O reforço da literacia digital, a necessidade de uma regulação eficaz da Inteligência Artificial e a defesa de políticas públicas de apoio ao jornalismo estiveram entre as principais conclusões da primeira conferência anual do Movimento UPortugal, realizada este sábado, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP-ULisboa) - parceiro institucional do evento - sob o tema “DemocracIA: Media e Futuro”. O encontro reuniu especialistas, académicos e profissionais da comunicação social para refletir sobre as transformações tecnológicas e os seus impactos na sociedade e na qualidade da democracia. A discussão evidenciou a necessidade de garantir que a Inteligência Artificial permanece ao serviço das pessoas, acompanhada por um investimento consistente na literacia digital, desde as escolas e ao longo da vida. Foi igualmente defendida a importância de assegurar uma regulação eficaz, acompanhada de mecanismos de fiscalização e de recursos humanos qualificados. A situação da comunicação social mereceu particular atenção, com a defesa de políticas públicas que contribuam para a sustentabilidade do jornalismo, assegurando a independência editorial e condições dignas para os profissionais do setor. A precariedade nas redações e a crescente disseminação de desinformação foram identificadas como ameaças à qualidade da informação e ao funcionamento das sociedades democráticas. “Não podemos combater eficazmente a desinformação se deixarmos morrer a informação de qualidade”, sublinhou Catarina Resende, do Movimento UPortugal, na apresentação das conclusões. Na sequência do encontro, a UPortugal comprometeu-se a elaborar um documento que reúna as principais ideias e propostas apresentadas, procurando dar continuidade ao debate e contribuir para a definição de respostas aos desafios identificados. No encerramento, Paulo Lopes Silva, presidente do Movimento UPortugal, destacou a importância da confiança enquanto elemento central da qualidade democrática, num contexto de profundas transformações económicas, sociais e tecnológicas. “A confiança não se decreta. Constrói-se com competência, transparência, responsabilidade e resultados”, afirmou Paulo Lopes Silva, sublinhando a necessidade de reforçar a confiança dos cidadãos na informação, nas instituições e na capacidade da democracia para responder aos problemas da sociedade.
Especialistas debateram Inteligência Artificial e futuro dos media A conferência contou com dois painéis temáticos. O primeiro, “Inteligência Artificial: Desafios e Oportunidades”, reuniu Goreti Marreiros, Francisco Goiana da Silva e Alfredo Sousa de Jesus, com moderação de Ana Pimentel. O segundo, “A Comunicação Social em Portugal e a Desinformação”, contou com Telmo Gonçalves, Miguel Carvalho e Inês Cardoso, sob moderação de Tiago Sigorelho. O programa incluiu ainda intervenções de Paulo Martins sobre “Inteligência Artificial no Futuro do Jornalismo”, de Carlos Zorrinho, presidente da Assembleia Geral do Movimento UPortugal e de Ricardo Ramos Pinto, presidente do ISCSP – ULisboa. A iniciativa contou também com a presença do Presidente da República, António José Seguro, que assistiu à conferência. A primeira conferência anual integra o plano de atividades do Movimento UPortugal para 2026–2028, que prevê a realização de iniciativas de debate público, investigação e formação cívica, com o objetivo de promover a participação democrática e contribuir para uma sociedade mais informada e participativa.
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