sexta-feira, 17 de julho de 2020

Cantanhede | Protocolos para o ano de 2020


Câmara distribui mais de 210 mil euros às juntas
com a transferência de competências

A Câmara Municipal de Cantanhede, na pessoa da presidente Helena Teodósio, assinou, na segunda-feira (dia 13), os protocolos de transferência de competências com as juntas de freguesia do concelho, representadas pelos seus autarcas. A autarquia distribuiu, na totalidade, mais de 210 mil euros.
É convicção do executivo de que as freguesias do concelho de Cantanhede garantem uma prestação serviços de qualidade às suas populações, através de uma utilização racional dos recursos que para tanto lhes são disponibilizados, considerando que a avaliação relativamente à execução dos protocolos de delegação de competências e transferências de recursos celebrados com as mesmas em anos anteriores se revelou bastante positiva”, referiu a presidente da edilidade.
Fazem parte dos protocolos assinados os seguintes trabalhos: limpeza das vias e espaços públicos, sarjetas e sumidouros; manutenção, reparação e substituição do mobiliário urbano instalado no espaço público, com exceção daquele que seja objeto de concessão; gestão e manutenção corrente de feiras e mercados (com exceção da União das Freguesias de Cantanhede e Pocariça, no que diz respeito à Feira e Mercado da Cidade de Cantanhede, bem como relativamente à freguesia da Tocha, no que diz respeito ao Mercado da Praia da Tocha); realização de pequenas reparações nos estabelecimentos de educação pré-escolar e do primeiro ciclo do ensino básico; manutenção dos espaços envolventes dos estabelecimentos de educação pré-escolar e do primeiro ciclo do ensino básico.
A autarca adiantou ainda aos presidentes das juntas de freguesia do concelho de que está a aguardar “as novas orientações do Governo e da DGAL para a transferência de competências”, frisando que “há ainda muitos assuntos por limar em relação a esta matéria, sendo certo de que, quando tivermos mais certezas, vamos chamar os senhores presidentes para também darem a sua opinião”.

Projeto da UC quer prevenir a transmissão do SARS-CoV-2 em unidades de saúde do SNS


Com o objetivo de criar um programa de monitorização para prevenir a transmissão do coronavírus SARS-CoV-2 nas instituições do Serviço Nacional de Saúde (SNS), uma equipa multidisciplinar da Universidade de Coimbra (UC) está a desenvolver um estudo para identificar os pontos críticos de contaminação em diversas superfícies e no ar interior e verificar a eficácia das medidas de higienização implementadas nos espaços.

Intitulado “Environmental monitoring of SARS-CoV-2 in a hemodialysis unit: a quest for preventing transmission in healthcare facilities”, este projeto, que obteve 40 mil euros de financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) no âmbito da iniciativa “Research4Covid - Projetos de implementação rápida para soluções inovadoras”, envolve investigadores de duas faculdades da UC – Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCTUC) e Faculdade de Medicina (FMUC) – e o Serviço de Nefrologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

Nesta primeira fase, o trabalho vai incidir numa unidade de hemodiálise, desde logo pelas características dos doentes, que apresentam concomitantemente muitas patologias e são, portanto, uma população com risco acrescido para a Covid-19. Mas também devido às particularidades deste tipo de serviço: as unidades de diálise são habitualmente locais de excelência na aplicação de processos de controlo de infeção, tendo ciclos bem definidos de entrada e saída de doentes e um programa de limpeza e desinfeção bem estabelecido, o que ajudará a estabelecer indicadores para outras unidades de saúde.

Além de identificar os pontos em que o risco de presença de vírus é maior e determinar a melhor metodologia para o monitorizar, o projeto visa ainda avaliar a eficácia de dois equipamentos de purificação de ar no que respeita ao SARS-CoV-2, um que utiliza radiação ultravioleta e outro que usa filtros HEPA (sigla que se refere a High Efficiency Particulate Air). Assim, é possível perceber o grau de contaminação do ar e avaliar especificamente a eficácia destes aparelhos para garantir que o ar não contém vírus.

