sábado, 3 de junho de 2017

MOÇAMBIQUE | “Má gestão é responsável pela crise", diz ex-primeiro-ministro


Em entrevista exclusiva à DW, Mário Machungo diz que a má gestão da economia moçambicana é a principal responsável pelo sobreendividamento do país.

Quem sustenta a acusação é o antigo primeiro-ministro de Moçambique, Mário da Graça Machungo, doze anos depois do perdão da dívida externa pela iniciativa HIPC (em inglês: "Heavily Indebted Poor Countries"), que beneficiou os países pobres altamente endividados.

Em Lisboa, onde participaou até quarta-feira (31.05.) nas conferências do Estoril, o atual administrador bancário e perito em políticas monetárias opina que a solução da crise da dívida escondida passará pela negociação com o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. Ele duvida que seja através do recurso ao Clube de Paris. Entre 2012 e 2015, a dívida escondida de Moçambique rondava 2, 2 mil milhões de dólares.

Mário Machungo foi primeiro-ministro entre 1986 e 1994. Em entrevista exclusiva à DW, afirma que houve descuido para que o país voltasse a sobreendividar-se.

Sem apontar culpados, o economista moçambicano admite que houve má gestão da economia do país, o que levou à situação atual. Segundo ele, "não havia razão para essa situação”. Confira a entrevista:

DW África: Seria o perdão a solução para a nova crise da dívida de Moçambique?

Mário Machungo (MM): Não sei se haverá perdão da dívida como nós gozamos no passado. Já tivemos perdão porque saímos de uma situação em que houve, evidentemente, uma agressão aberta ao Estado moçambicano por parte do regime do apartheid [da África do Sul]. Isso levou à destruição completa da economia moçambicana, que não podia pagar as suas dívidas. A comunidade internacional compreendeu que Moçambique merecia, de facto, um apoio no perdão da sua dívida para poder sair da crise em que se encontrava, provocada do exterior, para poder trilhar novos caminhos. Agora, com o anúncio de um "boom” de investimentos, etc., não sei se a solução de perdão da dívida vai funcionar ou se será outra em que a dívida terá de ser paga noutras ocasiões.

DW África: Considera que o país devia recorrer ao Clube de Paris, a associação informal dos países credores?

MM: Não sei se vai ser discutida no âmbito do Clube de Paris. Penso que vai ser discutida no âmbito do Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial.

DW África: Mas, não seria legítimo Moçambique recusar o pagamento da dívida escondida das duas empresas estatais MAM – Mozambique Asset Management – e ProIndicus, já que esta dívida nunca foi autorizada pelo Parlamento?

MM: Ainda bem que lhe chama de duas dívidas de empresas estatais que estão envolvidas nisto. É um processo muito complexo.  O relatório da empresa Kroll ainda não é conhecido. Não sabemos também qual será a posição da Procuradoria Geral da República perante este relatório. Só depois disso é que poderemos nos posicionar sobre o que será.

DW África: Por uma questão de justiça e de transparência, não acha que os verdadeiros culpados deveriam ser punidos pelo aumento da dívida, que triplicou de 40 por cento do PIB em 2012 para cerca de 130 por cento em 2016?

MM: Eu tenho dificuldades de dizer quais são. Às vezes, nós em África, alguns responsáveis pensam que podem tomar certas medidas e andar para a frente, ainda que não sejam de todo condenáveis. Entretanto, esquecem-se das instituições existentes. Têm que ouvir essa instituição, ter autorização, etc. (…). Este é um fenómeno que infelizmente acontece em muitos países africanos. Chegou a acontecer no nosso país. De modo que, depende da posição que tomar a Procuradoria Geral da República (PGR). E depois, se quiser a PGR tomar uma posição favorável no sentido de que o Estado moçambicano tem de assumir, apesar de tudo, essas dívidas, a Assembleia da República terá de ratificar ou não.

DW África: Certamente que esta crise da dívida tem efeitos perversos na economia moçambicana?

MM: Tem. Sobretudo no Orçamento Geral do Estado, na dívida pública relativamente ao PIB; tem efeitos e encargos muito grandes que vão impedir a realização de muitos projetos de desenvolvimento, sobretudo sociais, com impacto na vida dos moçambicanos.

DW África: Para lá das consequências ou efeitos negativos da dívida oculta na economia moçambicana, em respeito à situação política, acredita que existe vontade de ambas as partes em conflito, o Governo e a RENAMO, em trazer a paz para Moçambique?

MM: O que eu sinto é que há uma vontade política dos dois lados em conflito de trazer a paz para Moçambique, porque os donos do mundo também querem essa paz para poderem trabalhar melhor e extrair melhor os recursos que existem.

João Carlos (Lisboa) | Deutsche Welle

MOÇAMBIQUE | Há muito dinheiro do povo a ser usado indevidamente


@Verdade | Editorial

O caso do ex-ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, acusado pelo Ministério Público de uso indevido do dinheiro do Estado, é paradigmático do que, nestes últimos anos, tem estado a acontecer nas instituições públicas e/ou do Estado. Este caso é, na verdade, uma prova cabal do que sempre fazem todos os indivíduos ligados ao partido Frelimo, sem entranhas de humanidade, quando lhes é confiados a coisa pública.

