Microbiologista francês mostra como nos podemos preparar para futuras epidemias
quinta-feira, 4 de março de 2021
Epidemias, Verdadeiros Perigos e Falsos Alertas
Nova abordagem para cadeiras de rodas controladas pelo cérebro obtém nível de precisão sem precedentes
Pela primeira vez, uma equipa de investigadores do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) da Universidade de Coimbra (UC) e do Instituto Politécnico de Tomar (IPT) desenvolveu um sistema de interface cérebro-computador que garante praticamente 100 por cento de fiabilidade e precisão no controlo de cadeiras de rodas através do cérebro, sem exigir grande esforço mental ao utilizador.
As cadeiras de rodas guiadas pelo cérebro apresentam-se como uma solução promissora para pessoas com deficiências motoras graves, que não podem usar interfaces convencionais. Contudo, a baixa fiabilidade e precisão das interfaces cérebro-computador (ICCs) baseadas em eletroencefalografia (EEG) e o elevado esforço mental exigido ao utilizador – que fornece os comandos por meio de sinais cerebrais para conduzir a cadeira de rodas, sem atividade muscular –, inviabilizam a sua utilização, por razões de segurança.
Para ultrapassar estes grandes obstáculos, o sistema proposto pela equipa do ISR e IPT, cujos resultados já se encontram publicados na IEEE Transactions on Human-Machine Systems, assenta numa nova abordagem que combina três componentes: ritmo personalizado, comandos de tempo ajustado e controlo colaborativo.
Ou seja, esclarece Gabriel Pires, investigador principal do projeto, «no mesmo sistema é possível a ICC detetar automaticamente quando o utilizador pretende ou não enviar um comando, permitindo que este não tenha de estar permanentemente focado, mas sim apenas quando pretende enviar um comando, ao seu ritmo; o tempo para deteção da intenção do utilizador é também ajustado automaticamente para permitir um desempenho constante, sendo por exemplo menos suscetível a desatenções ou fadiga; e, ainda, um controlo colaborativo entre o utilizador e a máquina».
Este controlo colaborativo significa que a cadeira de rodas «tem um sistema de navegação que, por um lado, realiza as manobras finas de navegação, aliviando o utilizador desse esforço, e, por outro lado, corrige/interpreta possíveis comandos errados enviados pela ICC», revela o investigador.
A viabilidade do sistema foi validada em várias experiências realizadas com 6 pessoas com deficiências motoras graves, da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC), e 7 pessoas sem deficiência (grupo de controlo). Os participantes tinham de efetuar percursos de navegação diferentes em ambientes semelhantes aos de um escritório, como corredores, passagem de portas, gabinetes, acessos e desvio de obstáculos e de pessoas. «Por exemplo, uma das tarefas consistia na passagem por portas estreitas, que é uma das tarefas mais desafiantes em termos de navegação móvel dadas as dimensões da cadeira de rodas», sublinha Gabriel Pires.
Para conseguir testar a interface, a equipa teve de desenvolver o sistema navegação da cadeira de rodas, adaptar, do ponto de vista ergonómico, a cadeira para poder ser usada por pessoas com limitação motora e desenvolver os métodos de descodificação dos sinais eletroencefalográficos da ICC.
As experiências provaram um nível de precisão e fiabilidade sem precedentes, superior a 99%, destaca o investigador do ISR e docente no Instituto Politécnico de Tomar: «o aumento da precisão de forma fiável foi uma grande conquista, ou seja, mantendo o desempenho elevado ao longo do tempo, independentemente das condições. Na verdade, em alguns conjuntos de experiências obtivemos 100% de precisão com o grupo de controlo e 99.6% com o grupo de pessoas com deficiência motora».
Estes resultados mostram, pela primeira vez, que é possível «conceber sistemas controlados por ICCs com elevado desempenho e fiabilidade e controlados de forma natural (sem elevado esforço mental do utilizador e ao seu ritmo) por pessoas com forte limitação motora», afirma Gabriel Pires, frisando que esta avaliação foi obtida «de forma quantitativa, mas também qualitativa através de questionários colocados aos participantes. Os cenários de teste, embora realistas, não deixam de ser bastante estruturados e menos complexos dos que encontramos em ambiente doméstico no dia-a-dia».
