segunda-feira, 9 de abril de 2018

Eu, Psicóloga | Quanto mais cansados, mais solitários nos sentimos

Contrariando clichês, a solidão – “lava que cobre tudo”, como cantou Paulinho da Viola – nem sempre é resultado de isolamento social, e sim consequência do esgotamento emocional causado por desgaste profissional. A conclusão é de um estudo da consultoria General Social Survey que, comparando dados atuais com os de 20 anos atrás, constatou ter dobrado o índice de desgaste emocional das pessoas. 

Atualmente, mais de 50% dos pesquisados admitem estar frequentemente ou sempre desgastados. E esse fenômeno cria um círculo vicioso: quanto mais a pessoa se sente desgastada, mais solitária fica.

É um problema sério: pesquisa da Universidade da Califórnia em Irvine revela que a solidão tem grande impacto na longevidade e na saúde física e mental, constatando que, enquanto a obesidade reduz a longevidade em 20%, a bebida em 30% e o cigarro em 50%, a solidão atinge a alarmante cifra de 70%. E levantamento do Gallup constatou os graves custos do desengajamento dos funcionários: 37% de aumento de absenteísmo, 49% de mais acidentes e 16% de queda em lucros.

Como superar isso? Sugestões vão desde instituir sessões de meditação até a reduzir a carga de trabalho, mas uma das soluções mais efetivas é promover conexões entre pessoas, fazendo-as se sentir valorizadas, apoiadas, respeitadas e seguras.

Mas não é só o isolamento social e faltas no trabalho que o cansaço causa. Com a rotina corrida do dia a dia, o tempo que se dedica a tarefas para descansar o corpo e a mente é cada vez mais reduzido. Entramos num processo em que o corpo começa a ficar desgastado e a mente não consegue se "desligar" daquele projeto no trabalho, das contas para pagar, do boletim das crianças, da pia que começou a vazar (de novo) e de outra listas situações. Tudo isso acaba acelerando um quadro de exaustão emocional, uma condição que é mais grave que a estafa e está a um passo do estresse e de suas consequências sérias para a saúde.

O conceito de exaustão está ligado ao conceito de estresse. O estresse é dividido em três níveis, chamados de alerta, reestruturação e, por fim, exaustão, que corresponde à fase em que o indivíduo já apresenta pensamentos negativos, falta de vontade de fazer as coisas, perda de sono, ansiedade acentuada, irritabilidade, entre outras características físicas como alergias, gastrites e enxaqueca.

A exaustão emocional, ao contrário do que se pode pensar, não está atrelada às condições de uma tarefa em si, mas a situações desagradáveis que acabam levando a um estresse psicológico.  

"O perigo existe quando a pessoa fica muito tempo submetida a um estado de estresse psicológico, que aparece em função de uma situação desagradável qualquer".

Essa pressão psicológica pode ser tanto externa, situações cujo controle não depende unicamente de uma pessoa, assim como ter origem interna, como características pessoais e qualidade de vida. É fundamental que a pessoa fique atenta para não se submeter a essas pressões. 

É comum dizer que estamos exaustos depois de um dia de esforço, seja físico ou mental. Porém, em geral, a verdade é que estamos cansados. Isso porque cansaço é caracterizado por um esgotamento momentâneo, eliminado de forma simples e instintiva, com boas horas de sono e atividades relaxantes. Já na exaustão, o desgaste é bem maior, na medida em que é constante, podendo ser eliminado apenas momentaneamente, de acordo com as distrações que cada um procura. Mas, a exaustão, só pode, na maioria das vezes, ser resolvida através de tratamentos , auxílio médico e psicoterapia.

É possível identificar quando alguém passou de um estado de cansaço normal, para entrar em um processo de estresse. As próprias mudanças comportamentais, como excesso de pensamentos repetitivos e negativos, perda de interesse pelas coisas, falta de apetite, ansiedade, sensação de desamparo, irão indicar essa diferença. É importante também que familiares e amigos fiquem mais atentos ao notar qualquer alteração nesse sentido.