Os membros do Governo da Frelimo, quando são nomeados para servirem os moçambicanos, a primeira coisa que invariavelmente fazem, diga- -se de passagem com mestria, é espoliar a pátria de modo a satisfazer os seus insaciáveis estômagos e garantir que os seus descendentes venham ficar a cobertos de preocupações financeiras no futuro.

O caso envolvendo o ex-ministro, Abdurremane Lino da Almeida, que afirmou em sede de tribunal que gastou um milhão e setecentos mil meticais na sua viagem à Meca com consentimento do Presidente da República, Filipe Nyusi, é reveladora do que tem estado a acontecer nos bastidores do Governo da Frelimo. A cada dia que passa, os moçambicanos vão sendo lesados de forma inescrupulosa por indivíduos que fingem dirigir o país rumo ao desenvolvimento. Quantos outros dirigentes moçambicanos têm estado a usar o dinheiro dos moçambicanos para viagens particulares, com o aval ou não do Chefe do Estado? Certamente, centenas deles. Muitos deles levando amantes.

Mas, com este caso”, é bom que se diga que se inicia agora uma nova era. A era dos moçambicanos. A era de todos os moçambicanos independentemente da filiação partidária. É também a era da sua responsabilidade em relação ao futuro do país. Até agora, os moçambicanos têm abdicado da sua responsabilidade e da sua iniciativa politica em relação ao país porque nunca se acharam capazes de se afirmar perante os seus superiores hierárquicos devido à debilidade das estruturas de governação.

Os moçambicanos, particularmente os funcionários públicos, limitam-se sempre a dizer viva, ámen às suas perversas decisões e a obedecer aos chefes amantes do latrocínio cometido em nome do partido no poder. Portanto, é necessário que os moçambicanos exijam a responsabilização de todos os indivíduos que têm vindo a fazer das instituições públicas e do Estado a sua vaca leiteira.

ANGOLA | DOSSIER 27 DE MAIO, FRAUDE ELEITORAL QUE VAI ACONTECER, SAVIMBI – Fernando Vumby


Fernando Vumby | opinião

"DOSSIER 27 DE MAIO DE 1977 & O DRAMA DE UM AGENTE SECRETO (ELIZEU BONDECA) CONHECIDO POR GATO VITÓRIA!

"Fui acusado em ter ido avisar as autoridades congolesas sobre o golpe de estado", Foi assim que começou a minha conversa na cadeia de S.Paulo, quando de perto pela ultima vez troquei algumas palavras com aquele que ja foi um dos meus melhores amigos desde os tempos de infância ainda no Sambizanga na zona do Travasso onde ele morava.

Um dos braços de Elizeu Bondeca estava quebrado e sua camisa estava toda salpicada de sangue que escorria para o chão das suas orelhas salpicava sangue para o chão

No dia 27 de Maio de 1977 , quando tudo aconteceu Elizeu encontrava-se no Congo Brazavill devidamente autorizado pelos seus chefes de departamento da Disa policia secreta de Agostinho Neto para o qual prestava serviço como operativo .

Dias depois quando regressou ao país foi detido no aeroporto onde começaram ã espanca-lo , partiram-lhe um dos braços e sua camisa estava salpicada de sangue que corria pelo chão .

Elizeu preparava aquele que seria o seu primeiro casamento e como era costume na aquela altura , muitos jovens preferiam e ir fazer as suas compras principalmente de roupa no Congo e não em Portugal ou Brasil como nos dias de hoje.

Foi através de Elizeu Bondeca ( Gato Vitória ) que conhecei a me relacionar com muita malta famosa do bairro Sambizanga entre o Kiferro , Matenda ( Mateus ) Mbala Neto este tido com um dos mentores se não mesmo o craneo do famoso programa radiofónico Kubibanguela , Zeca Pinho , Bate Chonas , Paulito , Betão , Betinho , Nandocas e outros tantos curiosamente quase todos eles mortos nos acontecimentos do 27 de Maio de 1977.

Com Elizeu vivenciei , curti a vida e o ambiente noturno na cidade de Luanda ja desde o tempo do colono branco , pois ele era muito popular e uma grande atração na maioria das festas quando convidado .

Além de que era bem parecido e de figura esbelta no dizer das miúdas , Elizeu Bondeca ( Gato Vitória ) foi um dos grandes e melhores bailarinos da sua geração e quem ja o viu alguma vez dançar pode confirmar que era impossível imitar os seus toques e passes de dança raríssimos .

Frequentou a escola Industrial , sua ultima residência foi por detrás do cinema Império hoje ( Atlântico ) e no dizer de alguns amigos quem se apoderou da sua casa foi um tal famoso Mário Matine também tido com um dos seus carrascos mesmo tendo sido amigos e colegas na Disa antes dos acontecimentos.

