quinta-feira, 4 de março de 2021
AVEIRO | LANÇAMENTO DE CONCURSO PÚBLICO PARA PAVIMENTAÇÕES EM CACIA E NARIZ
AVEIRO | ADJUDICADA A CONSTRUÇÃO DA NOVA ROTUNDA A NASCENTE DO TÚNEL DE ESGUEIRA
A pandemia teve “um grande impacto” na deteção e no tratamento do cancro em crianças
Estas conclusões, de acordo com os investigadores que publicaram um relatório na revista científica The Lancet Child & Adolescent Health, enfatizam “a urgência” de uma resposta global distribuída equitativamente para prestar atenção à oncologia pediátrica durante a pandemia e em futuras emergência de saúde pública.
Os investigadores incluíram na publicação uma análise às respostas de 311 profissionais de 213 unidades de saúde, de 79 países que integram a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O trabalho abarcou o período compreendido entre 22 de junho e 21 de agosto de 2020 e incluiu um questionário para avaliar as características dos hospitais, o número de pacientes diagnosticados com covid-19 e as alterações e adaptações na atenção ao cancro.
Esta avaliação permitiu inferir que a pandemia prejudicou em 78% a capacidade das unidades hospitalares na deteção do cancro.
A pandemia também reduziu os recursos e a sua dispersão pelos serviços dos hospitais, prejudicando, consequentemente, o diagnóstico e tratamento do cancro.
Quase metade das unidades de saúde (43%) declarou ter diagnosticado menos casos de cancro, enquanto 34% informou um aumento no número de pacientes que abandonaram os tratamentos.
O questionário também revelou que quase um em cada dez hospitais (7%) teve de encerrar por completo a unidade dedicada aos casos de cancro pediátrico em algum momento, com o período médio de encerramento a corresponder a dez dias.
A maioria (87%) eram hospitais de países considerados em desenvolvimento.
Filme “A metamorfose dos pássaros” de Catarina Vasconcelos premiado no Brasil
No festival, cuja 16.ª edição terminou hoje e decorreu apenas 'online', por causa da covid-19, "A metamorfose dos pássaros" recebeu o prémio especial do júri e o prémio do público.
"A metamorfose dos pássaros", primeira longa-metragem de Catarina Vasconcelos, teve estreia mundial há um ano, no Festival de Cinema de Berlim e, desde então, tem tido um preenchido percurso internacional, por festivais, somando agora cerca de vinte prémios, na maioria de melhor filme, assim como prémios do júri, da crítica e do público.
Em Berlim, Catarina Vasconcelos saiu do festival com o prémio FIPRESCI, da crítica internacional.
De acordo com a agência Portugal Film, responsável pela distribuição, "A metamorfose dos pássaros" é o filme português, entre os estreados em 2020, com mais seleções e prémios internacionais.
A estreia do filme em Portugal deverá acontecer no segundo semestre deste ano, estando assegurada ainda a exibição comercial na China, em Espanha, Itália, Lituânia, Reino Unido, Polónia, Estados Unidos e Canadá.
Catarina Vasconcelos demorou-se seis anos na criação de "A metamorfose dos pássaros", cruzamento entre documentário e ficção, depois de ter feito a curta-metragem "Metáfora ou a tristeza virada do avesso" (2014), em contexto académico, em Londres.
Os dois filmes aproximam-se em aspetos formais e temáticos e interligam-se, porque Catarina Vasconcelos filmou a família, abordando a relação dos pais e a morte da mãe na curta-metragem, e a história de amor dos avós e a morte da avó paterna - que nunca conheceu -, na longa-metragem.
"Eu queria que [o filme] fosse sobre esta família, mas que pudesse falar com outras pessoas. (....) O tempo que ele demora é quase o tempo que eu demoro a conseguir sair de mim para chegar aos outros. Consegui libertar-me da minha família e do medo de inventar sobre eles, para poder inventar à vontade. Isso foi muito importante", contou à agência Lusa, quando o filme se estreou em Berlim.