Situação sob controle

Como todos estamos expostos e não sabemos se (e quando) poderemos entrar em um estado típico de estresse, o ideal é nos forçar a adquirir hábitos que costumam deixar mais leve o nosso corpo e mente e ainda, liberam a nossa atenção para situações mais prazerosas. 

Cuidados gerais com a saúde, exercícios de relaxamento e respiração, práticas meditativas, exercícios físicos regulares, alimentação equilibrada, dedicação ao lazer, tudo isso, aliado a um suporte familiar e social contribui e muito para amenizar as tensões do dia a dia e auxiliar a contorná-las, mas é fundamental um auxílio da psicoterapia para entender os motivos bem como se conhecer melhor nesse processo. Geralmente o excesso de trabalho, de atividades, demonstra alguma falta em outra área da vida da pessoa, o queacaba causando essa exaustão física. Essa falta que precisa ser trabalhada. Senão estaremos tampando o sol com a peneira. 


Eu, Psicóloga | Por que ser menos rígido com seus objetivos pode ajudar você a alcançá-los






Final de março, muitas resoluções de Ano Novo já foram deixadas para lá – entre um terço e a metade de nós já desistiu delas no segundo mês do ano.

Vários pequenos estudos apontam que 40% de nós determinamos esse tipo de objetivo, mas menos da metade continua comprometida com eles durante o ano. Uma pesquisa indicou que apenas 8% dos participantes conquistaram suas metas em algum período.

Embora essas resoluções sejam famosas pela dificuldade de alcançá-las, isso não impede as pessoas de tentar. Sendo assim, aqui vai uma tática para determinar – e perseguir – seus objetivos.

Uma "trapaça de baixo custo" pode ajudar as pessoas a chegarem lá. Isso segundo Marissa Sharif, professora de marketing da Universidade da Pensilvânia.

Como funciona

Uma abordagem "tudo ou nada" é completamente errada, sugere a pesquisa de Sharif. Ela diz que, em vez disso, devemos prever "reservas de emergência" durante o processo de criar metas. Ou seja, uma flexibilidade estruturada, incluindo dias de escapada, podem nos ajudar a manter a motivação.

É claro que aqueles que seguem programas de emagrecimento ou poupança podem já estar acostumados com a estratégia de criar válvulas de escape para diminuir a pressão e seguir adiante. Ainda assim, muitas pessoas são muito rígidas na hora de determinar objetivos. Ao sermos muito restritos, fazemos com que nossos objetivos sejam menos alcançáveis, diz Sharif.

Um exemplo vem de um estudo. Nele, 273 pessoas usaram um aplicativo de smartphone para contar seus passos durante um mês. 

O primeiro grupo deveria atingir um número específico e individual de passos, como 7 e 10 mil por dia, sete dias por semana. Um segundo deveria atingir sua cota de passos em cinco dias ou mais. Um terceiro tinha sete dias para completar o número, mas com direito a dois dias por semana para não fazer nada. Por fim, um quarto grupo espalharia esses dias de trapaça pelo mês.

As pessoas que tinham dias de fuga alcançaram mais vezes seu objetivo diário de passos do que as que não podiam trapacear. Elas também tinham uma média maior de número de passos.

Qual é o impacto

Sharif diz que esse tipo de estratégia funciona de duas maneiras.

Primeiro, as pessoas tentam não usar suas reservas - querem guardar para o caso de precisarem delas mais tarde. Elas também se sentem mal em usá-las sem ter um motivo importante para isso. Em segundo lugar, se você precisar escapar, você se sente menos culpado por isso, e portanto menos propenso a abandonar o objetivo final, explica.