"DOSSIER 27DE MAIO DE 1977" | A MORTE BIZARRA DE UM FAMOSO DO BAIRRO SAMBIZANGA (MAN PALHAS)

Onde há vida a morte está sempre presente e ela pode acontecer de diversas maneiras e nas mais variadas situações e circunstancias como por exemplo por acidentes ou doenças mais há também aquelas que são provocadas por outras pessoas por maldade e não se tem como fugir como foram os assassinatos nos acontecimentos do 27 de Maio de 1977.

O assassinato daquele famoso do bairro e outras tantas centenas de angolanos aconteceram num momento inesperado, mas o mais inesperado ainda foi a falta de motivos para se matar gente daquela forma tão sádica e bizarra como o MPLA de Agostinho Neto e JES tem dado sequencia . Lembre-se o genocídio da Serra Sumi , massacre da frescura e outros massacres do dia á dia.

A MORTE BIZARRA DE MAN PALHAS

Se ao Kiferro no dizer do seu assassino ( Tony Latão ) um mulato que na altura morava lá para os lados do bairro Kariango foi cortada a lingua antes de ser enterrado aos seus amigos e conhecidos do bairro não foi reservado uma morte menos bizarra .

Estou entre aquelas pessoas que conheceu pessoalmente e privou com a grande maioria dos famosos do bairro Sambizanga que foram executados nos acontecimentos do 27 de Maio de 1977 e muitos deles ainda tive a oportunidade de os ver ainda vivos na cadeia de S.Paulo poucas horas minutos e segundos antes de serem levados e executados.

Ainda vivos o estado deformados pela brutalidade utilizado contra eles que a grande maioria deles apresentavam desde as primeiras horas que me deixaram muitas duvidas que lhes fossem dado a possibilidade e clemencia para sobreviverem .

O Palhaço ( Man Palhas ) um jovem estudante do Liceu Salvador Correia que morou naquele triângulo formado pelas casa de outros famosos (Pedro Augusto , Simeão e Antoninho Balão ) não longe da betão Zaire antiga fabrica de cimento teve se calhar a morte mais bizarra de entre todas de que ja ouvi falar .

Da única e ultima vez que o vi ( Man Palhas ) tinha um dos olhos totalmente derretido por beatas de cigarros num dos interrogatórios onde curiosamente o seu carrasco ( Carlos Jorge ) que nem fumava naquele dia esgotou um maço de cigarros queimando e perfurando os olhos do nosso inesquecível e amado no bairro (Man Palhas).

REPRESSÃO POLICIAL É A ARMA MAIS MORTÍFERA EM MÃOS DOS CRIMINOSOS QUE GOVERNAM ANGOLA!

E não é por á caso que a repressão contra quem se manifesta sejam quantas pessoas forem é surrado , preso e julgado sumariamente ou individualmente dependendo das ordens da casa militar da presidência ao ponto que atingiu mesmo o auge.

Exatamente nesta fase de muita euforia em torno de um processo eleitoral já viciado em si , e com muitos factos reais que apontam para uma estrondosa e se calhar a mais escandalosa fraude eleitoral que a história da humanidade conhece , há cada vez mais sinais de que a repressão policial se tornou numa das armas mais seguras em mãos da bandidagem que governa Angola.

Analistas acreditam a coisa poder pior na medida em que o mês de Agosto vai se aproximando e com possibilidades de haver sequestros de opositores inclusive de diplomadas , aumento de vandalismo encomendado em residências de opositores simulados como obra da oposição.

Admite-se que a censura e manipulação dos factos vai continuar a barrar o acesso á informação e muitos serão os ativistas que poderão tentar fuga do país atrás de pedidos de asilo em embaixadas acreditadas em Angola.

FRAUDE ELEITORAL & MASSACRE DE BRAÇOS DADOS NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES?

A FRAUDE ELEITORAL VAI ACONTECER E NO DESESPERO O REGIME PODERÁ UTILIZAR O MASSACRE!

E é como ja dizia a minha avo (Mavakala) "Quando se lida com criminosos desconfiar ainda é melhor do que confiar " e não deixou de ter razão pois quem conhece tão este MPLA sabe que dele tudo de mau é de se esperar e para eles o impossível não existe.

Creio que nenhum angolano esteja ele onde estiver , que tenha o mínimo de racionalidade pode acreditar que o MPLA alguma vez , convoque , organize e controle em Angola algum acto eleitoral sem fraude .

Se ate nas misses, nas estatísticas económicas , dados sobre os portadores de doenças como a Sida , quantos nascem , quantos morrem e o numero real da população angolana em mais de 40 anos nunca uma única vez conseguiram fornecer dados credíveis , então não se constituiria num grande suicídio esperar transparência logo agora que está muita coisa em jogo?

Já imaginaram o que significaria para os tantos ladrões , corruptos e assassinos tidos e achados como governantes estarem fora do poder , e perderem toda banga e roubos acumulados em quase meio século em que têm vivido organizadamente como um dos grupos criminosos mais compactos que a história da humanidade já conheceu?