«O nosso ponto de partida é a investigação da contaminação no interior de uma unidade de saúde com doentes COVID-19. A transmissão entre pessoas pensa-se que ocorra, sobretudo, por contacto e através da via aérea. A transmissão por contacto pode dar-se por transmissão direta entre pessoas (p. ex., aperto de mão) ou por contactos com superfícies (p. ex., puxadores das portas) em que, depois de contaminada, a pessoa toca na face e é possível que o vírus entre através das mucosas. A transmissão aérea pode ser por gotículas ou por aerossóis em determinadas circunstâncias. Os equipamentos de proteção individual são fundamentais para impedir a transmissão do vírus mas também é fundamental garantir a segurança dos espaços e reduzir a probabilidade de transmissão para todas as pessoas que os frequentam, utentes e profissionais», fundamenta Gil Correia, investigador principal no projeto.

Para isso, os investigadores vão efetuar múltiplas colheitas em várias superfícies, «como mesas, cadeiras, equipamentos médicos, puxadores de portas e outros, de forma a quantificar a presença do vírus nas mesmas. Faremos também várias colheitas de ar para determinar o grau de contaminação do ar interior pelo vírus, bem como nos filtros do sistema de ventilação, para assegurar o seu correto funcionamento e garantir que não existe emissão de vírus por esta via», esclarece.

Essas colheitas vão ser realizadas em momentos diferentes, permitindo aferir os locais com maior propensão para deposição viral. «Todas as colheitas serão feitas em duplicado, antes e após o processo de higienização do espaço. Desta forma, pretendemos confirmar a eficácia dos processos de limpeza e desinfeção», acrescenta o investigador da FMUC.

Com o volume de informação fornecida pela análise das colheitas, a equipa vai determinar quais os pontos críticos que devem ser avaliados futuramente num programa de monitorização de qualidade nas unidades de saúde. Até ao final deste ano, os investigadores esperam ter concluído um protótipo de programa, para que possa ser testado em diferentes unidades de saúde do SNS.

Cristina Pinto

Cerca de 150 concelhos de 14 distritos do continente em risco máximo

Cerca de 150 concelhos de 14 distritos do continente em risco máximo
Cerca de 150 concelhos de 14 distritos de Portugal continental apresentam hoje um risco máximo de incêndio, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Em risco máximo estão cerca de 150 concelhos dos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real, Bragança, Viseu, Aveiro, Guarda, Coimbra, Leiria, Castelo Branco, Santarém, Portalegre e Faro.
O IPMA colocou também em risco muito elevado e elevado de incêndio quase todos os concelhos de todos os distritos (18) de Portugal continental.
Segundo o IPMA, pelo menos até segunda-feira vai manter-se o risco de incêndio máximo e muito elevado em muitos concelhos do continente, por causa do tempo quente.
O governo declarou na quinta-feira a situação de alerta em Portugal Continental devido às previsões meteorológicas para os próximos dias que apontam para um "significativo agravamento do risco de incêndio rural".
O Ministério da Administração Interna (MAI) avançou em comunicado que a situação de alerta abrange o período compreendido entre as 00:00 de sexta-feira e as 23:59 de domingo.
"Face às previsões meteorológicas para os próximos dias, que apontam para um significativo agravamento do risco de incêndio rural, os ministros da Administração Interna e do Ambiente e Ação Climática assinaram esta quinta-feira o despacho que determina a declaração da situação de alerta em todo o território do continente", precisa o MAI.
A declaração surge na sequência da ativação do estado de alerta especial de nível vermelho, o mais grave de uma escala de quatro, para os distritos de Viana do Castelo, Braga, Vila Real, Bragança, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Santarém, Porto e Aveiro.
No âmbito do reforço da monitorização e o grau de prontidão do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), o estado de alerta especial vermelho significa que o grau de risco é extremo por existir a possibilidade da ocorrência de fenómenos "de intensidade excecional, dos quais é muito provável que resultem danos muito relevantes e uma redução muito significativa da segurança das pessoas, podendo ameaçar a sua integridade física ou mesmo a vida, numa vasta área".
Nos restantes distritos, Beja, Évora, Coimbra, Faro, Leiria, Lisboa, Portalegre e Setúbal, foi ativado o estado de alerta laranja, o segundo mais grave de uma escala de quarto, que se traduz num grau de risco elevado.
O MAI sublinha que a declaração da situação de alerta decorre ainda da necessidade de adotar medidas preventivas e especiais de reação face ao risco de incêndio máximo e muito elevado previsto pelo IPMA, pelo menos até segunda-feira, em mais de metade dos concelhos do continente devido ao tempo quente.
No âmbito da declaração da situação de alerta, prevista na Lei de Bases de Proteção Civil, serão implementadas medidas de "caráter excecional", como a proibição do acesso, circulação e permanência no interior dos espaços florestais previamente definidos nos Planos Municipais de Defesa da Floresta Contra Incêndios, bem como nos caminhos florestais, caminhos rurais e outras vias que os atravessem.
Nos próximos três dias é também proibido a realização de queimadas e queimas de sobrantes de exploração e a utilização total de fogo-de-artifício ou outros artefactos pirotécnicos, independentemente da sua forma de combustão, bem como a suspensão das autorizações que tenham sido emitidas nos distritos onde tenha sido declarado o estado de alerta especial de nível vermelho pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).
No âmbito das medidas de "caráter excecional" estão ainda proibidos a realização de trabalhos nos espaços florestais e outros espaços rurais com recurso a qualquer tipo de maquinaria.
Lusa
Imagem: Rádio Comercial

