quinta-feira, 7 de maio de 2020

Moçambique | “A nossa curva epidemiológica é fortemente dominada pelos casos que tem a ver com Afungi”; 65 dos 80 doentes em Moçambique são trabalhadores da Total

Grafismo de Nuno Teixeira
Mais de 1 mês após o diagnóstico do primeiro trabalhador da Total infectado pelo novo coronavírus as autoridades de Saúde ainda não descobriram como o vírus chegou à Península de Afungi, de onde saíram 1.843 potenciais casos suspeitos e a transmissão continua activa entre os 880 funcionários que ainda estão nos acampamentos. “A nossa curva epidemiológica é fortemente dominada pelos casos que tem a ver com a investigação em Afungi”, afirmou o director-geral do Instituto Nacional de Saúde (INS) após ter sido diagnosticado mais um infectado neste domingo (03), dos 80 infectados em Moçambique 65 são trabalhadores da petrolífera francesa que lidera o projecto de gás natural Mozambique LNG.

“Em Afungi, no início do processo de testagem, no dia 1 de Abril, estavam 880 funcionários, destes foram testados até agora 560 dos quais há um número importante de positivo e ainda temos 320 funcionários por testar e prevemos que o último dia de colheita de amostras seja o dia 5 de Maio e depois iremos finalizar este processo de testagem em Afungi e prosseguir com os trabalhos de desinfecção e eliminação do vírus ao nível deste acampamento”, anunciou neste domingo o Dr. Ilesh Vinodrai Jani em conferência de imprensa.

Decorridos 33 dias desde que foi diagnosticado o primeiro trabalhador da Total infectado pelo novo coronavírus as autoridades de Saúde moçambicanas ainda não sabem quem foi o paciente zero num dos três acampamentos que a petrolífera possui na Península de Afungi, no Distrito de Palma.

O director-geral do INS admitiu que 1.843 trabalhadores deixaram os acampamentos antes da descoberta do primeiro infectado no dia 1 de Abril. “Quanto aos casos que saíram de Afungi antes de haver sido diagnosticado o primeiro caso, saíram não na última semana de Março mas ao longo do mês, entre 1 e 31 este é o número que saiu. Estes indivíduos foram contactados todos eles quase já, entre estes foram selecionados para testagem com base numa entrevista alguns e esse processo de testagem decorre e o processo de vigilância epidemiológica destes casos continua a decorrer”.

O @Verdade apurou dentre os funcionários que saíram dos acampamentos, e que poderiam estar infectados porém assintomáticos, 246 foram localizados telefonicamente na Província de Maputo, 128 na Cidade de Maputo, 27 na Província de Gaza, 29 na Província de Inhambane, 34 na Província de Sofala, 35 na Província de Manica, 44 na Província de Tete, 58 na Província da Zambézia, 190 na Província de Nampula, 27 na Província de Niassa e ainda 159 em vários distritos da Província de Cabo Delgado.

Trabalhador da Total acusa positivo para coronavírus 1 mês após sair da Afungi

Confrontado pelo @Verdade se todos estes trabalhadores da Total que deixaram Afungi já foram testados ou estão em quarentena obrigatória o Dr. Jani admitiu: “Não, esses não são considerados como estando em quarentena, é um processo que é feito de forma paralela. Estão sob vigilância das autoridades sanitárias locais e todos aqueles que foram identificados como necessitando de acompanhamento mais próximo, estão a ser acompanhados, alguns foram seleccionados para serem testados e esse processo decorre, para alguns já esta completo”.

“Faço notar que alguns destes indivíduos saíram do acampamento no dia 1 de Março portanto faz 2 meses, não faz sentido colocar em quarentena, o que faz sentido é fazer uma investigação epidemiológica destes indivíduos e dos seus contactos e é isso que está sendo realizado”, acrescentou o responsável dos epidemiologistas moçambicanos.

Mas o facto é que nesta sexta-feira (01) um dos trabalhadores da petrolífera francesa que trabalhou nos acampamentos de Afungi e saiu da Província de Cabo Delgado para a Cidade de Maputo antes de 1 de Abril, antes de ser imposto o cordão sanitário e será parte dos 1.843 trabalhadores que deixaram o acampamento durante o mês de Março, acusou positivo para o novo coronavírus, é um moçambicano que tem entre 24 e 34 anos de idade e está em isolamento domiciliar na capital do país.