Essa tática ajuda as pessoas a manterem o foco em seu objetivo a longo prazo, afirma Leena Rinne, especialista em produtividade da consultoria americana FranklinCovey.
"Os objetivos são iniciados ao se fazer uma escolha para alcançar algo, mas são as escolhas feitas no momento que te levam lá. E uma dessas escolhas é permitir a si mesmo algumas 'reservas de emergência'."
Mas há limitações quanto ao uso dessas técnicas. Se as pessoas têm muitas opções para escapar – por exemplo, um objetivo de ir à academia sete vezes por semana com quatro dias de falta emergencial –, elas podem tirar vantagem delas, o que pode prejudicar a performance, diz Sharif.

Ou as pessoas podem simplesmente se sentir desmotivadas se ultrapassarem o número de "fugas" que estipularam.

Além disso, explica Rinne, as pessoas têm diferentes motivações para alcançar seus objetivos.

Assim, uma flexibilidade estruturada pode funcionar para alguns, mas pode ser desmotivadora para outros que prefiram não ter um botão de reserva.

Eu, Psicóloga | Série 13 Reasons Why trouxe impacto positivo aos jovens, revela pesquisa





Como você se sentiu ao assistir a série 13 Reasons Why, da Netflix? Tenso? Nervoso? Triste? Arrependido? Ou, ainda, representado?

As sensações variam de telespectador para telespectador, mas é inegável que a produção audiovisual, inspirada no livro homônimo de Jay Asher, mexeu com o seu público ao abordar temas que permeiam a sociedade contemporânea e, principalmente, o público jovem, tais como bullying, violência sexual, depressão e suicídio.

Um grupo de pesquisadores da Universidade Northwestern, em Illinois, nos Estados Unidos, decidiu pesquisar a fundo de que forma a série impactou a vida de mais de cinco mil pessoas, divididas entre adolescentes, jovens adultos e pais dos Estados Unidos, Inglaterra, Brasil, Austrália e Nova Zelândia.

O resultado foi significativo: mais de dois terços dos adolescentes e jovens adultos entrevistados revelaram se identificar com a temática da série. Isso mostra precisamos, cada vez mais, oferecer espaço para se falar sobre saúde mental.

Felizmente, a série parece estar ajudando nisso: 58% dos adolescentes participantes do estudo contaram se sentir mais confortáveis para conversar com seus pais sobre temas difíceis.

Do outro lado da narrativa, as coisas também parecem ter melhorado, já que 60% dos adolescentes disseram que se desculparam pela forma como haviam tratado alguém depois de assistir a 13 Reasons Why.

“O mais importante foi a descoberta de que a série gerou conversas entre pais e adolescentes sobre as questões difíceis que eles enfrentam”, disse Ellen Wartella, diretora do Centro de Mídia e Desenvolvimento Humano da Universidade Northwestern e especialista na relação entre crianças e a mídia. “Em segundo lugar, a série levou adolescentes a demonstrarem mais empatia pelos colegas e, em terceiro lugar, a pesquisa indicou que pais e adolescentes querem mais recursos”.

A pesquisa, intitulada “Explorando Como Adolescentes e Pais Reagiram a 13 Reasons Why”, também traz dados específicos sobre o público do Brasil. Por aqui, mais de três quartos dos adolescentes relataram que a série os alertou para a possibilidade de que alguém próximo possa estar sofrendo de depressão, mesmo que os sinais não sejam aparentes.

90% dos adolescentes e jovens adultos brasileiros entrevistados disseram que a série os ajudou a entender que suas ações podem ter impacto na vida de outras pessoas. Cerca de 60% decidiu, inclusive, pedir desculpas a alguém a quem havia maltratado.

Já entre os pais, 71% afirmaram que 13 Reasons Why os facilitou a discussão de assuntos como depressão, suicídio e violência sexual com seus filhos.

Porém, esse impacto positivo não foi unanimidade entre os entrevistados ou até entre o público. Na época de estreia da série, final de março de 2018, diversos internautas reclamaram sobre a cena de suicídio ter sido tão explícita. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é preciso evitar descrições detalhes de suicídio e apostar em informações e contato de centros especializados em ajuda.