Bolsonaro acusa “seita ambiental” na Europa de tentar prejudicar o Brasil

O Presidente do Brasil disse hoje, numa transmissão ao vivo nas redes sociais, que há uma seita ambiental na Europa a tentar prejudicar o agronegócio local, acusando o país de não preservar as florestas.
“Essa guerra da informação não é fácil. Nós temos problemas porque o Brasil é uma potência no agronegócio. A Europa é uma seita ambiental. Eles [europeus] não preservaram nada do seu meio ambiente, praticamente nada, quase não se ouve falar em reflorestamento na região, mas o tempo todo atiram em cima de nós [Brasil] de forma injusta porque é uma briga comercial’, afirmou Jair Bolsonaro.
“No passado havia um interesse enorme pela região amazónica e, hoje em dia, há interesse em todo o Brasil. Nós somos bombardeados 24 horas por dia (..) grande parte dos ‘medias’ aproveitam o momento para criticar o Governo, como se em governos anteriores estivesse uma maravilha a área de preservação ambiental no Brasil”, acrescentou.
Bolsonaro também afirmou que os jornalistas estrangeiros que publicam críticas contra seu Governo são influenciados por pessoas mal intencionadas e pelos ‘medias’ locais.
“Tem gente com meios, influente junto a uma parte dos ‘medias’ pregando desinformação. É pregado aqui, a imprensa lá fora [do exterior] toma conhecimento e publica. Daí esta mesma imprensa [do Brasil] pega a matéria publicada lá fora como se fosse uma descoberta da Europa e republica aqui dentro. Fica atacando o Governo”, acusou.
Para justificar o aumento das queimadas na Amazónia, registadas em vários meses deste ano, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) brasileiro, o chefe de Estado afirmou que os incêndios acontecem em áreas já desflorestadas onde, segundo ele, os agricultores usam o fogo para limpar o terreno e depois plantar.
Bolsonaro disse que os indígenas e os moradores da Amazónia são os responsáveis por colocar fogo nas terras da região, sem apresentar evidências.
Sobre as propostas do Governo para sanar a destruição dos biomas do país, Bolsonaro lembrou a medida provisória 910, que tinha assinado para legalizar a posse fundiária em áreas da Amazónia. Especialistas e defensores do meio ambiente criticaram a medida vista como um prémio para desflorestadores que invadem ilegalmente e tomam posse de terras públicas.
O texto da medida provisória não foi votado no Congresso brasileiro e, portanto, perdeu a validade. Agora, os parlamentares brasileiros preparam-se para debater um outro projeto sobre o tema, quando o Governo já anunciou que poderá dar estas terras a quem se autodeclarar proprietário num cadastro fundiário.
O Presidente do Brasil também respondeu a perguntas enviadas por jornalistas conservadores conhecidos por defender o Governo.
Questionado sobre o ministro do Meio Ambiente, Bolsonaro disse que Ricardo Salles tem a sua confiança e deve ficar no cargo.
Salles foi muito criticado dentro e fora do país, na sequência da divulgação de uma gravação feita durante uma reunião ministerial sobre ações de combate ao novo coronavírus, e na qual afirmava que o Governo braisleiro devia aproveitar a pandemia e a distração dos ‘medias’ para aprovar normas infralegais e assim desregulamentar a preservação ambiental do país.
Lusa

