domingo, 31 de março de 2019

Mais bicicletas a pedalar, menos veículos a circular. Câmara quer que mobilidade em Lisboa mude

O vereador da Mobilidade na Câmara Municipal de Lisboa quer que o sistema de bicicletas partilhadas Gira esteja em todas as freguesias em 2020, ambicionando igualmente que, no futuro, cada quarteirão tenha estacionamento de bicicletas, trotinetas e motas. Em sentido inverso, Miguel Gaspar está também a equacionar aumentar a proteção do centro da capital face aos carros mais poluentes, recorrendo à fiscalização eletrónica.
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Em entrevista à agência Lusa, Miguel Gaspar (PS) disse que espera que o sistema de bicicletas da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento (EMEL), responsável por mais de 6.500 viagens por dias, esteja totalmente criado em 2020, ano em que Lisboa será Capital Verde Europeia.
Nessa altura, acrescentou o autarca, “as viagens serão pagas e, provavelmente”, quem tem o passe poderá “continuar a pagar o que paga hoje, ou seja, paga a anuidade e depois não paga a viagem” até aos 45 minutos.
Devido ao atraso na implementação da primeira fase do sistema, que previa 140 estações e 1.400 bicicletas, a empresa vai partir “diretamente para a concretização de todo o sistema”, que deverá contar com 300 estações e três mil bicicletas.
“Hoje temos cerca de 500, 600, 700, já devíamos ter 1.400. Não temos, porque de facto tivemos um problema com o fornecedor. Neste momento a nossa ambição é lançar um procedimento já para as três mil, o que vai garantir que em todas as freguesias da cidade de Lisboa exista o sistema Gira”, contou Miguel Gaspar.
“A EMEL tomará as opções que tiver de tomar relativamente ao contrato com [a empresa fornecedora] Órbita, mas, neste momento, o que é importante para as pessoas é saber que estamos a lançar um concurso para a exploração das três mil bicicletas dentro das próximas semanas”, reforçou o vereador.
Às viagens das Gira juntam-se outros modos de mobilidade suave, operados por privados, como as trotinetas, que fazem cerca de 10 mil viagens todos os dias.
A Câmara entende que é necessário continuar a fiscalizar, “criar regras de convivência para todos” e “aumentar infraestrutura para estacionamento” para estes veículos, estando já a trabalhar para que “todas as frentes de quarteirão da cidade de Lisboa tenham um sítio para estacionar trotinetas, bicicletas e motas”.
“A minha ambição é que entre espaços para bicicletas, para motas e trotinetas, tenhamos mais de dois mil na cidade de Lisboa. Cada um destes dará facilmente para 10 veículos, portanto vamos evoluir pelo menos para 20 mil lugares de capacidade”, acrescentou Miguel Gaspar, sem adiantar datas.
Veículos é para ficarem às portas da capital
O Miguel Gaspar revelou também que neste ano está prevista a criação de parques dissuasores com mais de 2.500 lugares, bem como de pontos de carregamento rápido de veículos elétricos em Entrecampos, Belém e Parque das Nações, estando ainda a ser estudada a instalação de locais de carregamento para frotas profissionais em espaços vagos nos bairros municipais.
"A nossa opção já é, por via do desenho da hierarquia viária, tirar carros do centro, e, em cima disso, estamos a equacionar ir mais longe, com medidas de maior proteção do centro", afirmou Miguel Gaspar, referindo-se ao aumento do nível das restrições já existentes desde 2015 a veículos poluentes.
