segunda-feira, 12 de julho de 2021

Incêndios: Trinta e seis concelhos de seis distritos em risco máximo

Trinta e seis concelhos dos distritos de Faro, Santarém, Portalegre, Castelo Branco, Guarda e Bragança apresentam hoje um risco máximo de incêndio, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera 

Em risco máximo de incêndio estão os concelhos de Aljezur, Lagos, Portimão, Monchique, Silves, Loulé, São Brás de Alportel e Tavira (Faro), Chamusca, Constança, Vila Nova da Barquinha, Abrantes, Sardoal, Tomar, Ferreira do Zêzere, Mação (Santarém), Proença-a-Nova, Vila de Rei, Vila Velha de Ródão, Castelo Branco e Fundão (Castelo Branco).

Também os concelhos de Gavião, Nisa, Castelo de Vide, Portalegre e Marvão (Portalegre), Figueira de Castelo Rodrigo (Guarda), Freixo de Espada à Cinta, Torre de Moncorvo, Alfândega da Fé, Mogadouro, Macedo de Cavaleiros, Mirandela, Miranda do Corvo, Bragança e Vimioso (Bragança) estão hoje em risco máximo de incêndio.

O IPMA colocou também vários concelhos de todos os distritos, exceto Viana do Castelo, em risco muito elevado e elevado de incêndio.

O risco de incêndio determinado pelo IPMA tem cinco níveis, que vão de reduzido a máximo.

Os cálculos são obtidos a partir da temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas últimas 24 horas.

O risco de incêndio vai manter-se elevado em algumas regiões do continente pelo menos até sexta-feira.

O IPMA prevê para hoje no continente céu pouco nublado ou limpo e aguaceiros fracos no litoral a norte do Cabo Carvoeiro até meio da manhã, sendo mais prováveis no Minho onde poderá persistir até final da tarde.

A previsão aponta também para vento fraco a moderado do norte/noroeste, por vezes forte na faixa costeira ocidental a sul do Cabo Carvoeiro em especial durante a tarde com rajadas até 65 quilómetros por hora, e nas terras altas com rajadas até 75 quilómetros por hora no Centro e Sul.

Está ainda prevista uma descida de temperatura, sendo acentuada no interior.

As temperaturas mínimas vão oscilar entre os 10 graus Celsius (na Guarda) e os 20 (em Faro) e as máximas entre os 19 (na Guarda, Viseu, Porto e Viana do Castelo) e os 32 (em Faro).

Lusa

Imagem: Sapo24

Morreu Constança Braddell, jovem que sofria de fibrose quística

A jovem estava internada com prognóstico muito reservado desde o início do mês. Constança Braddell sofria de fibrose quística. Tinha 24 anos.


A notícia foi confirmada este domingo à noite numa mensagem assinalada nas suas redes sociais.

"É com grande tristeza que hoje, dia 11 de julho pouco depois das 14h, a nossa querida Constança nos deixou", pode ler-se.

Há sensivelmente uma semana, também nas redes sociais, foi publicada uma nota em que se assinalava que Constança tinha dado entrada no hospital depois de ter sofrido uma sucessão "de complicações do ponto de vista clínico" e que o seu prognóstico era "incerto" e "extremamente reservado".

Na mensagem hoje divulgada, é assinalado que Constança "viveu constantemente a sua vida com um admirável positivismo e entrega" e que "nunca tomou nada por garantido, apreciando cada momento da sua vida como se fosse o seu último".

"A Constança mostrou ao mundo o significado de Acreditar e tornou-se numa inspiração para todos nós. Ela será e permanecerá sempre uma fonte de inspiração. Aquela com o sorriso mais contagioso, que radiava energia e uma força de espírito inigualável", dita ainda a publicação.

A história de Constança ficou conhecida quando a jovem lançou um apelo emocionado no seu Instagram, intitulado “não quero morrer", onde pedia o acesso ao medicamento inovador Kaftrio para tratamento da fibrose quística.

O caso de Constança teve ‘eco’ em vários partidos com assento parlamentar, que pediram ou exigiram esclarecimentos ao Governo e que este acelerasse o processo de aprovação do medicamento, nomeadamente o PS, o PSD, o PAN e o CDS-PP.