Durante a pesquisa da Universidade Northwestern, alguns adolescentes que sofrem de alta intensidade social relataram que as cenas de violência sexual também foram muito intensas.

“Pode ser que apenas alguns poucos indivíduos discordem ou não se enquadrem no panorama geral devido a características individuais específicas, mas é importante considerar essas pessoas quando estamos falando de programas dessa natureza”, disse Drew Cingel, colaborador de pesquisa no Centro de Mídia e Desenvolvimento Humano e professor assistente da Universidade da Califórnia em Davis.
“Mas os resultados da maioria dos adolescentes e jovens adultos são promissores. Essas descobertas indicam que programas que lidam com questões difíceis, como 13 Reasons Why, podem ajudar crianças e adolescentes a falarem sobre esses agentes estressores de sua vida”, acrescentou o pesquisador.

O estudo, encomendado pela Netflix, pode ser conferido neste link. Já a segunda temporada da série deve chegar à Netflix ainda neste semestre.

Precisa de ajuda? 

Quando você percebeu que alguém apresenta comportamento suicida, não deixe a pessoa sozinha; remova álcool, drogas, medicamentos ou objetos afiados que possam ser usados em uma tentativa de suicídio; procure ajuda médica de um especialista em saúde mental ou em um pronto atendimento. 

Contate o Centro de Valorização da Vida pelo telefone 141 ou pelo email atendimento@cvv.org.br.

Eu, Psicóloga | Transtorno Bipolar: como a família e amigos podem ajudar no tratamento





O aparecimento do transtorno bipolar se deve a uma combinação de fatores, em que aspectos biopsicosociais desempenham papel importante no desencadeamento da doença. Assim sendo, tratamentos medicamentosos, orientação sobre a doença e psicológicos estão indicados. O segredo está no encontro da combinação ideal para cada paciente.

Orientação psicoeducacional

Se o remédio não for tomado, de nada adianta receitá-lo. Para aumentar o sucesso do tratamento é preciso esclarecer o paciente e familiares sobre os sintomas da doença, suas causas, como ela pode seguir durante a vida da pessoa, quais os riscos, que atitudes tomar durante a depressão e na mania, como se preparar para as recorrências e assim por diante. Alguns aspectos são fundamentais. Em primeiro lugar, estará sendo tratado o diagnóstico de transtorno bipolar, não apenas sintomas depressivos ou eufóricos. Levando em consideração que a doença é para a vida toda, podendo hibernar por meses ou anos, o tratamento deve ser planejado para atender as necessidades a curto, médio e longo prazos. 

Na orientação acerca da doença também deve ser abordado o preconceito. Resolver dúvidas ajuda a diminuí-lo, mas só o tempo poderá eliminá-lo de vez. Infelizmente pacientes e famílias sofrem durante anos acumulando ressentimentos, queda do poder aquisitivo, atraso na formação, antes da aceitação do diagnóstico e do tratamento.

Outra questão a ser aprendida é como lidar com uma nova crise. Cuidar da decepção, da frustração, da desesperança e além disso prevenir conseqüências prejudiciais são fundamentais na recuperação.

Tratamento medicamentoso

Existem vários tipos de substâncias usadas no tratamento do transtorno bipolar, dependendo do estado em que o paciente se encontra: estabilizadores do humor, antidepressivos, antipsicóticos e tranqüilizantes. Para tratar uma crise de depressão pode ser necessário o uso de antidepressivos, se os estabilizadores do humor não forem suficientemente eficazes; numa (hipo)mania apenas estabilizadores do humor podem resolver ou se adiciona antipsicóticos e tranqüilizantes. Estes são os tratamentos de fase aguda.