E se a fraude eleitoral ja é mesmo uma garantia e certeza ate mesmo para muita gente ligada ao MPLA , pois de contrário estarão condenados á prestar contas á chicotadas ou á pontapés .

A outra quase certeza é deles poderem utilizar o massacre como sinal de desespero especialmente em bastiões onde eles roubarem maioria de votos pertencentes aos Partidos da oposição especialmente UNITA & CASA-CE.

Se no dizer de algumas vozes geralmente bem posicionadas no terreno , o regime agora tem milícias preparados compostos por angolanos ex militares recrutados com o carimbo da casa militar da presidência e congoleses que falam português , quero acreditar que não vai tardar os camiões com armamento começarão a fazer a distribuição das mesmas.

A tática será no dizer de entendidos e conhecedores dos meandros da batota em marcha , massacrar para tentar silenciar as reclamações da batota , criar um clima terrível de medo para influencia ate mesmo a oposição política com o seu silencio a reconhecer o que deveria negar , enquanto sito o tempo passará e no fim como habitualmente tudo ficará como se nada fosse.

"MEMÓRIAS DO SAMBIZANGA" | ATÉ VOCÊ MANA (PIEDADE) VIÚVA DE DAVID ZÉ?

Ontem enquanto sonhava que estava no Sambizanga , derrepente acordei , e duas imagens tomaram conta da minha memória num desfilar quase permanente as de ( Tobias & Piedade / viúva de David Zé ).

Tobias quanto sei faleceu o mês passado em Portugal e no dizer de alguns velhos amigos do bairro também vitima da doença que é tão famosa e conhecida curiosamente somente como ( prolongada ) que raio de nome?

Tobias deu uns pontapés de bola no antigo JUBA ( Juventude Unida do bairro Alfredo ) que mais tarde se transformou em Progresso Associação do Sambizanga , não tinha muito jeito para dribles estonteantes tipo Chico Negrita , Jinguma , Man Lelas , Manecas entre outros famosos que gizaram o pelado do campo da Académica.

Para marcar presença na zona central ele utilizada a sua estatura corpulenta como arma para amedrontar os defesas que o marcavam e se a consciência não me trair pertenceu entre uns poucos do bairro que frequentou a escola industrial .

Importa fazer aqui uma referencia , para aqueles que não sabiam Tobias teve um irmão também eliminado nos acontecimentos do fraccionismo ( 27/5 / 1977 ) foi operativo da Contra Inteligência Militar o ( Nelo ).

Ainda me recordo do Nelo como se fosse hoje e de um grande Grill Party que juntou muita malta da secreta que ele tinha organizado numa das vivendas que ele tinham ocupado onde vivia antes o Jorge Valentim na UNITA quando ministro do turismo que teve que fugir porque a surra contra os kwachas tinha começado em Luanda no bairro do Makulusso.

Man ( Neras ) era assim que ele era conhecido , muito amigo dos seus amigos e tinha um coração de elefante onde reservava sempre um grande espaço para a malta do Sambila , pois era com eles que ele se sentia bem.

ATÉ VOCÊ MANA PIEDADE? NA OMA E NA BEBEDEIRA PARA ESQUECER AS MALAMBAS?

Os da minha geração os que conheciam as damas mais famosas do bairro , aquilo que nós considerávamos como as nossas miss admiradas e respeitadas porque não se metiam em escândalos e não gozavam da má fama devem se lembrar da kota Piedade.

Também frequentou o (Kudissanga Kua Makamba) como qualquer outra jovem daquele tempo que gostava de dançar e explorar da melhor maneira os momentos recreativos que aquele salão ofereciam aos jovens do bairro.

Depois que lhe mataram o homem kota Piedade passou a viver os piores momentos da sua vida , pois David Zé era um bom pai e não se conhece que tenham deixado filhos espalhados pelo país.

Primeiro foram os truques do próprio regime que andou a organizar homenagens da pimpa , tudo com simulações bem visíveis para facilitar com dinheiros algumas das suas bocas de recados mal intencionadas.

Kota Piedade já só via bilhas e uma vez com uma nota de mil dólares nas mãos oferecidos por quem já tinha tirado a maior parte porque no fundo ate o autorizado era mais do que os mil , já só bebia , cantava atoa e no fim ate ainda se meteu na OMA, para esquecer as malambas .

Mudou completamente ao ponto que já se borrava , falava á gaguejar e ficou com a memória retardada pelo efeito do álcool que ja tinha afetado e carcomido o seu cérebro , já nem aceitava os bons conselhos das suas melhores amigas, que viam na OMA uma organização fantoche e autentica farsa.

Nesta parte final deste texto quero aconselhar especialmente as mulheres por serem mais suscetíveis do que os homens para vivenciar esses efeitos adversos provocados pelo consumo do alcool para terem muito cuidado e se pouparem para não perderem o charme .

Conheço grande damas do antigamente que faziam qualquer homem derreter pelo sufoco do seu charme , sua forma ímpar de caminhar e seu sorriso amoroso que hoje estão podres de rugas não de velhice mais do kaporroto e outras bebidas alcoólicas.