Em menos de 48 horas, Constança Braddell conseguiu angariar mais de 190 mil euros através da plataforma GoFundMe. O caso tornar-se-ia conhecido em todo o país.

Lusa

Fotos: DR / Twitter

“Estamos cansados”. Imigrantes dizem que são “tratados como lixo” e denunciam injustiças no SEF

Cerca de cem imigrantes juntaram-se hoje em Lisboa para denunciar que estão a ser "tratados como lixo" e alertar para a injustiça da atribuição de autorizações de residência no sistema de senhas online.

"Estamos cansados desta situação, o maior motivo da manifestação é o desespero, obrigam-nos a estar 24 horas no sistema à procura de uma vaga, e nós somos trabalhadores, não somos bandidos, pagamos impostos, e o Governo tem de ver isso", disse à Lusa a organizadora da manifestação, Juliete Cristina.

Para esta brasileira que está em Portugal desde 2019 sem conseguir uma autorização de residência, o sistema de atribuição de senhas através de uma plataforma informática do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) fomenta as ilegalidades e a extorsão.

"Há pessoas que conseguem por sorte, outras é pagando, uma advogada tentou cobrar-me 300 euros [por uma vaga para atendimento pelo SEF], e uma pessoa num momento de desespero, depois de estar cá três ou quatro anos, acaba por pagar, mas eu não pago, porque isso é injusto", disse a imigrante em declarações à Lusa no Terreiro do Paço, em Lisboa.

Os imigrantes hoje concentrados em Lisboa defendem que a atribuição de autorização de residência seja feita por ordem cronológica e que o processo seja automatizado a partir do momento em que o SEF dá 'luz verde' à receção dos documentos, que são entregues de forma digital, defendendo que "não há razão para ficar nesta agonia" depois da aprovação dos documentos.

Colocamos o documento no portal online, esperamos até 90 dias para o SEF aprovar o documento, que é o prazo legal, mas demora oito meses a um ano para aprovação, e depois ainda há outra plataforma para agendar, e o que pedimos é que seja por ordem cronológica", explicou Juliete Cristina.

"Quem chega agora não tem emprego, tem tempo para estar sempre a ver o telemóvel, e consegue uma vaga, e eu que estou cá há dois anos a pagar impostos e a contribuir para a Segurança Social, não consigo, isto é injusto", apontou.

Para a organizadora da manifestação, esta situação equivale a uma prisão e a uma retirada de direitos como viajar, comprar um carro ou até encontrar um emprego.

"Não temos o direito de ir para outro país, nem viver, estamos presos neste país. Eu não posso viajar pela União Europeia porque não tenho residência, estamos amarrados, não é só os brasileiros ou os africanos, é toda a gente, isto está a acontecer a todos os imigrantes, somos tratados como lixo", lamentou.

A Associação Solidariedade Imigrante denunciou recentemente à Lusa que há “autênticas máfias” a vender aos imigrantes agendamentos no SEF por centenas de euros.

“As máfias organizadas e escritórios de advogados levam os agendamentos todos. Quando abrem agendamentos duram 15 minutos na plataforma do SEF”, sustentou o presidente da associação, dando conta que os imigrantes estão “a ser explorados” ao ser-lhes cobradas “centenas de euros por um agendamento”.

O ministro da Administração Interna reconheceu, no início de junho no parlamento, que há uma “apropriação ilegitima” dos agendamentos digitais no SEF destinados aos imigrantes, avançando que este sistema está neste momento em revisão.

Eduardo Cabrita sublinhou que investigações internas e do Ministério Público não apuraram responsabilidade criminal, mas identificaram “praticas erróneas sobretudo de alguns escritórios de advogado que no fundo monopolizavam as aberturas de agendamento digital”, tendo sido “estabelecidos limites para o número de agendamentos feitos”.

O Bloco de Esquerda tem denunciado que há imigrantes que demoram mais de dois anos para conseguir um agendamento no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, bem como as dificuldades em aceder à plataforma SAPA.

Em junho, o SEF avançou à Lusa que as vagas para atendimento aos imigrantes que têm processos pendentes naquele serviço estão “totalmente preenchidas até 30 de outubro” e não existe previsão de abertura de novas vagas.