Para compor toda a narrativa de "A metamorfose dos pássaros", Catarina Vasconcelos partiu de conversas que teve com vários familiares - sobretudo o pai -, convidou-os a entrarem no filme, recorreu a fotografias de arquivo, gravações e objetos do universo pessoal dos avós, pais, tios.
Sobre este filme, Catarina Vasconcelos fala de "um processo altamente íntimo e pessoal", na conjugação da montagem de som e imagem, devedora de uma relação que a realizadora tem com as artes plásticas, e descrita como "uma coisa muito analógica, de bricolagem".
Há planos que parecem pinturas ou fotografias animadas, composições visuais encenadas e metafóricas, cheias de simbolismos, sobre a passagem do tempo e sobre a omnipresença da natureza.
"Todo este lado, que vem mais das artes plásticas, foi muito importante e o filme não podia ter sido construído noutro sítio. Foram as soluções que encontrei para dar resposta a coisas que eu sentia", explicou.
Lusa
Imagem: Plataforma Media
Presidente da República evoca a memória das 59 vítimas mortais
"No dia em que passam 20 anos sobre a queda da ponte de Entre-os-Rios, o Presidente da República evoca a memória das 59 vítimas mortais da tragédia", lê-se numa mensagem publicada no portal da Presidência da República na Internet.
Marcelo Rebelo de Sousa recorda aquele 04 de março de 2001 como "um momento difícil que marcou a história recente de Portugal, respeitando a memória dos que partiram, mas também a coragem dos que ficaram".
"Duas décadas volvidas podemos, sem nunca esquecer o passado, reconhecer o futuro que a tragédia inspirou. Homenagear as vítimas de Entre-os-Rios é também saudar o seu legado, exemplo de solidariedade, perpetuado na obra que comunidade, famílias e amigos construíram em seu nome", acrescenta.
A Ponte Hintze Ribeiro, que ligava Entre-os-Rios, no concelho de Penafiel, distrito do Porto, e Castelo de Paiva, no distrito de Aveiro, colapsou na noite de 04 de março de 2001, arrastando para as águas do rio Douro um autocarro onde seguiam 53 passageiros e três automóveis com seis pessoas. Não houve sobreviventes.
No plano político, o então ministro do Equipamento, Jorge Coelho, demitiu-se de imediato, afirmando que "a culpa não pode morrer solteira".
Inquéritos promovidos pelo Governo e pela Assembleia da República atribuíram o colapso da ponte a uma "conjugação de fatores", entre os quais a extração de inertes a montante de Entre-os-Rios.
No plano judicial, não houve condenados.
Com uma cobertura mediática sem precedentes em Portugal, a queda da ponte de Entre-os-Rios levou o Governo a lançar um programa de obras de emergência em Castelo de Paiva, na altura contabilizado em 80 milhões de euros, incluindo a construção de duas novas pontes.
Há cerca de 1,5 milhões de armas legais em Portugal
A PSP calcula que mais de 80% das armas legalizadas em Portugal são das classes C e D, nomeadamente carabinas e espingardas que estão nas mãos de caçadores, que só as podem utilizar quando estão a realizar esta atividade.
Segundo a PSP, que tem a competência de controlar e fiscalizar o fabrico, armazenamento, comercialização, uso e transporte de armas de fogo, o número de armas legais em Portugal tem-se mantido estável nos últimos anos.
"Atendendo ao número de armas novas que foram adquiridas e que entraram no mercado por via de importações, transferências do espaço europeu e fabrico nacional, mas tendo em consideração as armas que foram destruídas pela PSP, quer por força de entregas voluntárias ou por decisões judiciais e administrativas de perda das armas a favor do Estado, tem-se verificado um número de armas estável, na casa das 1.500.000", precisa esta força de segurança.
A PSP estima também que existam no país mais de 210.000 licenças de uso e porte de armas válidas em Portugal, no qual se incluem as licenças de colecionadores, defesa ou tiro desportivo.
Na resposta enviada à Lusa, a PSP frisa que o número de licenças de armas tem vindo a diminuir em Portugal desde 2006, uma vez que a maioria são de armas de caça e o número de caçadores tem vindo a diminuir.