PREPARAR-SE PARA PERDOAR OU VINGAR-SE DOS  ASSASSINOS  DO 27 DE MAIO DE 1977?

Quem estiver pronto e preparado  para os  perdoar que levante o dedo , e os que não estão  preparados para perdoa-los que falem a verdade livremente  ja que ,quem fala verdade diz o ditado  não merece castigo.

Mas como perdoar se ate hoje nunca houve nenhuma confissão nem se quer um sinalzinho de caxexe mostrando arrependimento seja de quem for , mesmo sendo que uma grande parte dos  assassinos ainda  estão vivos  ate hoje , são conhecidos e pior  continuam á cuspir no rosto dos familiares das vitimas porque contam com  aquilo  que eles próprios consideram de grande fezada ( stass bem e na maior )... 

Importa dizer o seguinte , o bizarro  e perverso  assassino de Kiferro ( Tony Laton ) em pleno dia de festa de aniversário deu-se ao luxo tão à vontade e sem qualquer receio em desafiar uma das manas do falecido (A mana Luzia que trabalhou na antiga Vilares) se gabando de boca aberta e gargalhadas de que tinha cortado a língua ao Kiferro antes de o enterrar e que  Jinguma ainda estava vivo quando foi lançado para a vala comum.

Perdoar ou não ?

Mas afinal , qual destas duas atitudes  humanas beneficiaria  os angolanos  e criaria condições para  que vivêssemos em harmonia uns com os outros  sem mágoas e nem rancor , mesmo todos nós sabendo e conhecendo tão bem a tendência para a maldade  e o carácter criminoso dos que governam Angola hoje?

Eu falo por mim , se tivesse que enfrentar tais circunstancia e perante os assassinos dos meus melhores amigos , conhecidos e anónimos  jovens grande parte sem qualquer ligação nem relação com os acontecimentos optaria sim no " olho por olho mesmo sendo uma atitude detestável ".

Pois sem confissões e nem arrependimentos numa Angola  hoje transformada numa republica de santos  sem pecado , que nunca mataram , nunca mandaram matar e nunca deixaram morrer , que  nunca roubaram , nunca mandaram roubar e nunca deixaram roubar como perdoar e quem?

É complicado , comer e beber assentados na  mesma mesa com os assassinos dos nossos kambas que ate aprisionaram os seus ossos , mesmo sabendo-se que vingança não é a melhor forma de se resolver os nossos problemas com os assassinos nossos de cada dia ...

Não é fácil perdoar um assassino e pior quando percebemos de que  tudo foi real  e cometido de forma tão brutal  , mais ainda assim e mesmo nunca tendo perdido o rasto dos grandes assassinos  dos acontecimentos do fraccionismo dos que vivem em Angola e alguns fora do país com direito ao passaporte diplomático angolano para lhes facilitar a circulação pela Europa em alguns casos em tratamento não me deixei correr por dentro pelo espírito de vingança.

Mas se o perdão é dado pelas famílias , amigos e conhecidos das vitimas que esperam  por parte dos assassinos um pedido de perdão ou sinais de arrependimento como  é que fica no caso de Angola onde ninguém se sente nem moralmente obrigado á pedir desculpas e muito menos perdão porque se diz , quem manda , manda e quem não manda deve calar a boca se não quiser ser o próximo assassinado?

É complicado mais deixa só  as coisas mudarem dizem muitos , pois  quem sabe haverá ranger de dentes?....

"27 DE MAIO DE 1977" NGALA NGANGY NUNCA ACREDITOU QUE SERIA MORTO!

Mesmo quando ja tinham visto o sangue salpicado em algumas paredes das celas e no chão da cadeia de S. Paulo , muitos eram os que se calhar por causa do seu passado como Faplas, Jmpla e forte ligações ao MPLA os que não admitiram a hipotese em poderem ser eliminados .

O Ngala Ngangy foi um deles , este coitado nem fez muito tempo na cela ( F ) e quando foi chamado pela calada da noite ainda acreditou que seria solto tal era a super confiança que tinha.

Seu corpo feito escombros e com sinais de facadas foi identificado no amontoado de cadáveres que a DISA tinha lançado dentro e a volta da casa mortuária antes de serem transportados e enterrados em valas comum segundo relatos de ex secretas no asilo.

Ele tinha um amor tal ao Mpla ao ponto que mesmo vendo tanta gente que regressava dos interrogatórios totalmente rebentados pelas secções de tortura , ainda assim , nunca lhe tinha ouvido uma única vez falar mal do Mpla.

Deus que tenha suas almas em paz e que justiça seja feita qualquer dia.

JONAS SAVIMBI & VERSÕES QUE OUVI SOBRE OS PLANOS QUE CULMINARAM COM A SUA MORTE!

Eu não o conheci nem de perto e nem de longe tirando algumas imagens na tv , revistas e jornais que fui lendo cá fora , enquanto no terreno de batalha irmãos contra irmãos se matavam entre eles numa guerra onde não houve vencedores mais sim apenas e únicos derrotados que foram todos os angolanos.

