orbe, nenhuma palavra crítica. E os chineses ainda desafiam os fóruns globais dizendo que até 2030 as emissões vão aumentar, e que somente a partir desta data — só Deus sabe — elas começarão a decrescer (Cf. “O Estado de S. Paulo”, 11-11-21).

Não confiamos muito na seriedade dessas estatísticas de emissões de gases dispersas pelo mundo, mas a se tomar a sério o Brasil, de acordo com órgãos internacionais, ele responde apenas por menos de 3% das emissões globais.

Espadas de Dâmocles

O curioso é que nesses fóruns não se ouve uma palavra sequer sobre a pretensão de Xi Jinping e Putin de se perpetuarem no poder, e, menos ainda, sobre a retomada do Afeganistão pelos fanáticos talibãs. Para tais fóruns só existe um perigo no mundo: o governo do presidente Bolsonaro… Outro front da guerra contra o Brasil foi o desmatamento da Amazônia, que teria atingido 10.000 km2 no ano de 2021.

         Não está provado que esse foi o total desmatado, mas o certo é que a maior parte ocorreu na região do chamado cerradinho e cerradão. Da floresta ombrófila e densa, muito pouco foi atingido. De acordo com os dados da Embrapa Monitoramento de Satélites, no ritmo atual de desmatamento, o Brasil demoraria 500 anos para derrubar a última árvore na Amazônia.

Foi noticiado que o Brasil receberá a esmolinha de 100 milhões de dólares para preservar a floresta. Ora, sem contar as áreas indígenas e os parques nacionais, apenas os proprietários rurais — por conta e risco deles, inclusive pagando imposto territorial sobre essas áreas — preservam cerca de três milhões de quilômetros quadrados, o que representa um valor imobilizado de mais de um trilhão de dólares.

Sobre o embargo chinês da carne brasileira, tratou-se apenas de um espirro do “tigre velho e desdentado”, pois não é o Brasil que mais precisa da China, mas a China que precisa do Brasil. Vivemos muito bem sem os seus chips e os seus ursinhos de pelúcia… Mas pagaria para ver quantos Xis aguentariam no poder chinês sem receber comida e minerais brasileiros.

Infelizmente, duas espadas de Dâmocles pendem sobre a cabeça dos proprietários rurais brasileiros. Uma delas é a proposta de venda de terras a estrangeiros, aprovada no apagar das luzes do Senado em 2020, que permitiria a venda de até 25% das terras de cada município brasileiro para o estrangeiro (leia-se: chineses).

A segunda é a tentativa de eliminação do Marco Temporal que regula a concessão de áreas indígenas no País. A Constituição é clara no seu artigo 231: “São reconhecidos aos índios […] os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.” Essa determinação constitucional foi chamada de Marco Temporal. Se ela for abolida, acabará com direitos de propriedade no Brasil, comprometendo seriamente o progresso do agronegócio.

*   *   *

No Acre a gasolina chegou a ser vendida a mais de 9 reais.
ABIM

Um problema de outra ordem que aflige os produtores e caminhoneiros, bem como toda a população, é o preço abusivo dos combustíveis. Por mais que o petróleo tenha subido em âmbito mundial, não se justifica que a Petrobras entregue um litro de gasolina a R$ 3,16 na refinaria e que em alguns estados ele seja vendido a quase R$ 8,00… A população também não tolera que o botijão de gás ultrapasse o patamar de R$ 100,00. Algo deve ser feito com urgência para sanar essa situação. Caso contrário, poderá representar o cravo que falta na ferradura, podendo levar o comandante a perder a batalha.

Que nesses 200 anos de nossa independência os governantes façam valer e impor as prerrogativas de nossa soberania diante dos inimigos internos e externos. Que Deus e Nossa Padroeira, a Virgem Aparecida, protejam o Brasil, dando-lhe o futuro brilhante que lhe foi prometido sob a égide do Cruzeiro do Sul, nosso símbolo de ontem, de hoje e de sempre.

A Europa Vai à Escola com o programa “UEscolas”

 Assinalando o arranque do seu plano de atividades para 2022, o EUROPE DIRECT Viseu Dão Lafões leva ao terreno o programa UEscolas.

Dedicado a professores e alunos do 3º ciclo, o “UEscolas” visa promover, junto da comunidade escolar, a educação para a história e dinâmicas europeias, procurando contribuir para fomentar o interesse pelo conhecimento das diferentes culturas dos Estados Membros da União Europeia (EU).