O responsável pelas pastas da Mobilidade e Segurança no município lisboeta está a estudar aumentar as restrições existentes, com recurso a "instrumentos de fiscalização eletrónica" que possam substituir as tradicionais operações ‘stop' da Polícia Municipal.
Só este ano, estas operações multaram 55 condutores nas chamadas ‘zonas zero’.
O autarca não exclui "aumentar uma maior restrição de circulação no centro", mandatado por um plano para as energias sustentáveis e o clima, que prevê a interdição de carros a ‘diesel’ no centro de Lisboa até 2030, aprovado por unanimidade na Câmara e na Assembleia Municipal no ano passado.
Ainda assim, sublinhou, as decisões não estão tomadas e o vereador afasta a ideia de portagens urbanas.
"Entre o estacionamento e as medidas de microgestão de tráfego, acredito que há uma alternativa melhor do que uma portagem urbana", defendeu, referindo que uma das razões que as pessoas apontam para andarem de transporte público é o preço do estacionamento.
"O preço do estacionamento já é uma forma de portagem", sustentou, atribuindo à política de estacionamento um "papel muito importante" na mudança de comportamentos.
Apesar do aumento projetado de parques dissuasores para este ano, Miguel Gaspar alertou que os parques mais estruturantes existentes não estão cheios.
"O parque da Ameixoeira tem sistematicamente 200 lugares livres. Este parque custa 10 euros por mês para quem compra o passe, são 50 cêntimos por dia", afirmou.
Além dos 440 lugares que serão disponibilizados nas próximas semanas no Areeiro, estão a ser ultimados aspetos formais para a criação de "dois parques dissuasores da Pontinha, que, em conjunto, vão ser 2.200 lugares", além de um outro "parque de grande dimensão" na zona do Parque das Nações.
"Para quem vem do corredor de Santa Iria, da A1, é uma boa alternativa na zona da Expo. É no último terreno de Lisboa, junto ao Trancão, onde há um apeadeiro da CP, para as pessoas conseguirem a partir da CP e da Carris chegar ao Parque das Nações ou, pela CP, ao centro de Lisboa", explicou.
Relativamente à mobilidade elétrica, o vereador identificou "uma falha de mercado": "Não há redes de carregamento rápido na cidade de Lisboa".
Para ajudar a colmatar essa falha, serão criadas três zonas com sete a oito postos cada uma, em Entrecampos, Belém e Parque das Nações, locais que foram identificados ouvindo a necessidade dos utilizadores e tendo em conta a disponibilidade da infraestrutura da rede elétrica da cidade.
"Além disso, estamos a falar com interessados, empresas comercializadoras de energia e operadoras de pontos de carregamento, para que possam ser criados pontos de carregamento de elevada disponibilidade para frotas profissionais", revelou.
O objetivo é que "empresas que não tenham parqueamento e estruturas próprias para carregar os seus carros nas suas instalações possam ir a um sítio da Câmara de Lisboa com 30, 40, 50, 60 pontos".
Esta medida está a ser pensada com um enquadramento social dos bairros municipais, geridos pela empresa municipal Gebalis.
"Estamos a tentar localizar estes pontos em espaços que hoje estão fechados, estão emparedados, de bairros municipais. São garagens que são da Câmara de Lisboa e a oportunidade de as requalificar é também de ter um projeto social nos bairros municipais, em que não só damos ainda mais vida àqueles bairros como criaremos oportunidades de emprego", explicou.
O município está ainda "em conversação com operadores para aumentar a rede de carregamentos, em particular, semi-rápidos", tendo disponibilidade para, por exemplo, "trocar espaço de estacionamento por espaço de carregamento, para alagar a rede de carregamento.".
Lusa