O projecto Mozambique LNG que vai explorar o gás natural existente nos campos de Golfinho/Atum da Bacia do Rovuma, que deverá realizar o maior investimento privado que África já teve e que é suposto trazer o futuro melhor para os moçambicanos até agora contribuiu para a infecção de 68 dos 80 indivíduos que tem ou tiveram covid-19 no nosso país, entre elas uma criança.

Fonte: Jornal A Verdade, Moçambique

Sobreviventes da tragédia que vitimou 64 migrantes ilegais em Tete regressam à Etiópia

Foto da OIM
Onze dos 14 sobreviventes da tragédia que vitimou 64 migrantes ilegais no passado dia 24 de Março na Província de Tete regressaram à Etiópia, seu país de origem, em mais uma operação da Organização Internacional para as Migrações (OIM) com o apoio da União Europeia.

Os migrantes fazem parte de um grupo de 78 indivíduos descobertos pelas autoridades moçambicanas no Distrito de Moatize, na Província de Tete, no contentor de um camião proveniente do Malawi e que estariam a tentar cruzar o nosso país a caminho da África do Sul.

“Sofri tortura por contrabandistas, andei em florestas durante vários dias, mal tinha comida e água. Mas o pior de tudo foi a viagem no contentor, era um espaço que mal podia acomodar 20 pessoas e eles carregaram 78 de nós, um em cima do outro, gritamos por ar, implorando para que abrissem a porta. No último posto de controle, batemos no contentor, gritando pelas nossas vidas, foi quando a polícia nos ouviu”, relatou à OIM um dos sobreviventes.

Quando as autoridades moçambicanas abriram o contentor descobriram 64 cadáveres, haviam perdido a vida por asfixia, e 14 sobreviventes que receberam cuidados médicos e estiveram em quarentena devido à covid-19.

Numa operação coordenada pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), com o apoio da União Europeia, 11 dos sobreviventes regressaram à Etiópia durante a semana passada após viajarem primeiro para a Cidade de Maputo de onde embarcaram para Adis Abeba.

Contudo três dos sobreviventes escapuliram-se às autoridades na Província de Tete e até ao momento não foram localizados.

“Na Etiópia eu trabalhava em empregos eventuais sem rendimentos estáveis, decidi ir para a África do Sul para trabalhar, economizar dinheiro e regressar para viver melhor”, contou outro dos sobreviventes à OIM que indica que os migrantes ilegais pagam entre 2.500 a 6 mil dólares norte-americanos a traficantes que prometem viagem segura até a África do Sul, porém assim que saem da Etiópia começa uma jornada angustiante, caminhando a pé, na escuridão, sem comida nem água.

Fonte: Jornal A Verdade, Moçambique

Banco de Moçambique revê classificação do metical impróprio para circulação e alarga valorização das notas de polímero “mutiladas”

O Banco de Moçambique (BM) reviu a classificação das notas do metical consideradas impróprias para circulação e estabeleceu critérios para avaliação das moedas inadequadas em uso. Foi ainda alargada a valorização das notas de polímero “mutiladas”, “desde que apresentem pelo menos um elemento de segurança”.

Desde 1996 que eram consideradas notas impróprias para circulação aquelas que estivessem rasgadas ou com falta de qualquer fragmento; coladas com fita cola ou de qualquer outra forma; com rasura ou raspagem das séries ou números; com alteração acentuada de tonalidade em resultado de desgaste por excessiva utilização; e com escritos, nódoas de gordura ou outras bem visíveis.

A partir do passado dia 23 de Abril foram revistos os critérios de classificação das notas de metical impróprias passando a incluir aquelas que tenham “caracteres estranhos, designadamente marcas, imagens, desenhos, escritas ou carimbos”, as “desfiguradas por manchas, marcas, tintas ou qualquer outro material”, e ainda as que tenham “áreas fragmentadas, emendadas com fita adesiva, agrafos ou grampos; partes amarrotadas, com múltiplas dobras, ou queimadas de tal forma que, embora reconhecíveis, se tenham tornado frágeis e quebradiças” e também as “derretidas por queima”.

O BM introduziu, através do Aviso nº 2/GBM/2020, as condições para classificação das moedas impróprias para circulação: “Superfície torta, perfurada ou desfigurada; fragmentos; danos que possam resultar em descoloração e alteração do aspecto da moeda; dimensões diferentes das especificadas originalmente; dificuldade em identificar a denominação”.