Dados divulgados nessa altura indicavam também que 223.000 estrangeiros com processos pendentes no SEF têm temporariamente a situação regularizada em Portugal devido à pandemia de covid-19, abrangidos por um despacho de 30 de abril que permite que possam obter o número de utente, acesso ao Serviço Nacional de Saúde, a prestações sociais de apoio e celebração de contratos de arrendamento e de trabalho, bem como abertura de contas bancárias e contratação de serviços públicos essenciais.

Lusa

Maioria de inquiridos em estudo satisfeita com gestão da pandemia

A maioria dos inquiridos num estudo hoje divulgado manifestou-se satisfeita com as medidas adotadas pelo Governo no último ano para combater a pandemia de covid-19, apesar das consequências económicas e ao nível da saúde mental.

As conclusões são inferidas dos resultados preliminares de um estudo promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), com o objetivo de medir os principais impactos da pandemia de covid-19 na economia, na sociedade, nas instituições democráticas e política internacional.

De acordo com os resultados da primeira roda de inquéritos, realizada entre 16 de março e 20 de maio, três quartos dos inquiridos consideram-se, pelo menos, razoavelmente satisfeitos com as medidas tomadas pelo Governo no âmbito do combate à pandemia.

Entre as medidas que merecem melhor avaliação, os inquiridos apontam as restrições à circulação e à atividade no segundo confinamento, o recurso ao ensino a distância novamente em fevereiro, o pedido de ajuda médica a outros países, a política de aconselhamento científico e o plano de vacinação contra a covid-19, ao contrário das medidas implementadas no período do Natal e Ano Novo, consideradas positivas por apenas 25% dos inquiridos.

Em linha com esta relativa satisfação, a maioria dos inquiridos (60%) afirmou confiar no executivo, um número que aumenta para 81% quando se fala do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e para 85% a respeito do Presidente da República.

Já o Ministério da Saúde foi considerado o organismo estatal que mais se evidenciou pela positiva, mas a maioria (72%) concorda que deveriam ser os especialistas a tomar as decisões sobre combater o SARS-CoV-2.

Por outro lado, os resultados revelam também os efeitos negativos de mais de um ano com medidas restritivas, em termos económicos, sociais e de saúde mental.

"Ao nível da saúde mental, e apesar de não ser ainda possível com os presentes dados estimar um padrão de alteração específico, podemos concluir que houve um impacto negativo", lê-se no relatório.

Por exemplo, seis em cada 20 inquiridos sentiram-se sozinhos durante o ano passado e, em comparação com o período pré-pandemia, a percentagem de pessoas que considerava que a sua vida se aproximava daquilo que idealizava passou de 71% para 22% no primeiro confinamento, subindo ligeiramente para 30% no segundo.

"Os dados permitem verificar que o isolamento social prediz de forma significativa as quebras reportadas neste bem-estar subjetivo, sendo particularmente penalizadores os sentimentos de solidão", acrescenta o documento.

Ao nível do trabalho, 38% dos entrevistados acusam uma situação de insegurança, reportando ter gastos equivalentes aos ganhos, e quase 20% assumem que tem sido necessário recorrer a poupanças ou contrair dívidas para fazer face aos gastos correntes.

Dois em cada dez inquiridos reportaram que eles próprios, ou algum membro do seu agregado familiar, ficaram desempregados durante a pandemia e 34% afirmaram que o rendimento do seu agregado familiar diminuiu no último ano e meio.

Estas conclusões parecem fazer sentido, quando comparadas com um outro dado, segundo o qual pouco mais de metade dos inquiridos concordam que no combate a uma pandemia é mais importante dar prioridade à saúde pública, em detrimento da atividade económica e do emprego, enquanto 23% defendem o oposto.

Por outro lado, a grande maioria (86%) admite que as limitações às liberdades públicas foram completamente justificadas ou, pelo menos, justificadas em certa medida, mas 43% dos inquiridos consideram que a democracia foi enfraquecida durante o período de pandemia.

O estudo olha também para a perceção dos portugueses relativamente à política internacional e, segundo os resultados, os inquiridos parecem responsabilizar, pela negativa em termos da origem ou gestão da pandemia, a China (53%) que é também destacada, pela positiva, em 20% das respostas, como um dos países que contribuíram para uma maior coordenação coletiva de esforços.