Assim, no dia 17 de fevereiro, terá lugar o "Workshop Para Professores". Esta sessão de trabalho, que terá lugar online, tem por objetivo dotar os docentes de conteúdos e recursos didáticos úteis que lhes permitam preparar atividades curriculares dedicadas aos grandes temas europeus. Neste espaço, serão, ainda, abordados e debatidos os grandes temas em discussão na EU. Por fim, será disponibilizada informação relativa a instituições que prestam apoio ao desenvolvimento de iniciativas escolares de âmbito europeu. 


Entre os dias 21 de fevereiro e 04 de março, terá lugar, junto de mais de 40 turmas do 3º ciclo, a atividade "UE é que sei". Este momento, alicerçado na metodologia Learning by Doing, é composto por quatro propostas lúdico-pedagógicas e, sob o mote "O que é a Europa e seus valores", irá levar, de uma forma apelativa, os assuntos europeus às escolas, potenciando, entre os alunos, um conhecimento abrangente sobre a Europa, bem como, a sua participação ativa na construção do projeto europeu e a disseminação dos seus valores.

 

De acordo com o responsável do EUROPE DIRECT Viseu Dão Lafões, José Carlos Almeida, “Dando continuidade à forte dinâmica de proximidade, que temos desenvolvido junto de instituições de ensino e do público mais jovem, este ano, pela primeira vez, levamos o programa "UEscolas" aos alunos do nosso território”. 

 

Ainda segundo o responsável, “Com esta iniciativa pretendemos continuar a consciencializar e expandir o conhecimento relativo aos valores comuns da UE tais como a inclusão, a tolerância, a justiça, a solidariedade e a não discriminação. É entendimento do EUROPE DIRECT que estes valores são parte integrante do modo de vida europeu, pelo que é crucial dissemina-los e incentivar os mais jovens à adoção de uma cidadania ativa e responsável na construção do projeto europeu".


Para o Secretário Executivo da Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões (entidade que acolhe o EUROPE DIRECT), Nuno Martinho, "É unanimemente reconhecido que a CIM tem realizado, no seu território, uma forte aposta em projetos educativos diferenciados que visam promover o sucesso educativo e, assim contribuir para o desenvolvimento de competências transversais dos nossos alunos".


"O "UEscolas" vem dar resposta à nossa vontade de envolver os nossos jovens no debate e na reflexão sobre a Europa. Com esta iniciativa os alunos ficam melhor capacitados, enquanto cidadãos europeus de pleno direito, para fazer escolhas mais informadas sobre o que esperam e como podem contribuir para esta grande comunidade, tão presente no seu quotidiano, que é a União Europeia", concluiu o Secretário Executivo.

Cantanhede | PROJECTO SOLIDÁRIO “DO USADO, SE FAZ NOVO” RECEBE CONTRIBUTO DA S. JOSÉ PNEUS


O trabalho desenvolvido pela Direcção Geral da Associação de Solidariedade Social Sociedade Columbófila Cantanhedense, foi, mais uma vez, reconhecido, pelos Gerentes da S. José, líder na distribuição nacional de todos os tipos de pneus e sediada na zona industrial da cidade de Cantanhede, que no âmbito do seu plano de responsabilidade social, voltaram a doar um vasto conjunto de bolas de futebol, da marca de pneus agro - industriais BKT.
Passando a centena de bolas doadas pela S. José Pneus, na sua totalidade, as referidas bolas da BKT, são exclusivamente destinadas ao projecto de iniciação desportiva, em curso na cidade do Tarrafal de Santiago, no Arquipélago de Cabo Verde e promovido pelo Pelouro da Juventude Cultura e Desporto, liderado pela Vereadora Teresa Ramos Correia, da Câmara Municipal daquela cidade, que para além de promover a iniciação desportiva nas modalidades de futebol, futsal, andebol, basquetebol, atletismo e voleibol, visa igualmente a inclusão das crianças e jovens, provenientes das famílias mais vulneráveis do concelho daquele Municipio de Santiago Norte, ocupando os seus tempos livres com actividades saudáveis.