Quando a pessoa já teve pelo menos 3 crises ou uma muito séria e tem o diagnóstico de transtorno bipolar do humor, é aconselhável não adiar o tratamento de manutenção, para evitar ou reduzir a gravidade de novos períodos de doença. Os estabilizadores do humor podem bastar para controlar uma (hipo)mania ou estado misto, mas são os remédios ideais para o tratamento de manutenção ou preventivo de novos episódios do transtorno bipolar.

É importante lembrar que mesmo a curto prazo, o efeito dos medicamentos na depressão, na (hipo)mania ou no estado misto leva pelo menos duas a quatro semanas para ser significativo. A melhora completa pode levar alguns meses e depois disso é necessário manter as medicações usadas na fase aguda da doença por mais algumas semanas ou meses, dependendo da gravidade. Depois de melhorar por completo, não apenas parcialmente, o paciente segue para a fase de manutenção.

Nesta fase normalmente a pessoa se sente bem e corre o risco de descuidar do rigor no tratamento medicamentoso. Da mesma maneira como acontece na hipertensão arterial ou no diabetes, a pessoa se sente bem por estar tomando remédios. Ela não pode parar sem o consentimento do médico achando que está curada.

Felizmente dispomos hoje em dia de vários remédios que podem controlar o transtorno bipolar do humor, de tal modo que se a pessoa não puder tomar algum deles ou não se beneficiar o suficiente, é possível trocá-los ou fazer combinações entre eles. Serão mencionados somente os disponíveis no Brasil.

Estabilizadores do humor são os remédios mais importantes e devem ser usados a partir do diagnóstico de transtorno bipolar. Controlam o processo de ciclagem de um episódio a outro, reduzindo a quantidade de depressões e (hipo)manias e a gravidade delas. Eles variam entre si no efeito antidepressivo e antimaníaco. Os mais estudados e bem conhecidos são o carbonato de lítio, a carbamazepina e o ácido valpróico. Com exceção do lítio, todos eles são também usados como anticonvulsivantes (remédios para tratar epilepsia).

Antidepressivos são o tratamento indicado para as depressões. No paciente com transtorno do humor bipolar o médico primeiro introduz o estabilizador do humor e se não melhorar associa um antidepressivo. Esta cautela reduz o risco de ciclagem para euforia, que os antidepressivos podem desencadear. Se isso acontecer, demorará mais para controlar a doença a longo prazo.

Tratamentos psicológicos

O tratamento medicamentoso é básico, mas o transtorno bipolar não é meramente um problema bioquímico, também psicológico e social. Entrar em contato com os sintomas do transtorno bipolar causa sofrimento e pode ser traumatizante para o paciente e a família. O medo de como isso vai afetar sua vida, o preconceito, a aceitação do diagnóstico requerem atenção psicológica. Para aceitar é necessário conhecer a doença a ponto de diferenciar seus pensamentos e sentimentos e fazer decisões baseado em conhecimento e não em emoções, como medo ou raiva da doença. Tratamentos psicológicos procuram fornecer boas informações, orientação e motivação em um ambiente de apoio e confidencial. 

Há vários tipos, dependendo da necessidade específica de cada paciente, como psicoterapias individual ou grupal, terapia familiar ou conjugal e orientação psicoeducacional, como mencionado anteriormente.

Durante o curso do tratamento o paciente costuma enfrentar recorrências, pois o manejo medicamentoso pode demorar até ser acertado. Tais experiências trazem desapontamento, dúvidas sobre o tratamento, sentimentos de culpa e de revolta. Na psicoterapia e na orientação sobre a doença é possível encontrar esclarecimento e apoio necessários para superar cada novo obstáculo que a doença impõe.

Como a família e amigos podem ajudar?

Antes de mais nada é necessário conhecer a doença e o tratamento do transtorno bipolar do humor. Mesmo assim, cada novo episódio representa um desafio, porque se misturam problemas individuais, questões pendentes, características de cada família.