Relativamente às instituições supranacionais, a maioria (63%) aponta a Organização Mundial da Saúde (OMS) como a principal organização a desempenhar um papel positivo, mas apenas 15% valorizaram o papel da União Europeia (UE).

"Uma das possíveis razões para essa avaliação pode ser encontrada na dificuldade em coordenar as respostas nacionais", aponta o relatório, que refere que pouco mais de metade dos inquiridos (57%) consideraram positiva a opção de encarregar a Comissão Europeia (CE) do processo de compra de vacinas.

Ainda relativamente ao impacto da pandemia de covid-19 na economia, os setores do comércio, indústria e transportes foram os mais afetados no segundo trimestre de 2020, a que se junta a agricultura no trimestre seguinte.

Do lado das famílias, em termos de consumo, foi na restauração, beleza e bem-estar, viagens, cultura, vestuário e alojamento temporário que a maioria reduziu despesas, que aumentaram, por outro lado, nos setores da eletricidade, gás e água, no comércio 'online' e retalho.

A segunda vaga do estudo da FFMS decorreu em setembro e os resultados finais deverão ser publicados na primavera de 2022.

Foram recolhidas três amostras de aproximadamente 1.150 participantes cada e o projeto, que conta com a colaboração de investigadores de diferentes universidades, é coordenado por Carlos Jalali, da Universidade de Aveiro, que assumiu a coordenação depois da morte de Nuno Monteiro, da Universidade de Yale, em maio.

Lusa

Despedimento foi principal causa para deixar de trabalhar no confinamento

O despedimento foi a principal causa para deixar de trabalhar, tanto no segundo trimestre de 2020, como no primeiro trimestre de 2021, altura em que foram decretados os dois confinamentos gerais devido à pandemia, indica um relatório divulgado hoje.

Segundo o relatório "A pandemia e o mercado de trabalho: O que sabemos um ano depois", elaborado por Susana Peralta, Bruno P. Carvalho e Mariana Esteves, do Nova SBE Economics for Policy Knowledge Centre, "o despedimento foi a razão mais comum para deixar de trabalhar" naqueles dois trimestres.

"De cerca de 20% no período pré-pandemia, esta percentagem subiu para 25% no segundo trimestre de 2020 e no primeiro trimestre de 2021", pode ler-se no documento elaborado no âmbito da Iniciativa para a Equidade Social, da Nova SBE, Fundação la Caixa e BPI.

Os autores destacam que, ao contrário do que aconteceu no primeiro trimestre de 2020, em que "a causa mais popular para deixar de trabalhar foi a reforma por velhice (20,4%), no início de 2021, a maioria saiu porque foi despedida (25%)".

Após junho de 2020, houve uma diminuição desta percentagem, que acompanhou o desconfinamento, nos terceiro e quarto trimestres de 2020, "mas os despedimentos voltaram a aumentar em janeiro de 2021, atingindo novamente cerca de 25%, o que coincide com o regresso das medidas mais severas de confinamento".

O relatório combina dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), do Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério do Trabalho e Segurança Social, do Instituto para o Emprego e Formação Profissional (IEFP) e da Google.

Durante a pandemia, indica o documento, as taxas de desemprego e de subutilização de trabalho aumentaram, sobretudo a partir de junho de 2020 e, em abril de 2021, estavam já próximas de valores pré-pandemia, sendo de 7% e 13%, respetivamente.

Já entre as pessoas que mantiveram o emprego, o número médio de horas trabalhadas diminuiu no caso dos agregados com salários mais baixos e aumentou nos salários mais elevados.

"A redução ou falta de trabalho por motivos técnicos ou económicos da empresa foi 16 vezes superior no segundo trimestre de 2020 à do mesmo trimestre de 2019", lê-se no relatório.

As famílias com crianças, especialmente as monoparentais, e os jovens foram os mais afetadas pela redução no número médio de horas trabalhadas.

Os autores indicam ainda que o número de inscritos nos centros de emprego aumentou em 28% para 375 mil, entre fevereiro e dezembro de 2020, sobretudo devido ao aumento de 30% nos inscritos com educação secundária.