Catolicismo alemão à beira do abismo? — 1 —

Da esquerda para a direita: O Cardeal Marx, o Arcebispo Koch e o Bispo Bode
Da esquerda para a direita: O Cardeal Marx, o Arcebispo Koch e o Bispo Bode
A Conferência dos Bispos da Alemanha acaba de nomear Dom Franz-Josef Bode como responsável pelas questões de moral sexual no contexto do Caminho Sinodal,anunciado em Lingen, na reunião plenária de primavera. Sobre Caminho Sinodal pretendo tratar no próximo artigo.
Dom Bode deverá discutir o tema da sexualidade e moral sexual com o Comitê Central dos Católicos Alemães–ZdK. Cabe ressaltar que tal comitê vem há tempos atacando a moral sexual ao exigir o fim do celibato sacerdotal, a aceitação de casamentos selvagens, da homossexualidade e, sobretudo, de uma abrangente mudança na moral sexual.
Proveniente do cardeal Marx, o termo sinodalidade é tão vago como controverso. Mas representa uma afronta convocar um Caminho Sinodal para tratar de moral sexual sob a liderança de Dom Bode e do Comitê Central dos Católicos Alemães (ZdK). Parece piada de mau gosto, mas constitui verdadeira afronta a todos os católicos que ainda levam a sério a Fé e o Magistério da Igreja.
Com efeito, faz tempo que Dom Bode vem criticando a moral sexual católica. Em suas tomadas de posição sobre o assunto, ele deixou amplamente documentado que não tem o menor respeito pela moral sexual católica.
No Episcopado alemão não há um bispo que exija tanto a introdução da revolução sexual quanto o faz Dom Bode ao empenhar-se com obstinação, por exemplo, pela bênção a parceiros homossexuais, favorecendo assim a aceitação desse pecado. Para atingir o seu objetivo, ele chega a admitir um cisma, como deixou claro em 2015.
O fato de que a homossexualidade seja diametralmente oposta à moral sexual católica não lhe interessa. Dom Bode é guiado por sua concepção liberal de sexualidade. Para ele a referência não é o Magistério da Igreja, mas a revolução de 1968 da Sorbonne.
Com a nomeação do Bispo Bode para chefiar a Comissão de Moral Sexual, a Conferência Episcopal Alemã deixa claro que não deseja um saneamento da Igreja duramente golpeada, mas da formação de uma nova igreja, com uma moral alinhada às máximas da revolução de maio de 68.
ABIM
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Tradução do original alemão por Renato Murta de Vasconcelos.

Jogo solidário “Todos Moçambique”. Sporting vence Benfica no primeiro dérbi de futebol feminino de sempre

O Sporting venceu ontem o Benfica por 1-0, no primeiro jogo de sempre entre as equipas principais de futebol feminino dos dois clubes, que teve como missão ajudar Moçambique, face ao desastre natural do ciclone Idai.
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A partida solidária "Todos Moçambique", realizada no Estádio do Restelo, em Lisboa, tinha o troféu Vicente Lucas em disputa, mas, mais importante que o título, foi também a confirmação de 15.204 espetadores nas bancadas, superando o anterior recorde (12.213) em encontros de futebol feminino em Portugal.
O único golo do desafio foi apontado pela defesa Joana Marchão, na cobrança de uma grande penalidade, aos 86 minutos, um tento que decidiu um encontro em que o Benfica foi superior.
No ano de estreia, as ‘encarnadas' orientadas por João Marques somam 17 vitórias em 17 jogos no segundo escalão, com 276 golos marcados e nenhum sofrido, e frente às campeãs nacionais da primeira divisão mostraram que têm qualidade no plantel para lutar de igual para igual.
O poder físico e a técnica do Benfica acabaram por prevalecer, quase sempre, nos duelos, mas sem que a baliza de Patrícia Morais fosse violada. A titular da seleção das ‘quinas' foi mesmo a figura da primeira parte, ao segurar os remates com selo de golo de Darlene, aos 16 minutos, e de Sílvia Rebelo, aos 22.
Grande parte do tempo instalado no seu meio-campo, o Sporting poucas vezes assustou a guardiã Dani, com a grande chance a acontecer instantes depois, em que a bola bateu por duas vezes no ‘ferro’, por Ana Capeta e Fátima Pinto.
Se a primeira parte teve duas bolas nos ‘ferros’, a segunda voltou teve mais três e todas para as ‘águias', antes da melhor oportunidade do Sporting, quando Carolina Mendes, isolada por Ana Capeta, não conseguiu levar a melhor no frente a frente com Dani.
Depois foi, mais uma vez, o Benfica a dominar e a estar quase perto de desfazer o ‘nulo’, mas Geyse e Darlene não finalizaram da melhor forma.
Contudo, aos 84 minutos, a defesa central Tayla cometeu falta sobre Tatiana Pinto dentro de grande área e, da marca dos 11 metros, Joana Marchão não desperdiçou.
Lusa

Centenas de pessoas manifestam-se na fronteira entre as duas irlandas contra saída da UE