A PSP justifica a existência de menos caçadores no país com os problemas inerentes à caça, nomeadamente maiores restrições, doenças nos animais e envelhecimento da população que se dedica a esta atividade.
Em 2020, a maioria das licenças emitidas pela Polícia de Segurança Pública foram das armas das classes C e D (utilizadas pelos caçadores), num total de 11.617, e de tiro desportivo (1.327).
Sobre as armas que estão na posse de colecionadores, a Polícia esclarece que apenas podem circular na rua quando se deslocam para a realização de eventos de colecionadores, onde se pratique o tiro, sendo necessário uma autorização da PSP.
Sobre a lei das armas que entrou em vigor em setembro de 2019, a PSP faz um balanço "muito positivo" devido às restrições que veio impor, nomeadamente a limitação do número de armas para os caçadores e a necessidade de um cofre para guardar as armas em casa, além de ter clarificado alguns aspetos em termos securitários.
Em fevereiro foi publicada em Diário da República uma lei que prolonga até 31 de julho o prazo para que os proprietários de armas de fogo adquirirem um cofre para as guardar.
Após adquirirem o cofre ou armário não portátil, os detentores das armas têm de submeter na plataforma eletrónica disponibilizada pela PSP o respetivo comprovativo, nomeadamente fatura-recibo ou documento equivalente.
Segundo a legislação, os proprietários de armas de fogo que não entregarem o comprovativo da aquisição do cofre até 31 de julho são punidos com uma multa de 50 euros e advertidos para a obrigação da sua aquisição por mais 30 dias, sob pena de lhes ser aplicada mais uma coima.
Está atualmente a decorrer, até 23 de junho, um período extraordinário para entrega voluntária de armas não manifestadas ou registadas em qualquer instalação policial da PSP ou da GNR, não havendo qualquer consequência criminal.
Os possuidores de armas de fogo que não pretendam fazer a sua entrega a favor do Estado podem proceder à sua legalização.
Lusa
Olhares que enxergam longe

- Péricles Capanema
Bênçãos desprezadas. São uma bênção, para si e para os próximos, os olhares que divisam o remoto na neblina do futuro. Desvelam a via e assim preparam os caminhantes contra adversidades. Contudo, é a realidade, em geral, são menosprezados. Pois cansam, podem parecer falta de senso prático. Espiar 10, 20 anos à frente? Para quê? A percepção voltada ao imediato, pelo contrário, distrai, às vezes reflete senso do real. Como não se fatigar da vista fixada longamente no horizonte, e então procurar o necessário repouso nas coisas próximas? O remanso também é necessário. Pode restaurar forças, pode dispersar. O gracioso é nutrimento da vigilância varonil; o vulgar é seu tóxico. Quem se enchafurda no vulgar, criará anticorpos e recusará espiar o horizonte carregado.
Advertência histórica. Com sua reconhecida competência, o Prof. Roberto de Mattei escreveu erudito e esclarecedor artigo sobre o conde Joseph de Maistre (1753-1821) [foto acima], um dos maiores pensadores contrarrevolucionários do século XIX — está na rede o trabalho. Não pretendo aqui glosar aspectos levantados pelo mencionado estudo. De fato, tudo no texto me chamou a atenção, mas quero destacar ponto crucial, em geral subestimado, que vale para todas as épocas.