"Em 2021, os inscritos continuaram a aumentar até abril e só em maio regressaram aos valores registados no final de 2020, ainda muito longe dos de 2019", sublinham os autores.

Embora o número de inscritos com ensino superior também tenha aumentado, "a recuperação foi mais expressiva para este grupo (redução de 12% entre janeiro e maio de 2021) do que para aqueles que têm no máximo o ensino secundário (6%) ou o básico completo (0,4%)".

O número de inscritos face a 2019 é especialmente significativo na região do Algarve.

Quanto às remunerações, entre o primeiro trimestre de 2020 e de 2021, o salário médio aumentou de 929 para 982 euros, sugerindo que a maior parte dos postos de trabalho destruídos são os de pessoas com salários mais baixos, concluem.

O relatório analisa ainda dados sobre o teletrabalho, indicando que a percentagem de pessoas em teletrabalho no segundo trimestre de 2020 era de 22,6%, tendo diminuído progressivamente nos trimestres seguintes e voltando a aumentar no primeiro trimestre de 2021, para 20,7%.

"São os indivíduos com ensino superior aqueles que mais frequentemente estão em teletrabalho, com uma prevalência, no primeiro trimestre de 2021, três a 21 vezes maior do que nos que têm ensino secundário e até ao básico, respetivamente", pode ler-se no documento.

Já o número de contratos temporários (a termo e com recibos verdes) esteve desde o segundo trimestre de 2020 abaixo dos valores de 2019, sendo esta quebra "mais concentrada nos mais jovens e nos indivíduos com ensino secundário ou menos", tendo sido "parcialmente compensada com um aumento dos contratos sem termo, especialmente nos indivíduos com ensino superior".

Lusa

Federação e primeiro-ministro britânico condenam insultos racistas contra jogadores

A Associação Inglesa de Futebol mostrou-se "chocada" e "enojada" pelos comentários racistas nas redes sociais que visaram três jogadores da seleção, uma condenação seguida já hoje pelo primeiro-ministro britânico.

"Os jogadores da equipa inglesa merecem serem tratados como heróis, não [vítimas de] insultos racistas nas redes sociais", escreveu Boris Johnson no Twitter, referindo-se aos comentários racistas dirigidos a Marcus Rashford, Jadon Sancho e Bukayo Saka, os três jogadores que falharam grandes penalidades na derrota de domingo com a Itália na final do Euro, em Wembley.

"Os responsáveis por este terrível abuso deveriam envergonhar-se", acrescentou o primeiro-ministro.

A Federação Inglesa de Futebol já afirmara estar "chocada" e "repugnada" pelos comentários racistas.

"Estamos enojados pelo facto de membros da nossa equipa, que deram tudo de si este verão, terem sido sujeitos a ataques discriminatórios 'online' depois do jogo desta noite", publicou a federação também no Twitter.

"Nós apoiamos os nossos jogadores", insistiu.

Os três jogadores falharam a cobrança das grandes penalidades, selando a derrota da Inglaterra com a Itália, acabando com o sonho de um país inteiro que esperava ganhar um segundo grande título, 55 anos após a sua vitória em casa no Campeonato do Mundo de 1966.

A federação afirmou ainda que "condena todas as formas de discriminação e está chocada com a propagação do racismo nas redes sociais contra alguns jogadores de Inglaterra".

Dizemos, nos termos mais claros possíveis, que qualquer pessoa por detrás de um comportamento tão repugnante não é bem-vinda entre os apoiantes desta equipa", concluiu.

A polícia de Londres disse estar "a investigar" as publicações "insultuosas e racistas".

O futebol inglês tem sido flagelado há vários meses pelo racismo 'online' que visa os jogadores após a derrota ou desempenhos dececionantes nos respetivos clubes.

Em maio, a federação apelou ao Governo britânico para que legislasse imediatamente para forçar as redes sociais a tomarem medidas contra insultos 'online', que no passado visaram Marcus Rashford.

Para chamar a atenção para este racismo 'online', a federação, os clubes da Premier League, da Segunda Divisão e da Superliga Feminina, bem como as organizações representativas de jogadores, árbitros e treinadores, a que mais tarde se juntaram outros desportos como o 'rugby' e o críquete, tinham decidido não alimentar as suas contas nas redes sociais de 30 de abril até 03 de Maio.