Algumas centenas de pessoas manifestaram-se hoje na fronteira entre a República da Irlanda e a província britânica da Irlanda do Norte, contestando a saída do Reino Unido da União Europeia e por temerem o regresso de controlos fronteiriços.
Respondendo ao apelo de um grupo designado de Comunidades de Fronteira contra o ‘Brexit’ os manifestantes, incluindo o antigo líder do partido nacionalista irlandês Sinn Fein, Gerry Adams, e o atual Presidente, Mary Lou McDonald, entre 200 e 300 pessoas manifestaram-se numa ponte sobre uma autoestrada que liga Dublin a Belfast.
Alguns tinham cartazes amarelos com frases como "sem fronteiras sem barreiras" e “respeitem o voto ficar”, enquanto outros vestidos de guardas fronteiriços simulavam controlos de veículos e pessoas.
"O trajeto que faço habitualmente, que agora leva uma hora, envolverá três passagens de fronteira em cada direção, ou seja seis travessias da fronteira por dia. Não consigo imaginar o que significaria, em termos de tempo", disse Patricia McGenity, uma cientista que vive perto da fronteira, ouvida pela AFP.
Os habitantes da Irlanda do Norte votaram maioritariamente (56 por cento) contra a saída do Reino Unido da União Europeia no referendo de junho de 2016, que ditou o “Brexit”.
O acordo de saída negociado durante 17 meses entre o Governo britânico e Bruxelas, e que previa a saída a 29 de março, inclui, além do valor do divórcio (39 mil milhões de libras), a cláusula sobre o ‘backstop’ (o mecanismo de salvaguarda para evitar uma fronteira fixa entre as duas Irlandas), e as garantias relativas aos direitos dos cidadãos britânicos nos 27 Estados membros da UE e dos cidadãos europeus no Reino Unido.
Com o voto contra o acordo, chumbado pela terceira vez na sexta-feira pelo Parlamento britânico, o Governo tem agora até 12 de abril para propor um plano B aos dirigentes da UE e, caso não o faça, o Reino Unido abandonará o bloco europeu sem acordo e sem transição.
O próximo capítulo da saga ‘Brexit’ será na segunda-feira, devendo os deputados britânicos tentar chegar a acordo sobre uma alternativa ao plano de Theresa May, depois de na quarta-feira não terem sido capazes de reunir uma maioria em torno de qualquer dos oito cenários propostos a votação.