Universidade do Minho cria ‘app’ para reeducar jovens na denúncia das ciberagressões

Uma 'app' desenvolvida na Universidade do Minho propõe-se mudar a mentalidade dos jovens nas questões da ciberagressão, fomentando-lhes o hábito de denúncia e retirando-lhes o vício da divulgação nas redes sociais, relatou à Lusa a responsável pelo projeto.
Denominada "#CiberAmigo", a aplicação para telemóvel ganhou na quarta-feira o primeiro prémio do "Transforma Ti", em Valongo, destinado a valorizar aplicações tecnológicas que resolvam problemas sociais.
"O objetivo é recorrer às oportunidades das tecnologias para combater a violência experienciada nas tecnologias", sintetizou Maria Vale, aluna de doutoramento na Unidade de Investigação, Vitimologia e Sistema de Justiça da Escola de Psicologia da Universidade do Minho.
Observando tratar-se de uma aplicação que "surge em resposta às necessidades identificadas nos estudos científicos" daquela unidade, a também psicóloga desvendou a base do projeto premiado com 1.500 euros pela autarquia do distrito do Porto.
"O que detetámos é que os adolescentes são os utilizadores mais ativos das tecnologias, mas também os mais vulneráveis à ciberagressão, tendo em conta as suas características e necessidades de desenvolvimento", razão pela qual desenvolveram uma 'app' para "chegar às escolas públicas e privadas, a professores e psicólogos, e também aos adolescentes que estejam a frequentar o terceiro ciclo e o Ensino Secundário, seja o profissional ou o regular", relatou.
A 'app' integra três funcionalidades: o "Informa-te", que informa sobre a ciberagressão e as suas dinâmicas, o "Desconstrói-te", sobre factos e notícias falsas ('fake news' em inglês) e onde se tenta desconstruir os mitos e os ciber(mitos) que estejam a legitimar os comportamentos e o "Ajuda-te" que é permitir aos adolescentes pedir ajuda e denunciar, garantindo-lhes respostas adequadas e efetivas, explicou Maria Vale.
Garantindo ser uma ferramenta que "fala a linguagem dos jovens" e que "está adaptada ao vocabulário digital atual", a "#CiberAmigo", continuou a responsável do projeto, poderá vir a entrar nas escolas "divulgada numa aula de cidadania" ficando depois o psicólogo a "gerir as respostas e denúncias", sugeriu.
"Percebemos que grande parte dos adolescentes são vítimas e agressores, mas muito deles são também observadores passivos destes comportamentos, nomeadamente quando são cúmplices por exibir nas redes sociais desacatos", alertou Maria Vale, admitindo o esforço para lhes mostrar "que a solução é a denúncia na aplicação".
A chegada às escolas, previu a investigadora, "não deve acontecer antes do início do ano letivo 2021/22", estando também por decidir "se vai ser comercializada à Direção-Geral de Educação".
"Para já vamos entrar em fase de testes-piloto, sendo que os conteúdos estão todos cientificamente validados e revistos pela unidade de investigação sob a orientação da professora Marlene Matos", sublinhou.
Segundo Maria Vale, "mais de 60% dos estudantes portugueses estão envolvidos em ciber agressão - como vítimas e agressores, pois os observadores têm sido muito negligenciados em Portugal -, um número que varia conforme o fenómeno".
"Não nos podemos cingir ao 'cyberbullying', queremos chegar também ao ciberabuso nas relações de intimidade, nas relações de namoro, algo que ainda não está muito estudado em Portugal, e também o 'ciberstalking'", acrescentou a psicóloga.
Lusa