A final da Euro também foi marcada por incidentes com adeptos sem bilhetes que conseguiram entrar no estádio, quebrando barreiras de segurança e sobrecarregando o pessoal do estádio.

Uma cena de violência com adeptos a desferirem murros e pontapés a um homem asiático nos corredores do estádio foi filmada e afixada nas redes sociais.

Lusa

O diamante, um símbolo do Céu Empíreo

 

Deus pôs na Criação admiráveis símbolos que nos ajudam a compreender as verdades mais altas da Fé, como a ressurreição da carne e a vida eterna. E um desses símbolos é, sem dúvida, o diamante.

  • Luís Dufaur

Os corpos dos falecidos na graça de Deus ressuscitarão esplendorosos como sóis, purificados de toda imperfeição, portando como gloriosas condecorações os sinais externos dos grandes feitos da sua vida. As feridas dos mártires serão fontes de luz; os heroísmos praticados pela Fé, as vitórias contra o vício e o pecado reluzirão como coroas de ouro que iluminarão a alma, transparecendo o brilho nos corpos.

No Céu, as almas verão a Deus face a face — Ele, que é fonte inesgotável de todas as perfeições e alegrias. E isso por toda a eternidade, sem ter nem sequer a perspectiva de qualquer sombra de perturbação. Os corpos, por sua vez, serão envolvidos numa castíssima, temperante e fabulosa variação harmônica de gáudios adequados à natureza material que lhes é própria. Companheiro de trabalhos e lutas da alma nesta Terra, o corpo terá assim seu justo prêmio.

A purificação da Terra

Para este fim, Deus criou um lugar especial para os corpos dos que se salvam: o Céu Empíreo. Além do mais, o Paraíso terrestre lhes estará franqueado, para ali se jubilarem na contemplação dessa obra-prima do universo.

Também esta Terra em que vivemos será purificada. A virtude divina, valendo-se do fogo, tirará dela tudo quanto há de impuro, feio, ruim ou grosseiro — inclusive as más obras dos homens — e lançá-los-á no inferno. Tudo quanto há de belo e bom será acrisolado e conservado na Terra. Então os bem-aventurados voltarão em corpo e alma, sem esforço nem entraves, , aos locais onde se deram grandes lances da História da Igreja, da humanidade e de sua vida pessoal, conversando entre si e trocando felizes lembranças.

Como será a matéria dos corpos ressurrectos e da Terra purificada? É difícil sabê-lo. Entretanto, uma rara pedra dá-nos disso uma certa idéia: o diamante.

Sim, a pedra mais cobiçada do mundo é uma pálida mas significativa prefigura da Terra futura!

Representações do diamante

Segundo a física, o diamante não é senão carvão que foi submetido a temperaturas e pressões extraordinárias em camadas geológicas profundas. Se o carvão acrisolado dá no diamante, o que darão os outros elementos depois da purificação final do nosso mundo? Ficamos pasmos e maravilhados ante a incógnita.

Cada diamante é como uma gota de orvalho do Céu Empíreo, e dele nos fala naturalmente. Por exemplo, o esplêndido ostensório da catedral de Palermo, Itália, enriquecido profusamente de diamantes, dá-nos uma idéia da glória do preciosís­simo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, não somente na Hóstia consagrada, mas especialmente no Céu, ao qual Nosso Senhor ascendeu em corpo e alma (foto ao lado). Igualmente, a profusão de diamantes encastoados no ouro da soberba “glória” do Santo Costado (lado de Nosso Senhor traspassado por uma lança, e do qual jorrou sangue e água), do tesouro da mesma catedral (foto à direita). Representa a torrente inexprimível de graças conquistadas por essa chaga aberta pelos algozes de Nosso Senhor durante sua Paixão. Essa jóia religiosa nos permite imaginar também a sublime luz que se desprenderá das chagas dos mártires ressurrectos, assim como o resplendor dos corpos das Virgens e Doutores da Igreja.