No entanto, apesar de os resultados serem altamente promissores, representando um passo de gigante em direção ao uso desta tecnologia, o docente e investigador previne que o sistema desenvolvido ainda «não possui a maturidade para entrar no mercado. Para além de estas experiências terem decorrido em ambiente relativamente controlado, muito menos complexo do que os ambientes domésticos, um outro desafio prende-se com os sistemas de aquisição dos sinais eletroencefalográficos».
Por outro lado, conclui, «a montagem e ergonomia dos elétrodos ainda terá melhorar. Finalmente, para utilização do sistema em ambientes domésticos mais dinâmicos e exigentes, teremos de introduzir mais módulos de perceção do meio circundante, um trabalho que já estamos a iniciar».
Esta nova interface cérebro-computador foi desenvolvida no âmbito do projeto de investigação e desenvolvimento (I&D) “B-RELIABLE: Métodos para melhoria da fiabilidade e a interação em sistemas de interface cérebro-máquina através da integração da deteção automática de erros”, cofinanciado por fundos europeus e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Para além de Gabriel Pires, a equipa que criou a ICC é constituída por Aniana Cruz, Ana Lopes, Carlos Carona e Urbano J. Nunes.
Cristina Pinto
AVEIRO | LANÇAMENTO DE CONCURSO PÚBLICO PARA PAVIMENTAÇÕES EM CACIA E NARIZ
AVEIRO | ADJUDICADA A CONSTRUÇÃO DA NOVA ROTUNDA A NASCENTE DO TÚNEL DE ESGUEIRA
A pandemia teve “um grande impacto” na deteção e no tratamento do cancro em crianças
Estas conclusões, de acordo com os investigadores que publicaram um relatório na revista científica The Lancet Child & Adolescent Health, enfatizam “a urgência” de uma resposta global distribuída equitativamente para prestar atenção à oncologia pediátrica durante a pandemia e em futuras emergência de saúde pública.
Os investigadores incluíram na publicação uma análise às respostas de 311 profissionais de 213 unidades de saúde, de 79 países que integram a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O trabalho abarcou o período compreendido entre 22 de junho e 21 de agosto de 2020 e incluiu um questionário para avaliar as características dos hospitais, o número de pacientes diagnosticados com covid-19 e as alterações e adaptações na atenção ao cancro.
Esta avaliação permitiu inferir que a pandemia prejudicou em 78% a capacidade das unidades hospitalares na deteção do cancro.
A pandemia também reduziu os recursos e a sua dispersão pelos serviços dos hospitais, prejudicando, consequentemente, o diagnóstico e tratamento do cancro.
Quase metade das unidades de saúde (43%) declarou ter diagnosticado menos casos de cancro, enquanto 34% informou um aumento no número de pacientes que abandonaram os tratamentos.
O questionário também revelou que quase um em cada dez hospitais (7%) teve de encerrar por completo a unidade dedicada aos casos de cancro pediátrico em algum momento, com o período médio de encerramento a corresponder a dez dias.
A maioria (87%) eram hospitais de países considerados em desenvolvimento.
Filme “A metamorfose dos pássaros” de Catarina Vasconcelos premiado no Brasil
No festival, cuja 16.ª edição terminou hoje e decorreu apenas 'online', por causa da covid-19, "A metamorfose dos pássaros" recebeu o prémio especial do júri e o prémio do público.
"A metamorfose dos pássaros", primeira longa-metragem de Catarina Vasconcelos, teve estreia mundial há um ano, no Festival de Cinema de Berlim e, desde então, tem tido um preenchido percurso internacional, por festivais, somando agora cerca de vinte prémios, na maioria de melhor filme, assim como prémios do júri, da crítica e do público.
Em Berlim, Catarina Vasconcelos saiu do festival com o prémio FIPRESCI, da crítica internacional.
De acordo com a agência Portugal Film, responsável pela distribuição, "A metamorfose dos pássaros" é o filme português, entre os estreados em 2020, com mais seleções e prémios internacionais.