BOFETADA PRENUNCIATIVA


  • Péricles 
Abofetada humilha, avassala, abate; contudo, pode acender brios. Enfim, o efeito depende em parte de quem a recebe. Nelson Rodrigues achava: “O pior da bofetada é o som. Se fosse possível uma bofetada muda, não haveria ofensa, nem humilhação, nada”. Recep Tayyip Erdogan [foto abaixo], presidente da Turquia, esbofeteou o Ocidente, desdenhou autoridades religiosas e políticas, ao destinar a igreja de Santa Sofia [foto acima], até então museu, ao culto muçulmano. Estralejou alto o sopapo, ecoou humilhante o som ensurdecedor. A partir de 24 de julho, a antiga catedral bizantina estará aberta ao culto muçulmano. Pelo jeito, foi estudada e prenunciativa bofetada; virão outras, tudo o indica.
Declarou o autocrata: “Hoje, a Turquia se livrou de uma vergonha. Santa Sofia vive, de novo, uma de suas ressurreições, como já sucedeu várias vezes no passado. A ressurreição de Santa Sofia prenuncia a libertação da mesquita Al-Aqsa” em Jerusalém. Continuou: “Significa que o povo turco, os muçulmanos e toda a humanidade têm novas coisas para dizer ao mundo”. Que novas coisas terá a Turquia para dizer ao mundo? Pela voz dos símbolos, já está falando. No anúncio televisionado, o presidente da Turquia citou um intelectual turco, Osman Yüksel Serdengeçti, que anunciou a vinda de um segundo conquistador para devolver Santa Sofia ao Islã. “Este dia chegou”, proclamou Erdogan.
Como se sabe, a basílica de Santa Sofia [foto lado, interior da basílica] foi construída no século VI pelos bizantinos (imperador Justiniano), depois foi catedral cismática. Com a conquista de Constantinopla em 1453 pelo sultão Maomé II, o Conquistador, foi feita mesquita; a partir de 1934, museu.
Borbotaram de todos os quadrantes respostas à insolência do presidente Erdogan, ainda que até agora fracas; de outro modo, palavras desacompanhadas de medidas concretas. Três reações significativas resumem um lado da questão. Na véspera do desplante, Mike Pompeo, secretário de Estado dos Estados Unidos, tentou evitar a desfeita, solicitando ao líder turco “continuar a conservar Santa Sofia como museu, exemplo de seu compromisso de respeitar as tradições culturais e a rica história que moldaram a república turca”. Jean-Yves Le Drian, ministro do Exterior da França, em comunicado, declarou: “A França deplora a decisão do Conselho de Estado turco de modificar o estatuto de museu de Santa Sofia e o decreto do presidente Erdogan pondo-a sob a autoridade da direção turca dos negócios religiosos. Tais decisões colocam em causa um dos mais simbólicos atos da Turquia moderna e laica. A integridade dessa joia religiosa, arquitetural e histórica, símbolo da liberdade de religião, de tolerância e de diversidade, inscrita no patrimônio mundial da UNESCO, deve ser preservada”. Ameaçadas estão a modernidade, a laicidade, a tolerância, a liberdade de religião e a diversidade, é a censura do governo francês. Finalmente, o presidente Vladimir Putin expôs a seu colega turco o desagrado causado na Rússia inteira pela decisão do governo turno. Comunicado do Kremlin afirmou que o presidente russo “chamou a atenção de Recep Tayyip Erdogan para a significativa desaprovação causada na Rússia pela decisão de mudar a situação de Santa Sofia”.
Ou seja, entendia-se como adesão estável à modernidade o ato do presidente Mustafá Kemal Ataturk, fundador da república turca, que em 24 de novembro de 1934, como foi dito, transformou em museu a até então mesquita. A Turquia deixava para trás a condição de estado muçulmano confessional, com legislação enraizada no Corão e adotava princípios constitutivos vigentes na maioria dos países ocidentais. Caminhava em direção à Europa, à qual já pertence, geograficamente, pela metade. Com efeito, desde décadas ela faz parte da OTAN, tem lugar em organismos internacionais e busca fazer parte da União Europeia. Com a bofetada, ela se distanciou da Europa e dos Estados Unidos, aproximando-se de Estados muçulmanos. Potência regional, representa muito na junção da Ásia e da Europa o país de 80 milhões de habitantes (renda per capita em torno do dobro da brasileira), por volta de 800 mil quilômetros quadrados.
Fica a questão da Rússia, inimigo histórico, justificativa política importante para a adesão à OTAN e ao Ocidente. Sintomaticamente, no meio da condenação geral, inclusive dos cismáticos russos, Putin teve gesto quase formal. Ele também utiliza a fórmula nacionalismo, patriotismo e religião para se manter no poder. Autoritarismo, nacionalismo, religião, defesa de uma vaga identidade pátria são vias que favorecem uma aliança futura, presumivelmente prejudicial aos Estados Unidos e à Europa.
No interior da basílica de Santa Sofia, o afresco bizantino da Virgem Maria
Falava acima, um lado da questão, era o político. O outro é o religioso. Destaco em particular um ponto. O enorme edifício do ecumenismo religioso entre Islã e Cristianismo, construído pacientemente há décadas, mambembe e artificial, é verdade, mas enfim levantado, recebeu trinca de alto a baixo. A afirmação desafiadora das crenças do Islã, a proclamação de que é apenas o primeiro passo em novas conquistas, bem como a inteira desconsideração dos sentimentos dos católicos e dos cismáticos, deixam no ar um cheiro de jihad, uma atmosfera de enfrentamento.
O Papa Francisco se declarou “aflitíssimo”. Bartolomeu, patriarca ecumênico de Constantinopla, já havia tomado posição, tendo advertido, Santa Sofia era “um símbolo do encontro, solidariedade, compreensão mútua entre o Cristianismo e o Islã”. Foi adiante “transformá-la em mesquita poderia lançar milhões de cristãos no mundo inteiro contra o Islã”. De novo aparece o clima de enfrentamento, pois estava sendo destruída a atmosfera de encontro, solidariedade e compreensão. A igreja cismática russa lamentou a decisão e afirmou que ela trará “consequências sérias para toda a civilização”. Seu porta-voz observou: “Constatamos que a inquietação de milhões de cristãos não foi levada em consideração”.
Resposta de Erdogan: trata-se de exercício de direitos soberanos. Não amolem, em linguagem informal. “Os que não se preocupam com a islamofobia em seus próprios países, atacam a vontade da Turquia de exercitar seus direitos soberanos. Tomamos esta decisão sem levar em conta o que os outros dizem, mas considerando nossos direitos, como fizemos na Síria, Líbia e em outros lugares”.
Pelo que representa e prenuncia, a bofetada aprofunda trincas na aliança ocidental, é afirmação desafiante de poder muçulmano, deixa em frangalhos as alegações em que se esteia o diálogo ecumenista entre cristãos e muçulmanos. Virão outros sopapos. Se recebidos com resignação derrotista, representarão recuos. Podem, contudo, acender brios. Aí a história seria outra.
ABIM