Além destas revisões o Banco Central alargou os critérios de valorização das notas impróprias para circulação que eram apenas dois. As notas mutiladas passam a ser também valorizadas por inteiro mesmo que se encontrem “encolhidas e inteiras, tratando-se de notas de polímero, desde que apresentem pelo menos um elemento de segurança”. Ademais as notas do metical mutiladas são ainda valorizadas pela metade mesmo que se encontrem “encolhidas, tratando-se de notas de polímero, desde que apresentem pelo menos um elemento de segurança”.

Fonte: Jornal A Verdade, Moçambique

Diagnosticado 80º infectado pelo covid-19 em Moçambique, mais um doente curado

Foto de Adérito Caldeira
Foi diagnosticado neste domingo (03) o 80º cidadão infectado pelo novo coronavírus em Moçambique, é um moçambicano que trabalha para a petrolífera Total. “Não apresenta sintomatologia e, por isso, encontra-se em isolamento domiciliar” na Península de Afungi, na Província de Cabo Delgado. Entretanto mais um doente ficou curado da covid-19, trata-se de um cidadão que estava em isolamento domiciliar na Província de Maputo.

No início da 9ª semana epidemiológica da covid-19 no nosso país a Directora Nacional de Saúde Pública actualizou a jornalistas que após a realização de 129 testes pelo Instituto Nacional de Saúde (INS), nas últimas 24 horas, “128 revelaram-se negativos para infecção da covid-19 e um revelou-se positivo para infecção da covid-19”.

“Das amostras que foram testadas no laboratório de referência nas últimas 24 horas 95 são de Cabo Delgado, 10 da Zambézia, 13 de Inhambane e 11 da Cidade de Maputo. As 95 amostras que recebemos e foram testadas de Cabo Delgado todas elas estão todas relacionadas com a investigação em curso em Afungi”, precisou a Dra. Rosa Marlene.

A autoridade de saúde Pública revelou que “o caso novo aqui reportado é decorrente da testagem massiva em Cabo Delgado, no Distrito de Palma, localidade de Afungi. O mesmo não apresenta sintomatologia e, por isso, encontra-se em isolamento domiciliar”.

De acordo com a Dra. Rosa Marlene o mais recente infectado pela covid-19 é um moçambicano “do sexo masculino, na faixa etária dos 25 aos 34 anos e é funcionário da Total no acampamento de Afungi. E como sempre neste momento decorre o processo de mapeamento dos contactos destes casos”, contudo está claro tratar-se de mais uma transmissão local nas instalações da petrolífera que lidera o projecto de gás natural Mozambique LNG, onde já existiam 48 indivíduos infectados pelo novo coronavírus.

A Directora Nacional de Saúde Pública anunciou ainda que “contamos com 19 pessoas previamente infectadas pela covid-19 que neste momento estão curadas da infecção”, era um dos cinco doentes que estava em isolamento domiciliar na Província de Maputo.