O homem era muita carga para o MPLA , e somos muitos os que acreditamos que por aquilo que se conhece do passado e presente deste grupo de corruptos que consideram de ( Partido ) de uma maneira ou de outra mais tarde ou mais cedo Jonas Savimbi acabaria por ser eliminado.

Me disseram que foi uma morte que custou muito dinheiro aos que planearam tudo, desde o suborno de algumas figuras da UNITA vistas como os traidores de Jonas Savimbi ao envolvimento de homens da secreta Israelita e uma mãozinha da Central de Inteligência Americana (CIA).

Mas seja como for verdade é que o regime angolano não deixará nunca de mentir, caluniar e manipular factos para fazer crer que Jonas Savimbi era uma espécie de diabo na nossa terra e como tal tinha mesmo que ser eliminado , mais ainda bem que as mentiras e as manipulações nunca fazem a história.

Savimbi era um bom estratega militar de grande prestigio que era respeitado e admirado pelos seus companheiros , um revolucionário exemplar que possuía uma formação académica e política muito elevada.

Constou-me que a morte de Jonas Savimbi já estava a ser preparada á muitos anos e que ate obedeceu á alguns estudos científicos que consistia em introduzir um chip numa das botas de Jonas Savimbi que acabou por facilitar a um determinado sector dos serviços angolanos a controlar a sua movimentação mesmo em matas cerradas, lagoas e rios, etc.

Ainda estou para saber quem foi o traidor e agente duplo que conseguiu introduzir o tal chip , numa das botas do dr. Jonas Savimbi?

Fórum Livre Opinião & Justiça | Fernando Vumby

NEM A MORTE O ABSOLVERÁ


“Quanto a mim, sei que a prisão será dura como nunca o foi para ninguém, cheia de ameaças, de uma ruim e covarde crueldade, mas não a temo, como não temo a fúria do miserável tirano que tirou a vida a 70 dos meus irmãos. Condena-me, não me importo. A história me absolverá”, palavras de Fidel de Castro, ex-presidente de Cuba, declaradas no tribunal poucas horas antes de ouvir a sua sentença de condenação no dia 16 de Outubro de 1953.

Sedrick de Carvalho | Folha 8 | opinião

Oditador na altura era Fulgêncio Batista, e o julgamento era na sequência da tentativa de derrube da ditadura, num processo conhecido como “Assalto ao Quartel Moncada”. Em tribunal, Fidel Castro fez a sua própria defesa e foi nesta qualidade que proclamou o célebre discurso cujo extracto acima transcrevemos. Passado algum tempo, ele mesmo transformou-se em ditador.

Os rumores de que o ditador José Eduardo dos Santos estava morto, alimentado por mais uma longa ausência sem justificação, mereceram da nossa parte um distanciamento propositado, pois o sujeito em causa é useiro e vezeiro no que concerne, também, ao abandono do posto de trabalho sem qualquer informação ao patrão – o Povo -, uma prática que constitui infracção laboral e falta de respeito ao empregador.

Mas se os rumores não mereceram a nossa atenção, a impunidade merece, e o presidente da República passeia-se pelo mundo impune e inclusive tem a insolência de punir todos os que contestam a sua longevidade e calamitosa governação.

Diferentemente de Fidel Castro, o ditador angolano certamente não terá argumentos a apresentar em sua defesa caso seja submetido a julgamento – e continuará a ter direito a se defender. E se a história não o absolverá, como se percebe, com certeza nem a morte o vai absolver. E percebemos isto exactamente quando surgem rumores de que morreu ou de que o seu estado de saúde é extremamente grave.

Dificilmente se vêem manifestações de solidariedade ao dado morto, exceptuando as manobras de ressuscitação levadas a cabo pela geringonça do costume e até por uma criança de três anos de idade que supostamente viu o avô a assistir à televisão em Barcelona.

O ódio desenvolvido por muita gente contra José Eduardo dos Santos é tanto que quando surgem especulações de que tenha morrido logo se começa a fazer fé que o rumor seja verdadeiro. Se nem todos têm o privilégio de saber como serão recordados quando morrerem, JES tem mais esse benefício, e pode usufruir dele como exclusivamente usufrui das riquezas que pertencem a todos os angolanos.

Os comentários publicados por inúmeros angolanos nas redes sociais serve para demonstrar que, mesmo que morra, José Eduardo dos Santos continuará a ser encarado como é: um ditador sanguinário que ao longo do seu reinado apenas tem delapidado o erário e relegado milhões de angolanos à miséria.

Se o presidente-ditador imaginar-se como um defunto e se se prezasse, então faria logo alterações profundas na sua governação, mesmo sendo tardia. Por exemplo, podia libertar a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) do seu domínio e criar um concurso público para se eleger um presidente idóneo para a comissão. Também exonerava os dois ministros-candidatos à presidência – João Lourenço e Bornito de Sousa -, e ainda Isabel e Filomeno dos Santos dos cargos que ocupam – PCA da SONANGOL e Fundo Soberano, respectivamente -, bem como desmantelar a subordinação da imprensa estatal ao seu GRECIMA.

