terça-feira, 31 de maio de 2016

PORTUGAL TEM 12.800 ESCRAVOS


 
Portugal tem um total estimado de 12.800 “escravos modernos” numa população de quase 10,4 milhões de habitantes, segundo o relatório da fundação australiana Walk Free.
Índice de Escravatura Global 2016, o relatório divulgado esta terça-feira analisa 167 países do mundo, entre eles oito dos nove lusófonos – S. Tomé e Príncipe não foi reportado – e conclui que atualmente existem 45,8 milhões de escravos no mundo.
Segundo o relatório da Walk Free, uma fundação criada em 2012 pelo casal filantropo australiano Andrew e Nicola Forrest, e pela filha de ambos, Grace, a percentagem estimada de escravos modernos em Portugal é de 0,123%.
De acordo com o mesmo relatório, Portugal situa-se na 49ª posição, o que equivale à 147ª posição, já que há muitos países a ocuparem a mesma posição ao longo da tabela.
O total de casos estimados aumentou significativamente desde 2012, quando as projeções indicavam que existiam cerca de 35 milhões e pessoas sujeitas à escravatura.
Quanto à cotação atribuída a cada país, para que obtenham cotação “BBB” (a quarta melhor), que foi a conseguida por Portugal, é necessário que, entre outros critérios, os governos tenham encetado respostas à escravatura moderna com programas de apoio às vítimas e uma resposta forte ao nível da justiça criminal.
Em declarações à agência Lusa, a australiana Fiona David, diretora executiva do Departamento de Investigação Global da Fundação Walk Free, que liderou os trabalhos nos 167 países analisados no Índice, disse que esteve em Portugal no início deste ano e que uma das “coisas boas” que viu “foi a grande importância e a seriedade dada pelo Governo português à questão”.
“Atribuímos a Portugal o rating de 65 pontos (65,22) nos esforços para combater o trabalho forçado, o que demonstra que tem havido muitas pessoas envolvidas e muito trabalho feito“, referiu, acrescentando que “há ainda muito a fazer em Portugal, tal como, de resto, em todo o mundo”.
Portugal tem cerca de 12.800 pessoas a trabalhar sob qualquer forma de escravatura e, por isso, “é importante que o Governo se mantenha empenhado”, frisou Fiona David, que também advogada e criminologista.
No resumo do Índice é indicado que a Coreia do Norte, Uzbequistão, Camboja e Índia são os países com maior índice de prevalência de “escravatura moderna”, em cujo top se incluem também a China, Paquistão, Bangladesh, Rússia, Nigéria, República Democrática do Congo (RDCongo) e Indonésia.
“Muitos destes países produzem com o mais baixo custo bens de consumo para abastecer os mercados da Europa Ocidental, Japão, América do Norte e Austrália”, lê-se no documento, que salienta, porém, que vários países ocidentais já começaram a legislar para combater o abuso em indústrias chave, entre eles Portugal.
ZAP / Lusa

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