Fonte: Jornal A Verdade, Moçambique

Consequências voluntárias e involuntárias das medidas anticoronavírus

E a responsabilidade do Vaticano na sua consumação
  • José Antonio Ureta1
Consentindo no fechamento das igrejas, o Vaticano contribuiu para aumentar o clima de pânico diante da epidemia do coronavírus. E com seus reiterados apelos em favor da ecologia integral e de um novo modelo de globalização, além de seu apoio aos chamados “movimentos populares” da América Latina, o Papa Francisco está dando um respaldo espiritual à maior operação de engenharia social da História. Essas são as principais denúncias que faz à liderança suprema da Igreja Católica um documentado estudo recentemente publicado pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira2 em seu site na Internet.
Nele o Vaticano é estigmatizado por ter contribuído para incrementar o pânico que preparou o terreno para as medidas coercitivas de confinamento responsáveis pela grave crise econômica e social que daí resultará. As autoridades vaticanas e a hierarquia italiana foram além do exigido pelas autoridades civis na aplicação das medidas restritivas. A privação dos sacramentos e da consolação espiritual proporcionada pela oração no ambiente interno de uma igreja não podia senão aumentar a angústia diante da epidemia e, indiretamente, induzir ao pânico, afirma o documento do Instituto, divulgado antes do respaldo clamoroso que o Papa Francisco acaba de dar ao primeiro-ministro italiano, destoando da atitude dos bispos.
O Instituto, que faz parte do movimento Tradição Família Propriedade, afirma que os grandes beneficiários da crise gerada pela epidemia iniciada em Wuhan estão sendo o regime comunista da China, os ecologistas radicais, os promotores da governança mundial e os setores da ultraesquerda. Uma janela de oportunidade abriu-se para esses quatro atores que visam modelar um “mundo novo” segundo seus princípios ideológicos.Segundo a entidade, o pânico conseguiu na Europa e alhures uma atitude submissa das populações diante das severas restrições à liberdade impostas pelas autoridades a perto de 2/3 da população mundial, assim como uma aceitação prévia, segundo as enquetes, dos planos de controle estatal através de aplicativos nos celulares como condição para sair daquilo que a diretora do FMI chamou de “Grande Confinamento”.
“Como é possível entender — pergunta o documento — que as massas do Ocidente, embriagadas até três meses atrás com os valores de emancipação, autonomia e individualismo, aceitem a perspectiva de um controle em estilo chinês de suas vidas, com a passividade de cordeiros rumo ao matadouro?” A reação natural delas deveria ter sido a do filósofo agnóstico francês André Conte-Sponville: “Prefiro pegar a Covid-19 num país livre, a escapar dele num Estado totalitário!”.
Pelo contrário, as sondagens mostram um aumento de popularidade dos governos que impuseram as restrições e planejam o controle reforçado das pessoas, oferecendo em troca abrir as torneiras do financiamento público para as ajudas estatais.
Tratar-se-ia, afirma o Instituto Plinio Côrrea de Oliveira, de uma versão planetária da Síndrome de Estocolmo, pela qual a vítima de um sequestro desenvolve uma relação de cumplicidade e forte vínculo afetivo com seu captor. Um fenômeno psicológico talvez acompanhado de uma infestação preternatural coletiva, no estilo daquela descrita por Mons. Léon Cristiani em seu livro A presença de Satã no mundo moderno.
No seu aspecto natural, essa inédita operação de manipulação mental em escala mundial parece obedecer às táticas denunciadas há mais de meio século por Plinio Côrrea de Oliveira em seu ensaio Baldeação Ideológica Inadvertida e Diálogo [capa acima], e notadamente no emprego do “binômio medo-simpatia”.
Aplicando os ensinamentos do intelectual brasileiro à atual operação de baldeação ideológica, nós teríamos de um lado a paura da Covid-19 e, de outro, a aspiração simpática e romântica de voltar a um mundo mais “respeitoso da natureza”, mais “aberto” e “solidário”, no qual os padrões de luxo “burguês” das sociedades industrializadas cederiam lugar à simplicidade e à frugalidade de vida exaltada pelos “verdes”.
No seu termo final, a baldeação ideológica deveria obter da população não apenas sua resignação diante do “decrescimento” económico, como se este fosse apenas uma fatalidade, mas uma aceitação profunda, considerando o novo estilo de vida como um aperfeiçoamento espiritual. É nesse contexto que a voz do Papa Francisco passa a ser um aliado precioso para o sucesso da operação, com declarações no estilo “não sei se essas [catástrofes como o coronavírus] são vinganças da natureza, mas certamente são respostas da natureza” ou “creio que temos de diminuir nosso ritmo de produção e consumo”, assim como seus chamados a uma “conversão ecológica integral” e a dar apoio aos movimentos como o de Greta Thunberg.
O mesmo se pode dizer da contribuição do Vaticano para a agenda daqueles que querem aproveitar a crise do coronavírus para fazer avançar a agenda da governança mundial. O documento do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira transcreve uma declaração de Jacques Attali, conselheiro de todos os presidentes franceses nos últimos 40 anos, feita em 2009, no sentido de que “a humanidade não evolui significativamente senão quando ela tem verdadeiramente medo”, pelo que as epidemias ajudam para se chegar “muito mais rápido” a deitar as bases “de um verdadeiro governo mundial”. Ou seja, aquilo que Gordon Brown sugeriu há pouco: uma forma temporária de governo global para encarar as atuais crises gêmeas — médica e econômica.