Bailarina e coreógrafa Anna Mascolo morre aos 89 anos

A bailarina e coreógrafa Anna Mascolo morreu hoje em Lisboa, aos 89 anos, disse à Lusa um amigo da artista, que recebeu o primeiro doutoramento Honoris Causa em dança em Portugal e foi condecorada por duas vezes pela Presidência da República. 
Ministra lamenta morte de "figura central no ensino e formação"
Nascida em Nápoles em 18 de dezembro de 1930, Anna Mascolo viajou para Lisboa em 1940, devido à entrada da Itália na 2.ª Guerra Mundial.
Estudou na Escola Italiana (atual Instituto Italiano de Cultura de Lisboa) e formou-se em dança clássica, em Lisboa, no Conservatório Nacional, tendo sido uma das pioneiras na criação e desenvolvimento do Círculo de Iniciação Coreográfica.
Em 1953 ingressou no Gran Ballet do Marquis de Cuevas, no Teatro Scala, de Milão, onde aprendeu com reconhecidos nomes da dança de então, como Nijinska, Massine, Golovine e Drubrovska.
Em 1956, iniciou um processo de investigação único acerca das metodologias de ensino, inclusive das maiores escolas – a russa, a italiana e a francesa.
Depois de se tornar ‘prima ballerina’ do American Ballet Theatre e de se ser nomeada diretora do Grupo Experimental de Bailado, depois transformado no Ballet Gulbenkian, fundou a sua própria companhia de dança, em 1969.
Foi a responsável escolhida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) para a criação do Conselho Português de Dança.
Em 2012, a antiga bailarina recebeu o doutoramento Honoris Causa pela Universidade Técnica de Lisboa.
Foi docente na Escola Superior de Dança de Lisboa, no Conservatório Nacional e na Universidade Técnica de Lisboa (Faculdade de Motricidade Humana).
Além dos espetáculos de bailado e de ópera, trabalhou no teatro e na televisão, participou em conferências e escreveu diversos artigos sobre a área da dança.
Foi membro do Conseil International de la Danse (CIDD), organismo ligado à UNESCO, formou o Conselho Português da Dança (CPDD), do qual foi presidente, membro do Consiglio Nazionale Italiano della Danza (CNID) e do Conselho Brasileiro da Dança (CBDD).
A ministra da Cultura, Graça Fonseca, lamentou a morte da coreógrafa, "figura central no ensino e na formação" da dança em Portugal.
Num comunicado, a responsável pela tutela recordou o impulso que deu à dança portuguesa: "Com Anna Mascolo escreveu-se a história da dança, desde a formação à coreografia, do ensino à defesa de uma política pública para a dança".
"A dignidade e perseverança com que sempre lutou para que a dança fosse entendida como uma disciplina de rigor, cuidado e de pleno direito são marcas distintas de um percurso que se confunde com a história contemporânea da dança em Portugal", destacou a ministra, em comunicado.
Graça Fonseca recordou que "foi no seu célebre estúdio que, a partir de 1958, o ensino da dança se sustentou na dignidade humana e artística dos alunos".
A bailarina e coreógrafa Olga Roriz lamentou hoje a morte de Anna Mascolo
Gerações de intérpretes estudaram com ela, que continuou no seu estúdio de dança a ensinar até depois de completar 80 anos, e Olga Roriz foi uma delas.
"Estive pouco tempo, mas não é preciso ter sido aluna de Anna Mascolo para sentir a sua perda. Ela dedicou toda a vida à dança, sobretudo ao ensino e de alta qualidade", salientou a criadora de peças como "Electra", "A Cidade", ou "A Sagração da Primavera".
Sobre a personalidade de Anna Mascolo, recordou: "Era uma mulher muito culta e reivindicativa. Nunca nada estava suficientemente bem para ela. Foi algo que também nos deixou, essa vontade de nunca desistir de lutar, de uma forma muito séria. Ela foi um exemplo".
Lusa

ATENÇÃO: Relógios adiantam uma hora

Resultado de imagem para Relógios adiantam uma hora na próxima madrugadaPortugal vai adiantar os relógios uma hora na próxima madrugada para dar início ao horário de verão, indica o Observatório Astronómico de Lisboa (OAL).
Quando for 01:00 de domingo, em Portugal continental e na Região Autónoma da Madeira, os relógios devem ser adiantados 60 minutos, passando para as 02:00.
Na Região Autónoma dos Açores, esta mudança será feita à meia-noite, 00:00, de domingo, passando para a 01:00.
A hora legal volta a mudar a 27 de outubro, marcando a mudança para o regime de inverno, atrasando os relógios uma hora.
No final de agosto do ano passado, o presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, anunciou que a instituição iria propor formalmente o fim da mudança de hora na União Europeia, depois de um inquérito não vinculativo feito a nível comunitário, segundo o qual mais de 80% dos inquiridos disseram preferir manter sempre o mesmo horário.
Em outubro, o primeiro-ministro, António Costa, defendeu que Portugal deve manter o atual regime bi-horário e ter uma hora de verão e uma hora de inverno, considerando que “o bom critério e único é o critério da ciência”.
Na terça-feira, o Parlamento Europeu pronunciou-se, em Estrasburgo, França, a favor da proposta de fim da mudança de hora bianual, mas apenas em 2021, e não já este ano, como propunha inicialmente a Comissão Europeia.
Depois de o Parlamento Europeu ter adotado a sua posição, através da aprovação de um relatório da comissão parlamentar de Transportes com 410 votos a favor, 192 contra e 51 abstenções, falta agora que os Estados-membros cheguem a uma posição comum em sede do Conselho da União Europeia, devendo depois a proposta de diretiva (lei comunitária) ser acertada entre estas duas instituições.
Lusa

sábado, 30 de março de 2019

Ciência | Intolerância de evolucionistas

Inexorabilidade da Revolução para com os que deixam de ser “politicamente corretos”
Günter Bechly, ilustre cientista alemão
Günter Bechly, ilustre cientista alemão

Plinio Maria Solimeo
A Revolução gnóstica e igualitária, que desde o fim da Idade Média vem levando de roldão tudo o que representa ainda algum vestígio da Civilização ex-cristã, é inexorável quando se trata daqueles que deixaram de ser para ela “politicamente corretos”, segundo seus padrões. É o que vamos ver no caso de um notável cientista alemão que está sendo perseguido porque abandonou o evolucionismo e se converteu à Religião Católica.