A estreia do filme em Portugal deverá acontecer no segundo semestre deste ano, estando assegurada ainda a exibição comercial na China, em Espanha, Itália, Lituânia, Reino Unido, Polónia, Estados Unidos e Canadá.
Catarina Vasconcelos demorou-se seis anos na criação de "A metamorfose dos pássaros", cruzamento entre documentário e ficção, depois de ter feito a curta-metragem "Metáfora ou a tristeza virada do avesso" (2014), em contexto académico, em Londres.
Os dois filmes aproximam-se em aspetos formais e temáticos e interligam-se, porque Catarina Vasconcelos filmou a família, abordando a relação dos pais e a morte da mãe na curta-metragem, e a história de amor dos avós e a morte da avó paterna - que nunca conheceu -, na longa-metragem.
"Eu queria que [o filme] fosse sobre esta família, mas que pudesse falar com outras pessoas. (....) O tempo que ele demora é quase o tempo que eu demoro a conseguir sair de mim para chegar aos outros. Consegui libertar-me da minha família e do medo de inventar sobre eles, para poder inventar à vontade. Isso foi muito importante", contou à agência Lusa, quando o filme se estreou em Berlim.
Para compor toda a narrativa de "A metamorfose dos pássaros", Catarina Vasconcelos partiu de conversas que teve com vários familiares - sobretudo o pai -, convidou-os a entrarem no filme, recorreu a fotografias de arquivo, gravações e objetos do universo pessoal dos avós, pais, tios.
Sobre este filme, Catarina Vasconcelos fala de "um processo altamente íntimo e pessoal", na conjugação da montagem de som e imagem, devedora de uma relação que a realizadora tem com as artes plásticas, e descrita como "uma coisa muito analógica, de bricolagem".
Há planos que parecem pinturas ou fotografias animadas, composições visuais encenadas e metafóricas, cheias de simbolismos, sobre a passagem do tempo e sobre a omnipresença da natureza.
"Todo este lado, que vem mais das artes plásticas, foi muito importante e o filme não podia ter sido construído noutro sítio. Foram as soluções que encontrei para dar resposta a coisas que eu sentia", explicou.
Lusa
Imagem: Plataforma Media
Presidente da República evoca a memória das 59 vítimas mortais
"No dia em que passam 20 anos sobre a queda da ponte de Entre-os-Rios, o Presidente da República evoca a memória das 59 vítimas mortais da tragédia", lê-se numa mensagem publicada no portal da Presidência da República na Internet.
Marcelo Rebelo de Sousa recorda aquele 04 de março de 2001 como "um momento difícil que marcou a história recente de Portugal, respeitando a memória dos que partiram, mas também a coragem dos que ficaram".
"Duas décadas volvidas podemos, sem nunca esquecer o passado, reconhecer o futuro que a tragédia inspirou. Homenagear as vítimas de Entre-os-Rios é também saudar o seu legado, exemplo de solidariedade, perpetuado na obra que comunidade, famílias e amigos construíram em seu nome", acrescenta.
A Ponte Hintze Ribeiro, que ligava Entre-os-Rios, no concelho de Penafiel, distrito do Porto, e Castelo de Paiva, no distrito de Aveiro, colapsou na noite de 04 de março de 2001, arrastando para as águas do rio Douro um autocarro onde seguiam 53 passageiros e três automóveis com seis pessoas. Não houve sobreviventes.
No plano político, o então ministro do Equipamento, Jorge Coelho, demitiu-se de imediato, afirmando que "a culpa não pode morrer solteira".
Inquéritos promovidos pelo Governo e pela Assembleia da República atribuíram o colapso da ponte a uma "conjugação de fatores", entre os quais a extração de inertes a montante de Entre-os-Rios.
No plano judicial, não houve condenados.
Com uma cobertura mediática sem precedentes em Portugal, a queda da ponte de Entre-os-Rios levou o Governo a lançar um programa de obras de emergência em Castelo de Paiva, na altura contabilizado em 80 milhões de euros, incluindo a construção de duas novas pontes.