A possibilidade de existir realmente uma transição estaria mais próxima ao se eliminar esses vícios – manipulação da CNE e imprensa estatal -, e o futuro ex-presidente talvez pudesse ser absolvido pela morte. Mas até ao momento não há indicadores de que o ditador pense na absolvição pós-morte, e talvez seja por não acreditar sequer na absolvição tumular. E, na ausência destes indicadores, estamos perante vários indicadores da continuidade da ditadura por meio dum sucessor que fraudulentamente chegará à presidência.

Fidel Castro, depois de ter derrubado a ditadura de Fulgêncio Batista, governou Cuba de 1959 até 2008. Exactamente 49 anos no poder. O discurso proferido em 1953 não se adapta aos seus anos de governação. Por problemas de saúde, Fidel foi forçado a abandonar o poder. A mesma oportunidade que José Eduardo dos Santos tem agora, Fidel teve precisamente em 2008. Tal como o ditador angolano, o homólogo cubano preferiu não ser absolvido pela morte, e assim não democratizou o país, mantendo o status quo ao colocar o irmão como seu sucessor.

Efusivamente elogiado, isto pelo seu forte envolvimento na luta contra a ditadura de Batista, com Che Guevara sempre ao seu lado, as críticas ao ex-presidente cubano incidiram sobretudo ao facto de não abrir o país às eleições presidenciais democráticas.

José Eduardo dos Santos vai concluir o mandato numa imensidão de atrocidades e com poucos, ou nenhum, pontos positivos. E se é com a morte do devedor que se perdoam as suas dívidas, parece que nem a morte vai absolver o ditador angolano.

GUINÉ-BISSAU: Organizações femininas preocupadas com crise politica


Exortam as forças de segurança no sentido de evitar o uso desproporcional da força.

As organizações de mulheres da Guiné-Bissau estão “profundamente” preocupadas com o agravar da crise política no país.

Num comunicado, condenam a conduta das forças policiais e dos manifestantes, no ultimo fim-de-semana, que degenerou em violência.
Para elas, o incidente espelha a dimensão da tensão política na Guiné-Bissau e consequente quebra do diálogo entre os protagonistas da crise.

As organizações das mulheres da Guiné-Bissau exortam, por isso, as forças de segurança, no sentido de adequar as suas actuações aos imperativos da lei, evitando o uso desproporcional da força contra o exercício dos direitos de liberdades fundamentais dos cidadãos.

Por outro lado, elas apelam o Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados, organização cívica que tem promovido manifestações contra o Presidente da Republica, e aos guineenses em geral, a absterem-se “de comportamentos violentos contra as forças de segurança, capazes de comprometer os valores da paz e provocar danos incalculáveis na vida e integridade física dos cidadãos”.

Apelam também ao Ministério Público, a abertura de um inquérito célere e transparente para o esclarecimento cabal das circunstâncias que rodearam a violência entre os manifestantes e forças de segurança, e consequente responsabilização criminal dos infratores.

Á Comunidade Internacional, as mulheres guineenses alertam no sentido de manter vigilante e accionar mecanismos, com vista a evitar derrapagens no país.

O posicionamento das organizações das mulheres da Guiné-Bissau surge numa altura em que o Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados agendou para o próximo sábado, dia 3 de junho, mais uma marcha pacifica para exigir o fim da crise, com a renúncia do Presidente, José Mário Vaz.

E, noutra frente, o Movimento “O Cidadão”, ligado ao actual poder politico, convocou, para o mesmo dia a sua manifestação para exigir a abertura das sessões parlamentares, depois de ter promovido, na semana passada, uma vigília frente a sede do parlamentar com o mesmo propósito.

Voz da América

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SABICHÃO | Presidente do parlamento da Guiné-Bissau rejeita convocar sessão extraordinária


O presidente da Assembleia Popular Nacional da Guiné-Bissau, Cipriano Cassamá, rejeitou hoje convocar uma sessão extraordinária do parlamento, conforme solicitado pela maioria dos deputados no hemiciclo.

"O assunto, tendo sido analisado, mereceu o superior e competente despacho de rejeição por, entre outros, não se enquadrar na letra e no espírito do Acordo de Conacri, extemporaneidade da matéria sob o qual assenta o fundamento do requerimento e a não determinação concreta das matérias de relevância pública a que se refere", refere, em comunicado, o gabinete do presidente do parlamento.

A maioria dos deputados do parlamento da Guiné-Bissau pediu hoje ao presidente da Assembleia Nacional Popular para convocar uma sessão extraordinária para 13 de junho para discutir e aprovar o programa de Governo.

O pedido foi feito ao abrigo do número 3 do artigo 56.º do Regimento da Assembleia Nacional Popular, que prevê o parlamento "reúne-se extraordinariamente por iniciativa do Presidente da República, da maioria dos deputados, do Governo e da sua comissão permanente".

No comunicado, o presidente do parlamento esclarece que o "programa de Governo não se enquadra nas matérias de iniciativa dos deputados e nem dos outros contemplados no artigo 56.º do regimento com exceção feita ao Governo em virtude da própria matéria, pelo que não pode ser fundamento para o requerimento de convocação de uma sessão extraordinária subscrita pelos deputados".