A tiara pontifícia de Gregório XVI, que vemos na foto à esquerdafoi confeccionada com muitos diamantes. Eles realçam o caráter de ponte suprema e infalível entre o Céu e a Terra, próprio do Papa. E colateralmente nos faz pensar na coroa que corresponde a cada bem-aventurado no Céu.

Fala-nos também dos símbolos materiais com que serão recobertos os bem-aventurados no Céu Empíreo o deslumbranteracional[broche que fecha a capa pluvial] do Papa Leão XIII, da foto  ao lado

Prefiguras

O diamante, a mais dura das pedras, é símbolo da virtude inabalável. Ele destina-se a prestigiar a virtude e a santidade. Isto é especialmente verdadeiro quando se trata daquelas instituições na Terra que melhor refletem a ordem e a santidade do Céu: a Santa Igreja Católica e a Civilização Cristã. Exemplo magnífico é constituído pela insígnia do Toison d’Or (Tosão de ouro), composta para os reis de Portugal com 400 diamantes brasileiros. A Ordem do Veludo de Ouro, essencialmente secular e honorífica, engajava os seus membros a exaltar o espírito cavalheiresco, tendo como fim principal a glória de Deus e a defesa da Religião cristã. Ela, entretanto, é apenas uma prefigura dos insignes sinais que portarão na eternidade todos aqueles santos que guerrearam pela Igreja e pela Cristandade nesta vida terrena e passageira. No mesmo sentido falam-nos as duas peças ao lado: a Grande Cruz e a condecoração das Ordens Militares de Cristo, Santiago e Avis, coroadas pelo Coração de Jesus rodeado de espinhos ao lado.

Símbolo de valores morais

Na ordem social e política cristã, cabe à nobreza, e de modo especial aos reis, serem para o povo um modelo de prática adamantina (a palavra se origina de diamante) das virtudes católicas: Santo Henrique, imperador alemão; São Luís IX, rei da França; São Fernando de Castela; São Pedro Urséolo, Doge de Veneza; Santa Isabel da Hungria; Santa Isabel de Portugal; Santa Clotilde —para mencionar apenas alguns, mas esplêndidos exemplos disso.

É pois benéfico para a sociedade que sejam ornados com símbolos da Pátria celeste aqueles que, com seu estilo requintado de vida, nos figuram o ideal do Céu. É o caso do diadema da rainha Maria Pia de Portugal — feito por volta de 1860 com diamantes do Brasil — ou o da rainha Isabel da Bélgica.

O quadro de Cristina de Lorena, à direita, Grã-duquesa da Toscana, ornada com diamantes e pedras preciosas, leva-nos a admirar um conjunto de valores morais e culturais que, na sua perfeição sem mancha, só conheceremos na corte celeste. No quadro da rainha de Espanha, Maria Luísa, o requinte de refinamento, educação e delicadeza quase faz esquecer a riqueza dos diamantes que ela ostenta. A pintura, entretanto, é uma pálida figura do resplendor que a visão beatífica comunicará às almas bem-aventuradas, e que excederá o brilho das recompensas reservadas para os corpos ressuscitados no grande palácio do Céu.

Uma antipatia moderna

Em sentido contrário, compreende-se bem quanto o abuso desses símbolos é oposto às finalidades com que Deus os criou. É o caso do seu emprego pelas religiões pagãs; ou para o mero gozo da vida, vaidade ou exibição de dinheiro pelo dinheiro. Exemplo típico foi o do diamante Oeil de l’Idole, que um soldado inglês arrancou da testa de um ídolo indiano. Ou certas obras de joalheria moderna, que empregam nobres pedras para figurar animais ou formas extravagantes, imorais, nojentas ou nocivas.

Mas o antigo paganismo — é preciso reconhecê-lo — não caiu tão baixo quanto o igualitarismo sórdido da nossa época, que odeia por princípio tudo quanto alimenta o desejo do Céu, e por isso antipatiza com elementos como o diamante, que nos proporcionam antegozo e apetência da eterna bem-aventurança.

ABIM

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O carvão, o brilhante e o raio de sol

“O diamante é um carvão que,

nas trevas e sob a pressão dos sofrimentos mais atrozes,

admirou tanto a luz,

que se transformou num raio de sol”.

Plinio Corrêa de Oliveira