O apoio ao tratamento é fundamental para ajudar o paciente em momentos difíceis a manter os medicamentos na dose certa e no horário prescrito. Bastam alguns dias sem tomar a medicação ou tomando menos que necessário para que entre em nova crise. Compreender os sintomas não como seu jeito de ser, mas como doença, alivia muito e reduz o sentimento de culpa no deprimido. O doente em euforia requer firmeza e paciência, porque o relacionamento se torna mais desgastante. Ele pode recusar as orientações da família, alegando que agora toda vez que se sentir feliz e de bem com a vida logo pensam que está em mania. A intervenção junto ao médico antes que perca a autocrítica previne conseqüências piores ou eventual internação.

- se os medicamentos estiverem causando efeitos colaterais muito incômodos e o paciente mencionar que quer parar com tudo isso, o médico deve ser informado;

- detectar com o paciente os primeiros sinais de uma recaída; se ele considerar como intromissão, afirmar que é seu papel auxiliá-lo;

- falar com o médico em caso de suspeita de idéias de suicídio e desesperança;

- compartilhar com outros membros da família o cuidado com o paciente;

- estabelecer algumas regras de proteção durante fases de normalidade do humor, como retenção de cheques e cartões de crédito em fase de mania; auxiliar a manter boa higiene de sono; 

- programar atividades antecipadamente.

- mesmo depois da melhora, há um período de adaptação e desapontamento; é importante não exigir demais e não superproteger; auxiliá-lo a fazer algumas coisas, quando necessário;

- evitar chamar o paciente de louco ou demonstrar outros sinais de preconceito, que favorecem o abandono do tratamento; tratá-lo normalmente e apontar sintomas com carinho;

- aproveitar períodos de equilíbrio para diferenciar depressão e euforia de sentimentos normais de tristeza e alegria. 

Como o paciente pode se ajudar?

A pessoa mais interessada no próprio bem-estar é quem está doente. O paciente com transtorno bipolar do humor tem uma doença que costuma durar a vida toda, que se mantém sob controle com tratamento adequado. Cabe a ele o esforço de manter o tratamento: é ele quem toma os medicamentos - ou não. Ninguém pode forçá-lo, a não ser em situações que ponham em risco a sua segurança ou a de outros. Portanto, se você é portador do transtorno bipolar:

- comprometa-se com o tratamento - discuta dúvidas com seu médico, eficácia dos estabilizadores do humor, intolerância a efeitos colaterais, etc.;

- mantenha uma rotina de sono; mudanças no sono ou redução do tempo total de sono podem desestabilizar a doença; converse com seu médico, caso precise mudar o hábito de dormir; - evite álcool e drogas; além de interagirem com algumas medicações, também agem no cérebro, aumentando o risco de desestabilização da doença; se tiver insônia ou inquietação, não se automedique - converse com seu médico;

- evite outras substâncias que possam causar oscilações no seu humor, como café em excesso, drinques, antigripais, antialérgicos ou analgésicos - eles podem ser o estopim de novo episódio da doença;

- enfrente os sintomas sem preconceito - discuta com seu médico sobre ele;

- se não estiver podendo trabalhar, "não queime o filme" - é mais sensato tirar uma licença, conversar com a família ou com o patrão, e se permitir convalescer;

- lembre-se: você está bem por tomar a medicação; se parar de tomá-la, mesmo após 5 ou 10 anos, os sintomas podem voltar sem prévio aviso; é preciso manter-se alerta para o aparecimento dos primeiros sinais, como insônia e irritabilidade;

- há indícios de que quanto mais crises da doença a pessoa tiver, mais ela continuará tendo, por isso, procure participar ativamente do tratamento;

- descubra seus sintomas iniciais de nova crise depressiva ou maníaca - tome nota e avise imediatamente seu médico;

- aproveite períodos de bem-estar para redescobrir como você de fato é; como são os sentimentos de tristeza, alegria, disposição e como você lida com seus problemas;

- quanto mais você conhecer a doença, melhor você poderá controlar os sintomas no período inicial; proteja-se: evite estímulos de risco em potencial, como decisões importantes, relações sexuais sem preservativos, projetos ambiciosos, gastos - ponha seus planos no papel e espere para executá-los quando se reequilibrar; procure canalizar hiperatividade ou idéias negativas para atividade física ou manual; se estiver deprimido, dê-se um empurrão, pois a iniciativa está em baixa;

- procure e aceite ajuda da família e dos amigos quando perceber que não consegue se cuidar sozinho.