Notáveis feitos no campo da ciência
Günter Bechly [foto] é um ilustre cientista alemão que tem muitos títulos acadêmicos, sendo muito conhecido no campo da História Natural. Estudou biologia ou entomologia, parasitologia e paleontologia na Universidade Eberhard-Karls em Tubingen (Alemanha), diplomando-se em biologia em 1994. Em 1999 terminou seu doutorado em paleontologia com suma cum laude, sendo parte de sua tese realizada na famosa Universidade de Harvard.De 1999 a 2016, Bechly trabalhou como curador de insetos âmbar e fóssil no departamento de paleontologia do Museu de História Natural de Stuttgard. Ele é autor ou co-autor de cerca de 150 publicações científicas, incluindo um livro co-editado publicado pela Cambridge University Press, e um popular livro científico sobre evolução. 

Como paleontólogo, Günter Bechly descobriu e nomeou mais de 160 novas espécies de insetos, e tem 10 grupos biológicos nomeados em sua homenagem. 
Esse cientista também atuou nos conselhos editoriais de duas revistas científicas, e organizou cinco grandes exposições públicas sobre a história e a evolução da Terra. Entrevistado amplamente na mídia alemã, serviu como conselheiro científico de dois documentários de história natural da BBC de Londres. Portanto, é cientista de renome mundial.
Em entrevista ao site Portaluz, ele explica que “nasci e fui formado em uma família secular, agnóstica. Fui um ateu, materialista e naturalista durante a maior parte de minha vida. Até os trinta e tantos anos, só me interessavam a natureza e as ciências naturais”[i].

No bicentenário do nascimento de Darwin

Por ser um cientista renomado e evolucionista convicto, no ano de 2009 Günter foi convidado a dirigir as celebrações do bicentenário do nascimento de Darwin, no prestigioso Museu Estadual de História Natural em Stuttgart, na Alemanha [foto acima].
Atraindo mais de 100 mil visitantes por dia, essa foi a maior das celebrações do bicentenário no país. A exposição foi por ele pomposamente intitulada de “O fluxo da vida – 150 anos da Teoria da Evolução”. 
Ao mesmo tempo em que exaltava o evolucionismo, Bechly visava também refutar as teorias do chamado Criacionismo e a do Intelligent Design, contrárias ao darwinismo. 
O Criacionismo é bem conhecido, pois está baseado nas Sagradas Escrituras, e mostra Deus como criador de todas as coisas, principalmente da espécie humana. Quanto ao Intelligent Design (“projeto ou criação inteligente”), seus defensores afirmam que “certas características do universo e dos seres vivos são melhor explicadas por uma causa inteligente, e não por um processo não direcionado, como a seleção natural”. O que acaba por remeter indiretamente a uma Inteligência superior, responsável por elas.
A diferença entre o Intelligent Design e o Criacionismo é que este tem por base essencialmente um fundamento religioso, procurando ver as descobertas da ciência reconciliadas com ele. Quanto ao Intelligent Design, começa com a evidência empírica da natureza, e procura determinar quais inferências podem ser extraídas dessa evidência. Diferentemente do criacionismo, a teoria científica do Intelligent Design não afirma que a biologia moderna possa identificar se a causa inteligente detectada pela ciência é ou não sobrenatural[ii]. 
A verdade se revela

Para parecer imparcial em sua exposição, ao lado dos livros do fundador do evolucionismo, Günter quis apresentar também alguns sobre o Criacionismo e o Intelligent Design. Para refutá-los melhor e conhecer suas teorias, ele começou a ler também livros a respeito. 
Ocorreu então que “O que eu reconheci, para minha surpresa, é que os argumentos que encontrei nesses livros eram totalmente diferentes do que ouvia dos colegas [evolucionistas], ou de quando você assiste a vídeos do YouTube, onde a discussão gira em torno do Intelligente Design versus neo-darwinismo e a evolução. E tive a impressão de que, de um lado, essas pessoas [partidárias do Intelligent Design e do Criacionismo] são maltratadas, sua posição é deturpada; e, por outro lado, que seus argumentos não estão realmente recebendo uma resposta apropriada e têm mérito”[iii].