De modo mais moderado, é o que também faz uma declaração conjunta das Academias Pontifícias de Ciências e de Ciências Sociais, cujo principal animador é o Bispo Marcelo Sánchez Sorondo, um argentino muito próximo do pontífice: “Problemas globais como as pandemias — afirma a declaração — ou as crises menos visíveis da mudança climática e da perda de biodiversidade, exigem respostas cooperativas”, insistindo em que “as crises globais exigem uma ação coletiva”.
Os grandes promotores de uma nova ordem mundial sob a égide da ONU não teriam nenhuma dificuldade em subscrever essa declaração das duas Academias vaticanas, que não inclui uma vez sequer o nome de Deus!
“Quero dizer-te que estou à disposição para dar uma mão sempre. Conte comigo” foi a desconcertante mensagem manuscrita do Papa Francisco a um dos líderes italianos da ultraesquerda, Luca Casarini. Divulgada quase simultaneamente, no dia da Páscoa, com outra que o pontífice dirigiu aos chamados movimentos sociais populares, na qual declara que “talvez tenha chegado o tempo de pensar num salário universal”. Ideia-farol da esquerda radical, essa declaração foi saudada com entusiasmo por Pablo Iglesias, líder do partido da ultraesquerda “Podemos” e vice-presidente da Espanha, que sugeriu aproveitar o coronavírus para nacionalizar todas as companhias elétricas e de comunicações, os hotéis e as clínicas privadas.
Francisco acrescentou, dirigindo-se a movimentos que pregam a luta de classes e as invasões ilegais de terras e imóveis urbanos: “Se a luta contra a Covid é uma guerravocês são um verdadeiro exército invisível, que luta nas trincheiras mais perigosas”.
Por sua vez, com uma linguagem vizinha à dos partidos verdes e da esquerda alternativa, o cardeal Turkson, presidente do Conselho Pontifício para Desenvolvimento Humano Integral, ao anunciar a instalação de uma equipe de trabalho para preparar o pós-coronavírus, explicou que “habitar a Terra como Casa Comum requer muito mais: requer a solidariedade no acesso aos bens da criação como ‘bem comum’, e solidariedade na aplicação dos frutos da pesquisa científica e da tecnologia para tornar nossa ‘Casa’ mais sã e mais vivível para todos”.
Os governos dos países ocidentais, por seu turno, são acusados de ter preparado o terreno para essa imensa operação de engenharia social, ao tomarem decisões drásticas de confinamento, com enormes custos sociais e econômicos, baseando-se apenas em modelos matemáticos construídos sobre dados incertos. De fato, a paralisação brusca das atividades econômicas acarretará “uma tragédia de proporções bíblicas”, como previu Mario Draghi, ex-presidente do Banco Central Europeu em um artigo no jornal Financial Times.
Um dos aspectos não mencionados dessa tragédia é o efeito que a paralisação econômica vai ter na extrema pobreza das áreas menos desenvolvidas do planeta, onde ela será incrementada de meio bilhão de habitantes, aniquilando os progressos feitos nas últimas três décadas. David Beasly, Diretor Executivo do PMA, em uma entrevista ao The Guardian, exclamou: “Meu Deus! esta é uma tempestade perfeita. Estamos olhando para uma expansão da fome em proporções bíblicas”.
Estima-se que nestes primeiros meses de 2020 tenham morrido diariamente de fome 30.800 pessoas que viviam na miséria. Duplicando-se a extrema pobreza, duplicar-se-á necessariamente o número de vítimas da fome. Ou seja, daqui a pouco estariam morrendo por dia 60 mil pessoas subnutridas. Ora, esses 30 mil mortos diários suplementares representam quase cinco vezes mais que as vítimas da Covid-19 no pior dia da pandemia, 5 de abril, quando foram registrados 6.367 falecimentos.
Outro absurdo foi a OMS recomendar a suspensão temporária das campanhas massivas de vacinação para evitar a difusão do Sars-Cov-2 pelo contato social que elas ensejam. O resultado será que milhões de crianças se verão privadas de vacinas de pólio, sarampo, papiloma, febre amarela, cólera e meningites. Isso vai acarretar o descontrole dessas doenças contagiosas, com sua sequela de deficiências físicas e mortes.
Uma parte ponderável dessas deficiências e mortes teria sido evitada — asseguram os discípulos de Plinio Corrêa de Oliveira — se as autoridades, em lugar de ouvir unicamente os aiatolás da OMS e as tubas amplificadoras da mídia, tivessem escutado a opinião de outros especialistas que sugeriam medidas de confinamento “vertical” ou “inteligente”, ou seja, a proteção da população de risco (os idosos e portadores de doenças graves) e o confinamento dos contaminados pelo vírus, após a realização de milhares de testes. Como afirmou o Wall Street Journal“nenhuma sociedade pode preservar a saúde pública por longo tempo à custa da saúde econômica”.
Menos ainda pode uma sociedade preservar a saúde pública à custa da saúde espiritual, já tão debilitada pelas autoridades religiosas.
ABIM
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  1. O autor é colaborador da revista Catolicismo. Este seu artigo foi publicado originalmente no blog do vaticanista Edward Pentin https://edwardpentin.co.uk/analysis-of-the-unwanted-effects-of-anti-coronavirus-measures/, e traduzido do inglês por Hélio Dias Viana.
  2. A íntegra da referida matéria encontra-se disponível no seguinte link: http://www.abim.inf.br/aproveitando-o-panico-da-populacao-e-o-apoio-espiritual-do-vaticano-articula-se-a-maior-operacao-de-engenharia-social-e-baldeacao-ideologica-da-historia/