- é comum querer parar o tratamento, ou porque vai tudo bem, ou porque não está dando certo; procure conversar com outras pessoas com o mesmo problema, que já passaram por isso; lembre-se de como era seu sofrimento; discuta com a família se valeria a pena buscar uma segunda opinião sobre o diagnóstico e o tratamento. 

Temporariamente o paciente pode ficar inapto a se tratar adequadamente. Nestas fases a intervenção amiga da família é fundamental.

Fonte: Abrata


Eu, Psicóloga | 15 Perguntas que você deveria fazer para se conhecer melhor



Seja na adolescência, vida adulta ou velhice, estamos sempre buscando encontrar um denominador comum para a nossa existência neste planeta.

Para dar uma ajudinha nos seus dilemas existenciais, confira algumas perguntas que vão te ajudar a atingir o autoconhecimento!

1. O que é mais importante para mim na vida neste momento?

Faça uma reflexão sobre aquilo que te motiva a acordar todos os dias e encarar as barras pesadas da vida com ânimo.

2. Quais meus objetivos a curto e médio prazo?

Todos temos metas na vida, sejam elas mais ou menos ambiciosas, mas todos temos! Reflita claramente sobre quais os seus objetivos a médio e curto prazo.

3. O que eu mais gosto de fazer para me divertir?

Qual atividade te desperta prazer, alegria e relaxamento ao mesmo tempo? Liste as coisas que mais gosta de fazer e tente pôr em prática pelo menos uma dessas atividades ao longo do dia.

4. O que me deixa mais envergonhado(a)?

Esclareça quais são os seus pudores e, consequentemente, conseguirá compreender melhor a sua posição moral na sociedade em que vive.

5. O que mais me preocupa na vida neste momento?

Seus piores pesadelos e receios atuais…

6. Se eu tivesse um desejo para realizar, qual seria?

Consiste na sua vontade mais profunda e fantasiosa…

7. O que eu faço que me deixa satisfeito comigo mesmo?

Ao contrário do item número 3, este está relacionado com algo que você costuma fazer de modo excepcional e que sempre te dá satisfação quando conclui, mesmo não sendo essencialmente divertido ou relacionado ao entretenimento.

8. Qual meu maior fracasso?

Chegou a hora de tocar em feridas… Reflita e esclareça consigo mesmo quais os momentos de sua vida que mais te decepcionaram por erros ou má escolhas que partiram exclusivamente de você.

9. O que eu mais gosto sobre o meu trabalho? E o que eu mais odeio?

Faça um balanceamento sobre a sua satisfação profissional. As suas habilidades e vocações vão de encontro ao trabalho de desempenha atualmente?

10. Qual a minha memória mais feliz?

Momento nostálgico. Revire o baú de lembranças e resgate as memórias mais felizes que você tiver. Elas estão relacionadas a um lugar ou alguém específico?

11. Qual meu livro favorito? Meu filme, comida, banda, animal, cor…?

Pode parecer muito superficial, mas para ajudar a fazer com que você compreenda melhor os seus gostos, crie uma lista com todas as suas coisas favoritas, como o seu filme, comida, música e etc.

12. Qual o meu feito que tenho mais orgulho?

Algo que você já fez e que se sente muito orgulhoso(a) de ter realizado. Qual a sua “marca” neste mundo?

13. Quando estou me sentindo triste eu gosto de fazer o quê?

Todos nós seguimos um “ritual” quando estamos em momentos mais depressivos… Seja escutar uma playlist melancólica, dormir, assistir filmes com final nada feliz… Enfim, existem diversas atitudes que “personificam” o nosso estado de espírito. Quais as suas?