Por razões científicas, começa a combater o evolucionismo

Cientista coerente e honesto, Bechly quis aprofundar-se no estudo do Intelligent Design e do Criacionismo. Para isso entrou em contacto com os líderes dessas duas correntes e, durante vários anos aprofundou-se em suas teorias. O que teve como resultado na mudança de suas anteriores visões. O cientista ficou tão convicto da validade delas, que passou a considerá-las as únicas válidas. O que o levou a fazer uma declaração pública de apoio ao Intelligent Design em seu site em 2015, dizendo: “Eu sou cético com relação à teoria Neo-Darwiniana da macro-evolução, e apóio a teoria do Intelligent Design por puras razões científicas”.

Günter afirmou também em vídeo recente (deutsch sprache) que “os dogmáticos não estão exclusivamente no lado religioso, mas também muito fortemente no lado dos materialistas e biólogos evolucionistas, os quais definitivamente evitam tornar transarente a discussão”.

Com efeito, acrescenta ele que os partidários do evolucionismo não davam respostas às suas dúvidas, ou estas eram insuficientes com relação às interrogações que começou a plantear: “Como seria possível para os seres vivos, como afirmam os evolucionistas, dar passos evolutivos gigantescos em períodos de tempo muito curtos?” E argumentava: “Matematicamente estes períodos não podiam conciliar-se com os postulados da genética evolutiva. Ademais, não existem descobertas de fósseis de supostas transição entre os grupos que evolutivamente descenderiam uns dos outros”[iv].

Encontra a verdade na Igreja Católica

Sendo Günter muito coerente, isso o levou também à conversão ao catolicismo, fazendo esta profissão de fé: “Sou um convertido tardio ao catolicismo, e agora rejeito fortemente o ateísmo, o naturalismo, o materialismo, o reducionismo e o cientificismo. Eu não me tornei um teísta cristão, apesar de ser um cientista, mas por causa disso, baseado em uma avaliação cuidadosa e crítica de dados empíricos e argumentos racionais, seguindo as evidências onde quer que elas levem. Estou convencido de que o planejador inteligente é Deus”[v].

A perseguição

“Bechly enfrentou intensa perseguição em seu museu, onde servia como um dos curadores. Apesar de sua carreira exemplar de 17 anos no museu, os colegas [todos partidários da evolução] agora o viam como um ‘criacionista’. Uma posição de apoio que ele precisava, ficou sem ser preenchida. Também uma grande exposição do museu que ele projetou, foi entregue a outras pessoas que não tinham conhecimento sobre o assunto. O chefe do departamento de entomologia pediu a Bechly para renunciar como o ombudsman para um grupo de financiamento de pesquisa. Após declarar sua conversão ao catolicismo e repúdio ao evolucionismo, Günter Bechly foi exonerado da Universidade de Stuttigart”[vi].

Mas não ficou só nisso: em 2017 a Wikipedia, que traz a biografia e feitos de qualquer “João Ninguém”, apagou sua página de longa data para a língua inglesa sobre Günter Bechly, alegando que ele não era suficientemente famoso para nela constar…

Isso provocou uma controvérsia internacional contra a Wikipedia por sua parcialidade. Mas seus dirigentes permaneceram inexoráveis, e não perdoaram a Bechly o ter deixado de ser evolucionista e abraçado a causa do Criacionismo, e sobretudo o ter-se convertido à Igreja Católica.

Atualmente Günter Bechly é cientista sênior do Instituto de Biologia em Redmond, no Estado de Washington e membro sênior do Centro de Ciência e Cultura do Discovery Institute, em Seattle, também nos Estados Unidos[vii].

ABIM

[i] www.portaluz.org/laureado-cientifico-gnter-bechly-es-perseguido-tras-reconocer-que-ya-no-2504.htm