Este repetido apoio da S. José Pneus, vai permitir a esta Associação, consolidar e alargar a sua base do trabalho de âmbito social que vem desenvolvendo, dando continuidade ao Projecto de Cooperação . de Partida!, que já enviou 22 contentores para Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe, reforçando, igualmente, a ligação que a empresa sediada na zona industrial de Cantanhede, vinha mantendo nos últimos anos com a Sociedade Columbófila, permitindo dessa forma aprofundar ainda mais a colaboração já existente, entre as duas entidades.

Arouca | Município avança com Programa de Desfibrilhação Automática Externa em recintos desportivos

 A Câmara Municipal de Arouca vai implementar um Programa de Desfibrilhação Automática Externa (DAE) nos equipamentos desportivos do município, num investimento de 9.520 euros. Os protocolos de cedência de equipamento são assinados na próxima sexta-feira, dia 18, às 16h00, numa sessão que decorre no edifício dos Paços do Concelho, em Arouca.

Com objetivo de melhorar a taxa de sobrevivência de vítimas de problemas cardíacos súbitos que possam conduzir à morte, o programa contempla a distribuição gratuita de desfibrilhadores automáticos externos a seis associações desportivas locais, à qual se junta o Agrupamento de Escolas de Arouca, cujo pavilhão desportivo é alvo de intensa ocupação em período não letivo e palco de diversas competições de âmbito regional.

 

“Através deste Programa estamos a capacitar os nossos recintos desportivos para que estes possam dar resposta a situações de emergência médica que, como é de conhecimento geral, exigem uma ação rápida e precisa para evitar desfechos menos felizes”, disse a presidente da Câmara Municipal. Margarida Belém destaca ainda que, “aquilo a que o município se propõe não é simplesmente a cedência de equipamento, mas também a garantia de que as associações passam a ter, nas suas estruturas, elementos com formação certificada para atuar neste contexto”.

 

Assim, a breve trecho, o Futebol Clube de Arouca, a Associação Social, Cultural e Desportiva Unidos de Rossas, o Grupo Desportivo Santa Cruz de Alvarenga, o Centro Cultural e Recreativo de Vila Viçosa, a União Desportiva de Mansores e a Associação Cultural, Recreativa e Desportiva de Mosteirô estarão equipados com um desfibrilhador automático externo devidamente licenciado e dotados de operacionais formados em Suporte Básico de Vida e DAE, cuja formação será suportada pelo município no âmbito deste protocolo.

 

A Câmara Municipal aposta, desta forma, na segurança dos recintos desportivos arouquenses, procurando a redução de riscos de morte súbita por doença cardiovascular junto da comunidade praticante de desporto.

Incêndio destrói habitação em Tábua, família realojada

Um incêndio que deflagrou esta madrugada na freguesia de Candosa, no concelho de Tábua, destruiu por completo uma habitação, obrigando ao realojamento de uma família com três pessoas, disse à Lusa fonte da proteção civil.

Fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Coimbra adiantou que o alerta para o incêndio foi dado pelas 01:49 na aldeia de Várzea de Candosa.

O combate ao incêndio, dominado após algumas horas, exigiu o destacamento de 30 operacionais e de uma dezena de veículos.

Segundo a mesma fonte, a proteção civil municipal de Tábua ajudou a realojar a família num hotel, de forma provisória.

Madremedia

Mais de 25% das mulheres já foram vítimas de violência por parte do parceiro

Mais de 25% das mulheres entre os 15 e os 49 anos já sofreram violência por parte do seu parceiro ao longo da vida, segundo um estudo publicado na quarta-feira pela revista Lancet com dados entre 2000 e 2018.

Este tipo de violência sexual e/ou física começa cedo e já é frequente em faixas etárias mais jovens, uma vez que os dados revelam que 24% das mulheres entre 15 e 19 anos já sofreram violência pelo menos uma vez.

O estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) inclui dados até 2018, pelo que não há números sobre a incidência no período da pandemia de covid-19.

Ainda assim, “as investigações demonstraram que a pandemia exacerbou os problemas que conduzem à violência pelo parceiro, como o isolamento, a depressão e a ansiedade e o consumo de álcool, para além de reduzir o acesso aos serviços de apoio”, disse Claudia Garcia, da OMS, autora principal do relatório.

O estudo aponta que 27% das mulheres entre os 15 e os 49 anos sofreram violência física e/ou sexual por parte do seu parceiro masculino ao longo da sua vida, de acordo com estimativas da OMS baseadas nas respostas de dois milhões de mulheres de 161 países.