14. Eu sou agradecido pelo quê?

Mais uma pergunta que poderá ser respondida em 2 segundos ou 2 semanas de reflexão… Pense nos acontecimentos mais afortunados da sua vida, onde a única coisa que você pôde fazer foi agradecer.

15. Quais os meus pontos fortes e meus pontos fracos?

Por fim, liste todas as suas qualidades e defeitos. Faça isso aos poucos e da forma mais sincera possível.

Tente responder pelo menos uma dessas perguntas por dia, refletindo com calma e sinceridade sobre as respostas. Experimente repetir o questionário ao longo dos anos e veja como a sua visão de mundo vai se alterando com o passar do tempo...


Eu, Psicóloga | CFP e Fenapsi atualizam tabela de referência de honorários da Psicologia




O CFP e a Fenapsi divulgaram a tabela de referência para atualização dos valores dos honorários relativos aos serviços prestados por profissionais da Psicologia nas diversas atividades de atuação. A tabela foi elaborada pelo DIEESE para atualizar os valores apurados até fevereiro de 2016. Confira a tabela :


Nesta atualização, adotou-se como procedimento a aplicação, sobre os valores da Tabela de 2016, da variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (INPC-IBGE) no período compreendido entre 1º de março de 2016 e 31 de dezembro de 2017.

Eu, Psicóloga | China vai proibir viagens de trem e avião para cidadãos com “pontuação social” ruim





O aterrorizante sistema de “crédito social” da China não deve ser completamente implementado até 2020, mas já estamos vendo facetas dele sendo colocadas em prática. Em maio, pessoas que cometeram atos de “séria desonra” supostamente não poderão viajar em trens ou voos por até um ano.

A Reuters foi quem primeiro noticiou a política anunciada em dois avisos publicados no site de Desenvolvimento Nacional e Comissão de Reforma da China. O sistema de crédito social é projetado para colocar impor várias barreiras a cidadãos que cometeram uma de uma série de violações como espalhar falsas informações sobre terrorismo ou se recusar a pagar uma dívida. A penalidade final incluirá proibições temporárias em viagens de avião ou trem para pessoas acusadas de infrações como usar bilhetes expirados ou deixar de pagar o seguro social. Segundo a Reuters:

A decisão está de acordo com o plano do presidente Xi Jinping de construir um sistema de crédito social baseado no princípio de “uma vez não confiável, sempre restringido”, dizia um dos avisos que foi assinado por oito ministros, incluindo o regulador da aviação do país e o Supremo Tribunal Popular. 

A China sinalizou planos para lançar um sistema que permitirá a órgãos do governo compartilhar informações sobre a confiabilidade de seus cidadãos e emitir penalidades baseadas em uma chamada pontuação de crédito social. 

De acordo com o Marketplace, o sistema já foi usado para recusar empréstimos a membros “descreditados” da sociedade. O programa foi inicialmente formulado em 2013, e a lista cresceu de modo a incluir 9,59 milhões de pessoas na metade de 2016.

As restrições de viagem foram seletivamente impostas a devedores no passado, mas as novas políticas estão expandindo as infrações que farão os cidadãos serem marcados em uma lista restritiva.

Diferentemente da versão moderna e colorida do sistema de pontuação terrível de Black Mirror, a China está simplesmente usando processamento de dados frios com o suporte de um governo altamente centralizado. Os cidadãos usam um número de identidade pessoal para negócios formais, como reservar um voo, e registros informais, como criar uma conta de rede social.

O presidente Xi Jinping consolidou seu poder por meio de uma agenda sistemática que é retratada como um esforço para acabar com a corrupção, mas que também inclui mirar seus adversários. O sistema de crédito social pode ser visto como uma expansão da campanha anticorrupção chegando aos cidadãos, e não existem motivos para acreditar que ele não será usado para outros fins.