Dois detidos por furtos na Lousã e em Poiares

O Comando Territorial de Coimbra, através do Núcleo de Investigação Criminal da Lousã, no dia 14 de Julho, deteve dois homens de 18 e 20 anos, por furtos em residências e armazéns, na Lousã e Vila Nova de Poiares.
No decorrer da operação, com origem num processo iniciado em Fevereiro passado por furtos em interior de residências e armazéns, os militares da Guarda deram cumprimento a dois mandados de detenção e a dez mandados de busca: cinco domiciliárias, uma numa oficina, uma numa sucateira, uma num armazém e duas em veículos.
No cumprimento dos mandados de busca foi apreendido o seguinte material:
·Três plantas cannabis;
·Duas doses de cannabis erva;
·Uma dose de haxixe;
·Uma arma transformada de calibre 6.35mm;
·Quatro armas de ar comprimido;
·Uma arma com configuração para uso militar;
·Uma mira telescópica;
·103 munições;
·Um bastão extensível;
·Uma rebarbadora;
·Um berbequim;
·Seis jerricans;
·Três telemóveis;
·Diversos utensílios de casa.
Os detidos foram presentes a primeiro interrogatório judicial no Tribunal Judicial de Coimbra tendo-lhes sido aplicadas as medidas de coação de apresentações diárias em posto policial da sua residência, proibição de contacto com arguidos, testemunhas e ofendidos e proibição de sair da localidade onde residem.
Foram ainda elaborados 15 autos de contraordenação no âmbito da legislação ambiental pelo Núcleo de Proteção Ambiental  da Lousã.
A operação contou com o reforço da Unidade de Intervenção, do Destacamento de Intervenção de Coimbra e de dois binómios de deteção de estupefacientes.