Joseph de Maistre foi enviado em 1802 pelo rei da Sardenha, Vitor Emanuel I, como embaixador junto ao czar Alexandre I. Na Rússia viveu 14 anos, deixou-a em 27 de março de 1817, lá concebeu boa parte de sua grande obra intelectual. Consciencioso, além de avançar nas tarefas de pensador, enviava informações pormenorizadas e análises agudas a seu soberano, que entretanto, misérias da vida, irritava-se com elas. Não pelo conteúdo que certamente reconhecia denso, mas pelo esforço intelectual que dele solicitava. Grandes demais, graves demais, profundas demais; não lhe caíam bem, queria coisa mais leve, tangível, vida mansa, enfim. Aristocrata da alta nobreza, família real antiga, aparentava-se em espírito com o Jeca da conhecida canção: “Êh vida marvada, num dianta fazê nada, e pruquê si esforçá, se não paga a pena trabaiá”. E aí, fugindo do esforço, seus frutos seriam também os que amealhava o desidioso Jeca: “De manhã cedo eu óio pra rocinha; Pra ver se as veiz nasceu quarqué coisinha; Mas qual o quê, num nasceu nada não; Prantando nasce, mas num pranto não”
O amigo angustiado. Certamente, de todos os embaixadores da Sardenha, era o mais amigo do rei; aquele que não pretendia distrai-lo, mas se esforçava em contribuir para sua formação e governo. Que enxergasse longe, avistasse através da bruma as sombras ameaçadoras do porvir. Enfim, era a pessoa cujos conselhos poderiam salvar o trono, manter a honra da dinastia, evitar desvios nos quais se meteu. Poderiam ainda influir de forma favorável no Congresso de Viena, para o qual Vitor Emanuel I não o escolheu, todavia, como seu representante.
Transcrevo parte do artigo:
“A observação de Alphonse de Lamartine, segundo a qual ‘teria sido impossível encontrar o conde Joseph de Maistre sem imaginar que se estava a passar diante de algo grande’, entende-se bem folheando os despachos que o representante do Rei da Sardenha na corte dos Czares enviou a seu soberano (cf. Joseph de Maistre, Napoleone, la Russia, l’Europa, Donzelli, Roma 1994). Pelos despachos de Petersburgo, acompanhamos, passo a passo, o avanço de Napoleão, num jogo em que ‘está em aposta o mundo’. Mais que despachos, trata-se de amplos relatórios, ricos em observações eruditas e profundos aforismos, não compreendidos por Vítor Emanuel I, honesto mas de medíocre inteligência, que, por meio do seu primeiro escudeiro, fez chegar esta mensagem a seu ministro em Petersburgo: ‘Pelo amor de Deus, diga ao conde de Maistre para escrever despachos e não dissertações!’” Amolação.
Da Sardenha para o Brasil. Agripino Grieco (1888-1973), crítico ferino, mas certeiro; certa vez observou: “O pior dos erros é acertar sozinho contra muita gente”. Tem razão, divisar o ruim que irromperá a bem dizer necessariamente, destrói amizades, possibilidades de carreira e de convívio. E é sina corriqueira de quem tem o que às vezes foi chamado de olhar de lince; e, impulsionado pela lógica, não foge das conclusões, mesmo das mais duras.
Por que comento tudo isso? Não parece distante? Não é. Em retrospectiva. A Casa de Savoia teve percurso conturbado, em especial no século XIX, liderou o movimento de unificação da Itália, colocou-se contra os Papas. Manchou-se, com a invasão de Roma o rei foi excomungado por Pio IX, situação que se manteve por 60 anos. Acabou despojada de todos os seus domínios. É conjeturável, outra teria sido sua história, da Itália e até mesmo da Europa, se Vitor Emanuel I tivesse dado ouvidos aos despachos que recebeu de Joseph de Maistre, e os utilizasse para formação do espírito e valioso subsídio político. Constituiu fato aparentemente pequeno e desimportante (não era), despercebido por quase todos, mas exigia esforço e ajuste de vistas. O soberano preferiu a maciota, apoiar-se molemente em opiniões cômodas, a tragédia engoliu seus descendentes. Em prospectiva. Brasileiros de espírito objetivo estão advertindo sobre a gravíssima situação do país, sobre necessidade de medidas duras; enfim, sobre ser imperativa a seriedade na percepção dos horizontes. Em resumo, fuga da mentira, da conduta cafajeste, da inconsequência e da irresponsabilidade. O preço a ser pago será alto, se a superficialidade agora impedir rumo certo. As advertências poderão cair no vácuo. Mas ainda há tempo, não repitamos Vitor Emanuel I e tantos outros. Mais proximamente, escapemos de hábito generalizado em Pindorama: “Se o sór tá quente a gente arruma a rede; Garra a viola presa na parede; Acende o pito, cospe e passa o pé; E deixa a vida como Deus quisé”. Deus não quer.
ABIM