Podologistas retomam atividade de consultas programadas de podologia

A Associação Portuguesa de Podologia (APP), seguindo as orientações das Entidades de Saúde, avança que a atividade de podologia nas clínicas e consultórios de podologia deve ser retomada, de forma gradual e consciente, tendo em consideração as medidas já recomendadas e necessárias no controlo da infeção provocada pelo COVID-19.

“Face ao levantamento do Estado de Emergência, entendemos que a retoma da atividade de consultas programadas de podologia deve ser de forma segura e progressiva. Neste período, de retoma, devemos ser cautelosos e adotar as medidas de prevenção e contenção da transmissão da doença, que toda a população, e de forma particular os profissionais de saúde, têm em consideração para o controlo da epidemia”, justifica Manuel Portela, presidente da APP.
“Somos agentes de saúde publica no controlo da infeção, na prevenção de recidivas e de novos picos da pandemia. Entendemos que a segurança e a proteção de todos os agendes é imprescindível e por isso devemos seguir com rigor o protocolo recomendado pela APP. Nesta fase de reinício, durante a realização das consultas, os profissionais devem dar prioridade às situações e consultas anteriormente adiadas e mais urgentes e, sempre que possível, os procedimentos cirúrgicos devem ser programados em função da situação de urgência.”, acrescenta Manuel Portela.

A retoma das consultas programadas de podologia deve ser realizada tendo em consideração todas as medidas de autoproteção, proteção dos colaboradores da clínica e de uma forma muito cautelosa de proteção dos doentes.

Assim, e de acordo com as orientações das Entidades de Saúde, a APP recomenda a adoção do seguinte protocolo nas consultas de podologia:

  • Colocar cartazes na sala de espera e na casa de banho sobre o procedimento de lavagem das mãos e de etiqueta respiratória;
  • Retirar da sala de espera revistas, folhetos e outros objetos que possam ser manuseados por várias pessoas;
  • Colocação de acrílico no balcão de atendimento para evitar circulação de aerossóis entre o doente e o pessoal da receção;
  • Dar formação às auxiliares e assistentes dos consultórios sobre os procedimentos de proteção e higienização constante dos espaços, superfícies, cadeiras, equipamentos;
  • Terminais de Pagamento Automáticos;
  • Sempre que possível implementar circuitos de circulação de doentes e profissionais para evitar cruzamentos entre pessoas no interior da clínica;
  • Aferir junto do paciente se apresenta sintomas compatíveis com o COVID-19 (febre, ainda que modesta; tosse; espirros; conjuntivite; diarreia; rinite), se esteve em viagem ou em contacto com pessoas infetadas pelo COVID 19;
  • Gerir as marcações de forma a evitar ter mais que um utente em sala de espera;
  • Informar os utentes sobre as medidas de segurança, em particular manter uma distância de cerca de 2 metros, lavar as mãos antes de entrar e usar a solução alcoólica quando entrar e sair do consultório e não entrar com as peças de roupa que vão retirar;
  • Oferecer material de proteção aos doentes, nomeadamente máscaras e educar sobre o seu bom uso (uso obrigatório de máscara pelo doente e acompanhante);
  • Evitar a permanência de familiares ou acompanhantes no interior do consultório;
  • Adaptar um acrílico na cadeira de podologia para evitar a circulação de aerossóis entre o doente e o podologista;
  • Usar luvas e máscara do tipo PFF2 ou outra certificada, ou em alternativa duas máscaras cirúrgicas;
  • Usar óculos de proteção ou viseira;
  • Usar farda, touca e bata cirúrgica descartável ou usar fato impermeável de proteção;
  • Usar socos ou proteção de calçado.