No último ano em que decorreu o estudo (2018) uma em cada sete mulheres (13%) sofreu violência por parte dos seus parceiros.

O documento chama a atenção sobre os elevados níveis de violência contra as mulheres mais jovens, que Lymarie Sardinha, outra das autoras, classifica de “alarmante”, já que a adolescência e o início da idade adulta “são etapas importantes da vida nas quais se constroem as fundações para relações saudáveis”.

Por regiões, as estimativas indicam que África contava com a maior quantidade de mulheres vítimas de violência ao longo da sua vida (33%), seguindo-se a Oceânia (30%), Ásia (27%), América (25%) e Europa (20%).

“Estes resultados confirmam que a violência contra as mulheres por parte dos parceiros masculinos continua a ser uma questão de saúde pública mundial”, destacou Claudia Garcia, que alertou que os Governos não estão em condições de erradicá-la até 2030, como definido nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

As autoras pedem, também, que “se invista urgentemente em intervenções multissetoriais eficazes e que se reforce a resposta de saúde pública” para fazer frente ao problema após a pandemia.

Em Portugal, morreram 23 pessoas por violência doméstica em 2021, 16 mulheres, duas crianças e cinco homens.

Os números representam uma quebra face a 2020, com menos nove vítimas mortais registadas devido a este crime.

Em 2021, as forças policiais receberam 26.511 ocorrências, menos 1.108 do que no ano de 2020, o que representa uma quebra de 4%.

No final do ano passado a Polícia de Segurança Pública (PSP) revelou que reportou mais de 215 mil casos de violência doméstica desde que este crime passou a ser público, há 20 anos.

Madremedia/Lusa

Justiça francesa pede prisão perpétua para assassino de menina lusodescendente

A justiça francesa pediu hoje prisão perpétua com um período de prisão efetiva de pelo menos 22 anos para Nordahl Lelandais, assassino confesso de Maëlys de Araujo, menina lusodescendente de 8 anos que morreu em 2018.

"Peço-vos que declarem Nordahl Lelandais como um grande criminoso, um grande predador, culpado dos factos que aqui relatámos e de o condenarem a prisão perpétua, garantindo uma pena de prisão efetiva de, pelo menos, 22 anos", pediu esta manhã o Ministério Público francês.

O advogado que representa o Ministério Público no caso da morte de Maëlys de Araujo pediu hoje a pena máxima de prisão para Nordahl Lelandais no Tribunal de Grenoble, no sul de França, onde decorre até sexta-feira o julgamento deste assassino confesso.

A justiça francesa descreveu o homem de 38 anos como "um criminoso perigoso", "um predador sexual", "um medíocre" e "um pedófilo" que não sabe distinguir uma criança de um adulto a nível sexual. O julgamento, que começou no dia 31 de janeiro, terá, segundo a justiça francesa, mostrado todas essas características.

Durante o julgamento, Nordahl Lelandais reconheceu ter matado a criança de forma "voluntária", tendo desferido vários golpes com a intenção de matar a menina de origem portuguesa.

A morte de Maëlys de Araujo chocou a França em agosto de 2017, já que a menina desapareceu de uma festa de casamento familiar, na cidade de Pont-de-Beauvoisin, onde estariam cerca de 200 convidados. Passados alguns dias, Nordahl Lelandais foi acusado de sequestro.

Só em 2018 é que o arguido confessou o crime, conduzindo as autoridades ao local onde tinha abandonado o corpo da menina. O acusado diz ter esbofeteado Maëlys de Araujo causando, sem querer, a sua morte. No entanto, a autópsia revelou vários golpes fatais na cabeça da criança.

Durante as investigações do sequestro e morte da menina lusodescendente, Nordahl Lelandais começou a ser investigado por outros homicídios e desaparecimentos à sua volta, assim como acusações de pornografia infantil e abuso sexual de menores.

Em maio de 2021, foi condenado a 20 anos de prisão pela morte do jovem de 23 anos Arthur Noye, que aconteceu em abril de 2017. Este homicida continua a ser investigado pelas autoridades francesas sobre diferentes homicídios e sequestros nas regiões onde viveu ou onde se deslocou nos últimos anos.

FONTE E IMAGEM: Madremedia/Lusa