sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Famílias cabo-verdianas gastam cerca de 23% do orçamento com a saúde


As famílias cabo-verdianas gastam cerca de 23% do seu orçamento com a saúde, avançou hoje o Ministério da Saúde, indicando que os recursos do Estado para o setor são insuficientes.

"Cerca de 23% das despesas com a saúde são os pagamentos diretos das famílias, que já pagam impostos. Portanto, temos que melhorar também esta questão senão as famílias ficam empobrecidas", indicou Serafina Alves, diretora geral do Planeamento, Orçamento e Gestão (DGPOG) do Ministério da Saúde e Segurança Social de Cabo Verde.

A responsável falava à imprensa no âmbito da reunião alargada do ministério que acontece desde segunda-feira e que termina hoje na Ribeira Grande de Santiago (Cidade Velha).

Apesar de não precisar os números, Serafina Alves avançou que os cabo-verdianos gastam imenso com a sua saúde e o Estado não tem recursos suficientes para o setor.

"A saúde não tem recursos suficientes, é um grande desafio e um grande problema. Não há recursos para a cobertura universal, ou seja, para que todos tenham acesso à saúde", sustentou a diretora geral, dizendo, por isso, que é preciso alocar mais recursos, mas também mais eficiência e mais rigor na utilização dos já existentes.

Serafina Alves disse também que a estratégia para a saúde para os próximos cinco anos prevê a possibilidade de criação de uma lei para angariação de mais meios através de fontes alternativas, como a taxa do turismo, o fundo do ambiente e aumento da verba que o Instituto de Previdência Social (INPS) comparticipa para o setor.

"Toda a gente tem a consciência que os recursos para a saúde não chegam. O Governo tem esta intenção de procurar mais recursos para o setor, mas o que necessitamos fazer neste momento é retomar essa discussão e ver se o Governo está de acordo com essas fontes de financiamento ou se há outras alternativas", prosseguiu.

A diretora geral indicou ainda que outro fator que tem contribuído para aumentar os custos com o setor da saúde no país é a falta de segurança, principalmente nos grandes centros urbanos.

"Este é um problema grave que nós temos com a saúde. O Hospital Agostinho Neto tinha apresentado alguns números de gastos com a saúde que são demasiado elevados. A falta de segurança no país, especialmente na cidade da Praia, tem trazido muitos problemas para o setor da saúde, porque há muitas agressões, cirurgias, acidentes rodoviários", enumerou.

Também disse que o consumo abusivo do álcool também tem trazido muitos problemas para a saúde em Cabo Verde, país que pretende baixar o nível da taxa de álcool no sangue dos condutores de 0,8% para 0,5% e que em julho lançou uma campanha de prevenção do consumo abusivo de álcool.

Serafina Alves, que apresentou o tema sobre os desafios e perspetivas de financiamento da saúde, indicou ainda que outra forma de reduzir os cursos com o setor seria diminuir os exames complementares, que constituem uma área de desperdício.

"Quando fazemos um exame e o utente não o vai lá buscar, estamos a desperdiçar um recurso que poderia ser necessário para outra pessoa que, se calhar, tem mais necessidade", exemplificou, dizendo que os médicos passam muitos exames complementares que os utentes deixam nas estruturas de saúde.

Fonte:noticiasaominuto


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