Os podologistas devem também implementar medidas especificas na realização de procedimentos que comprometam a vulnerabilidade dos doentes, nomeadamente em tratamentos invasivos, mantendo vigentes as medidas de segurança recomendadas.

Caso exista qualquer ocorrência relacionada com o COVID 19, devem reportar à APP e às autoridades de saúde pública. 

A Associação Portuguesa de Podologia vai manter a atenção devida relativamente ao desenvolvimento do coronavírus em Portugal e recomenta analisar toda a informação disponível no link da Direção-Geral da Saúde www.dgs.pt/corona-virus.aspx


Sobre a Associação: 

A Associação Portuguesa de Podologia (APP) tem como principal objetivo a promoção da Podologia em Portugal. A Podologia é a ciência da área da saúde que estuda, previne, diagnostica e trata as alterações dos pés e as suas repercussões no corpo humano. Para mais informações consulte: http://appodologia.com/

Boa notícia! Vacina contra COVID-19 começa a ser testada em humanos nos EUA

Contra a COVID-19, começam nos Estados Unidos testes simultâneos de quatro vacinas para imunização (Foto: Reprodução/Governo de São Paulo) 
Na corrida global por respostas ao novo coronavírus (SARS-CoV-2), há mais de 100 vacinas contra a COVID-19 em desenvolvimento e, desse total, espera-se que pelo menos 20 delas comecem a ser testadas em humanos ainda esse ano. Devido à urgência da pandemia, as farmacêuticas tentam operar verdadeiros milagres científicos, como as empresas Pfizer e BioNTech que começaram, ontem (5), seus testes de imunização em pessoas saudáveis nos Estados Unidos.

Buscando determinar padrões de segurança, imunogenicidade e nível ideal de dosagem, as duas companhias testam, no momento, quatro opções de vacina contra a COVID-19, que atuam a partir de RNA mensageiro (mRNA). Caso uma das injeções funcione, os desenvolvedores alegam ter capacidade para disponibilizar o produto entre setembro e dezembro deste ano.
Vacina experimental em humanos

O programa de desenvolvimento da Pfizer e da BioNTech inclui quatro candidatas a vacina e cada uma delas representa uma combinação diferente de formato do RNA mensageiro (mRNA) e do antígeno alvo, ou seja, são diferentes partes do coronavírus SARS-CoV-2 que estão em foco na pesquisa. Assim, é possível avaliar os candidatos ao mRNA oficial simultaneamente e identificar o candidato mais seguro (e potencialmente mais eficaz) em um número maior de voluntários.

Os primeiros voluntários que serão imunizados com as vacinas experimentais serão adultos saudáveis (sem o novo coronavírus) com idades ​​entre 18 e 55 anos. Esse grupo de teste receberá as vacinas nas escolas de medicina da Universidade de Nova York e da Universidade de Maryland, ambos nos Estados Unidos, segundo os desenvolvedores Pfizer e BioNTech, em comunicado.


“Esperamos avançar de forma rápida e colaborativa com nossos parceiros da BioNTech e autoridades reguladoras para levar uma vacina segura e eficaz aos pacientes que mais precisam. O curto prazo de menos de quatro meses em que fomos capazes de passar de estudos pré-clínicos para testes em humanos é extraordinário e demonstra ainda mais nosso compromisso de dedicar nossos melhores recursos da classe, do laboratório à fabricação e além, na batalha contra o COVID-19”, afirma Albert Bourla, Presidente e CEO da Pfizer.

Para Mikael Dolsten, diretor da Pfizer, essa linha do tempo para o desenvolvimento de vacinas contra a COVID-19 é sem precedentes, já que, normalmente, esse processo levaria vários anos de estudos. "Acho que isso nunca aconteceu na história das vacinas modernas", comenta Dolsten, acrescentando que nada em suas três décadas de trabalho na indústria farmacêutica corresponde à velocidade deste programa.

Após os primeiros resultados, adultos mais velhos também serão imunizados, mas apenas com a versão de vacina que apresentou melhor resposta no teste com os mais jovens, dando sequência à pesquisa.
Por Fidel Forato | 06 de Maio de 2020 às 16h57canaltech