sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Que estado de espírito ter diante de catástrofes?



Plinio Maria Solimeo 

“Pois bem! Eis o que diz o Senhor Javé: em minha indignação, desencadearei um furacão, em minha cólera, vou mandar uma tempestade, em meu furor de destruição, farei cair granizo” (Ezequiel, 13, 13).
 
 


O que, no mundo de hoje, não provoca a ira de Deus? Se olharmos para o campo religioso, não poderia haver maior confusão e apostasia. No político, nem se fala. Praticamente é só corrupção. No moral, então, o que falta para o nudismo completo, com as “modas” cada vez mais despudoradas? O que resta da família, desfeita pelo abandono do verdadeiro matrimônio cristão e substituída por “uniões informais”, pela aprovação do casamento homossexual, do aborto, da “ideologia de gênero”? E paremos por aqui.
            Não é, pois, de espantar que sobrevenham sucessivas catástrofes, mas apenas perguntar de que natureza, quando e onde será provavelmente a próxima.
            Rememoremos algumas mais recentes.

·        17/08/2017: “Inundações em Bangladesh já afetam 4,5 milhões de pessoas e deixam 56 mortos. As inundações já atingem 26 dos 64 distritos do país, e 470 mil pessoas tiveram que ser levadas para um dos 915 abrigos”[i]
·        30/08/2017: “'Desastre ignorado': inundações na Índia, Bangladesh e Nepal deixam 1 milhão e 200 mil mortos e milhões de desabrigados. [ii].
·        06/09/2017: Três furacões simultâneos atualmente devastam o Atlântico e o Golfo do México. Ao menos 9 pessoas morreram e 7 outras estão desaparecidas nas ilhas de Saint-Martin e Saint-Barthélemy, no Caribe francês. O número dos mortos é de 112[iii].
·        08/09/2017: Terremoto da magnitude de 8,1, no Estado de Oaxaca, o mais forte que o México conheceu em um século, fez pelo menos 58 mortos. Teme-se um tsunami[iv].
            Estas são algumas amostras do que está acontecendo em todo o mundo, relacionadas apenas a desastres naturais. Se fôssemos falar dos desastres morais, não haveria espaço suficiente nesta folha.

“Castigai-nos, Senhor, mas com equidade”
            Com que estado de espírito o público em geral, e os atingidos em particular, deveriam ver esses sinais? Com o coração contrito e humilhado pelos nossos pecados, que provocam a ira de Deus. Ou seja, como o profeta Jeremias se expressou milênios atrás: “Castigai-nos, Senhor, mas com equidade, e não com furor, para que não sejamos reduzidos ao nada (Jer. 10, 24).
            Mas a generalidade das pessoas tem o coração contrito e humilhado, como a situação o requer? Infelizmente, não.
Um exemplo, para falar apenas das duas ilhas francesas no Caribe, Saint-Martin e Saint-Barthélemy, arrasadas pelo tufão Irma. Uma das principais preocupações de muitos moradores — se não de todos — diz respeito à estação de turismo, que deve começar em dezembro e é muito concorrida.
            O site franceinfo entrevistou alguns dos atingidos pela catástrofe nessas ilhas.     Um deles, um economista, manifestou assim sua preocupação: “É preciso reconstruir o mais rapidamente possível, de modo a não perder a estação turística”. Quer dizer, a preocupação é ganhar dinheiro.

Pior: as pilhagens em meio ao caos
Mas há pior. Muitos dos sobreviventes, além de não manifestarem o estado de espírito descrito por Jeremias, querem aproveitar-se da situação fazendo pilhagens.
Uma habitante da ilha de Saint-Martin, entrevistada pelo mesmo site, disse à reportagem: “O que me chocou e desolou verdadeiramente foram as pilhagens, as lutas por uma televisão, por um ventilador”, em meio ao caos das lojas atingidas.
            Deve-se por isso temer que ocorra com eles o que diz o Levítico:
“Se apesar desses castigos não vos quiserdes corrigir, mas vos obstinardes em resistir-me, eu vos resistirei por minha vez e vos ferirei sete vezes mais, por causa dos vossos pecados”(Levítico 26, 23-24).
Uma voz discordante
            Na iminência de o furacão Irma atingir Miami, houve felizmente nos Estados Unidos uma voz que encarou a realidade com espírito sobrenatural.
Lembrando-se de que na liturgia antiga da Igreja há procissões e preces para essas ocasiões, o Pe. John Zuhlsdorf recomendou em seu blog aos bispos e ao clero da região que as fizessem com seus fiéis, para implorar a misericórdia de Deus. E para que tivessem maior eficácia, que fossem feitas segundo o antigo cerimonial da Igreja.
Assim, ele recomenda que o bispo, “de pé nos degraus de sua respectiva catedral, vestido com capa magna e mitra, cercado pelo clero, com a cruz na mão, pronuncie — como está no Ritual Romano tradicional —, a Ladainha de todos os Santos, com as preces deprecatórias contra as tempestades, tocando os sinos da catedral”, pois estes são um sacramental, e seu soar ajuda a afastar as tempestades.
            Se o episcopado e o clero dessas regiões atingidas tivessem agido assim, teríamos o que está dito no II livro dos Macabeus: Suplico aos que lerem este livro [ou este artigo], que não se deixem abater por esses tristes acontecimentos, mas que considerem que esses castigos tiveram em mira não a ruína, mas a correção de nossa raça” (II Mac 6, 12).

Nenhum comentário:

Postar um comentário