Cipriano Cassamá alertou também os cidadãos nacionais e a comunidade internacional que a diligência hoje feita é mais uma "das manobras dilatórias" do Presidente guineense, José Mário Vaz, para "confundir a opinião pública nacional".

Para o presidente do parlamento, o chefe de Estado pretende também com aquela "manobra" ganhar "alguma condescendência da comunidade internacional, em particular na cimeira de chefes de Estado e de Governo da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO)", que se realiza domingo em Monróvia, na Libéria.

MSE // ARA // LUSA

GUINÉ-BISSAU | RAMOS-HORTA QUER PULSO FIRME DE JOMAV


Guiné-Bissau continua confrontada com "grande imbróglio político", que exige uma posição firme do Presidente e uma solução guineense pela via do diálogo, defende José Ramos-Horta, em entrevista exclusiva à DW África.

O Prémio Nobel da Paz José Ramos-Horta apela à tranquilidade e ao entendimento na Guiné-Bissau. O político timorense pede ao Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, para reunir todas as partes do conflito na base de um diálogo sério com vista a salvar o país. A iniciativa presidencial, segundo José Ramos-Horta, deve durar o tempo que for necessário, até que seja possível definir uma agenda comum para os próximos 18 meses, que contribua para a estabilidade do país antes de eleições gerais.

Em Lisboa, José Ramos-Horta concedeu uma entrevista exclusiva à DW África, à margem das conferências do Estoril, que terminam esta quinta-feira (31.05) em Cascais, Portugal. O antigo Presidente de Timor-Leste, que representou as Nações Unidas em Bissau, depois do golpe de Estado de 2012, liderou a missão do Gabinete Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (UNIOGBIS, na sigla em inglês), criada para a consolidação da paz no país.

Para Ramos-Horta, o Presidente guineense José Mário Vaz "pode ainda salvar a sua presidência, salvar o país, se for inspirado por essa responsabilidade que é a de um chefe de Estado. Mas é necessário também que os outros deem as mãos, que também deem um passo ao encontro do Presidente".

"É preciso encontrar uma fórmula muito guineense para amenizar as tensões," refere o homem que também foi ministro dos Negócios Estrangeiros e primeiro-ministro de Timor-Leste.

Acordo liderado por "algum amigo"

Ramos-Horta sugere que a solução para a crise na Guiné-Bissau deveria contar "com a facilitação de algum amigo, alguém de confiança e com experiência". "Todos os atores políticos e sociais guineenses participariam para estudarem uma agenda mínima de ano e meio para acalmar o país, resolver algumas questões de urgência e - havendo um acordo mínimo que apazigue os ânimos - vamos então mobilizar apoio da comunidade internacional para ajudar a resolver a falta de pagamentos, sarar algumas feridas económicas e sociais, algum défice que há, para também compensar," considera o político timorense.

Ramos-Horta diz que não quer dar lições a ninguém, mas sim "continuar a ajudar", facilitando o diálogo como observador - depois de ter servido, durante ano e meio, como representante especial do secretário-geral das Nações Unidas, no tempo de Ban Ki-moon.

"Tenho andado em diálogo com gente das Nações Unidas, alertando o secretário-geral [António Guterres], o Departamento dos Assuntos Políticos, que é necessário fazer algo. Não se pode abandonar a Guiné-Bissau. Primeiro, apesar de tudo, o país não está em guerra. Não é Mali, não é República Centro-Africana nem Sudão do Sul. É preciso reconhecer o papel das Forças Armadas, que tem-se mostrado com muita disciplina, muita maturidade, não se imiscuindo mais nas querelas políticas da Guiné-Bissau. Tem que manter essa postura," defende.

O papel do Presidente

José Mário Vaz era um dos oradores das Conferências do Estoril, o qual se avistaria certamente com Ramos-Horta para falar da difícil situação política na Guiné-Bissau. Ambos encontraram-se em fevereiro deste ano em Bissau, entre as reuniões de consulta que o Prémio Nobel da Paz teve com várias autoridades e figuras da sociedade civil guineense.

Ramos-Horta esteve no país, na altura, para participar numa conferência sobre reconciliação e não numa missão de mediação – esclarece. Entende as manifestações de protesto contra o Presidente porque, afirma, "o povo está cansado, os jovens estão cansados, as escolas não funcionam, os funcionários não são pagos e, dado o imbróglio político, a comunidade internacional não liberta os dinheiros prometidos - e isso gera então contestação".

Devido a essa situação, "é preciso o Presidente tomar o pulso da situação com inteligência, com pragmatismo e com humildade," acrescenta.

Ramos-Horta dá a conhecer que não tem planos para regressar à Guiné-Bissau, mas deixa as portas abertas caso receba algum convite por parte das instituições soberanas guineenses, prometendo trabalhar sempre com as representações da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), União Africana (UA), União Europeia (UE) e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

João Carlos (Lisboa) | Deutsche Welle